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 ROWAN WILLIAMS,

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ROWAN WILLIAMS

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Haiti: A Miséria Construída Antecede os Desastres Naturais

Reflexão Episcopal

 

 

 

Haiti: A Miséria Construída Antecede os Desastres Naturais

 

Todo o mundo está chocado com o grande desastre natural que se abateu sobre a República do Haiti que, nos últimos anos, sofrera quatro grandes furacões. Os fenômenos naturais devastaram a estrutura física do país, mas, como o mais pobre das Américas, e um dos mais pobres do mundo, com 80% da população vivendo abaixo da linha de pobreza (miseráveis mesmo), a tragédia do Haiti não é fruto da natureza, mas dos homens, das nações.

 

A ilha de Hispaniola, parte das Antilhas, no Caribe, foi a primeira descoberta por Cristóvão Colombo, e teve o seu filho como primeiro Governador. Por muito tempo foi disputada por espanhóis e franceses, que terminaram por dividi-la em duas colônias: Santo Domingos e Haiti, após o quase completo extermínio das populações nativas indígenas e a sua substituição por mão de obra africana escrava. No final do século XVIII, com meio milhão de escravos negros, 24 mil mestiços e 32 mil brancos, o Haiti era uma colônia altamente rentável, próspera, denominada de “a pérola das Antilhas”.

 

Revoltas de escravos esmagadas, nacionalismo e influência das ideias libertárias da Revolução Francesa levou Toussaint l’Ouverture, em 1801, após derrotar espanhóis e ingleses, a proclamar o Haiti um Estado livre e associado à França, o que é rejeitado por Napoleão Bonaparte que envia tropas chefiadas pelo general Leclerc para esmagar os revoltosos, prender l’Ouverture, que é levado para a França, onde morre.

 

Um dos generais de l’Ouverture, o ex-escravo negro e analfabeto Jean-Jacques Dessalines expulsa os franceses e proclama a Independência em 01 de janeiro de 1804, a primeira de um país da América Latina e do Caribe. Embora tivessem interesses comerciais com o Haiti, as potências imperiais europeias queriam punir exemplarmente esses rebeldes que davam dois maus exemplos: liberdade dos escravos negros e independência nacional. Em decorrência, cortaram créditos e investimentos, e reduzidos as trocas comerciais, em uma política sistemática de asfixia, levando ao progressivo empobrecimento da outra próspera “pérola das Antilhas”, que sofre divisões e alto grau de instabilidade política.

 

Os Estados Unidos entram em cena, sob o pretexto de “cobrar dívidas”, controla a Alfândega do Haiti em 1905, ocupa militarmente em 1915, controlando inteiramente o governo, tornando uma colônia de fato. As tropas apenas saem m 1934 e o controle da alfândega somente é entregue em 1941. Enquanto isso, são mantidos presidentes-títeres da elite mulata, e o país permanece sob a esfera norte-americana, que, dentro da lógica da Guerra Fria, apoia a repressiva ditadura do médico negro François Duvalier (1957-1971), o “papa-doc”, e do seu filho Jean-Claude Duvalier (1971-1986), o “baby-doc”, assentadas na violência da milícia Toton Macoute (Bicho Papão), notória por sua truculência. Nesse mesmo período, a ditadura da família Trujillo na outra parte da ilha, a República Dominicana, em nome da “redominicanização da fronteira” extermina milhares de haitianos. Milhares de haitianos começam a emigrar para o exterior.

 

Com os serviços do Estado praticamente inexistentes, e uma população de miseráveis, assume a presidência da república o padre salesiano e seguidor da Teologia da Libertação Jean-Bertrand Aristide, o “titide” e seu movimento popular “lavalas”, que é derrubado, em poucos meses, por um golpe de Estado. Já ideologicamente “reciclado”, volta do exílio dos Estados Unidos, dissolve as Forças Armadas, e, posteriormente, é forçado a deixar o poder, sob acusação de corrupção. É aí que entra a ONU, o Brasil, e o que já se conhece.

 

(I)moral da história; quem manda negro querer ser livre e latino-americano independente? A culpa, exatamente, nem é do Vudu, nem de São Pedro...

 

Paripueira (AL), 15 de janeiro de 2009,

Anno Domini.

 

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

 

 

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Última atualização (Sex, 22 de Janeiro de 2010 17:55)

 


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