Afirmando o Conflito Espiritual
Reflexão Quaresmal

Afirmando o Conflito Espiritual
O apóstolo Paulo nos chama a atenção de que nossa luta não se resume à nossa conjuntura terrena (a “carne e o sangue”), e aos males e adversidades nela encontradas, mas que incluiu uma outra dimensão que não pode ser esquecida nem minimizada: aquela contra as potestades espirituais da maldade nas regiões celestes. Começamos o período da Quaresma justamente com a descrição da tentação (e da vitória) de Jesus no deserto pelo Diabo.
As Escrituras nos falam da rebelião de Lúcifer e de suas hostes, de sua expulsão do céu, e a descida para as profundezas do inferno. Elas nos falam do papel do Diabo na tentação e queda dos primeiros pais no Paraíso, e de diversos ministérios nefastos desse que é “acusador” e “mentiroso”, tendo o Senhor Jesus libertado muitos dos por ele oprimidos, inclusive por legiões demoníacas.
Qual é o quadro atual das igrejas quanto ao ministério satânico e da necessidade de uma luta espiritual, pelas armas da oração e do jejum?
1) Igrejas Liberais – que negam a existência de satanás, dos demônios e do conflito espiritual, tido como meros “mitos”. O demônio agradece essa descrença, porque pode agir livremente naquele meio;
2) Igrejas Conservadoras – que afirmam em seus documentos e tratados teológicos a realidade pessoal do mal, mas que não passam do papel, pois essa dimensão e esse conflito não são levados em conta no dia-a-dia da comunidade e dos fiéis;
3) Igrejas Pentecostais – que atribuem um valor excessivo ao Demo, inclusive atribuindo ao mesmo as faltas pessoais de cada um – obras da carne – (“caluniadores de satanás”);
4) Igrejas Neo(Pseudo)Pentecostais – que falam mais no demônio do que em Jesus, tem exorcismo (descarrego) com hora marcada, e incorporam conceitos espíritas e candomblistas do “encosto”, em uma expressão clara de heresia;
5) Igrejas Bíblicas Maduras, que não desvalorizam, nem supervalorizam, mas levam em conta com seriedade essa realidade e esse conflito.
Que tipos de ação podem fazer os demônios:
a) Tentação: sugerir o mal, um fenômeno universal, pois até o Senhor Jesus foi tentado;
b) Indução: ao mais forte, um empurrãozinho e uma assessoria em direção ao mal, comum entre descrentes e crentes carnais;
c) Possessão, ou controle sobre o corpo, a mente e a alma, possível nos não-regenerados; impossível nos regenerados, pois o Espírito Santo que em nós habita não pode dividir espaço com o diabo.
Discordamos da Teologia da Batalha Espiritual por sua ênfase excessiva nas hostes celestes da maldade à custa das hostes terrestres da maldade, levando os homens regenerados a lutar contra os anjos degenerados, deixando ociosos os anjos não caídos e soltos, e não combatidos os homens degenerados.
Consolados pela certeza da derrota final do mal, já vencido pelo sangue de Cristo na Cruz, nesse Tempo de Quaresma nos arrependamos pelo esquecimento, descaso, distorção ou exagero diante do Mal, e, em jejum e oração o repreendamos em nome de Jesus!
Recife (PE), 10 de março de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Seg, 22 de Março de 2010 18:30)
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