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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Home Bispo Artigos Ultimato 50 Anos de Crente (1960-2010) – Parte Final

50 Anos de Crente (1960-2010) – Parte Final

Reflexão Ultimato

 

50 Anos de Crente

(1960-2010) – Parte Final

Dom Robinson Cavalcanti ([i])

 

Sou grato a Deus por me ter permitido três vidas em uma: a profissional, a política e a ministerial. A troca da advocacia pelo magistério universitário melhor viabilizou a compatibilização entre profissão e ministério. Como profissional das áreas de pesquisa e ensino, sempre me vi dando o melhor de mim, com ética, e ao mesmo tempo sendo um missionário ao mundo universitário. Nas Universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco, ocupei a maioria dos cargos e funções, inclusive nos conselhos superiores. Coordenei o mestrado em ciência política e dirigi o Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE. Aposentado, trabalhei como voluntário cinco anos, e, ao completar quarenta anos que ali entrara como calouro, fechei o escritório com um sentimento de realização pessoal e dever cumprido. Muitas vezes participei, como dublê de professor/pastor, de efemérides religiosas no campus! Essa missão para o mundo me levou a integrar a Academia Pernambucana de Educação e Cultura, o Rotary Club e a Academia Pernambucana de Ciências Morais e Políticas.

 

Na vida política, o fato de ter parentes paternos e maternos militantes de várias frentes, levou-me a participar da primeira greve aos 12 anos. Fiz parte do grêmio do colégio. Participei de uma diretoria da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (UESA), do Centro dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (CESP), do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito da UFPE, diretórios e executivas (nos âmbitos municipal e estadual) de partidos. Abracei uma candidatura profético-pedagógica a deputado estadual (na época da ditadura militar), outra candidatura a vice-prefeito, uma assessoria a prefeito e a deputado federal. Participei ainda da fundação de um sindicato e, por fim, de movimentos sociais – inclusive fui um dos fundadores do Movimento Evangélico Progressista (MEP).

 

Cumpri meu dever ao integrar a coordenação nacional das campanhas (1989, 1994) de Luiz Inácio Lula da Silva entre os evangélicos. Partidos e organizações foram canais históricos do exercício da cidadania responsável. Saí do PMDB quando esgotou seu projeto, com a promulgação da Constituição de 1988, e do PT com minha eleição ao episcopado (além da sua descaracterização). Não sou filiado a partidos, mas a sindicatos e associações civis. Parafraseando Nelson Rodrigues, tenho sido um “pastor de passeata”.

 

Na vida religiosa, tive formação cristã e fui vocacionado desde a infância. Converti-me na adolescência, e seguiram-se filiação e púlpito. Tinha visão missionária desde quando era estudante universitário. Na igreja exerci das mais humildes tarefas às maiores responsabilidades – foi parte do meu processo de aprendizagem. O privilégio de ser ministrado por heróis da fé, a literatura a que fui exposto, a honra de ser agraciado pela Providência com a presença nos principais congressos nacionais e internacionais da minha geração, fazem-me confessar, a graça e a misericórdia de Deus. Desde a Igreja Romana, tenho sido um “cristão credal”, afirmando cada artigo dos Credos Apostólico e Niceno. Desde a Igreja Luterana, tenho sido um cristão confessional: afirmando cada ponto convergente das confissões de fé da Reforma. Um ortodoxo que procura ser ortoprático. No protestantismo, sempre me vi como um evangélico (evangelical) – anunciando a expiação na cruz, o novo nascimento, a santidade e o imperativo missionário. Posicionamentos político-ideológico-partidários e o uso de ferramentas da filosofia e das ciências humanas para melhor compreender e obedecer às Sagradas Escrituras, me levaram, muitas vezes, a ser tido como “liberal” por conservadores e como “fundamentalista” por liberais.

 

Há 34 anos sou membro da Igreja Anglicana – 26 anos como ministro ordenado (diácono, presbítero = pastor) e aproximadamente 13 como bispo. No Anglicanismo fiz uma síntese pessoal entre um catolicismo sem romanismo e um protestantismo sem sectarismo/legalismo. Ordenei quase cem pastores. Abri  um grande número de frentes missionárias e congregações – tenho recebido uma média de 500 novos membros cada ano. Mantemos obras sociais e uma mensagem integral do Evangelho. Porém é também aí que tenho, nos últimos anos, vivenciado os momentos mais tristes da minha vida. Por um lado, sofri a tragédia de cismas motivados por projetos pessoais, e por outro, o confronto com heresias, que me fez perder amizades pessoais – algo que nunca tinha vivenciado no espaço secular. O Anglicanismo, amplamente ortodoxo em seus 165 países, tem passado por uma crise devido ao fato de suas províncias do espaço euro-ocidental (como acontece com outros ramos históricos), e alguns satélites na periferia terem sucumbido ao sopro iluminista-racionalista do “espírito do século”. Tal crise deve-se ainda à adoção de um relativismo e de uma “inclusividade ilimitada” (sem doutrinas e padrões de comportamento), representados pelo liberalismo revisionista pós-moderno, que tem como uma das decorrências o advogar a agenda GLSTB (homossexual).

 

Fui difamado e processado, e sofri um nunca imaginado martírio no interior da própria Igreja. Continuo, porém, ainda vivo, ministrando, assistido por meu Senhor!

 



[i] Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada e Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios.

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