| Culto de Ação de Graças pelo 33º. Aniversário da Diocese do Recife Catedral Anglicana do Bom Samaritano Sl 1; At 1:15-17, 21-26 I Jo 5:9-13, Jo 17:1-6,19 Caríssimos irmãos e irmãs, Graça e Paz! Comemoramos hoje a 7ª. Semana da Páscoa, na memória da vitoriosa ressurreição do Senhor. Essa semana temos, também, comemorado a sua Ascensão ao Céu. A narrativa do Livro dos Atos dos Apóstolos nos chama a atenção para o primeiro ato de institucionalização da Igreja: a escolha do substituto de Judas Iscariotes pela assembleia dos 120 discípulos. Há candidaturas, há discernimento, há escolha, há posse. Matias foi o eleito e “...ele se juntou aos onze apóstolos”. E, assim, ocorre a sucessão apostólica, e tem ocorrido por 2.000 anos, com a eleição e Sagração dos Bispos. Somos um organismo, mas, também, somos uma organização, buscando a direção do Senhor. Esse organismo-organização, nas palavras de João, é portador do testemunho de Deus, oferecendo salvação no seu Filho, que dá a vida àqueles que creem. Somos chamados a ser canais da vida eterna. E nunca devemos nos apartar dessa missão central. Os membros dessa organização-organismo, novo Povo de Deus, são chamados a viver uma vida diferente, não se detendo nos caminhos dos pecadores, nem nas rodas dos zombadores, mas são pessoas cujo prazer é o meditar na Lei do Senhor, dia e noite. E serão bem-aventurados! A esse Povo, Jesus se manifestou, e foi conhecido, como Filho do Deus Verdadeiro. Nossa vida, segundo o propósito de Jesus, e a obediência à sua Palavra. Sendo a Santíssima Trindade uma, Jesus desejou que nós fôssemos unidos à Trindade, e unidos entre nós, para que o mundo cresse. Ele nos amou, e nos enviou a amar ao mundo, mas devemos ser uma comunidade unida e amorosa entre nós. Estamos aqui para adorar ao Senhor, e para lhe prestar um Culto de Ação de Graças pelos 33 anos de existência da nossa Igreja: a Diocese do Recife. a) Somos uma parcela do Povo de Deus; b) Somos uma comunidade missionária; c) Devemos ser um Povo especial, amante da Palavra, buscando a santidade, e pela observância da Lei, por termos sido transformados pela Graça. E isso significa separação do mal, das heresias, dos pecadores impenitentes, dos escarnecedores. Não como um ato de superioridade espiritual, mas de obediência ao Senhor. Há, porém, desafios internos que devemos sempre almejar, porque ainda não o alcançamos suficientemente: a) O Desafio da Unidade: como um Corpo, uma coletividade, uma família, com um só propósito, uma só convicção, um só coração, superando os egoísmos, os particularismos, as facções. Para que o mundo creia. Uma casa dividida não subsiste. Devemos levar a sério o desafio da unidade; b) O Desafio do Amor. Cristo estabeleceu conosco um vínculo de afeição, e essa realidade nos impele à afeição a um mundo perdido. Mas, somos prejudicados em nossa obediência, e em nossa missão, pela carência de vínculos de afeição entre nós mesmos; c) O Desafio da Organização: o desafio da construção e da vivência institucional. Somos influenciados pelo neo-platonismo, pelo espiritualismo metafísico, pelo individualismo. Não percebemos que não somente o organismo, mas a organização, procede do coração de Deus. Somos herdeiros da assembléia dos 120 discípulos. Somos herdeiros de um processo de santa institucionalização. Somos herdeiros da eleição de Matias. Prestemos, pois, um Culto de Ação de Graças ao Senhor da Igreja e Senhor das nossas vidas, mas, em uma atitude que vai além da gratidão pelas bênçãos desses 33 anos, pelas vitórias nas lutas, pelos livramentos, pelas vidas atingidas, e por nossos ministérios. Em uma atitude que vai além da intercessão pelo nosso futuro em uma História incerta, uma Civilização em crise, uma Cristandade dilacerada, e um Anglicanismo sofrendo as dores do parto de um outro momento. Cristãos, católicos, protestantes, evangélicos, carismáticos, bíblicos, somente seremos dignos dessa nossa identidade, se respondermos, adequadamente, em quebrantamento, obediência e sensibilidade ao sopro do Espírito Santo, aos desafios da unidade, do amor e da organização. Conclusão Até aqui o Senhor caminhou conosco. A partir daqui caminhemos com o Senhor, e caminhemos juntos, como estaremos na Nova Jerusalém, e como devemos estar na História. Que o Senhor tenha misericórdia de nós! Que o Senhor nos abençoe! A Ele toda honra e toda a glória! Amém! Recife, 24 de maio de 2009. + Dom Robinson Cavalcanti, ose Bispo Diocesano
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