Por Que Não Se Prega Mais Sobre o Inferno?

Por Que Não Se Prega Mais Sobre o Inferno?
O teólogo batista R. Albert Mohler Jr escreveu um artigo intitulado Um Inferno com Ar Condicionado: Como o Liberalismo Acontece.Ele chama a atenção para a constatação pelo novelista David Lodge de que na década de 1960 o inferno “desapareceu”, ou seja deixou de ser tema para sermões, textos, ou conversações, e a sua referência passou a ser considera algo de mau gosto, de falta de polidez, ou, posteriormente, como algo “politicamente incorreto”. O inferno “sumiu” como categoria cultural.
Isso não seria surpreendente em círculos teologicamente liberais, que o negam desde o final do século XVIII, a começar dos unitarianos-universalistas congregacionais nos Estados Unidos. O Liberalismo sempre teve como proposta salvar o Cristianismo dele mesmo, ou seja, erradicar temas como Pecado Original, Perdição, Inferno, Sacrifício Expiatório, Ressurreição, Segunda Vinda, Juízo Final, tidos como incompatíveis com a mente moderna. Com essas negações o Cristianismo se tornaria mais palatável para as pessoas civilizadas do Ocidente. Um teólogo liberal chegou a afirmar que essas doutrinas – particularmente o Inferno – “injuria a religião e subverte os próprios fundamentos da moralidade”.
E, o que está acontecendo com os evangélicos? Com a exceção de uma pequena minoria de “extremados” ninguém toca mais no assunto. Alguém pode passar anos em uma igreja evangélica, afirmativa da ortodoxia bíblica, e nunca ouvir falar do inferno.
Em alguns casos, o tema é simplesmente ignorado, não mencionado, distanciado. Está lá como uma doutrina, mas não é mais considerado ser tratado, não é necessário, não é relevante.
Um segundo grupo vai mais além, deixando a doutrina formalmente permanecer nos documentos, mas sua importância é assumidamente reduzida.
Um terceiro segmento, a mantém, mas a ridiculariza. Robert Schüller, da Catedral de Cristal, defende sermões “afirmativos”, “positivos”, e que não se deve fazer qualquer referência ao inferno: “seja lá o que ele seja e para que ele sirva”. Ou seja, não se importem com o inferno, nem o tema, ele é apenas uma doutrina marginal.
Um quarto grupo de evangélicos está mesmo reformulando a doutrina, com a finalidade de remover ofensas intelectuais e morais. E aqui não se resume à defesa do aniquilacionismo ou da imortalidade condicional (onde o inferno é afirmado, embora temporário). John Wenham disse que “falar em um lugar de tormento não é justiça, mas sadismo”. O inferno seria apenas a soma das decisões negativas que tomamos em vida.
O problema é que os protestantes liberais e os secularistas negam o inferno no contexto da negação da inspiração e da autoridade das Escrituras, inclusive quanto aos ensinos morais. Mas o que dizer de evangélicos até defensores da inerrância bíblica e que o inferno é uma doutrina essencial do Novo Testamento, mas, mesmo assim, não a ensinam? Alguém afirmou: “Eu lamento dizer a vocês que a doutrina do inferno é ensinada na Bíblia que eu creio. Eu creio nisso porque a Bíblia ensina. Por conseguinte, nós temos que a receber e crer. Eu gostaria que fosse diferente, mas não o é”. Ou seja, se lamenta e se desculpa. Pedir desculpas por uma doutrina é questionar o caráter de Deus.
Cremos que o inferno é parte da justiça perfeita de Deus?
Há alguns anos alguém afirmou que há cristãos que desejam um “inferno com ar condicionado”. E parece que os esforços nessa direção prosseguem.
Algumas das igrejas emergentes estão indo na mesma direção dos liberais, querendo livrar o Cristianismo de uma doutrina incômoda, embaraçante.
Em um contexto cultural onde não se aceita a pretensão de exclusividade do Evangelho, a natureza pecaminosa, ou os ensinos bíblicos referentes à sexualidade, bem como muitas das doutrinas emanadas da Bíblia, os evangélicos deveriam aprender a lição deixada pela atitude da teologia liberal: considerar uma doutrina embaraçante é o portão de entrada para a acomodação e para a negação. Podem ficar seguros de que esse processo não vai parar apenas com a criação de um inferno com ar condicionado.
Fonte: anglican-mainstream.net
Secretaria Diocesana Anglicana de Comunicação Social
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Última atualização (Qua, 27 de Janeiro de 2010 11:22)
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