Afirmando a Responsabilidade Social
Reflexão Quaresmal

Afirmando a Responsabilidade Social
O Senhor Jesus nos chama, nos perdoa, nos transforma e nos envia para uma vida missionária. A verdadeira religião é amparar os órfãos, as viúvas, os estrangeiros, os pobres, os excluídos, os discriminados, os oprimidos, os marginalizados, os carentes do corpo, da mente e da alma. O profeta nos diz que Deus troca o nosso coração de pedra, insensível, por um coração de carne, sensível. O Espírito Santo gera em nós o dom da misericórdia. A santificação vai vencendo o egoísmo e o egocentrismo pelo altruísmo, pela doação, pelo espírito de sacrifício, pelo sentir a dor do próximo e expressar concretamente para ele a solidariedade.
As privações das pessoas têm quatro causas;
1. Deficiências físicas ou psicológicas inatas: cegos, surdos-mudos, deficientes físicos ou mentais de nascença;
2. Deficiências resultantes de causas fortuitas posteriores: vítimas de guerras, atentados, acidentes, famílias disfuncionais;
3. Deficiências resultantes de opções morais pessoais: alcoolismo, drogas, glutonaria, tentativa de automutilação ou suicídio;
4. Deficiências resultantes do sistema sócio-econômico e das políticas de Estado: subnutrição, analfabetismo, falta de assistência à saúde, desemprego, falta de segurança pública, concentração de poder, propriedade, renda e saber.
É preciso discernir essas causas e responder a cada uma delas adequadamente. A responsabilidade social dos cristãos pode ser expressar em três modalidades:
1. Obras de Misericórdia – são respostas às necessidades imediatas, urgentes, conjunturais, como um copo de água, um prato de comida, uma roupa, um abrigo, um remédio, uma palavra de carinho e de estímulo, que permita ao que sofre sobreviver;
2. Projetos de Promoção – além do peixe, o ensinar a pescar: escolas e cursos profissionalizantes, organização de associações e cooperativas, providenciar documentos, conseguir trabalho;
3. Ação Política – além de dar o peixe e ensinar a pescar, construir açudes e assegurar o acesso aos mesmos, ir às causas estruturais, não naturais, das desigualdades e privações, pela educação, pela organização, pela mobilização, em associações, sindicatos, partidos, pela mídia, pelas iniciativas populares, pelas sugestões, pressões e cobranças junto aos detentores de cargos públicos federais, estaduais e municipais, nas esferas do executivo, do legislativo e do judiciário. É o testemunho pelo exercício responsável da cidadania, na promoção dos valores do Reino de Deus.
Não podemos ser seguidores de Caim (“sou eu, porventura, guardador do meu irmão?”), ou de Pedro, no Monte da Transfiguração (“vamos ficar acampados aqui em cima adorando”).
Há pouca Obra de Misericórdia, escassos Projetos de Promoção, e fuga e medo da Ação Política (pecado da desobediência), por temor ou por se estar buscando uma “boca”, ou por se já ter conseguido uma, cooptados.
Que nesse Tempo de Quaresma tomemos consciência de que a fé sem obras é morta, que possamos nos arrepender do pecado da insensibilidade e do pecado da acomodação, renovando a qualidade do nosso testemunho e da presença de Cristo na História.
“Ó Deus, Senhor da retidão: conduz-nos pelos caminhos da justiça e da paz; anima-nos a combater toda a opressão e toda a injustiça e bem assim criar as condições que levem o trabalhador ao cumprimento do seu dever e à justa retribuição do seu esforço; de tal modo que cada um de nós viva para todos, e todos cuidem por cada um. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém".
Recife (PE), 06 de março de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Seg, 22 de Março de 2010 18:29)
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