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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Home Bispo Sermões Sermão de Instituição do Deão e do Cônego - João Pessoa-PB

Sermão de Instituição do Deão e do Cônego - João Pessoa-PB

 

 

Sermão de Instituição do

Deão Aldo Menezes e do Cônego Luiz Souza de França

Concatedral Anglicana da Ressurreição

João Pessoa (PB), 03.01.2010

Sl 34; 1 Rs 19:1-8; Ef 4:1-16; Jo 6:1-14

Meus amados irmãos e irmãs,

Que a Paz do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo esteja com todos vós esta noite!

Como Povo de Deus devemos louvá-Lo todo o tempo, expressando a alegria das nossas almas, buscando ao Senhor e o exaltando em sua bondade, em uma atitude de reto temor, consolados sempre por suas respostas às nossas necessidades, pelo envio dos anjos para a nossa segurança. Nossa atitude deverá ser sempre de quebrantamento, de contrição, na alegria de que não seremos condenados. Nesse espírito celebramos esse culto essa noite.

 

Esse culto se destina a oficializar uma “troca de guarda” na direção espiritual dessa comunidade, e ao reconhecimento de um líder provado e aprovado. Como líderes – todos nós – passamos por muitas adversidades, dificuldades, desafios. Nos vem o desânimo de uma obra que parece não andar e de um povo que parece desobedecer, sem falar nos ataques de fora dos nossos arraiais. Passamos por momentos de depressão, como Elias, a ponto de desejar a morte. Somos humanos, e nada do que é humano nos é estranho, como já ensinava Terêncio. Mas, somos tocados por mãos invisíveis, por anjos, e somos alimentados pelo pão e da água que nos vem do céu. Periodicamente, nos momentos difíceis de nossa jornada, precisamos ouvir outra vez a exortação do Senhor por seu mensageiro: “Levanta-se e come, porque mui comprido será o caminho”.

O apóstolo Paulo nos fala da diversidade de vocações, que cada um de nós deve ouvir, entender, responder e exercitar da melhor forma, com permanente espírito de humildade e mansidão, buscando sempre a promoção da unidade, o crescimento em maturidade do conjunto dos fiéis, tendo sempre o Senhor Jesus como modelo para essa busca de crescimento, Ele que é o Cabeça desse corpo, que a Ele deve sempre estar unido em amor. Nessa diversidade harmônica de dons, urge a nossa estabilidade, a nossa constância, diante do engano, da astúcia e da fraude que surgem, inclusive, de parte dos que se pretendem integrar o Povo de Deus. Mais do que nunca os líderes devem estar atentos, para, como pastores, guardar as suas ovelhas dos lobos enganadores, portadores e sopradores dos ventos das falsas doutrinas, que, sendo contrárias à Palavra de Deus e mentiras, procedem do pai de todas elas: o inimigo das nossas almas.

Vivemos em um mundo de famintos e sedentos espirituais, que estão morrendo à míngua, ou estão sendo alimentados de comidas estragadas ou carentes dos nutrientes necessários à saúde, quando, muitas vezes, esses alimentos estão envenenados. Como pastores, nos sentimos limitados em nossos recursos para responder aos famintos. Temos poucos recursos e escassas provisões. Isso não nos deve desanimar ou nos acomodar, não procurando responder a essas necessidades. Servimos ao Senhor do amor e ao Senhor dos milagres. O Senhor que multiplica os pães e os peixes. Multiplica até saciar. Multiplica até sobrar. Esses milagres impactam e fazem o povo reconhecer o profeta que deveria vir ao mundo, mas que fugiu das multidões, que, servidas pelo Bolsa-Tiberíades da época, queriam fazê-lo rei. Somos sempre indignos instrumentos da Graça. Nunca devemos clamar glória para nós, nem tirar proveito próprio dos resultados dessa instrumentalidade.

Nessa noite, expressamos ações de graças a Deus pela presença desse segmento do seu povo, que se chama anglicano nas terras da Paraíba. De cada irmão e irmã que foi sendo ganho para Cristo por meio dos seus ministérios, e por cada líder, clerical ou laico, que deu a sua contribuição, tantas vezes anônima, para a construção dessa caminhada. Templos foram sendo levantados, e o edifício espiritual foi sendo edificado. A Ele toda honra e toda glória.

Na história do Povo de Deus, tanto na Primeira quanto na segunda Aliança, foram chegados momentos de transição, e tanto mais abençoados quando se dão em paz e sob a orientação do Senhor: de Moisés para Josué, de Elias para Eliseu, de Jesus para os seus apóstolos, de Souza para Aldo. O que sai sente sempre a paz da consciência do dever cumprido, embora seja natural pensarmos sempre que poderíamos ter feito mais. O que entra sente sempre aquele friozinho na barriga e o peso do manto. E assim tem sido a história do Povo de Deus por séculos, e assim será até o grande dia, pois o Senhor é Providente.

A cada invasão ou a cada exílio, Israel era chamado a construir e a reconstruir muros, cidadelas e o próprio Templo. Construções brotaram nesse Arcediagado, como no tempo de Esdras e Neemias, e, simbolicamente, inauguramos mais uma etapa desse templo-sede, fonte irradiadora, hoje também Cátedra do Bispo, e igreja-mãe de muitas irmãs.

O Senhor chamou; a Junta Paroquial e o Cabido, como expressões do povo, reconheceram; e o Bispo, como sucessor dos apóstolos e representante da instituição, homologou, e hoje empossamos e instituímos o reverendo Aldo como Deão dessa Concatedral. Que trajetória, meu irmão Aldo, das Testemunhas de Jeová no sudeste ao testemunho da Santíssima Trindade no Nordeste! Quero agradecer a Deus por sua vida, e expressar o reconhecimento e o apoio, meu e de todos os seus colegas clérigos a essa nova etapa da sua vida e ministério. Caminhemos juntos, construamos juntos. Há muito chão a percorrer, a muito a ser ainda consolidado e construído. E o Senhor será com você.

E você tem em casa as três Anas com toda a grandeza simbólica da sua patrona bíblica, e que são e serão parte integrante do seu ministério.

Ao meu querido irmão Souza, com quem partilhamos de uma jornada de meio século, minha gratidão, desde que você foi um dos poucos que tiveram essa ideia então considerada meio maluca de fazer um professor tido por polêmico e não-convencional um Bispo nessa Diocese, em uma conjuntura de grande “fria” nos cenários mundial, nacional e local. Você não apenas me jogou no fogo, mas entrou no fogo comigo. Na secretaria administrativa, nas Paróquias, no Arcediagado (quase partindo para a glória antes do tempo) você foi um instrumento do Senhor, na resistência aos ataques do mal e na construção do bem. Tenho aprendido, meu irmão, que, obedecidas as leis dos homens e da Igreja, transmitido cargos e ministérios às novas gerações, em renovação salutar, os servos de Deus nunca se aposentam, mas há sempre algo a nos esperar na construção do Reino de Deus. Não será diferente para você a partir de agora, como Arcediago, como servidor das bases, e com o seu vínculo mantido com essa Concatedral e o seu ministério irradiador. À Fátima, sanfoneira de Cristo, e ajudadora idônea, expresso a gratidão de toda a Diocese.

Meus irmãos e minhas irmãs,

Sabemos que esse mundo que jaz no maligno vai muito mal. Há fome, há violência, há falsos cultos e perseguição a Igreja, enquanto vamos agredindo a criação, e em breve estaremos vendendo protetor solar para os ursos do pólo norte... Sabemos que nosso país, a despeito dos avanços e do avanço da propaganda, ainda geme na falta de saúde, educação e segurança, e a corrupção se instalou, e nos falta profetas e estadistas. O divisionismo, as heresias, o sincretismo, o ataque à autoridade da revelação enferma a Igreja no mundo e em nosso país, inclusive em nossa amada Comunhão Anglicana. A heróica resistência dessa Diocese prossegue, pois é imprevisível o tempo e os desdobramentos do realinhamento necessário do qual somos cobaias. Que o Senhor nos conceda a todos: Bispo, Arcediagos, Deões, Clero e Laicato, a humildade, o discernimento e a coragem que marcou Martinho Lutero na Dieta de Worms: se não nos convencerem pelas Escrituras e pela razão não abriremos nem para o trem! Aqui ficamos, assim ficamos, e que nos ajude Deus!

Graças a Deus por esse momento! Prossigamos! Longo é o Caminho. E que nesse ano que se inicia de 2010, que o Senhor abençoe a nossa Diocese com vocações.

Ë uma honra pertencermos ao Povo de Deus e sermos construtores da História da Igreja.

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde. Amém!

 

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Última atualização (Sex, 08 de Janeiro de 2010 06:29)

 


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