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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Home Bispo Sermões Sermão de Encerramento do XXIX Concílio Diocesano

Sermão de Encerramento do XXIX Concílio Diocesano

XXIX Concílio Diocesano

Sermão de Encerramento

Jaboatão dos Guararapes (PE), 05 de dezembro de 2009

Sl 117; Am 5:18-27; Jd 1:17-25; Mt 22:15-22

Amados irmãos e irmãs,Graça e Paz! 

Estamos chegando ao fim dessa jornada, que agora nos chama a refletir, a incorporar, a planejar, a projetar o que aqui pensamos para o Ano Eclesiástico que se inicia. Agradecemos a todos que trabalharam para o bom êxito desse Concílio, e pelo espírito conciliar de cada participante. Celebramos esse Culto no dia dedicado à memória de Clemente de Alexandria.

Louvemos ao Senhor por sua benignidade e por sua bondade. A Palavra nos chama a atenção para um culto sincero, em espírito e em verdade, e não para as cerimônias, festas e sacrifícios desprovidos de coerência, compromisso, sinceridade e autenticidade. A religiosidade oca não agrada a Deus, e traz o seu juízo para os tais que a praticam. Nesses tempos do fim, que antecedem ao fim dos tempos, já somos advertidos dos escarnecedores na Igreja, dos que se fazem caracterizar pela concupiscência e pelas divisões. A esperança do Dia Final nos move à piedade, à misericórdia, e à fidelidade ao glorioso Senhor das Nações, agora, e para todo o sempre.

Em nossa trajetória terrena, como Povo de Deus, somos ensinados pelo Senhor Jesus a cumprir as nossas obrigações lícitas para com as organizações desse mundo, e cumprir a nossas obrigações lícitas para com as organizações que nos aglutinam em torno do Senhor, mas, como nos adverte o recente Documento de Manhattan: “Não podemos, jamais, dar a César o que é de Deus!”. E essa orientação tem que ser vivenciada na concretude dos nossos desafios pessoais e comunitários. 

 

Esse Culto não é apenas o encerramento de um abençoado Concílio Diocesano. Nele teremos a profissão de votos de um Noviço de ordem religiosa, teremos a formatura e a investidura de nossa primeira turma de Capelães, teremos reconhecimento de Ordem Diaconal e Ordenações Diaconais. Um dia, sem dúvida, de festa da fé, de celebração do sagrado, de alegria de vocações. Que o Senhor da Igreja esteja confirmando a obra das mãos de cada um, na diversidade de suas personalidades, chamados e carismas. 

O eixo temático para o próximo ano será exatamente o das vocações. Tema tão bíblico, tão querido ao reformador Martinho Lutero, e tão atual e necessário para o crescimento quantitativo e qualitativo da Igreja, e para a consolidação do nosso projeto diocesano. Uma comunidade sadia deve ser marcada como um celeiro de vocações, inclusive ministeriais, e quando isso não acontece, algo de preocupante está a marcar negativamente a vida daquela comunidade e/ou da sua liderança. As vocações não são paroquiais, mas para a Igreja-Diocese e para toda a Igreja de Jesus Cristo. 

Ser um ministro de Deus é um grande privilégio, uma grande honra e uma grande responsabilidade. Tantas vezes nos sentimos isolados, sobrecarregados, incompreendidos, não apoiados, e somos tentados a desistir e “cuidar da nossa vida”, ou, qual Jonas, a tomar o navio para Társis e não para Nínive. Os ministros, em geral, são seres solitários, e, como outros cristos, sofrem o peso da cruz. 

Essa Diocese já presenciou quem a abandonasse em busca das honras e dos cargos, quem as abandonasse em busca de vantagens, quem as abandonasse por terem esfriado do primeiro amor, deixado os fundamentos da verdade e cedido aos cantos da sereia do pecado e do mundo, ou aqueles que optaram por buscar as coisas antes do Reino. Nunca pude deixar de me entristecer com abjurações ou desvios daqueles que, por tantos anos, militaram no exército de Cristo, e agora se foram para águas turvas. Nunca pude deixar de me entristecer com os que, com ruptura ou sem ruptura de doutrinas e de ética, romperam os relacionamentos pessoais de tantas décadas. Em um tempo de esfriamento de afetos, deles e dos outros, aprendi a recolher os meus sentimentos incompreendidos, e a me lembrar do poeta quando escrevia: “Ri, e o mundo rirá contigo; chora, e chorarás sozinho”. 

Nossa Diocese tem uma História, tem clero e tem povo, tem CNPJ, tem Estatuto, tem Cânones, tem doutrinas, tem orçamento, tem cargos, tem trabalhos, mas nunca superou a carência dos laços de afeição, particularmente entre os seus líderes. Sei que esse não é um problema apenas nosso, mas é um problema também nosso. Mesmo que isso nunca venha a mudar, não podemos ter outra atitude senão apontar para a sua existência e buscar a sua superação. 

Partilho da preocupação de muitos com o nosso futuro institucional, mas tenho sido ensinado a esperar com paciência no Senhor. Partilho da inquietação de muitos com as nossas carências de finanças ou de pessoal, mas é o que somos e o que temos, e com esse poucos pães e poucos peixes nos tornamos permanentemente dependentes do milagre. A honra será sempre d’Ele e nunca nossa. 

Apesar das nossas limitações, olhamos para trás e atestamos os feitos de Deus, e olhamos para frente e esperamos mais feitos ainda. 

Celebramos a nossa inclusividade e o respeito às nossas individualidades e diferenças secundárias, mas sempre em respeito mútuo e em respeito aos limites impostos pela Palavra de Deus e pelos parâmetros que marcam a nossa identidade anglicana. Como pessoa, como cristão, e como pensador, tenho minhas ideias e minhas preferências, me identifico com correntes internas e externas, mas a responsabilidade do cargo me impõe o compromisso de nada ensinar que não seja respaldado pelo Livro de Oração Comum, de 1662, especialmente os XXXIX Artigos de Religião e o Ordinal, ou, mais contemporaneamente, pelas Resoluções das Conferências de Lambeth. 

Somos cercados pelo mundo globalizado e suas tentações materialistas, pelas atraentes propostas seculares e religiosas oriundas dos centros hegemônicos. Mas, o Senhor nos colocou nesse lugar chamado Brasil, com sua história, sua cultura e seus desafios. As Igrejas que mais contribuíram para a história do Cristianismo foram aquelas que contribuíram para o todo a partir da sua inserção local, seja em Roma, em Bizâncio, em Antioquia ou em Alexandria. Creio que os nossos seminaristas e os nossos pastores necessitam conhecer o Anglicanismo para que ele sirva de padrão para o que nos vem de fora, e conheçam a Cultura Brasileira e a Teologia Latinoamericana, para que sirvam de padrão para o que nos vem de fora. Sabemos que não foram os saduceus helenizados quem tornaram possível a sobrevivência do Judaísmo, como cultura e como religião. 

O uso das nossas vestes peculiares, da nossa maneira de mobiliar e decorar os templos, o uso diligente do Livro de Oração Comum Brasileiro (LOCb), que não contém palavras de Cranmer, mas é um depositário de um rico tesouro de espiritualidade de muitos séculos e lugares, e compatível com a complementação das palavras de hoje, o conhecimento da nossa história, do nosso ethos, da nossa rica reflexão teológica concorrem para sermos e não para não sermos ou quase sermos, ou em parte sermos. Assim não chegamos ao todo de mãos vazias. Triste é não ser por não conhecer, ou pior, por não querer conhecer, ou, ainda, conhecendo e não concordando, permanecer não se sabe por quê. Creio que avançamos no uso do LOC na Liturgia Eucarística, mas ainda o temos ignorado na Liturgia da Palavra. 

O processional precedido de um cruciferário não pertence a uma das nossas correntes internas, mas é uma marca da nossa espiritualidade, e que urge resgatar em nossa Diocese. 

Em um mundo em que a ideologia secularista vem tentando varrer qualquer símbolo cristão do cenário público, e onde, por outro lado, os minaretes das mesquitas vão alterando, com grande carga simbólica, o cenário das cidades ocidentais, o radicalismo iconoclasta de fundo anabatista que marcou a inserção do protestantismo em nosso continente, e a recente onda informalista das chamadas igrejas emergentes, por mais bem intencionadas que sejam as suas motivações, se tornam, de fato, em fortes colaboradores os nossos adversários, pois a hegemonia cultural passa, necessariamente, por uma afirmação de símbolos. Nós, os anglicanos, temos uma grande responsabilidade em manter os símbolos cristãos no espaço público, incluindo-se o uso evangelístico e pedagógico do colarinho clerical. Vestes e símbolos a serviço da missão do Reino. 

Em 2010 estaremos comemorando os 120 anos de Anglicanismo Missionário no Brasil, e, nada mais justo, que a nossa Diocese assuma um calendário de eventos alusivos, visto que a Província Anglicana brasileira é a única denominação deste país a romper com o ideário dos seus fundadores. Nós, contudo, somos legítimos herdeiros e continuadores do sonho evangélico e evangelístico de Kinsolving e Morris. 120 anos depois, ainda não temos comunidades anglicanas em 90% dos municípios brasileiros. Em outros casos há igrejas de imigrantes, igrejas liberais e/ou igrejas ditas Continuantes. Recebo, com frequência cada vez maior, correspondências de pessoas que conheceram o Anglicanismo ortodoxo quando de visita a outros países, ou são admiradoras do Anglicanismo pelo estudo da História e dos teólogos anglicanos contemporâneos. Muitos são assíduos frequentadores da nossa página na Internet. Alguns pediram para comprar o LOCb por via postal. Essa parcela de cristãos precisa encontrar em nós a disposição de resposta às suas aspirações.  

No próximo ano teremos eleições gerais em nosso País, e é nosso dever estar bem informados, veicular informações, interceder pelo processo e pelos postulantes, nos envolver como cidadãos e ter, como Igreja, uma voz profética. A falta de ética, de programas e de compromisso público, por parte dos que ocupam ou aspiram um cargo na direção do Estado, são desafios constantes. Não devemos cair no contínuo pecado da omissão. 

Meus irmãos e minhas irmãs,

Espero continuar a contar com a colaboração de todos nesses anos que me restam à frente do Episcopado. Certa vez um jovem – hoje bem sucedido cientista social – disse que a minha vida seria marcada como um advogado das causas perdidas.  

A primeira “causa perdida” seria a minha defesa da responsabilidade social da Igreja, atropelada pela polarização entre “evangelho social” e “evangelho individual”, entre fundamentalismo e liberalismo, entre pentecostalismo e teologia da libertação, com muita gente achando que ação social é algo para os governos, que devemos apenas cuidar das almas. A grande massa dos cristãos é de fato insensível ou acomodada. A grande maioria das Igrejas não tem qualquer projeto social, e quando tem, em geral de cunho meramente assistencialista, e a maioria dos seus membros não se envolve. Muito da miséria desse país seria minorada, se esse aspecto da Missão Integral fosse levado a sério. 

A segunda “causa perdida” seria a minha defesa da participação política dos cristãos, que esqueceram o passado, se omitem, tem preconceito, ou, o pior, muitos participam dando mau testemunho, fazendo o jogo da anti-ética reinante no país. Esse outro aspecto da Missão Integral parece ser muito menos levado a sério. 

A terceira “causa perdida” seria a minha defesa da elaboração de uma teologia, de uma ética e de uma pastoral da sexualidade, que se baseassem em uma leitura honesta das Sagradas Escrituras com uma abertura para a contribuição analítica das Ciências Humanas. Para tanto, escrevi dois livros e vários artigos, pronunciei muitas palestras.Clamei no deserto e ainda fui apedrejado, pois as opções ou são pelo atrelamento a cultura tradicional e a repressão, ou a cultura vanguardista e a permissividade. 

Com a idade que tenho, a luta que travo agora é para que a implantação de uma jurisdição verdadeiramente ortodoxa e verdadeiramente anglicana no Brasil venha a ser uma realidade, como alternativa diante de tantas opções que o mercado religioso oferece, e uma alternativa séria e positiva. Espero que esse projeto ao qual venho dedicando os últimos doze anos da minha “aposentadoria” não seja, no outono da minha existência, a minha quarta, e última, “causa perdida”. 

Edilson e Silvana,

Uma palavra especial para vocês nessa data tão importante e inesquecível de resposta ao chamado do Senhor. Diante de tudo e de todos, não temam, resistam, perseverem, busquem forças no Autor e Consumador da nossa fé. Tornem o Evangelho relevante para a sua geração. Que esse seja um passo antes de tantos outros que a Providência lhes reserva. Contem com a solidariedade do seu Bispo, e dos seus irmãos e irmãs clérigos e leigos. 

Jorge,

O Senhor optou por você e você optou por nós, e nós o acolhemos em amor. Bem vindo ao porto seguro e ao lar acolhedor. Essa é a sua casa, a sua Diocese. Juntos, construamos o futuro, com idealismo de alvos e realismo de passos, e que o Senhor o abençoe. 

Meus irmãos e minhas irmãs,

Daqui saiamos todos para escrever novos capítulos em nossas existências e na trajetória da Igreja de Jesus Cristo em nossa Pátria. 

A Ele toda a glória! Dele toda dependência! 

Jaboatão dos Guararapes (PE), 05 de dezembro de 2009. 

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano 

Comentários
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sivaldo e creuza   |200.141.33.xxx |2009-12-05 19:43:11
A IGREJA Q E PURA SANTA E IMACULADA ESTA PRESENTE EM TODO MUNDO.E Q ESSE
CONCILHO TRAGA DIRETRISES PARA A MESMA Q VELANDO ESPERA PELO SEU SENHOR...
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Última atualização (Sáb, 12 de Dezembro de 2009 09:31)

 


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