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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Bispo episcopal Afirmando o Conhecimento da Verdade

Afirmando o Conhecimento da Verdade


Reflexão Quaresmal

 

Afirmando o Conhecimento da Verdade

 

Culminação da obra da Criação, a humanidade é dotada de razão, sentimentos e vontades. Únicos seres racionais, com o cérebro no topo do corpo, a comandá-lo (e não no joelho ou no tornozelo). No Éden havia uma harmonia entre o pensar humano e o pensar de Deus. Com o Pecado Original passamos a ter percepções desfocadas, equivocadas e pensar o mal. Regenerados, podemos ocupar nossas mentes com tudo o que é bom, e, na santificação, vamos nos aproximando do pensar de Deus, pela obra do Espírito Santo: “vós tendes a mente de Cristo”, nos ensina Paulo, que nos diz que conhecemos a vontade de Deus pela renovação do nosso entendimento. O apóstolo Pedro nos exorta a estarmos sempre preparados para dar a razão da fé que há em nós.

 

A realidade é una, mas pode ser abordada pelo senso comum ou de forma sistemática, dependendo do objeto pela ótica teológica, filosófica ou científica (com suas várias correntes e marcos teóricos), que não se contradizem, mas se complementam. O sábio é aquele que, sem desprezar o senso comum, tem abertura e alguma formação teológica, filosófica e científica, pois o contrário é parcialização, unilateralismo ou mutilação do conhecimento. Crer é também pensar, já se afirmou, com razão.

 

Seja a família, a comunidade, a escola, a mídia, a igreja, ou o Estado, se promove a veiculação de informações e leituras, com a ambiguidade da imagem de Deus e do pecado. A maturidade cristã nos faz crescer no discernimento a tudo o que nos vem de informações – nacionais ou estrangeiras – para que, com moderação e bom senso, examinemos de tudo e retenhamos o bem. O cristão deve orar pedindo a Deus essa capacidade de um filtro teológico e moral de todas as coisas, não somente fora, mas dentro da própria Igreja.

 

Aplicamos esse discernimento em nosso compromisso com a vida e com a integridade da criação, com o ecossistema hoje seriamente ameaçado por pecados políticos e econômicos predatórios e antivida.

 

O centro do nosso saber deve ser a busca da vontade de Deus, revelada na natureza, nos nossos corações, nas Sagradas Escrituras, na vida e ensinos de Jesus, na conjuntura, na comunidade de fé iluminada pelo Espírito Santo.

 

A busca da mente de Deus é uma busca pela verdade. Cristo é a verdade e nos prometeu o Espírito da Verdade que nos conduz a toda a verdade.

 

Nossas limitações não nos permitem conhecer (e obedecer) ao todo da vontade de Deus, mas o Senhor, Deus de Revelação, pela sua Graça, nos permite conhecer o suficiente da verdade, e rejeitar os erros, denominados de heresias. Tem sido assim ao longo dos séculos, destacando-se o papel dos profetas e dos reformadores.

 

A verdade não pode estar separada das Escrituras, nem a sua compreensão pode ser separada da comunidade dos que creem, ao longo do tempo e do espaço: consenso dos fiéis. Ela não pode ser priorizada por revelações particulares de taumaturgos contemporâneos, por algum dictat do tipo islâmico, nem por alguma expressão de “mediunidade protestante”.

 

Satanás, o espírito desse mundo, a cultura em seu pecado são veículos permanentes da mentira, a antiverdade, e que pode, tantas vezes, atingir o interior do povo de Deus – por suas bases ou por suas cúpulas – com graves danos à saúde espiritual e à fidelidade ao sagrado depósito a nós confiado.

 

Os Credos, as Confissões de Fé, as decisões dos Concílios da Igreja Indivisa, os pontos convergentes dos Pais da Igreja e/ou dos Reformadores se constituem em ferramentas importantíssimas para a definição, a compreensão e a vivência da Verdade.

 

A modernidade privilegiou a razão como meio de se atingir a verdade, menosprezando a intuição, a mística, a estética ou a erótica. A pós-modernidade radicalizou pela desqualificação de todos os meios, e pela afirmação da “verdade” de que nada da verdade podemos afirmar, senão a relatividade e a subjetividade de cada um.

 

Como evangélicos, temos pago um preço por confrontarmos o espírito do século que nos cerca, e que hoje está em nosso meio, com um “reavivamento de heresias”, sem cairmos na esterilidade do fundamentalismo posterior, mas afirmando uma sadia confessionalidade, onde ortodoxia e ortopraxia são parceiras inseparáveis.

 

Fora e dentro da Igreja esse é um tempo de negação, de confusão e de antiverdade, que intimida, amedronta.

 

Que nesse Tempo de Quaresma nos arrependamos de nossa preguiça e indisciplina intelectual, dos pecados de não honrar a Deus com privilégio da mente, do descaso com o saber e com a tarefa apologética, a partir da afirmação do suficiente da verdade revelada que conhecemos e cremos, de toda a nossa mente, de todo o nosso coração e de toda a nossa alma.

 

“...para dar ao seu povo conhecimento da salvação...” (Livro de Oração Comum Brasileiro-LOCb).

 

Olinda (PE), 14 de março de 2010,

Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

 

 

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Última atualização (Seg, 22 de Março de 2010 18:30)

 


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