Evangelicalismo Não é Fundamentalismo
Pensamento Cristão

Evangelicalismo Não é Fundamentalismo
Depois da Reforma, o próximo grande acontecimento na história do Cristianismo foi o surgimento do evangelicalismo no século XIX, e a rápida evangelização do que veio a ser conhecido como o Ocidente cristão. O historiador David Bebbington definiu o evangelicalismo em torno de quatro características principais: biblicismo (ênfase contundente na Bíblia como palavra inspirada de Deus); crucicentrismo (ênfase absoluta na morte expiatória e redentora de Jesus Cristo); conversionismo (ênfase na experiência do “novo nascimento”); ativismo (ênfase na pregação e vivência do evangelho).
O evangelicalismo tem sido confundido com fundamentalismo e, ainda que ambos falem de conversão e da proteção dos “valores familiares”, eles são, na verdade, bem diferentes. Ainda que os dois considerem a Bíblia a palavra de Deus, os evangélicos tendem a ressaltar mais sua inspiração do que a sua infalibilidade, de forma que eles não a leem literalmente, como texto histórico e geológico, como fazem os fundamentalistas. O historiador George Marsden definiu o fundamentalista como “um evangélico zangado com algo”, e o que deixa os fundamentalistas irritados é a modernidade. Os evangélicos são receptivos à modernidade e menos mal-humorados. Eles foram os primeiros a adotar como estratégia de evangelização às muitas novas tecnologias de comunicação, desde o rádio e a televisão até a internet.
Hoje, o evangelicalismo é visível em grandes instituições humanitárias cristãs como a Visão Mundial e outros núcleos de voluntariado que passam ao largo das antigas fronteiras denominacionais. Ainda que os evangélicos nos Estados Unidos de hoje estejam amplamente associados a figuras que pregam a religião de resultados, os evangélicos americanos do século XIX eram politicamente progressistas, liderando movimentos pela abolição da escravatura e pelo direito de voto das mulheres. Hoje, um evangélico típico em qualquer parte do mundo é contra o aborto e o chamado casamento gay, mas tende a ser politicamente de centro, quando não de esquerda nos outros assuntos de política pública, incluindo pobreza e meio ambiente. Em alguns países, como os Estados Unidos, existe desde 1970 a Esquerda Evangélica, liderada por Jim Wallis, e, em outros, como o Brasil está organizado nacionalmente desde a década de 1990, o Movimento Evangélico Progressista (MEP), que é apoiado pelo Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) ([1]).
Prothero, Stephen, As Grandes Religiões do Mundo, Elsevier, Rio de Janeiro, 2010, pp.75-77.
Secretaria Diocesana Anglicana de Comunicação Social
[1] O Bispo Robinson Cavalcanti foi um dos idealizadores, fundadores e membro da primeira diretoria do Movimento Evangélico Progressista (MEP).
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Última atualização (Sáb, 21 de Agosto de 2010 10:08)
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