Em Defesa da Escolaridade Doméstica (Home Schooling)
Reflexão Cidadã
Em Defesa da Escolaridade Doméstica
(Home Schooling)
Um fato de grande significado para o futuro das opções nacionais na educação se deu essa semana na cidade de Timóteo, Minas Gerais, quando a justiça condenou um casal por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente e por abandono intelectual de menores, em virtude de estarem os mesmos promovendo a educação dos seus filhos (Davi, 16 anos, e Jônatas, 15 anos) no próprio lar. A sentença inclui multas para os pais e ordem para que os filhos sejam matriculados em escolas convencionais. Os pais prometeram recorrer da sentença da Primeira Instância. Em teste de conhecimento aplicado pela Secretaria Estadual de Educação, de um máximo de 100 pontos, Davi obteve 68 pontos e Jônatas 65. A Escolaridade Doméstica (Home Schooling) tem sido um dos mais expressivos movimentos educacionais dos últimos dez anos, em vários países do Primeiro Mundo, particularmente nos Estados Unidos, e vem recebendo, de forma crescente, reconhecimento legal. Testes de aptidão e de sociabilidade têm resultado em índices altamente positivos para os que receberam essa formação, inclusive com ingresso em universidades destacadas.
No ano passado, em visita às Paróquias Anglicanas então sob a nossa supervisão episcopal (hoje na ACNA) fui convidado a visitar vários lares e conhecer de perto a experiência, me causando a melhor das impressões.
A Escolaridade Doméstica teve origem com a insatisfação de pais norte-americanos por várias razões: baixo nível, ensino ideologizado, ambiente de indisciplina, consumo de drogas, distribuição de camisinhas e pílulas anticoncepcionais, e educação sexual “inclusiva”, etc. O que começou com pais de esquerda, teve uma rápida aceitação entre famílias religiosas, particularmente evangélicas. Paralelamente, a última década também presenciou, nos Estados Unidos, o ressurgimento dos colégios confessionais, com o fortalecimento dos já existentes e a criação de centenas de novos (visitei um novo Colégio Anglicano no Estado de Washington). Tanto a ampliação dos colégios confessionais, quanto o crescimento da Escolaridade Doméstica são fatos que somente tendem a crescer.
Hoje há nos EE.UU uma associação de Escolaridade Doméstica representando milhares de alunos. A entidade produz material escolar, promove simpósios para os pais-professores e acampamentos de integração para os alunos.
Fiquei impressionado com a dedicação dos pais e com a seriedade dos alunos. Em uma época que a “libertação da mulher” é torná-la escrava do mercado, “triunfadora” na profissão, mandando às favas a vida familiar, pude ver mulheres bem sucedidas sair do trabalho (ou reduzi-lo bastante) para se dedicar à educação dos filhos, auxiliadas pelos maridos, e, algumas vezes, por outros parentes.
Seria a Educação Doméstica apenas mais um modismo ou uma importação estrangeira para religiosos sectários e bitolados? Não seria o fundamentalismo iluminista, o secularismo intolerante, a ideologia do “politicamente correto”, a agenda GLSBT também importações estrangeiras, que estão sendo impostas ao nosso povo de forma arrogante e intolerante por uma minoria encastelada na academia, na mídia e no aparato do Estado, tentando “corrigir” a todos, desrespeitando a nossa cultura e os nossos valores, violentando os nossos conceitos e valores?
Em geral, no Brasil, ou temos colégios confessionais que se desconfessionalizaram (de religiosos mantém apenas o nome) ou temos os colégios seculares de elite ou a escola pública para os de baixa renda, que é um caos só, e todos eles já submetidos ao fogo cerrado do secularismo.
Precisamos revitalizar (e criar novos) colégios realmente confessionais, que expressem os valores familiares, e não apenas informem (ou deformem), mas formem, e de uma legislação que ampare a expansão e a consolidação da Escolaridade Doméstica como uma opção legítima, dentro das liberdades e direitos da cidadania.
O tema deve ser estudado, o movimento apoiado, a busca de uma legislação priorizada, e a desobediência civil uma possibilidade, quando necessária.
Basta da tirania dos Fundamentalistas Iluministas!
Todo Apoio à Escolaridade Doméstica. Resistir é Preciso. Criar alternativas uma tarefa urgente e inadiável!
Com isso nossos filhos e netos representarão uma parcela da população brasileira que escapará da padronização totalitária, deixando aberta a história da Pátria.
Desperta Brasil! Acorda, Crentes!
Vamos Conversando!
Recife (PE), 11 de março de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Seg, 15 de Março de 2010 09:52)
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