Transar menos é sinal de crise?

Você até perdia a conta de quantas vezes ia para cama com o amado. Agora, a situação é bem diferente, às vezes nem consegue lembrar quando foi a última vez. Antes de ficar pensando que ele pode ter outra ou que não te ama mais, saiba que muitos fatores podem interferir na freqüência dos encontros sexuais e que a diminuição do ritmo não está necessariamente relacionada a um conflito.

Segundo a sexóloga Carla Cecarello, não há uma média considerada adequada para a atividade sexual. “Existem casais que transam uma vez por mês e se sentem ótimos. Para outros, o ideal é todo dia”, explica.

“Há um consenso na literatura mundial que a média é de 2 a 3 vezes por semana. Mas ninguém deve se comparar a pesquisas. Ficar contando provoca a perda da espontaneidade”, conclui Carla.

“O importante é o casal se entender”, diz a sexóloga. E é aí que mora outro perigo. Já ouviu o ditado: “quando um não quer dois não brigam?”. Pois é, essa frase, de acordo com a psicóloga Junia Ferreira, pode ser transferida para a vida sexual. Isso ocorre quando o parceiro tem o “ritmo” bem distinto do seu.

No entanto, em vez de encarar como um problema, veja a situação pelo lado positivo. “Não cobre o parceiro pela falta de interesse. Use essa oportunidade para seduzi-lo”, ensina Junia.

E, mesmo assim, se a situação não for resolvida, vale a pena contar com a ajuda profissional. “Se isso se tornar um empecilho e o casal tiver vontade de manter a relação, deve procurar um especialista. O problema pode ser resolvido com uma simples terapia”, indica Carla.

Depois do altar

Há um consenso de que depois dos primeiros anos de namoro, a relação começa a “esfriar”. Mas será que isso indica o fim do amor? “Normalmente o casal não cuida da relação”, afirma a terapeuta de casais Ana Lúcia Horta. E isso, segundo ela, pode ser evitado na base da conversa.

“As pessoas precisam aprender a se comunicar. Tem que haver acordos explícitos e não implícitos. A mulher e o homem têm que ter a consciência de que o parceiro não possui uma bola de cristal, ou seja, não pode adivinhar o que o outro está pensando”, explica.

A terapeuta ressalta um fator essencial para que a atividade sexual aconteça. “É preciso ter desejo. E se os parceiros não conversam, se não há fantasias, o sexo acaba sendo mecânico e, portanto, perde-se o interesse”, completa.

Mesmo que aja entendimento e cumplicidade entre os parceiros, não é possível estar a todo momento na mesma sintonia e, como conseqüência, o sexo acaba ficando em segundo plano.

“A vida tem ciclos que nem sempre coincidem. Em um certo período, o homem pode estar focado no trabalho e, em outro, é a mulher que tem seu interesse concentrado nos filhos, por exemplo”, explica Junia.

Problemas externos

Antes de qualquer discussão, precisam ser descartados problemas de saúde, assim como o uso de medicamentos que alteram a libido.

Outros fatores externos que podem acarretar uma mudança no ritmo sexual estão relacionados ao estresse, cansaço, insônia. Problemas que podem ser resolvidos com a prática de esportes, alimentação e hábitos saudáveis. “Enfim, tudo está ligado a qualidade de vida”, afirma Carla Cecarello.