O bispo e os clérigos em geral utilizam um conjunto de vestimentas diferentes quando celebram os ofícios. Para os reverendos, consiste em cassock ou sotaina, sobrepeliz e típete tradicional anglicano na cor negra (ou estola na cor litúrgica, se preferir), além da alva (ou túnica). Os Bispos usam uma sotaina, roquete, chamarra e típete. Ambos tem a opção de utilizar capuz acadêmico (tradição anglo-americana, pouco utilizada no Brasil ou países de outras culturas). São utilizados quando o clérigo estiver na área em que se dirigem os ofícios conhecidos como Oração matutina, Oração vespertina e/ou Completas(da noite). Eles também podem ser usados para outros serviços. Alguns clérigos anglicanos preferem usar estas vestimentas para todas as liturgias, inclusive a Santa Comunhão.
A sotaina ou cassock Uma sotaina (cassock, em inglês) é uma veste talar usada pelo clero e outros oficiais, além de membros de um coro. A palavra inglesa "cassock" vem da palavra persa "kazhanhand", que significa "roupão de seda acolchoado". O nome se originou no tempo das Cruzadas, na Idade Média. Não faz muito tempo, a sotaina era vestimenta de uso cotidiano em alguns círculos anglicanos, mas hoje é raro. Na verdade, os clérigos não possuíam historicamente nenhum vestuário que os distinguisse. Durante séculos, usaram o roupão longo, simples, de cores variadas como os homens comuns. Na Idade Média é que a cor negra se tornou comum, por representar simplicidade e austeridade. Originalmente era revestida internamente de couro ou pele para aquecer o corpo no inverno do hemisfério norte. A sotaina do bispo é roxa ou escarlata. Roxo ou escarlate eram cores que representavam a autoridade imperial romana. Foram adotadas como cores episcopais, pois muitos bispos começaram a assumir papéis de liderança após a queda do Império Romano. Sotainas podem ser usadas por quaisquer oficiais, sejam acólitos, leitores leigos ou membros do coro, em qualquer cor. A camisa clerical usada hoje é um resquício da antiga sotaina de uso diário. O colarinho clerical usado pelo clero evoluiu no décimo sétimo século. Naquele período, tentou acompanhar a moda, que se tornou mais simples. Uma das poucas coisas que chamavam a atenção era um colarinho largo feito de linho e de laço complicado. Esses colarinhos eram caros e exibiam a riqueza de uma pessoa, isto é, sua posição social era logo reconhecida. Como a moda mudou, o colarinho clerical acompanhou a evolução, mas sempre mantendo a idéia de simplicidade consigo. Os modernos e engomados colarinhos clericais surgiram no século XIX.
O sobrepeliz O sobrepeliz é uma veste branca, feita de linho e com mangas largas. O nome vem do latim "superpelliceum", que vem em cima da pele, referindo-se ao seu uso sobre a sotaina. É um dos muitos vestuários que evoluíram da túnica e não são restritas ao clero. É costume anglicano que a sotaina e a sobrepeliz deveriam ser as vestes mínimas de um ministro para conduzir um culto solene. A "cotta", do alemão arcaico kozza, em cima do manto, pode ser a denominação usada por servidores que utilizam a versão com gola "quadrada" de sobrepeliz. O sobrepeliz representa simplicidade e dignidade na adoração.
O típete O Típete é um “echarpe” longo que se assemelha a uma estola, mas é completamente diferente, tanto na origem, como no significado. O típete originalmente era um echarpe feito de pele de urso ou esquilo, para manter o clérigo aquecido. Não se usa mais pele, mas sim tecido na cor negra. Às vezes é chamado de "echarpe do pregador", pois é usado pelos clérigos em geral na liturgia da Palavra e Oração. Em algumas dioceses, é permitido por pessoas leigas com permissão para pregar, mas o típete assume cor diferente. O preto é só para os Ministros. Simboliza o jugo de Cristo que tomamos sobre nossos ombros.
A estola A estola é um echarpe longo, pendente do pescoço ao peito, usado pelos bispos ou clérigos. Diáconos a utilizam caindo do ombro, envolvendo o tórax. A estola era uma insígnia dos magistrados e governadores romanos. Era originalmente uma toalha simbólica, indicando que o magistrado estava suando ou estava trabalhando duro em nome da sociedade. Era usada no tribunal Imperial e em cerimônias públicas. Na era romana também significou poder sobre alguém. Quando o Império Romano percebeu que os bispos também estavam naturalmente em papel de liderança, viu que eram pessoas que poderiam ajudar a manter a lei e a ordem. Os bispos, então, adaptaram e adotaram a estola para uso deles. Os símbolos de poder no Império Romano (A águia imperial, as armas...) foram substituídas por cruzes, como símbolo de que Cristo era o nosso verdadeiro rei e conquistador do pecado e da morte. As cruzes na estola também simbolizam que a autoridade do bispo não veio dos exércitos e impérios, mas do próprio Cristo como ele disse a Pedro e aos demais apóstolos: "Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus" (Mt 16:19). A estola era feita de lã branca para simbolizar que Cristo é o Bom Pastor e que o bispo deve querer ser sempre uma ovelha dele. A estola originalmente era composta de duas faixas, uma caia pelas costas e outra pela frente. Bispos Ortodoxos Orientais ainda usam esta estola (chamada omophorian). No cristianismo ocidental é chamado de Pálio e é usada pelo Papa e pelos altos dignatários da Igreja Católica Romana, os arcebispos. Deixou de fazer parte do vestuário dos bispos anglicanos na Reforma, mas ainda pode ser visto no brasão de armas do Arcebispo de Canterbury, a "igreja-mãe" da Comunhão Anglicana. A estola era de uso exclusivamente do bispo, mas passou a ser usada pelos clérigos, que vieram a compartilhar de alguns deveres episcopais. Como os ministros não tinham nenhuma vestimenta específica para eles, a estola se tornou a marca distintiva do ministério ordenado. Antes do sexto século, a estola do presbítero foi chamada de orarion (da palavra latina orare, orar) e indicava o papel dos ministros conduzindo a adoração pública. Estola é de origem greco-latina e significa "artigo de vestuário" ou simplesmente "veste". Usar a estola simboliza tomar sobre si o jugo de Cristo (Mateus 11:29,30). A estola, normalmente, tem uma pequena cruz no meio, que fica sobre a nuca. Muitos bispos e ministros beijam esta cruz antes de vestir a estola como um símbolo de que assumem o jugo de Cristo e levam a sua cruz com boa vontade e amor.
Bispos O Roquete O roquete é um sobrepeliz mais longo, usado pelos bispos. Suas mangas são bufantes e presas ao punho através de pequenas faixas elásticas.
A Chamarra A chamarra é um colete (opa) escarlate ou preto, também talar e sem mangas, aberto na frente, usado sobre o roquete. A chamarra era, originalmente, uma jaqueta de equitação ao ar livre e suas pregas traseiras facilitavam o montar e desmontar do cavalo. Ela simboliza o papel do bispo como apóstolo, missionário, aquele que vive em movimento, viajando, pregando ao mundo as boas novas de salvação de Jesus Cristo.
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