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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

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Home Biblioteca História dos 30 Anos da Diocese Resgatando Nossa História III

Resgatando Nossa História III

Resgatando Nossa História III

Diocese do Recife: 30 Anos - O Período Clóvis (1986-1997)


O segundo Bispo da Diocese do Recife foi o Revmo. Dom Clóvis Erly Rodrigues , gaúcho, ex-missionário em Moçambique, na África, ex-Deão da Catedral de Santa Maria-RS e professor de Ensino Médio, um liberal-católico, dentro da tipologia anglicana, e admirador da Teologia da Libertação. Em virtude de ser, àquela época, a nossa Diocese canonicamente “missionária” (isto é, não autônoma, por não ter alcançado o número mínimo de Presbíteros ativos e de Paróquias), ele foi eleito pelo Sínodo Geral da IEAB, mesmo não conhecendo a região, nem sendo por ela conhecido. De certa forma, conforme carta-denúncia de um grupo de seminaristas à Província, na verdade ele era um “Interventor” , que veio com uma missão dada pela cúpula liberal-católica da Província, de “corrigir” a nossa Diocese das influências evangélicas e carismáticas, e “enquadrá-la” nos parâmetros teológicos e litúrgicos daquela tendência. O primeiro ano (1985) aqui passou como Coadjutor do Bispo Sherrill , assumindo o status de Bispo Diocesano no início de 1986, profundamente isolado por um clero e um laicato, em sua maioria, ferido, desconfiado e hostil.

Em seu primeiro Concílio Diocesano, realizado na Paróquia do Bom Pastor, em Salvador-BA, houve um movimento articulado para pedir, pacificamente, a sua renúncia e retorno ao sul, para que se procedesse à escolha de novo Bispo de consenso para a nossa Diocese Setentrional. O movimento foi desarticulado graças à ação de um Bispo do Sul ali presente como observador, que, nas caladas da noite, reuniu filiados a uma entidade iniciática e uma loja (não exatamente de ferragem..), inclusive delegados “de confiança” do Rev. Paulo Garcia , que, no dia seguinte, adentravam o recinto distribuindo flores, ofertando um ramalhete à esposa do Bispo, e fazendo ardorosos pronunciamentos de apoio ao mesmo...

O Bispo Clóvis era uma pessoa fechada, desconfiada e irônica, que afirmara: “Não gosto de evangélicos e detesto carismáticos” . Viajava para fora da Diocese o máximo que podia, aqui vivia isolado no Escritório Diocesano, cuidando dos papéis, e tentando sempre cooptar – por persuasão, pressão ou ameaça velada – os jovens seminaristas: uma minoria aderiu, uma minoria resistiu, e a maioria ou deixou a Igreja ou deixou a vocação. Assumiu, interinamente, como bispo-pároco a então denominada Pró-Catedral do Bom Samaritano, e, em um ano, a membresia tinha sido reduzida de 150 para 30 membros. Estava sempre aberto para acolher egressos da Igreja Romana e procurava obstacular o ingresso de egressos de Igrejas Protestantes. Seu ecumenismo era extremamente unilateral, apenas com os setores romanos ou protestantes liberais ou da teologia da libertação. Deu novo conteúdo às matérias do NAET, em um cabo-de-guerra permanente entre a maioria evangélica e carismática de alunos e a maioria liberal ou da teologia da libertação dos professores. O NAET, que, até então, ministrava apenas as disciplinas anglicanas para os alunos que cursavam Teologia em Seminários de outras denominações, foi elevado ao status de Seminário Diocesano, com Curso de Bacharelado pleno. Os alunos de Belém-PA e de Salvador-BA deveriam cursar Seminários ecumênicos liberais daquelas localidades. Quem fosse amigo dos reverendos Paulo Garcia ou Robinson Cavalcanti eram – juntamente com eles – marginalizados.

Foram ordenados, durante o seu período os seguintes reverendos: Washington Franco e Siméa Meldrum (os únicos dos seus Presbíteros que continuam conosco), Maurício Andrade (Bispo de Brasília), Sebastião Gameleira (Bispo de Pelotas), Alberto Blandon (no Canadá), Francisco de Assis ( em Novo Hamburgo-RS , Diocese Meridional), Raimundo Nonato (em Belém-PA, Distrito Missionário da Amazônia), Alberto Pires ( em São Luís-MA , vínculo eclesiástico desconhecido), Evanilza Loureiro (licenciada na dissidência local pró-IEAB), e, apenas ao Diaconato: Luiz Souza de França (Arcediago e Deão da Con-Catedral Anglicana da Ressurreição, João Pessoa-PB), Abimael Rodrigues (em Livramento-RS, Diocese Sul-Ocidental) e Josafá Batista (aposentado em Salvador-BA, na dissidência local pró-IEAB).

A Diocese Setentrional teve o seu nome mudado pelo nosso Concílio Diocesano, e homologado pelo Sínodo Geral da Província, para Diocese Anglicana do Recife.

Apesar de que a filosofia do Bispo fosse sempre a de afirmar que a linha liberal-católica era “o verdadeiro Anglicanismo” , e de que “prefiro que não haja novas Paróquias, a tê-las não do meu jeito” , a resistência e o trabalho missionário dos evangélicos fizeram a Diocese crescer e adquirir status de Diocese Autônoma. É verdade que alguns Pontos Missionários foram iniciados por clérigos evangélicos, e, posteriormente, esvaziados e fechados pelas ações do Bispo, como os de Caruaru (iniciado pelo Rev. Robinson Cavalcanti ), Fortaleza (iniciado pelo Rev. Washington Franco ) e Maceió (iniciado pela Revda. Evanilza Loureiro ). Além da ascensão de antigos Pontos Missionários fundados pelo Bispo Sherrill ao status de Missão ou Paróquia, foram criados, durante o “Período Clóvis” as seguintes novas frentes missionárias: Semeador, em Jardim Brasil , Olinda-PE (filha da Paróquia Emanuel); São Paulo, no Alto do Eucalipto, Recife-PE; Amor Cristão (depois Filadélfia), em Maceió-AL e Reconciliação, em Caruaru-PE (filhas da Paróquia da SS. Trindade).

O “Período Clóvis” foi marcado por um constante clima de tensão, isolamento entre o clero (dois clérigos conversando já era tido como conspiração), os Concílios momentos sempre desagradáveis, prazos canônicos foram ilegalmente reduzidos em favor de quem ele simpatizava e flagrantemente dilatados (como aconteceu, por anos, com o então Candidato Miguel Uchoa ) com os que ele não simpatizava ou discordava. Pode-se dizer que, nessa longa e interminável década, a Diocese sobreviveu, apesar do Bispo.

Por outro lado, o Rev. Paulo Garcia funcionava como líder de uma oposição sistemática e implacável. O Bispo era mantido à distância, e não consultado sobre nada, fortemente hostilizado, e somente convidado para realizar o Rito de Confirmação. Era uma figura desconhecida em sua Diocese. Certa feita, convidado para proferir devocional em um Cursilho , foi barrado pelo pessoal do trânsito. Ao que reagiu com justa indignação: “Eu sou o Bispo!” , no que foi contestado pelo chefe do trânsito: “E Eu sou o Papa!” . Na verdade, a Paróquia da SS. Trindade hospedava um “governo-paralelo” , ao ponto de se afirmar que tínhamos dois Bispos: um de Direito ( Clóvis ) e um de fato ( Paulo ). A essa altura a Paróquia da SS. Trindade tinha substituído o seu “casalismo hard” ( só ECC), por um “casalismo soft” (com a implantação, posterior, de Encontros de Crianças, Adolescentes e Jovens e os Cursilhos de Cristandade, Masculino e Feminino). Os não-casais eram atendidos (como cidadãos de segunda classe), porém os cargos continuavam privativos de casais. A opção pela classe média e média alta era expressamente assumida, e, no lugar das (minoritárias) conversões, passava a valer as numerosas e superficiais adesões.

O Bispo Clóvis é chamado para realizar a Confirmação de uma multidão de “aderentes” na SS. Trindade (que não promovia cursos de preparação, mas apenas, opcionalmente, uma palestra vaga). No dia seguinte, em um salão de beleza, alguém pergunta a uma senhora que havia sido confirmada na noite anterior: “E, aí, fulana, como foi o culto da sua igreja ontem?” . Ao que a mesma respondeu: “Foi muito bonito. O pastor chamou a gente para ir à frente e um pastor baixinho e careca, que eu não conheço, orou com a mão na minha cabeça. Eu acho que ele estava me abençoando...”.

Sob o pretexto – justificável – de combater os erros e excessos do Episcopado Clóvis , o Rev. Paulo Garcia , sutilmente, ia criando, de fato, uma animosidade contra a instituição do Episcopado em si. Sua conhecida frase: “Não sou contra o Episcopado, mas contra esse Bispo!” foi repetida no Episcopado posterior, e, se o mesmo fosse sincero diria: “Sou a favor do Episcopado, desde que eu seja o Bispo!” .

Ao contrário do Bispo Edir Macedo , que agiu com ética com a sua antiga denominação, a Igreja Pentecostal de Nova Vida, com quem tinha discordâncias, saindo em paz, e fundando, sob a influência da Teologia da Prosperidade, outra denominação, a Igreja Universal do Reino de Deus, o Rev. Paulo Garcia “ficou” (entrismo) na IEAB e promoveu dois fatos extremamente graves:

1. Sob a capa da instituição e da nomenclatura, criou, de fato, uma nova instituição, uma Igreja Pós-Denominacional, centrada na fidelidade à sua liderança carismática (no sentido sociológico e não teológico), no vínculo sócio-afetivo com a Paróquia e no envolvimento com os movimentos de evangelização, tipo ECC e Cursilho, sem qualquer conhecimento da História, da Doutrina e do Governo do Anglicanismo (confundindo Arcebispo de Cantuária com Vinho de Catuaba...), e superficial conhecimento bíblico, pan-cristão e pan-protestante. Um original Episcopalismo sem Bispo (ou o Pároco usurpando o seu papel), um Anglicanismo sem Cânones e sem Livro de Oração Comum (LOC). Isso possibilitaria, se necessário, levar esses “mui fiéis” para onde quisesse;

2. Havendo a Igreja Cristã, ao longo dos séculos, criado as formas: Episcopal (monárquica ou participativa), presbiterial e congregacional de Governo Eclesiástico, o Rev. Paulo Garcia , mantida a fachada de uma igreja “episcopal” , de fato inovou, criou uma nova e original forma de governo eclesial, que casa como uma luva com o caudilhismo da cultura ibero-americana: o Paroquialismo Autocrático. Nesta nova forma, não há a autoridade dos bispos, nem do Conselho de Presbíteros Regentes, nem da Assembléia ou Plenária dos fiéis. Isolado o Bispo, esvaziadas as Assembléias e as Juntas ou Conselhos, os Párocos (não mais vigários, ou representantes do Bispo, mas “pastores titulares da igreja” ) exercem o efetivo poder monárquico absoluto.

O Bispo Sherrill se aposentou aos 61 anos, o Bispo Clóvis aos 62, pois aqui permaneceu por mais um ano, por pressão dos seus pares (insatisfeitos por ele não ter sido bem sucedido em sua “missão” de “desevangelicalizar” a nossa Diocese). Em outubro de 1996 ele convocou o clero para anunciar que iniciava o processo em direção à sua aposentadoria, o que foi oficializado no Concílio Diocesano, em João Pessoa-PB , em dezembro do mesmo ano. Um Concílio Extraordinário foi, então, convocado para o final de junho de 1997, na casa de retiro dos Jesuítas, na Ilha de Itaparica, na Bahia, para eleger um Bispo Coadjutor (auxiliar com direito à sucessão). O clero passou a se reunir para orar, quebrar barreiras e trocar idéias, um retiro foi realizado em uma granja, de onde saiu o compromisso de todos em torno de 10 Pontos para ser implementado pelo futuro Bispo, denominado de “Pacto de Paudalho” (nome do município onde se situava a granja) e que o novo Bispo fosse eleito entre os clérigos que integrassem a nossa Diocese. Cada um dos indicados poderia adicionar uma “Carta Compromisso” pessoal ao Pacto. Na ocasião foram indicados 3 nomes: os reverendos Maurício Andrade, Ian Meldrum e Robinson Cavalcanti (pelos reverendos: Washington Franco, Miguel Uchoa e Luiz Souza ). O Rev. Robinson percorreu todas as Paróquias e Missões, além de um encontro com os seminaristas patrocinado pelo DA, para trocar idéias com as suas lideranças. Em algo pioneiro no Anglicanismo brasileiro, dois debates públicos foram realizados entre os candidatos: um no Centro Diocesano e outro com os delegados-eleitores na véspera da eleição.

Na véspera da festa de São Pedro de 1997, foi eleito como terceiro Bispo da Diocese Anglicana do Recife (o primeiro eleito aqui e o primeiro nativo) o Rev. Robinson Cavalcanti , por maioria absoluta das urnas do clero e dos leigos, posteriormente homologado pela maioria dos Bispos e dos Conselhos Diocesanos da Província, apesar da tentativa, em uma reunião extraordinária da Câmara dos Bispos, em São Paulo-SP , por iniciativa dos Bispos de Pelotas e de Santa Maria, de não homologar a eleição, porque o bispo-eleito iria quebrar a monolitismo liberal e se constituía em “perigosa ameaça para o futuro da nossa Igreja” .

Em 05 de outubro de 1997, data de aniversário de sua genitora, com a presença do Rev. Cônego John Peterson , Secretário Geral da Comunhão Anglicana, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda-PE, tendo como oficiantes os Bispos Glauco Soares de Lima (de São Paulo) – Primaz, Clóvis Erly Rodrigues, Almir dos Santos (de Brasília) e Edmundo Knox Sherrill (aposentado) se deu a Sagração do novo Bispo Coadjutor, que foi Instalado e Empossado como Bispo Diocesano, na Paróquia da SS. Trindade, no dia 19 do mesmo mês. (continua)

 

(Compilação Histórica: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )

 

Secretaria Diocesana de Comunicação

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