Eleição: Sem Oposição, Paixão e Indignação - Reflexão Cidadã
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Eleição: Sem Oposição, Paixão e Indignação
O candidato José Serra é comprometido com a gestão FHC; a candidata Dilma com a gestão Lula; a candidata Marina com “o melhor dos dois”. Por um lado não há uma candidatura à direita da síntese do modelo FHC-Lula (semelhantes na essência, diferentes do acidente), seja de uma direita autoritária do tipo neofascista ou populista, que encontramos em outros países, inclusive na Europa, seja de uma direita “democrática” mais radicalmente neoliberal (presente em setores da “grande imprensa”), porque a maioria da “direita civilizada” se sente muito bem representada pelo modelo vigente, talvez apenas desejosa de mais um naco de poder ou tenha urticária com um presidente caboclo iletrado.
Para parafrasear, atualizando, a obra do historiador Gustavo Barroso, somos, cada vez mais, uma “colônia de banqueiros”. Por outro lado não há uma candidatura forte à esquerda. Temos, é verdade, alguns candidatos que são denominados pejorativamente de “nanicos” que articulam uma crítica pela esquerda, mas, em geral, por uma esquerda do passado, na exiguidade do seu tempo, ressalvando-se um maior conteúdo do candidato Plínio de Arruda Sampaio, de respeitável biografia e currículo.
Mas, o que quero chamar a atenção é que nenhum dos três candidatos considerados “principais”, “maiores”, ou “competitivos” é um(a) candidato(a) de oposição ao modelo vigente FHC-Lula. Como decorrência: 1. Não se mostra a realidade dos milhões de miseráveis, principalmente nos grotões do norte e do nordeste e na periferia da grandes cidades, há uma maquiagem da realidade, se aponta para o que se fez, ou pretensamente se está fazendo, mas não para o que não se fez, nem se está fazendo; 2. Não há uma critica, nem uma apresentação de um projeto de reforma para o sistema político e eleitoral, que distorce a representatividade democrática, e debilita o poder da maioria; 3. Não se aponta para os descalabros existentes na saúde, na educação, nos transportes, e há um silêncio incompreensível diante da (insegurança) pública; 4. Não se apresentam propostas para democratizar a propriedade, representada pela empresa familiar, micro e pequena empresa, pelas empresas cogestionárias e autogestionárias, pelas cooperativas, etc.
A opção de candidatos maiores é, no máximo, por uma vaga “sustentabilidade” das grandes empresas. Há uma paralisia diante do temor da queimação de se associar crítica do capitalismo com modelos não-capitalistas autoritários do passado, e não a busca de um pós-capitalismo solidário e democrático. Para os cristãos, vale sempre lembrar que Deus criou o trabalho e não o emprego.
Sem oposição e sem carisma, essa é uma eleição sem paixão, pois é difícil alguém se entusiasmar com uma pasmaceira dessa. Sem oposição, paixão e compaixão, com os “candidatos oficiais” ou oficiosos das igrejas protestantes devidamente cooptados e amaciados diante da velha e corrupta prática do clientelismo neofranciscano (“é dando que se recebe”) não se vê protestante protestar, não se vê cristão exercendo um ministério profético, como “consciência moral da nação”, enfim, com as consciências cauterizadas e descrentes de uma História aberta, sem Bíblia e sem História, a eleição caminha sem indignação.
Com os antigos nativos diante dos colonizadores, os atuais nativos se contentam com os espelhos e miçangas do consumismo, em um Estado que não é laico, mas tem um “deus” reverenciado: o velho Mamon...
Olinda (PE), 29 de agosto de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Dom, 29 de Agosto de 2010 11:33)
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