Repressão e Permissividade

Repressão e Permissividade
Todos somos condicionados pelo passado e pela cultura. Ao nível individual, muitas decisões que tomamos e ideias que expressamos não são algo novo, original, fruto do momento, mas reflexo do que recebemos no lar, na escola, na igreja ou em outros grupos sociais a que pertencemos. No que se refere aos povos, aos costumes e valores consagrados por uma comunidade em uma certa época, nota-se a presença cumulativa da herança cultural histórica, o peso das civilizações que os antecederam e que lhes serviram de fonte. No caso particular do sexo e suas implicações isso é mais que verdadeiro. Mesmo idéias que são hoje consideradas "cristãs" – e por todos aceitas como tal – apenas são conceitos pagãos "cristianizados" pelos séculos a fora, sincreticamente. Esse olhar retrospectivo nos ajudará a separar o Revelado do cultural em nossas crenças, conduzindo-nos a uma fé autenticamente baseada na Palavra, deixando de lado a tradição dos homens. Duas tradições se fazem presentes na Cultura Ocidental, uma repressiva e uma permissiva, ambas distantes da Bíblia, conquanto influentes nos meios cristãos.
A Tradição Repressiva
1. A Influência Oriental
A divisão do homem em uma dicotomia corpo-alma está presente, de forma muito nítida, no Bramanismo hindu, com a destruição crematória do corpo e a reencarnação da alma em outro corpo, sucessivamente, até sua libertação. Contingencial e transitório, o corpo é desnecessário para um tipo especial de alma que – para algumas correntes – não necessitam encarnar. A ascese mística e contemplativa, com seus gurus ou homens santos, tende a um desprezo pelas coisas materiais, responsáveis, inclusive, pela estagnação e ausência de progresso em sua sociedade. O corpo é para ser dominado pela alma que o sujeita e, às vezes, o faz padecer pela autoflagelação. A divisão de quatro estágios de vida religiosa que encontramos no final do período védico coloca como etapas mais adiantadas de espiritualidade o vanaprastha, ou seja, a vida como ermitão, isolado na floresta, e o bhiksu, religioso mendicante com perpétuo voto monástico. Sintomaticamente, ambos não exercitam atividade sexual. Assim se preparam para a libertação final, em uma não-existência, livres dos desejos e do supérfluo mundo material1.
Saindo do Bramanismo, avança o Budismo ainda mais em direção a uma visão pessimista da vida, em que o eu do homem é ilusório. Admitindo igualmente a reencarnação, busca a paz final no nirvana. Mas este significa a extinção final da personalidade, como o apagar de uma lâmpada, uma felicidade total em um nada total. O ideal de vida budista é essencialmente monástico. Levado a suas últimas conseqüências, faria dos países, onde predomina, um imenso mosteiro. Exemplos marcantes foram, até recentemente, o Tibet e a Mongólia Exterior. Essa norma é mais rígida no Budismo Theravada e atenuada no reformismo Mahayana. Este regulamentou a vida "leiga", sem, contudo, deixar de considerar a vida monástica superior. O ligar-se a uma mulher é uma forma de escravizar-se, de perder a liberdade. A atividade sexual é considerada tão anti-social como o assassínio e o roubo. O aperfeiçoamento vem pelo não-querer, e o desejo é a raiz de todos os males.
As proibições sexuais, inúmeras e meticulosas, exprimiam o modelo espiritual de vida inteira dedicada ao dharma e reforçavam o valor ascético da negação dos instintos de procriação, encarados negativamente como escravização ao ciclo nascimento-morte-renascimento2.
2. A Influência Grega
O Bramanismo e o Budismo não apenas se espalharam rapidamente pelo Oriente, mas fizeram chegar alguns de seus princípios até as civilizações do Ocidente. No século IV a.C. a Grécia foi dominada pelos macedônios, os quais, posteriormente, sob Alexandre, avançaram até a Índia, helenizando os povos conquistados e, em contrapartida, "orientalizando" a Europa. Souto Maior afirma que a religião de vastas camadas da população grega é "profundamente influenciada pelos cultos orientais".3 A reencarnação, o ascetismo e o dualismo matéria-alma encontraram acolhida em alguns pensadores. Do Oriente – mais precisamente da Pérsia – tomaram os gregos a visão dualista do universo do Bem e do Mal, oriundos de duas forças espirituais de igual poder. De Deus emanava a esfera do espírito, e do demiurgo a esfera da matéria.
A exaltação do ideal no mundo espiritual e intelectual teve sua máxima expressão no pensamento platônico, e o dualismo no pensamento gnóstico. Para estes, sendo a matéria má, temos que buscar uma libertação pela iluminação espiritual mística e pela comunhão com o mundo espiritual[1]. O sexo obviamente pertence ao mundo material, sendo igualmente mau e um empecilho no "aperfeiçoamento" espiritual do homem. A Sócrates atribui-se a compreensão do corpo material como "fonte de problemas". Crendo na imortalidade da alma, ansiava pela libertação da matéria e pela vida futura sem o corpo, em completa pureza. Platão chamaria o corpo de "besta" e buscava reprimi-lo pelo domínio da alma. Seus discípulos, os neoplatônicos – destacando-se Plotino – seguiram a mesma linha de pensamento, tendo vergonha do corpo e agradecendo a Deus por não tê-Io criado imortal[2].
3. A Igreja Sincrética
Do segundo ao quarto século, sofreu a Igreja Cristã um forte processo de sincretismo, com a crescente absorção de conceitos, usos e doutrinas alheios à Revelação. Pode-se, justamente, falar de uma "helenização" da Igreja, ou, pelo menos, que esta recebeu uma influência desviante de algumas áreas do pensamento grego. Se por um lado, em extremos, isso gerou as heresias gnóstica e maniquéia, por outro, no próprio corpo central da instituição cristã, vê-se mais e mais a aceitação, a cristianização e a justificação bíblica forçada para princípios reconhecidamente de origem pagã.
A vida monástica apareceu, expandiu-se e passou a ser vista como algo superior, tendo, em seu extremo, os eremitas. Buscava-se a perfeição pela separação do mundo, pela vida solitária e pela renúncia. Se não se chegava ao exagero gnóstico de afirmar que o casamento e a procriação eram obras de Satanás, exaltava-se a virgindade e o celibato, tinha-se vergonha do corpo, o sexo era visto como algo baixo, a castidade e a abstenção sexual eram "bem-aventuranças". Orígenes, o erudito do século III, angustiado, e por precaução, deixou-se castrar... Pais da Igreja, como João de Damasco, enunciaram pensamentos como este: "Uma mulher é um mal. Uma mulher formosa é um sepulcro caiado”[3].
O neo-platonismo dominou a Igreja chamada Católica. Agostinho, em suas confissões, atingiu as raias da morbidez, vendo sujeira, indignidade e vergonha no sexo, tido como obstáculo à vida santificada. A abstinência sexual era recomendada em dias santos especiais. Em 385 o Papa Sirico recomendou a castidade aos sacerdotes, sob o argumento de que eles tinham que celebrar diariamente a Santa Eucaristia. Em 390 o Concílio de Cartago recomendou castidade aos bispos, padres e diáconos. No século V, Leão, o Grande, estendeu a norma aos sub-diáconos[4].
Os santos, que vieram a substituir os deuses e heróis pagãos na veneração popular, em geral eram apresentados como exemplos de assexualidade. E Maria apresentada dogmaticamente como sempre virgem, não tendo tido, portanto, relações sexuais com José após o nascimento de Jesus. Os irmãos de Jesus, a que se referem os Evangelhos, seriam seus primos ou irmãos por parte do pai humano. Essa doutrina e a que afirma ter sido ela isenta do pecado original são os fundamentos da mariologia ou mariolatria. Uma depende da outra na conclusão lógica de que se Maria tivesse conhecido varão teria perdido a isenção do pecado, donde se deduz que o ato sexual é uma forma de pecado. Em 8 de dezembro de 1854 Pio IX proclamou o dogma da lmaculada Conceição, e Pio XII decretaria, em seu Ano Santo, que Maria foi assunta corporalmente ao céu. Veja-se como tais doutrinas tinham uma profunda influência simbólica na mente popular. De nada adiantam as belas declarações retóricas sobre a dignidade matrimonial se o celibato é um "estado melhor", se Maria não podia ter relações sexuais, se os santos não ligavam para isso e se padres, freiras e frades são celibatários.
4. O "Puritanismo" Protestante
Não resta dúvida de que o Protestantismo significou um avanço no caminho da libertação desses tabus pagãos e na volta ao sentido que a Bíblia empresta ao assunto. Na rejeição da Tradição como Fonte de Revelação e na proclamação apenas de doutrinas escriturísticas, os Reformadores extinguiram o celibato obrigatório, buscaram cumprir o requerimento Paulino de que os bispos deviam ser esposos de uma mulher, e elevaram, outra vez, o valor do casamento, da família e da vida sexual regular.
Essa libertação, especialmente em alguns grupos e regiões, foi mais teórica do que prática, deixando-se de se aprofundar na matéria. A influência cultural do meio ambiente terminou por introduzir de fato, outra vez, as idéias pagãs, principalmente entre os povos anglo-saxões. Pecado e sexo passaram a ser conceitos de fácil associação, assim como santificação e pureza com o domínio do mesmo. O auge desse "puritanismo" se deu na Grã-Bretanha, no reinado da rainha Vitória (1837-1901). O pudor exagerado fez com que se colocassem obstáculos ao trabalho da medicina. A mulher somente ia a uma clínica acompanhada, não podendo mostrar parte alguma do corpo, sempre coberto por vestidos longos e pesados. Os consultórios dispunham de uma boneca onde a mulher apontava a localização da enfermidade. No continente, vale mencionar a educação militarista da Prússia luterana, que procurava dominar a sexualidade com disciplina rígida e exercícios físicos. Em Genebra e nos diversos países sob influência calvinista tivemos uma nova ascese pelo trabalho, muito bem canalizado na Revolução Industrial[5].
A ênfase em uma "vida espiritual" divorciada da "vida material" foi uma ameaça constante em direção a uma exegese errônea e danosa de alguns textos bíblicos. Um moralismo unilateral, centralizado no sexo, passou a dominar algumas denominações, especialmente na América do Norte. O cinema, regulado pelo Código Hayes da Motion Picture Association, até poucos anos não apresentava o casal na cama, e esta era sempre do tipo separado. Parte da tarefa evangelística das missões modernas foi vestir "decentemente" os povos a quem ministravam, não interessando os aspectos culturais, costumeiros e climáticos. Pois, em chegando a terras tropicais, onde os nativos viviam em trajes sumários, passavam a ensinar, os "puritanos"[6], o caráter "pecaminoso" dessa ausência de panos, e a vesti-los dentro do figurino britânico: paletó e gravata para os homens e longas saias para as mulheres. Bem intencionados, mas condicionados pela cultura de origem, os missionários terminaram por causar um dano desintegrador, isolando os novos cristãos de seus concidadãos, além de danos psicológicos que vieram marcar a saúde mental de gerações.
O Evangelho em roupagem saxã foi acompanhado de um sexo em roupagem pagã. Um moralismo defensor de uma ética pela ética, representado por certos clubes de serviço, e a salvação da civilização pela reafirmação de regras do passado possuem essa mesma origem em comum. A Bíblia foi injustiçada com ensinos que terminaram por engordar as contas bancárias de psiquiatras, por meio de uma freguesia de inibidos, reprimidos, culpados e angustiados.
A Tradição Permissiva
Lutero já afirmara que o homem natural passa a vida inteira indo de um extremo para outro, qual pêndulo do relógio de parede, nunca permanecendo no ponto central de equilíbrio. Esse pensamento se aplica exatamente ao que ocorreu nas últimas décadas, com a chamada explosão sexual. Novas gerações romperam com os antigos tabus para caírem na permissividade. Em um século percorremos a grande distância entre um mundo moralista e um mundo pornográfico.
Por que as coisas terminaram desse jeito?
Se observarmos na História, notaremos a permanência paralela de ambas as tendências – repressiva e permissiva – com períodos de predominância, ora de uma, ora de outra. Durante a era repressiva da ética ocidental, a tendência erotizante ficara viva nos bastidores, no silêncio dos escondidos, no pensamento de minorias. Mudadas as condições, ela sobe ao palco, mandando a outra para sua situação anterior, à semelhança de uma original gangorra.
1. Na Antiguidade
Em um dos períodos de evolução do Hinduísmo vemos a apresentação de um poder sexual gerador, a nível cósmico, no culto a Shiva, que se casa com Parvati ou Durga em uma união sexual que dura séculos.[7] O casamento entre deuses fazia parte igualmente da religião de outras civilizações antigas. No Egito, a monarquia faraônica se dizia descendente de Horus, filho do deus Osíris com a deusa Ísis. Na Grécia, o Olimpo era uma réplica celeste de uma corte mundana e uma projeção de atos e desejos do povo, com Zeus (Júpiter) casado com Hera (Juno), que daria à luz Apolo, símbolo da beleza e da varonilidade. Afrodite (Vênus) era a deusa do amor e símbolo da beleza feminina. Não pode deixar de ser citado Dionísio (Baco), deus do vinho, da alegria e das festas, cujo culto terminava em literal bacanal[8]. Na fase de decadência da religião pagã, proliferavam os cultos de mistério, com cerimônias de iniciação e intenso e complicado simbolismo. Em alguns, construíam-se altares com representações de órgãos sexuais, e a experiência mística era, por vezes, concretizada no ato sexual no templo.
Uma teologia desse tipo conduz a um endeusamento do sexo. Muitas vezes, o que nós pensamos ser progresso é apenas uma volta ao passado, e passado longínquo.
2. Na Cristandade
A contrapartida cristã ao hedonismo grego, com sua realização por meio da busca dos prazeres materiais e da liberdade dos instintos, foi o antinomianismo, o qual, por incrível que pareça, compartilhava uma origem comum com o ascetismo, ou seja, o dualismo gnóstico. Se a matéria é má e vai ser destruída, e o que importa é a alma pura, não se pode ver comunicação mais íntima entre o que uma e outra fazem; assim, podemos ter uma vida material licenciosa e sem escrúpulos, enquanto fazemos exercícios espirituais...
Debaixo de uma repressão oficial, a libertinagem nunca atingiu na chamada civilização cristã os extremos dos dias de decadência do Império Romano, por exemplo; mas nunca deixaram as cortes medievais de entrar para a História por suas aberrações e condutas sexuais nada piedosas, inclusive a própria corte papal[9]. Durante a Reforma, registrou-se a reação dos libertinos à moralização de Genebra. E, mais recentemente, o moralismo vitoriano escondia, sob uma fachada religiosa, uma pornografia clandestina e episódios pouco recomendáveis. Nesse sistema hipócrita, o importante não era a vivência ética, mas as aparências, a reputação.
3. Na Modernidade
A caótica situação de hoje vem em decorrência de uma série de fatores mais recentes. Do Renascimento ao "Século das Luzes", da Revolução Francesa ao moderno racionalismo e às novas ideologias, vem sendo rejeitada a religião como algo ultrapassado ou antiprogressista. O mesmo se diga do materialismo prático e neo-hedonista do Ocidente. Não havendo mais fonte de Revelação Absoluta, não há padrões morais absolutos, e tem-se que criar uma nova moralidade, uma ética de situação ou uma ética ideológica. O sim e o não são substituídos pelo talvez, pelo depende e pela justificação dos meios pelos fins. O cristianismo fica na defensiva, na reação em defesa do velho moralismo, ou isolado no compartimento ou departamento religioso de muitos que dizem professá-lo. O otimismo liberal com uma visão do homem bom dá a tônica das filosofias pedagógicas. O resultado está aí. "A Nova Moralidade?" – respondeu um pregador – “É a Velha Imoralidade com outra roupa".
Enquanto Norman Vicent Peale fala da "Crise Moral que nos Cerca", Billy Graham denuncia "Uma Cultura que Morre", afirmando:
A decadência moral e espiritual com que lidamos hoje torna-se evidente ao virarmos qualquer página dos jornais diários... O único objetivo do mundo ocidental parece ser o êxito, a posição destacada. a segurança, o desregramento, o prazer e o conforto[10].
O homossexualismo é tido como um "terceiro sexo". A união consentida entre adultos do mesmo sexo é regulamentada em alguns países. A literatura pornográfica é uma das indústrias mais rendosas do Ocidente. As artes são infestadas por portadores de "comportamento desviante". A prostituição se especializa e apela para modernos meios científicos. O gráfico de divórcio vai em linha ascendente, e os motivos para separação são os mais banais e fúteis possíveis. As experiências sem comprometimento entre jovens aumentam sem o perigo de gravidez, pois "a pílula é para isso mesmo...". A Ciência informa, mas não pode dar uma opção – esta é eminentemente moral, e só pode ser encontrada na filosofia e na religião[11].
Um jovem com tendências homossexuais vai procurar um psiquiatra para tratamento preventivo, e recebe deste o conselho para se aceitar tal como é, para canalizar criativamente suas tendências, nunca reprimi-Ias, pois isso iria prejudicar sua saúde.
Uma solteira, perto dos quarenta, aparece com problemas ginecológicos. Vai a um médico. Este receita a "dinamização" das atividades sexuais, apresentando a si próprio como disposto a fazer o "tratamento".
Episódios como os acima descritos repetem-se por esse mundo a fora. O resultado é a frustração e a busca de uma saída no álcool e nas drogas.
As Igrejas modernistas temeram a corrente do tempo e aderiram à Nova Moralidade, ensinando-a com linguajar teológico. Carl F. Henry assim a define:
Em contraste com a ética cristã tradicional, a nova moralidade rechaça a determinação antecipada da boa conduta por meio de princípios fixos, concentra a atenção sobre as relações interpessoais imediatas, e acha no amor o único conteúdo imutável da ação moral. Tende a considerar as representações bíblicas da eterna lei moral e os manda-mentos divinos autoritativos, revelados por um supremo Soberano moral sobrenatural, como mitológicos e sem pertinência para o homem moderno[12].
Cada vez menos essas igrejas são procuradas pelos jovens que buscam uma resposta. Enquanto isso, as igrejas bíblicas, em grande parte, ou permanecem no moralismo repressivo, ou apenas reagem negativamente ao novo desafio.
Por Uma Nova Opção
Em diferentes partes da terra, os pêndulos em direção à repressão e à permissividade estão a se cruzar. Áreas onde ainda permanece o moralismo sentem-se tentadas pela sereia permissiva vinda de outras plagas, pelos modernos meios de comunicação; naquelas plagas, contudo, o enfado do extremo onde já se chegou e para onde não há muito para onde ir revelam uma tendência inversa, em muitos, na direção do outro extremo. Nos países permissivos registra-se uma diminuição no volume de negócios pornográficos e uma busca de uma ética de absolutos. Parte de sua juventude procura o misticismo oriental, onde encontrará esses padrões, mas na linha repressiva. Outros, convertidos ao cristianismo, com forte consciência de culpa por sua vida pregressa, terminam adotando a rigidez dos velhos padrões conservadores que, pelo menos, lhes dão uma sensação de segurança. Em países da Europa Oriental, os ingredientes responsáveis pelo problema da juventude do Ocidente: tempo e dinheiro de sobra e ausência de propósitos para a vida atingem os filhos da Nova Classe burocrática e partidária. Nos Estados mais radicais e de experiência mais recente de ideologia marxista-Ieninista, a busca da construção da nova sociedade os tem feito enveredar por um moralismo dogmático, capaz de causar inveja a muito prior medieval. Cuba prescreve "terapêutica ocupacional" para prostitutas e homossexuais: jornadas exaustivas no corte da cana-de-açúcar; a China e a Albânia impõem limites à idade matrimonial e banem com violência qualquer comportamento desviante. O Gigante Amarelo foi descrito por um jornalista como "um gigantesco mosteiro".
E a História volta a se repetir. Nada de sexo ou tudo de sexo. O sexo sujo ou o sexo deus. Da repressão à permissividade, da permissividade à repressão. Não se encontra um ponto de equilíbrio. A natureza às voltas com a lei. Estaremos todos presos a esse inevitável fatalismo cíclico condicionante? Se somos influenciados pelo meio, também não poderemos influenciá-lo?
Aos cristãos, com a Bíblia aberta, com a assistência do Espírito Santo, está destinada, nessa geração, a tarefa de romper o impasse, de buscar a outra opção, não sendo levados ou condicionados pelos ventos dos tempos, mas encetando a edificação do homem novo em Cristo.
(Uma Bênção Chamada Sexo, GW Editora, Rio de Janeiro, 2005, 10ª. Edição, pp.13-27).
1 As grandes religiões. São Paulo, Abril Cultural, 1974, caps.12 e 19.
2 Op. Cit. P.261.
3 SOUTO MAIOR, Armando. História geral. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1969. p. 94.
9 Usamos o termo “puritano” (entre aspas), quando nos referimos a esse fenômeno moralista, para distinguir do Puritanismo, movimento religioso e político da pós-reforma inglesa, que, mui justamente, admiramos.
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Última atualização (Seg, 25 de Janeiro de 2010 09:00)
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