Pré-evangelismo, Relações Públicas e Propaganda da Fé - Reflexão Episcopal
Reflexão Episcopal

Pré-evangelismo, Relações Públicas e Propaganda da Fé
Antes que se possa prestar a devida atenção, e se dar ouvidos a uma nova mensagem, barreiras mentais e culturais têm que ser removidas ou minimizadas. Desconhecimento, distorções de informações, preconceitos, tradições, temores, tudo isso pesa para bloquear a escuta a uma nova proposta. Conversas informais, debates temáticos, exibição de filmes e vídeos, distribuição de literatura, de conteúdo mais abrangente e leve formam, que denominávamos na Aliança Bíblica Universitária (ABU) de “pré-evangelismo”, passos preliminares necessários para chegarmos ao ponto mais explícito de expor a mensagem evangelística. Um trabalho sistemático de relações públicas, de procurar “cair na graça de todo o povo” é de extrema importância, para removermos a imagem de “chatos”, “esquisitos”, “intolerantes”, “ignorantes” e outros estereótipos (reais, imaginários ou exagerados) que caracterizam os “crentes” (ex “novas seitas” ou “bodes”), protestantes ou evangélicos. Esse pré-evangelismo, relações públicas, deve ser incluído em nossos planejamentos e ações na propagação da fé. Que dizer, particularmente, do Anglicanismo?
Uma ação evangelística anglicana se depara com óbices de duas naturezas:
1. Aqueles que são comuns contra os protestantes;
2. Aqueles que são peculiares contra os anglicanos.
1. Para muitos segmentos sociais brasileiros, particularmente entre as elites urbanas e rurais, e setores das classes médias, há uma associação do protestantismo com ignorância, com fanatismo, com antiintelectualismo, com legalismo-moralismo (não de todo inverídico), uma religião para os de classe baixa e de baixo nível de escolaridade. Por outro lado, o domínio, nas últimas décadas da mídia religiosa pelos chamados neo(pseudo)pentecostais, leva a associação do protestantismo com esperteza, exploração da boa fé ou picaretagem. Se no primeiro meio século do protestantismo, o pastor típico era o presbiteriano, e no segundo meio século o assembleiano, nesse terceiro meio século se tipifica pelos “apóstolos”, “missionários” e “bispos” neo(pseudo) pentecostais. No imaginário popular, todo protestante é igual, no caso, igual aos tais. É claro que, com 38.000 “denominações” no mundo, com “produtos” para cada gosto, em uma espécie de “self servisse” religioso, não se ajuda a promoção de uma imagem positiva da fé reformada;
2. No caso particular do Anglicanismo, temos que esclarecer a velha estória da “igreja fundada pelo rei Henrique VIII”, elaborada pelos historiadores romanos, e mantida por positivistas, marxistas e outros, por desconhecimento ou preguiça mental. Em um país polarizado entre a Igreja de Roma e o Protestantismo Radical, a nossa peculiaridade de sermos protestantes-católicos ainda dá nó na cabeça de muita gente (inclusive dentro de nossas comunidades...) com a indevida e iconoclasta associação entre arte e idolatria. Também o nosso pluralismo quanto aos aspectos não-essenciais, que caracterizam uma Igreja, são rejeitados pelos monolíticos espíritos sectários, ou a nossa disciplina pedagógica e pastoral, e não policial, não é compreendida pelas tradições de inquisições, com ou sem fogueiras. No contexto brasileiro, temos, ainda, que nos diferenciar da liberal Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e de grupos ditos “Continuantes”, carentes de identidade e de ética.
Compartilhar a riqueza da nossa história, a beleza do nosso culto, a ortodoxia e a profundidade da nossa teologia (inclusive dos autores traduzidos para o português), a universalidade da nossa presença, podem ser momentos preliminares importantes de quebra de barreiras, que abrem caminho para o evangelismo.
Quando iniciamos nosso primeiro Ponto Missionário (hoje temos cinco Paróquias) na cidade de Olinda (PE), mandei imprimir em uma gráfica de pé-de-escada dez mil folhetos que distribuímos nas feiras, estabelecimentos comerciais e pontos turísticos, que começava assim: “A Igreja da Rainha Elizabeth, do Prêmio Nobel da Paz Arcebispo Desmond Tutu, e do teólogo John Stott, chegou a Olinda”. Essa fixação da beleza que é a alternativa anglicana e do caráter sério da Diocese do Recife, permitem construir uma nova imagem, que vai beneficiar todas as comunidades locais que com ela sejam associadas.
É verdade que os cristãos sempre serão vistos com reservas pelo mundo, com barreiras pelos pecadores que não querem se arrepender e resistem à Graça, teremos aflições, e o martírio integra os riscos do discipulado. Mas, dependendo de nós, tenhamos paz com todos os homens, e neles removamos as barreiras que devem e podem ser removidas, para o anúncio poderoso do Evangelho da salvação.
Tornemos o Anglicanismo conhecido, como espaço para uma fé viva e sadia em Jesus Cristo, Senhor e Salvador.
Paripueira (AL), 27 de janeiro de 2012,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Sex, 27 de Janeiro de 2012 11:34)












