Protestantes Não-Iconoclastas
Reflexão Episcopal

Protestantes Não- Iconoclastas
Desde que Deus mandou construir a serpente de bronze no deserto, como símbolo para a fé, e a mandou destruir quando a mesma foi tratada como ídolo, que as religiões monoteístas de Revelação, têm que tratar com a fronteira muitas vezes tênue entre arte sacra e idolatria, entre fé e cultura.
O Islã tomou uma posição oficialmente iconoclasta: nada de representações pictóricas do sagrado, e o Judaísmo se move dentro de uma decoração sóbria e símbolos como o candelabro e a estrela de Davi.
Controvérsias surgiram nos primeiros séculos da História do Cristianismo, com as Igrejas Orientais condenando as imagens tridimensionais e adotando os ícones, pintados por pessoas com um carisma especial.
No Ocidente, a Igreja de Roma absorveu em Maria as deusas pagãs, e nos santos os antigos heróis gregos, adotando as imagens tridimensionais, e escalas de adoração incompreensíveis para o fiel comum (latria para Deus, hiperdulia para Maria e dulia para os santos).
A Primeira Reforma Protestante (luteranos e anglicanos) condenou os excessos e distorções da Igreja de Roma, mas reafirmou o valor da arte sacra (como se vê em suas Igrejas na Europa), com Lutero combatendo vigorosamente o movimento iconoclasta de Kaalstad. Obviamente que essa arte sacra protestante é compatibilizada com sua teologia trinitária, e sua crença que a comunhão dos santos não significa comunicação dos santos, e que Maria e os Santos podem ser apenas patronos e exemplos da piedade.
A Segunda Reforma (calvinista) e a Terceira Reforma (anabatista) foram radicalizando na direção de “quatro paredes caiadas e um sermão”, embora, com o passar do tempo, elementos de arte sacra foram sendo reintroduzidos em suas Igrejas de vários continentes. O acampamento batista da Carolina do Norte nos recebe com um anjo de mármore em tamanho natural e tem uma cruz em neon no topo de sua colina.
No Brasil, o protestantismo, no século XIX teve que se mover sob fortes restrições legais, inclusive com a proibição externa dos símbolos, com a falta de recurso que levou a improvisação de espaços, com a presença primeira de Igrejas missionárias da Segunda e Terceira Reformas, e com a polarização com a Igreja de Roma em sua vertente ibérica-tridentina, fortemente centrada em Maria e nos santos, e na devoção das suas imagens.
Os luteranos e anglicanos ficaram mais localizados no sul do País, onde desenvolveram, a partir da República, uma arte sacra em seus espaços.
Manifestações de arte sacra também podem ser encontradas em outros ramos reformados nas regiões sul e sudeste, e a tendência iconoclasta foi mais prevalecente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reforçada, posteriormente pelo fundamentalismo, pelo pentecostalismo, pelas tendências neo-judaizantes, e pela ignorância histórica e cultural.
Hoje, não somente os herdeiros da Primeira Reforma mantém e expandem sua promoção da arte sacra, como uma nova classe média de instrução superior e experiência cosmopolita em outras denominações já atingem o nível de sensibilidade à beleza no sagrado, à arte na adoração.
Olinda (PE), 27 de dezembro de 2009, Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
CATEDRAL ANGLICANA DE LIVERPOOL , REINO UNIDO
CATEDRAL ANGLICANA DE LIVERPOOL , REINO UNIDO

Catedral Presbiteriana de Santo Egídio em Edimburgo, no Reino Unido

Imagem de Jonh Knox na Catedral Presbiteriana de Santo Egídio em Edimburgo, no Reino Unido
Catedral Presbiteriana de Santo Egídio em Edimburgo, no Reino Unido
Anjo com água Benta na entrada da Catedral Presbiteriana de Santo Egídio em Edimburgo, no Reino Unido
Catedral Metodista São Paulo, em Houston, Eua.
Cristo na Entrada da Catedral Metodista São Paulo, em Houston, Eua.
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Última atualização (Sáb, 02 de Janeiro de 2010 13:54)
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