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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Sermão de Ordenação Diaconal do Rev. Carlos Alberto Chaves

(quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 às 13:35)

Ordenação Diaconal


Sermão de Ordenação Diaconal (MOA) de
Carlos Alberto Chaves Fernandes

Ponto Missionário Anglicano da Santíssima Trindade
Maceió (AL), 10 de fevereiro de 2008
1º Domingo da Quaresma

Isaías 61:1-11
Salmo 2:6-12
Romanos 10:14-21
Mateus 2:19-23

Meus caríssimos irmãos e irmãs,
Que a Graça e a Paz do Nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo seja conosco esta noite!

Diante do Trono da graça, contritos prestamos um culto em Espírito e Verdade, ao Deus Triuno: Pai, Filho e Espírito Santo. A Ele seja sempre toda honra, louvor e glória. E nós, seus humildes servos, somos por Ele sarados, por Ele edificados, por Ele revigorados pelo mistério do culto, pela relação com o transcendente, pela consciência do Sagrado e um Sagrado que faz diferença em nossas vidas.

Estamos iniciando o Tempo da Quaresma. Na quarta-feira passada, a cinza nos chama a atenção para a nossa finitude, para o que um dia esses corpos mortais serão, e, ao mesmo tempo, para a necessidade de humildade e constante busca do perdão e de purificação. Esse é um tempo em que o Espírito conduz ao deserto com Cristo, conduz à tentação com Cristo, mas que, também, tira do deserto e torna possível sempre a vitória sobre a tentação. No silêncio e na solidão do deserto, nos encontramos conosco mesmos, nos encontramos com Deus e nos encontramos com o demônio. No jejum e na solidão – semelhante ao Messias – sentimo-nos fracos, e temos sede e fome. Na solidão do deserto lutamos contra o inimigo das nossas almas, no duelo em torno do conteúdo da Palavra de Deus. Se o inimigo a usa, ela é, também, a única arma que nos permite derrotá-lo.

A graça do Espírito nos cerca de anjos que nos ministram, e que saciam as nossas necessidades materiais e espirituais.

Durante esses 40 dias, pois, sigamos as pegadas de Cristo, aprofundemos a nossa identidade, como testemunhas dos seus ensinos, dos seus exemplos, dos seus milagres; citamos o peso da sua traição, da sua paixão, o momento difícil da sua morte e da sua ressurreição. A Quaresma nos marca, nos faz contemplar a Ascensão, nos prepara para o Pentecostes, antecede a missão.

Nesta noite a Igreja prossegue em sua trajetória, de misérias, martírios e glórias, até a consumação dos séculos. Prossegue pelo ato de cultuar, pela partilha da Palavra e pela partilha dos Sacramentos, pela comunhão dos santos. Mas, de forma particular, pela Ordenação de um Ministro, co-responsável pelo receber, preservar, vivenciar e transmitir o Sagrado Depósito da fé apostólica.

Rev. Carlos Alberto não é um neófito, um iniciante, mas alguém que uma vez chamado e separado para o santo Ministério, já respondeu o chamado do Seu Senhor, e durante décadas com suas fraquezas e seus dons o tem servido com alegria. A História da primeira e segunda Alianças foi feita por pessoas que foram usadas por Deus. Então, por que a Ordenação esta noite?

Em primeiro lugar, do ponto de vista humano, fazemos migrações existenciais e elas são marcadas por ritos de passagens em nossa vida pessoal e comunitária, e por necessidade de integração a novas comunidades, novos símbolos, novos códigos, novas sub-culturas. Lembro-me das minhas duas migrações: aos 18 anos, da Igreja de Roma para a Igreja Luterana, e aos 31 anos, da Igreja Luterana para a Igreja Anglicana. Entre leituras, diálogos, convivência, ritos levei – em média – dois anos para substituir uma identidade por outra. Rev. Carlos Alberto, vai deixando para trás os seus tempos de bom e dedicado presbiteriano e avançando para os novos tempos de bom e dedicado Anglicano, parcelas ambas da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica de Cristo.

Em segundo lugar, do ponto de vista institucional, cremos na Igreja Anglicana, que os ritos sacramentais de Ordenação ao Diaconato, Presbiterato e ao Episcopado têm um caráter sacramental, nos integram, de forma mística, a um segmento de servos, herdeiros espirituais da Ordem de Melquisedeque e da Ordem de Arão, continuadores, por dois mil anos ininterruptos, da mensagem das grandes Sés históricas, que foram epicentros de radiação missionária, tendo nos Bispos símbolos de unidade, guardiões da fé, e transmissores dessa dimensão sacramental que sela o reconhecimento pela comunidade de fé, e pela instituição dessa vocação específica, legitimando o seu exercício no vínculo com a totalidade da Igreja.

A Igreja Anglicana sempre reconheceu o caráter de verdadeiras Igrejas, para aquelas comunidades de fé que após a Reforma Protestante construíram o seu governo nas formas congregacional e presbiteral, embora considere lamentável a ruptura à vida por setores reformados do Episcopado histórico, que por 16 séculos garantiu em todos os ramos da Cristandade, e em todo o mundo, a Sucessão Apostólica. A ausência de Episcopado não descaracterizaria uma Igreja, mas a privaria de um Ministério que foi elaborado pelos Pais Apostólicos e pelos Pais da Igreja. O Episcopado, ao lado da formação do Cânon Bíblico e da descrição das Doutrinas centrais da Igreja, contidas no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno, forma um tripé que sustentou e sustenta a Igreja, cremos porque assim aprouve ao povo de Deus, aos Ministros de Deus, e ao próprio Espírito Santo.

Tomemos a imagem de um ser humano em sua formação. Ele passa por três estágios: o primeiro como embrião; o segundo como feto; e, o terceiro, como nascituro, o novo ser. Não há nada de errado com o embrião, apenas que ele é um estágio transitório e deverá evoluir para o estágio seguinte de feto. Não há nada de errado com o feto, apenas que ele é um estágio transitório e deverá evoluir para o estágio seguinte de nascituro.

Assim aconteceu com a Igreja: em seu momento embrião, descrito no livro dos Atos dos Apóstolos, e pelas ilações tiradas das Cartas Apostólicas, um punhado de novos crentes se descola do tempo de Jerusalém (que viria a ser destruído) e é obrigado a se reunir em residências, às margens dos rios ou nas catacumbas, ensaiando uma organização básica. O equívoco dos congregacionalistas foi procurar tornar normativo e definitivo o embrião, acrescido das normas parlamentares de Westminster, inexistente tanto nas Sinagogas dos Semitas, quanto na Agora dos helênicos. O equívoco dos presbiterianos foi procurar normativo e definitivo o estágio posterior: o feto, quando os ministérios diaconais, presbiterais e episcopais davam os seus primeiros passos, ainda não cristalizados. Esse ramo reformado, por outro lado, reflete o individualismo da nova classe hegemônica burguesa com a transição do modo de produção feudal, para o modo de produção capitalista.

Mas, já no segundo século, tínhamos o nascituro, o bebê havia nascido; o Episcopado tão bem refletido por Inácio de Antioquia, Cipriano de Cartago e Irineu de Lyon, seria o modelo, o único modelo, para nestorianos e jacobitas, para bizantinos e para romanos, da Britânia à Índia.

A Igreja Anglicana esperou o nascer do novo ser, e o vem aperfeiçoando ao longo dos tempos, ajustando-o às circunstâncias locais. Sempre julgamos que a recuperação do Episcopado e das Ordens plenas do Diaconato e Presbiterato seriam fundamentais para o caminho da Unidade da Igreja, e isso foi muito bem atestado, há mais de meio século, na criação das Igrejas Unidas do Sul da Índia, do Norte da Índia, do Paquistão e Bangladesh.

Creio que o coração do Senhor Jesus, em sua oração sacerdotal, almejava para a Nova Aliança, um só povo e uma só instituição. Fatores culturais dividiam a Igreja no Oriente, fatores políticos separaram o Ocidente do Oriente, diferenças doutrinárias secundárias dividiram os reformadores, e hoje, o Espírito do século e a carne dilaceram o Corpo de Cristo em uma miríade de "denominações" e "sub-denominações", as mais exóticas.

Nesse tempo de Quaresma, devemos lançar um olhar para o passado bíblico e para o passado da Igreja Antiga, para daí recuperarmos sua seiva; um olhar de realismo de consciência de pecado, e de busca do perdão, diante da crise porque passa a Civilização e a Igreja (esta última tanto em termos de unidade, quanto em termos de verdade), e lançarmos um olhar para o futuro, na esperança de que o Espírito continua a dar aos discípulos do Messias, a vitória que lhe foi concedida, tornando todos os desertos parte do passado, e a ministração angélica uma abençoada realidade do presente.

Rev. Carlos Alberto, em pé e diante do seu Deus, e dessa expressão do povo de Deus, diante do seu Bispo, e diante da História, como Abraão na peregrinação entre Ur e Canaã, você está erigindo mais um altar esta noite. Altar como um lugar de culto, um lugar de comunhão, um lugar de santidade. A sua caminhada prossegue, alternando desertos e oásis, tentações e glórias, derrotas e vitórias. Apenas seja dependente, permita que Ele aperfeiçoe a sua força em suas fraquezas.

E que o Deus-Pai, Criador; e que o Deus-Filho, Redentor; e que Deus, o Espírito Santo, Santificador, nos abençoe, nos guarde e nos dirija hoje e sempre.

Amém!

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