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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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A Igreja Como Instituição e a Sua (Des)Valorização

Reflexão Episcopal

 

 

A Igreja Como Instituição e a Sua (Des)Valorização

 

Em minha recente visita aos Estados Unidos, vou de Amesbury para Boston em companhia de um dos Bispos da Igreja Episcopal Reformada (REC), ora em processo de integração à Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA). Conversa vai, conversa vem, pedi que me esclarecesse um intrigante fato histórico: como foi que a então Igreja Protestante Episcopal nos Estados Unidos da América (PECUSA, depois ECUSA, hoje TEC), tendo uma absoluta maioria e hegemonia evangélica em torno de 1850, em 1990 tinha a presença evangélica praticamente desaparecido, restando algumas raríssimas e isoladas ilhas eclesiásticas remanescentes.

O Bispo me falou do impacto do Movimento de Oxford (anglo-catolicismo), iniciado na década de 1830, na Inglaterra, como revitalização da antiga Igreja Alta (“high and dry”), e que a fundação da REC tinha sido uma reação à sua avassaladora presença e influência nos Estados Unidos. Em um primeiro momento, um terço da PECUSA foi para REC, mas a maioria recuou satisfeita com a redação do “Quadrilátero de Chicago” (depois “Quadrilátero de Lambeth”): Escrituras, Credos, Sacramentos, Episcopados. A REC, depois de uma fase missionária, se fecha e passa por um longo período de estagnação.

Mas, e a PECUSA? Aí é que está o nó da questão: enquanto os evangélicos se dedicavam a abrir frentes missionárias, a evangelizar e criar obras sociais, não comparecendo aos Concílios e Sínodos, desinteressados e desvalorizando a instituição, os anglo-católicos iam ocupando aas reitorias e as cátedras dos seminários, as presidências de juntas e comissões, e, por fim, o episcopado da maioria das Dioceses. Em apenas uma geração tomaram o poder e mudaram a cara da Igreja e o curso da história.

Outro fato semelhante vai ocorrer um século depois, a partir da década de 1960. Naquela época os evangélicos estavam se reorganizando, com a fundação da “Fundação Barnabé”, ligada a Fraternidade Evangélica da Comunhão Anglicana (EFAC) liderada por John Stott, tinha criado o Seminário Trinity, e já contavam com 5% dos episcopais norte-americanos; os anglo-católicos tinham também criado o seu seminário, o Nashota House, e, o Movimento Carismático ia deslanchar e conhecer o seu apogeu. Além de limitados contatos internacionais, e de falta de unidade entre essas três vertentes ortodoxas, outra vez, o institucional é desvalorizado: os anglo-católicos se contentavam com suas velas e incensos, os evangélicos com suas missões e os carismáticos com as suas aleluias. Aí os liberais-católicos fazem o mesmo movimento de ocupação institucional que os anglo-católicos haviam feito no século XIX. Entre 1960 e 1990 eles desbancam os anglo-católicos e ocupam o poder da então ECUSA.

Isso me faz lembrar o pensador leigo ortodoxo russo Nicolau Bediaeff, quando dizia que todas as revoluções malignas contemporâneas vieram como resultado da inação dos cristãos quando tinham oportunidade. Isso sem falar dos cristãos evangélicos e o apoio ao nazismo, ao racismo dos EUA e ao regime do apartheid na África do Sul.

O buraco está mais embaixo. Assim como sofremos com a dicotomia alma (boa) vs. corpo (mau) de origem platônica, temos a equivalência entre organismo (bom) vs. organização (má) na vida em sociedade, como se fosse possível uma vida sem instituições: família, trabalho, Estado, etc., que não é “má”, mas reflete as ambiguidades morais da natureza humana caída e a maior ou menor presença do “sal da terra e luz do mundo”.

Não se pode brincar de filiação institucional, com um vínculo tênue e mínimo nesse “mal necessário”, e depois se reclamar que os hereges ocuparam os cargos de mando. Os hereges não tomam o poder eclesiástico; os ortodoxos, por equívoco ou preguiça é que o entregam de mão beijada. Depois vão rachando, e criando instituições “puras” (até a próxima impureza), ou, o que vemos hoje, geram o absolutismo da “igreja sou eu” do caudilhismo eclesiástico de vários matizes.

Se não aprendermos com os erros da História – afirmou um pensador – somos condenados a repeti-la.

O problema passa por uma grave distorção eclesiológica. Mas, isso já seria assunto para outro texto...

Feliz festejos juninos e petrinos!

Recife (PE), 24 de junho de 2010,

Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

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Última atualização (Sex, 25 de Junho de 2010 11:57)

 


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