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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FCA

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

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A Crise do Anglicanismo e a Parcela de Culpa dos Conservadores

Reflexão Episcopal

 

 

A Crise do Anglicanismo e a

Parcela de Culpa dos Conservadores

 

Ao término do recente II Encontro dos Bispos Anglicanos de Toda a África (CAPA), o Revmo. Robert Duncan, Arcebispo Primaz da Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA) concedeu uma significativa entrevista ao jornalista David Virtue, quando apontou como a única solução para a crise atual “um Anglicanismo Confessional”, sinalizando para a importância da Declaração de Jerusalém do GAFCON/FCA. Ele fora muito bem recebido pelo conjunto dos bispos africanos, mas tomara conhecimento dos posicionamentos da Província da África Central e da Província Sul-Africana contra o rompimento de relações com a TEC e contra a legitimação da ACNA como nova Província alternativa. Ele sabe da existência minoritária de bolsões teologicamente liberais na África do Sul e da estratégia de “amaciar” resistências que a TEC está fazendo com o uso pródigo de doações financeiras. Sabemos que ele está entristecido com a decisão da AMiA (vinculada à Província de Ruanda) de apenas manter um vínculo associado e não pleno com a ACNA, e que vários bispos e Dioceses conservadoras optaram por permanecer “resistindo” dentro da TEC, e que esse é um fato que debilita o processo. Ele sabe dos setores extremados do anglo-catolicismo que equiparam a Ordenação feminina aos dogmas dos Credos, e que isso é um fator de divisionismo. Ele sabe que a província (interna) de Sydney, na Austrália, não ajuda a unidade dos conservadores, quando propõe que os leigos possam presidir a Eucaristia, e quando muitos dos seus clérigos estão celebrando os cultos de sapatos tênis, calças jeans e camisa pólo, não se importando que o Livro de Oração Comum termine sendo usando como papel de embrulho. É esse mesmo grupo, e seus assemelhados em alguns outros lugares, que mais barulho faz contra a Ordenação feminina e a Ordenação de divorciados, e como isso, também, não concorre para a unidade dos conservadores. A grande aposta dos liberais, a partir da cúpula em St Andrew’s House (sede da Comunhão Anglicana) e no Palácio de Lambeth tem sido a hipótese que os conservadores são intrinsecamente divisionistas, e, enfraquecidos, não irão elaborar uma saída viável.

 

Fico lembrando quando, ainda um Bispo-Eleito, em 1997, participei do primeiro encontro da Ekklesia, em Dallas, Texas, EUA, e como ali havia uma autocrítica quanto ao controle do liberalismo sobre a Igreja Episcopal de alguns países, e como isso se devia a três falhas principais dos conservadores: 1. Os anglo-católicos, os evangélicos e os carismáticos passaram muito tempo brigando por suas diferenças secundárias, em vez de se unir em torno do que amplamente os une e enfrentar o adversário em comum; 2. Esses conservadores, com uma teologia equivocada, viviam suas vidas isoladas e não participavam das reuniões e organizações diocesanas e provinciais, deixando os liberais soltos para ocupar os cargos de mando; 3. Eles, nos países desenvolvidos, não tinham se dado conta de que o Anglicanismo tinha se deslocado para o hemisfério sul, e não tinham tido a humildade para buscar apoio desses irmãos nos países periféricos. Desde aquele momento, todo o esforço pela unidade dos conservadores foi feito, coroando com a votação da Resolução 1.10 sobre Sexualidade Humana na Conferência de Lambeth, de 1998. Mas, temos que ser honestos em reconhecer que a “engenharia” da unidade dos anglicanos ortodoxos não tem sido fácil, inclusive afetado por interesses localizados e egos inflados, que, também, geraram e dividiram a alternativa por fora da Comunhão Anglicana, que é o chamado “Movimento Continuante”.

 

Mas, a raiz do divisionismo fragilizante dos conservadores tem origens históricas bem mais antigas.

 

Quando da Reforma Protestante, no século XVI, os seus adeptos ingleses, tendo como epicentro a Universidade de Cambridge, essa era inspirado por várias fontes: a pré-reforma de Wycliffe e os contatos com as vertentes luteranas e calvinistas no continente, o que implicava em sua dose de divergências. Mas, em um segundo momento, foi marcante a hegemonia de uma das vertentes do calvinismo: o Puritanismo. Mas, esse logo se dividiu entre os que ficaram e os que saíram do Anglicanismo (Igreja da Inglaterra). Dentre os que saíram, tivemos uma grande subdivisão: 1. Uma ala foi se juntar a nascente Igreja Presbiteriana (vitoriosa na Escócia); 2. Uma ala foi criar a Igreja Congregacional; 3. Uma ala foi criar a Igreja Batista (a ala 2 e a ala 3 sofreram influência do pensamento anabatista). Dentre os que ficaram no Anglicanismo também tivemos uma subdivisão: 1. Os que “vestiram a camisa” dessa expressão reformada; 2. Os que ficaram por conveniência (não por convicção), pela rede de proteção representada por uma igreja estatal, por pragmatismo, e o seu arrazoado sempre foi: “A Igreja da Inglaterra ainda é o melhor bote para se pescar”. Durante os séculos seguintes, dependendo do momento ou do lugar, ora os convictos, ora os por conveniência, foram hegemônicos. Os por conveniência, marcados pelas ideologias puritana e anabatista, se encastelaram em suas Paróquias, em suas Missões e projetos sociais, e em seus movimentos (inclusive interdenominacionais), pagando as cotas e mal aparecendo nos Concílios e Sínodos, de forma arrogante e isolacionista, impondo os termos da sua participação, em geral mínima.

 

Após o Reavivamento Metodista, com a morte de John e Charles Wesley, uma parte dos seus seguidores evangélicos saiu para criar a Igreja Metodista, e uma parte ficou como uma nova ala evangélica (de “coração aquecido”) arminiana dentro da Igreja da Inglaterra, em contraste com os por convicção e os por conveniência, de tradição calvinista. Os anglo-católicos, frutos do Movimento de Oxford, ou Tratarianismo, ocuparam muito desse espaço institucional vazio, na maior parte do século XIX, mas também se dividiram entre os que foram para a Igreja de Roma e os que ficaram. No final do século XIX surge o Liberal-Catolicismo (católico em rito e liberal em teologia), que vai dominando o cenário das Províncias anglo-saxãs até os nossos dias. Nos anos 1960 surge o Movimento Carismático (também de tendência arminiana), com uma face mais protestante na Inglaterra e mais católica nos Estados Unidos.

 

Se a Inclusividade, ou diferenças no não-essencial é uma bela marca do Anglicanismo, e o excesso de correntes e de subcorrentes não seja um fato exatamente positivo, e que, no caso dos conservadores, os fragiliza no combate externo ao Secularismo e interno ao Liberalismo, o calcanhar de Aquiles, porém, é mais embaixo e mais profundo: a permanência, ao longo dos séculos, dos grupos por conveniência, sempre desdenhando as instituições e fazendo pouco caso das suas peculiaridades e das marcas da sua identidade. E essa ótica é bem presente em alguns setores de algumas Províncias e Dioceses nesse tempo de crise.

 

Mas, voltemos ao Primaz Robert Duncan e sua proposta de saída via um “Anglicanismo Confessional”, e como relacioná-lo com a fragilização advinda dos descendentes puritanos por conveniência na ala protestante evangélica.

 

Um “Anglicanismo Confessional” inclui, em primeiro lugar, uma dimensão doutrinária.  A Declaração de Jerusalém é uma reafirmação das doutrinas centrais do Cristianismo contidas nos Credos e do Cristianismo Reformado contidas nos XXXIX Artigos de Religião, em harmonia com o núcleo das demais Confissões de Fé da Reforma, e que foi enfatizada dentro do Anglicanismo ortodoxo pela Declaração de Montreal, e, no conjunto do Protestantismo, pelo Pacto de Lausanne. Essa ortodoxia doutrinária perpassa todo o Livro de Oração Comum, de 1662, apontado pelo Gafcon/FCA como um dos pilares desse confessionalismo anglicano, se fazendo menção especial ao Ordinal (ritos de Ordenação de Diáconos, Presbíteros e Bispos) e ao seu Prefácio (Prefação). O confessionalismo anglicano inclui o “Quadrilátero de Lambeth”, e o conjunto de Resoluções das Conferências de Lambeth, de 1867 a 1998, que, embora não tivesse status jurisdicional, sempre foram acatados por sua força moral e por representar “a mente da Igreja”.

 

Mas um movimento confessional não se esgota nas afirmações doutrinárias, mas incluem, necessariamente, uma dimensão ética (os valores de vida dos cristãos) e uma dimensão que os anglicanos denominam de “church order”, ou seja, eclesiologia, tanto na elaboração teórica quanto no governo da Igreja. As Resoluções de Lambeth estão plenas de um fecundo magistério quanto a ambas as áreas, e, para sermos honestos e coerentes, devemos atentar para ambas. Na área da Eclesiologia tanto o LOC/Ordinal quanto as Resoluções de Lambeth apontam para uma Liturgia Oficial quanto para um governo Episcopal-Diocesano, que, ao longo do tempo, foram oficializados pelas Constituições e Cânones Gerais das Províncias quanto pelos Cânones Diocesanos.

 

Além das tensões ainda existentes entre as alas (e sub-alas) anglo-católicas, evangélicas e carismáticas na formação primeiro dessa “frente credal”, e, modo mais permanente, como resultado de um inevitável realinhamento, em uma Comunhão Anglicana de caráter confessional (em que os não-confessionais estariam criando seu próprio espaço alternativo), o aspecto mais importante e decisivo para o sucesso desse projeto passa por uma consolidação dos herdeiros dos evangélicos por convicção, com seus compromissos tanto com a Doutrina, quanto com a Ética e a Eclesiologia. A herança dos descentes dos puritanos por conveniência, e sua atitude de “participação seletiva” é ainda muito evidente, e se constitui em um dos maiores obstáculos (por ação, omissão ou boicote) à realização do sonho do Arcebispo Robert Duncan e de tantos de nós.

 

Que o conhecimento das distorções históricas nos ajude a superar as distorções presentes.

 

Unidade = Conhecimento – Convicção – Compromisso.

 

Vibrar com o Anglicanismo como algo peculiar e promovê-lo.

 

Por um Anglicanismo Confessional!

 

Paripueira (AL), 04 de setembro de 2010,

 Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

 

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Última atualização (Sáb, 04 de Setembro de 2010 23:54)

 


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