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Bispo Profere Segunda Palestra em Gramado

 

Bispo Profere Segunda Palestra em Gramado

 

O Bispo Robinson Cavalcanti participando do IV Encontro de Educação Transformadora, no Janz Team Brasil, em Gramado, RS, proferiu no sábado pela manhã, 29 de maio, a segunda palestra: “Relacionamento Consigo Mesmo”. Desejamos as bênçãos de Deus em sua viagem missionária!

Relacionamento Consigo Mesmo

Bispo Robinson Cavalcanti (¬)

 

  1. Um “apagão” programado em Nova York: pânico, enfermidades, suicídios – a fuga de um momento de solidão = a fuga de si mesmo. A necessidade de parar e encarar a si próprio. O valor do silêncio, da meditação, da introspecção.

 

  1. Pergunta existencial clássica: Quem sou? Somos desafiados pelo: “Conhece-te a ti mesmo”. Sou um ser humano (“Sou humano, e nada do que é humano me é estranho” = Terêncio).

 

  1. Em geral a percepção que temos de nós próprios não corresponde àquela que a sociedade tem de nós. Em geral temos uma visão mais positiva ou mais negativa (baixa auto-estima). A dificuldade de um “espelho para o ser”.

 

  1. O ser é o que é. Somos seres vivos. Somos pessoas. Somos únicos. Temos uma Personalidade (conjunto de características). Temos um Temperamento. Temos aptidões, talentos, dons naturais. Em nós há o herdado (genético) e o adquirido, reflexo de nossa biografia, de nossas experiências. A necessidade de auto-análises sinceras. Waxemberg afirma: “O ser humano não se mostra como uma unidade, mas como um composto. Características genéticas e adquiridas influem continuamente entre si e modificam mutuamente e, no choque com as circunstâncias, geram emoções, sentimentos e pensamentos diversos, muitas vezes contraditórios: altruísmo e egoísmo, amor e indiferença”.

 

  1. É fundamental uma auto-aceitação: devemos nos aceitar como somos. Não podemos ser nem indulgentes (arranjando desculpas para tudo), nem críticos severos de nós mesmos (não aceitando as desculpas reais), ou construir um personagem que representamos, e que esconde o verdadeiro eu.

 

  1. A auto-aceitação inclui o amar a si mesmo. Eu me aceito, porque fui aceito por Deus, que me permite aceitar os outros. Uma dimensão afetivo-religiosa: sou amado por Deus + amo a Deus; sou amado por outros + amo a outros; sou amado por mim mesmo. Devemos acreditar em nós mesmos, no que somos e no que podemos ser, em nossas potencialidades.

 

  1. A percepção de nós mesmos não é algo estático. Estamos em processo permanente de mudanças, em cada faixa etária e diante das experiências da vida. A irracionalidade do “eu nasci assim, e morro assim”.

 

  1. A consciência da ambiguidade moral. Somos capazes de atos heróicos e atos vis. Ninguém é absolutamente bom (“não há um justo, nenhum sequer”, “todos pecaram”), e ninguém é absolutamente mau (presença da imago dei), a tensão permanente entre o “querer” e o “efetuar”. Cada um deve estabelecer o próprio código de ética; valores a serem cridos, cultivados, buscados. Os cristãos partem de uma ética de revelação, e valorizam, com discernimento, a ética filosófica e a ética cultural (mores = moral).

 

  1. Esse caminho do mal para o bem, da “obra da carne” para um novo homem (cristianismo, marxismo), requer convicções e autodisciplina, mas isso é insuficiente. A metanóia, a conversão, a santificação, enfim, a maturidade, inclui um elemento de transcendência, algo maior e fora de nós, o lugar da divindade (para os cristãos, o Espírito Santo).

 

  1. Nesse relacionamento conosco mesmo, devemos prestar atenção, com humildade (“a humildade precede a glória”, uma disposição do aprendente que precede a do ensinante) sobre o que os outros pensam de nós, mas não de forma absoluta, porque os outros podem estar equivocados. Nós transmitimos uma imagem, que pode ser a pessoa ou um personagem. Somos ou representamos? Dissimulação, falsidade vs. transparência.

 

  1. É importante, periodicamente, fazer uma lista do que eu considero e do que os outros consideram em mim como virtudes, e do que considero e os outros consideram em mim como defeitos. A partir daí procurar ter decisão e força de vontade para mudar. A vida é um constante estabelecer de alvos idealistas e passos realistas.

 

  1. Temos a preocupação de não estarmos alienados de nós mesmos, de sermos superficiais, de sermos inautênticos, de não cultivarmos valores, de não buscarmos a maturidade e a sanidade. Há uma clássica oração que diz: “Deus, concede-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença”.

 

  1. Esse processo constante e permanente de construção/reconstrução do ser, inclui um elemento racional, intelectivo: o aprender novas coisas e novas formas de pensar; um elemento emocional/afetivo: o aprender novos sentimentos, novas expressões de temperamento (“controlado pelo Espírito”); um elemento volitivo: aprender novas formar de agir, de atuar; um elemento social: aprender novas formas de se expressar diante do outro, de se relacionar. Desenvolver convicções pessoais saudáveis e maduras, o que inclui uma harmonia com a natureza (gostar de animais e plantas nos humaniza).

 

  1. Conhecer a nós mesmos é conhecer as nossas enfermidades: do corpo, da mente e da alma. Somos todos enfermos. Somos todos neuróticos. Temos, não somente os nossos “achaques”, mas as nossas “neuras” de estimação... Pathos e Eros, morte e vida, destruição e construção. Devemos aceitar essa dimensão das nossas limitações, encarar nossas enfermidades e buscar a cura possível, com os recursos disponíveis e necessários. A construção do ser deve ser, também, terapêutica.

 

  1. Em uma língua da Índia, três conceitos são expressos no mesmo vocábulo: sabedoria, sanidade e santidade. O sábio é sadio porque é santo, separado do mal. Temos, ao longo da vida, tido os nossos heróis-modelos. Para os cristãos, Jesus Cristo-Homem é a perfeição do Ser, modelo maior, a cuja imagem procuramos ser transformados (“de glória em glória”). Transformação de valores, temperamento e caráter. Do “homem natural”, de múltiplos defeitos, limitações, mazelas, avançando em: amor, bondade, mansidão, longanimidade, domínio próprio. Para Calvino, as Tábuas da Lei são espelhos para a alma, que nos conduzem e Cristo, cuja Graça recebida pela Fé, nos transforma, e nos devolve à Lei como roteiro ético.

 

  1. Desafio Adicional: a dificuldade do ser em ser ele mesmo em uma cultura massificante: globalização (mundialização do império), a mídia, as “ondas” (secularismo, multiculturalismo, politicamente correto, agenda GLSTB, etc.), os modismos violentam a individualidade, enquadram, padronizam. Como resistir sem sermos anti-sociais ou exóticos? O preço da resistência. A insistência em ser.

 

  1. De bem conosco, de bem com a vida!

 



¬ Robinson Cavalcanti, cientista político, escritor e bispo anglicano, ex-assessor da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB), foi membro fundador e integrante da Comissão Executiva da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL), da Comissão de Convocação e da Comissão de Continuação (LCWE) do Congresso de Lausanne, da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial (WEF) e da Comissão Executiva da Fraternidade Evangélica na Comunhão Anglicana (EFAC). Esta palestra foi apresentada no IV Encontro de Educação Transformadora, no Janz Team Brasil, na manhã do dia 29/05/2010, em Gramado-RS.

 

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Última atualização (Qua, 23 de Junho de 2010 16:01)

 


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