Representantes do Povo? - Revmo.Bispo Robinson Cavalcanti
Reflexão Cidadã

Representantes do Povo?
De repente você assiste um noticiário na televisão, e aparece uma figura se apresentando como “senador” pelo seu Estado. Você faz um esforço de memória: você não votou nele. Não conhece ninguém que tenha votado nele. É isso mesmo, ninguém votou nele e ele é senador. Na verdade ele é um “segundo suplente”, porque o titular virou ministro e o primeiro ficou doente. Foi eleito em um voto “absolutamente secreto”, pois o seu nome não constava da propaganda e nem da cédula de votação eletrônica. Essas “eminências pardas”, os ditos suplentes, no geral são financiadores ou amigos do peito do senador, e terminaram ganhando essa privilegiada prebenda do poder. O nosso Senado da República está cheio desses “representantes do povo”...
Você votou em um candidato para Deputado Federal, e ele teve 30.000 votos, e ele não foi eleito, porque o partido ou coligação dele não atingiu o quociente. Mas a irmã votou em outro cara que teve 15.000 votos, e ele foi eleito, justamente porque o tal quociente foi atingido. Moral da história, nesse país de democracia original, quem tem mais voto pode perder e quem tem menos voto pode ganhar.
Quanto aos cargos executivos (presidente, governador e prefeito), você apenas “escolhe” os que foram escolhidos para você escolher...
Faça uma pesquisa sobre a composição de classe social em nosso Congresso Nacional, e você vai encontrar uma pirâmide invertida: os poucos que tem muito são muitos, e os muitos que tem pouco são poucos. Ou seja, o poder continua com “donos”, desde as capitanias hereditárias, e um ou outro “de baixo” que chega lá (onde arranjou um caminhão de dinheiro?) apenas serve para legitimar a farsa e tem tanta relevância quanto índio em filme de cowboy... As “bancadas” reais não são dos partidos (sem ideologia ou programa), mas dos grupos de interesse: banqueiros, ruralistas (leia-se: latifundiários, etc.).
Esses são os nossos “representantes do povo”. Mas, não desanime, poderia ser pior...
Enquanto isso vá fechando os olhos para orar e abrindo os olhos para agir.
Estamos em ano eleitoral. Vamos conversando!
Rio de Janeiro (RJ), 26 de maio de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
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Última atualização (Qua, 23 de Junho de 2010 16:00)
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