Deus está de volta
| Reflexão Episcopal |
|
Para Micklethwait e Woodrigde tem razão Phillip Jenkins com a visão de um maior fortalecimento da religião no hemisfério sul, e acham que a Europa vai, por um tempo, continuar sendo uma exceção de aridez religiosa em um mundo cada vez mais religioso. A realidade norte-americana é que a frequência regular as igrejas/sinagogas/mesquitas é três ou quatro vezes maior do que na Europa, embora 60% dos norte-americanos seriam membros de religiões não cristãs, ateus/agnósticos ou religiosos nominais. Devo ressaltar que o Secularismo na sociedade e o Liberalismo nas Igrejas não são os únicos responsáveis pela estagnação das estatísticas religiosas e para o não-evangelismo por parte das Igrejas Will Heberg aponta para a importante variável da religião de imigração, que marcou o cenário dos Estados Unidos no século XIX e início do século XX. Já tínhamos denominações de pretos e denominações de brancos; depois denominações de holandeses (reformados), de alemães, de suecos, de dinamarqueses, de noruegueses (luteranos), com cada nação tendo a sua. Os luteranos levaram cem anos para se juntar. Entre os católicos romanos quem é de uma Paróquia irlandesa não frequenta uma Paróquia italiana, ou polonesa, e vice-versa. O quadro se repete entre os imigrantes atuais. Se você passar por uma Igreja Batista Nacional, ou por uma Igreja Metodista Episcopal Sião, elas são de negros. Um sociólogo afirmou que, embora a segregação racial tenha se tornado ilegal há décadas, ela subsiste por duas horas (das 10 ao meio-dia) todos os domingos: no horário do culto. E qual é a lição disso para o não-evangelismo: cada grupo étnico tinha a sua igreja-clube, e um sueco não ia trazer para o seu meio um italiano, nem esse ia se sentir à vontade. Resultado, ninguém evangelizava fora do seu aquário. Heberg também aponta para a “migração denominacional” dos que vão subindo de vida. Há, também, a migração geográfica: um norte-americano médio residirá em 5 Estados diferentes em sua vida. Com 50% de divórcio, e os filhos saindo de casa para cursar universidade o mais longe possível, a família ampla desaparece, e, o pai estará em Michigan, a mãe na Califórnia, o filho na Flórida e a Filha em Vermont... Por sua vez, se criou a chamada “religião civil”, em torno do mito de um novo “povo escolhido”, associada a civilização norte-americana com uma religiosidade geral moral. O próximo passo foi se eliminar do vocabulário religioso a terminologia “Salvos vs. Perdidos” pela terminologia sociológica “Frequentadores vs. Não-frequentadores” de igrejas. Daí esse povo, generosamente, contribuir para obras sociais e para o evangelismo dos esquimós e dos pinguins, mas ser incapaz de falar de Cristo para outro nacional. Há uma sensação de um “universalismo implícito”: vir para a igreja é bom para você nessa vida, quanto a outra já está garantida para todos. Portanto, nem tudo se deve ao Secularismo e ao Liberalismo (que, obviamente, agravam o quadro); a ausência de jovens e a proliferação de “congregações geriátricas” se dá, grosso modo, tanto entre conservadores quanto entre liberais. Deus não está de volta, porque nunca deixou de existir. O que está de volta é o crescimento dos que reconhecem a sua existência e/ou dos seus adoradores, e o lícito desejo das religiões de se fazerem respeitar e ser ouvidas no espaço público. Agora, que Deus precisa voltar para muitos norte-americanos, e que muitos norte-americanos precisam se voltar para Deus, é outra verdade. A mão-de-obra é fazer com que os norte-americanos conduzam os seus compatriotas por esse caminho! Nisso reside a diferença com a maioria dos outros países, e se constitui no maior desafio para a Igreja. Spokane, 20 de junho de 2009. + Dom Robinson Cavalcanti, ose |
| Comentários |
|
3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."
| Artigos Relacionados: |
|---|
|
| Powered By relatedArticle |











