Eleição de Bispo Sufragâneo (V) - Bispo Robinson Cavalcanti
Série: Eleição de Bispo Sufragâneo (V)
Ao Clero e Povo da Diocese do Recife
Eleição de Bispo Sufragâneo (V)
Amados irmãos e irmãs,
Nesse Tempo de Quaresma jejuemos e oremos pela nossa próxima eleição dos Bispos Sufragâneos, sobre a História e a Teologia do Episcopado (Eclesiologia Anglicana), pela sua deficiente implantação entre nós e pelo milagre da superação dos óbices impeditivos.
A Igreja Anglicana é uma Igreja Episcopal. Isso está claro no item 4 do Quadrilátero de Lambeth, como está claro no Ordinal do Livro de Oração Comum, de 1662, como está claro em todos os documentos e resoluções sobre a matéria aprovada pela Conferência de Lambeth (assembleia mundial decenal dos Bispos), ao longo de um século e meio. Nem toda Igreja Episcopal é uma Igreja Anglicana; mas, toda Igreja Anglicana é uma Igreja Episcopal, e não há Igreja Anglicana não-episcopal. Somos uma Igreja Reformada Episcopal. Essa herança histórica da nossa catolicidade de dois mil anos tem sua regulamentação nos Cânones Gerais das Províncias e nos Cânones Diocesanos, com sua diversidade processual respondendo às culturas e conjunturas.
O Anglicanismo, nesse aspecto, se alia às Igrejas Históricas Não-Reformadas, tanto do Oriente (Bizantinos, Pré-Calcedônios, Nestorianos e Uniatas), quanto do Ocidente (Igreja de Roma, Vétero-Católicos e Católicos Nacionais); quanto às Igrejas Reformadas que mantiveram o Episcopado Histórico (Luteranos do Acordo de Porvoo e outros), que mantiveram o Episcopado Não-Histórico Nominado (outros Luteranos, Metodistas, Moravianos, Reformados, Batistas, Pentecostais), e aos que mantiveram o Episcopado Não-Histórico Não-Nominado (Assembleia de Deus, Igreja do Nazareno). Ou seja, a imensa maioria da Cristandade que não incorreu nos equívocos presbiterianos e congregacionais como desdobramentos setoriais minoritários da Reforma Protestante do Século XVI.
Se alguém chegar a Alexandria, no Egito, Sé da Igreja Copta, vai encontrar uma linhagem episcopal que remonta ao evangelista São Marcos, e se procurar a mais antiga igreja cristã ininterrupta na História, a de Antioquia, vai encontrar uma linhagem episcopal que remonta aos tempos apostólicos. A Igreja Anglicana, começando com o seu Período Celta, é herdeira dessa forma milenar de gestão do Corpo de Cristo, como uma instituição composta por homens, mas criada por Jesus Cristo.
Do ponto de vista eclesiológico, o Episcopado é indissociável da diocesanidade, entendida como igreja-local. Uma Igreja-Local é um Bispo, seu Clero e seu Povo, reunido em adoração, com suas congregações localizadas e seus ministros Ordenados e instituídos locais como vigários do Bispo. Seja o anglo-católico ex-Primaz da Província das Índias Ocidentais, Revmo. Drexel Gómez, seja o evangélico ex-Bispo de Rochester e membro da Câmara dos Lordes, Revmo. Michael Nazir-Ali, tem chamado a atenção para esse caráter cipriânico (Ciprião, de Cartago) da Eclesiologia Anglicana.
Autores e grupos minoritários extremados, filo-romanos ou filo-puritanos, temos tido ocasionalmente e localizadamente na Comunhão Anglicana, mas que não podem anular a História, a Tradição, as Resoluções e as Normas. Espera-se que os Bispos (malgrado opiniões pessoais) encarnem a posição oficial da instituição que juram manter, defender e promover.
Momentos ou conjunturas históricas negativas não anulam o valor dessa eclesiologia, nem o desempenho inadequado de alguns dos seus titulares. Por outro lado, uma instituição milenar não pode, também, ser desprezada em virtude de experiências pessoais negativas.
Uma grande contradição é aceitar a autoridade do presente Cânon Bíblico, aceitar as Doutrinas dos Credos, aceitar os Sacramentos do Batismo e da Eucaristia, como decisões verdadeiras e iluminadas pelo Espírito Santo, e não aceitar como iluminada pelo Espírito Santo e verdadeira, a instituição que os definiu: os Bispos, sucessores dos Apóstolos, reunidos em Concílio.
O Episcopado não é questionado no Anglicanismo, embora seja o mesmo aperfeiçoado e vivenciado localmente, dentro de outro princípio também Anglicano: o do poder partilhado ou autoridade dispersa. Não se discute o Episcopado, embora haja divergências quanto ao seu lugar na Igreja: desde a posição ultra-anglo-católica do “Esse” (o Episcopado seria da essência da Igreja), à posição ultra-protestante no “Bene Esse” (o Episcopado seria um benefício para a Igreja), à posição intermediária preponderante, e adotada pelo que escreve essas linhas: o Episcopado é “Plena Esse”, significa a Igreja em sua plenitude, não se negando o caráter (embora incompleto, mutilado) de outros ramos do Corpo de Cristo.
Estamos nos preparando para escolher dois Bispos, e não podemos nos ater, apenas, ao seu caráter jurídico-formal-processual, político ou de personalidades, mas entender quem estamos elegendo.
Isso soa meio estranho para uma Diocese de 35 anos de História, e de mais de 13 anos do presente Episcopado. Bom que fosse apenas estranho. Na verdade ele é trágico!
Para tanto, vamos elaborar na próxima carta um pouco da nossa história diocesana e suas distorções, visando uma tomada de consciência (o que temos tentado fazer por mais de uma década) e a esperança de uma mudança, nesse tempo, ou no tempo dos meus sucessores.
Jejuemos, Oremos, Doemos, vivamos a Campanha da Consolação!
Olinda (PE), 21 de março de 2011,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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