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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Biblioteca História dos 30 Anos da Diocese Resgatando Nossa História IV

Resgatando Nossa História IV

Resgatando Nossa História IV

Diocese do Recife: 30 Anos - O Período Robinson (1998-2002)


O terceiro Bispo de nossa Diocese – primeiro nativo e primeiro eleito localmente – é o Revmo. Edward ROBINSON de Barros CAVALCANTI, pernambucano, criado em Alagoas, professor aposentado de Ciência Política da UFPE e UFRPE (dados pessoais em nossa página www.dar.org.br ), foi Coadjutor e Pároco Interino da Paróquia Anglicana Emanuel, Olinda-PE; Coadjutor da Paróquia da SS. Trindade; Ministro Encarregado do Ponto Missionário Anglicano da Redenção; membro do Conselho Diocesano, Delegado Sinodal e membro da JUNET – Junta Nacional de Educação Teológica da IEAB, tendo se filiado a DAR EM 1976, no ano da sua organização eclesiástica.

Como estava, por sua coerência, discriminado há 08 anos pelo “Bispo de Direito”, e há 06 anos pelo “Bispo de Fato”, isolado em seu Ponto Missionário da Redenção, no Bairro da Boa Vista (apesar de ter um amplo ministério no País e no Exterior), teve dificuldade inicial em compor a sua assessoria, por não conhecer e não ser conhecido pelos quadros dirigentes, clericais e laicos, da Diocese. Além de contar, no início da votação com apenas um terço dos delegados, tinha consciência que alguns mais conservadores votaram nele para evitar que o mais liberal fosse eleito, e que alguns mais liberais votaram nele para evitar que o mais conservador fosse eleito, o que o fazia, na realidade ser um líder, naquele momento, de base minoritária. Um Ministro Leigo, e ex-pastor de outra denominação, o denominou de “Bispo Kerenski”, em alusão ao Presidente que governou a Rússia entre a deposição do Czar e a Revolução Comunista. Ou seja, ele não seria a primeira opção dos extremos, que, em conjunto, formavam a maioria. Isso requereu do novo Bispo um exercício redobrado de paciência e perseverança, para desfazer imagens distorcidas, ganhar confiança e agregar pessoas em torno de um novo Projeto Diocesano.

Encontrou o setor administrativo, legal e financeiro em um estado de grande desorganização, muitas dívidas, o Colégio Anglicano John Kennedy de Belém com 27 ações trabalhistas e processos do “crime do colarinho branco” contra três dos seus ex-diretores, e caixas 1, 2 e 3 na gestão de então. As Cotas Diocesanas eram quase inexistentes (com Paróquias até “isentas” ), e o próprio Escritório Diocesano e o Seminário (NAET depois SAET) em um estado caótico e em instalações precárias. Teve que trabalhar duramente dois expedientes (ainda dava aulas na Universidade Rural à noite), enquanto gastava os fins-de-semana visitando as comunidades.

Teve o apoio decisivo do seu primeiro Secretário Administrativo, Rev. Luiz Souza (com a colaboração de pessoas como a Tesoureira Felícia Duarte e o membro da Comissão de Finanças Luciano Pereira, e tantos outros) para ir retomando a organização, pondo a casa em ordem, enquanto se convocava uma “Canoninte”, visando a atualização e ampliação dos Cânones Diocesanos. Foram ativados o Ministério Leigo e os Evangelistas; foram regulamentadas as figuras do Diácono Permanente e do Ministro Local; criou-se os estágios para os Seminaristas, uma nova grade curricular para o Seminário e um Diretório Acadêmico. Dois Seminários Menores foram estabelecidos: o ITAR, em João Pessoa-PB e o IAT, em Recife, depois em Olinda-PE. Um imóvel diocesano foi vendido, e se buscou verbas na Província e no Exterior, para se proceder a reforma do espaço que seria denominado de “Centro Diocesano George Carey”, com novos móveis e utensílios, informatização do Escritório Diocesano e da Secretaria do Seminário.

O Organograma Diocesano foi reformulado com a criação dos Arcediagados (sub-regiões) e das Secretarias: Administrativa, Ação Social, Comunicação, Direitos Humanos, Educação, Missão e Evangelismo, Homens, Intercessão, Jovens, Mulheres e Tesouraria, e (visando uma maior integração entre as comunidades isoladas), com a ampliação do número de membros do Conselho Diocesano e das atribuições da Comissão de Ministério e da Junta de Capelães Examinadores, bem como o fortalecimento do papel da Psicóloga Diocesana. Estimulou-se a criação de equipes pastorais. Depois de muita luta, tivemos a fixação, pelo Concílio Diocesano, das Cotas Diocesanas em 10% (dez por cento) para todas as Paróquias e Missões. Foi criada a Igreja Catedral, com seu Deão e Cabido, vocações foram estimuladas, com um crescimento vertiginoso de seminaristas e um número crescente de Ordenações, obedecendo-se, rigorosamente, os preceitos canônicos. O Bispo do Recife tornou-se vogal e, depois, por três anos, presidente da JUNET, participando, apesar das diferenças, de instâncias e eventos provinciais. Nos primeiros anos, foram abertos, uma média de, dois novos Pontos Missionários por semestre.

Desde o início deixava claro o seu compromisso com a Teologia da Missão Integral da Igreja (Evangelismo, Ensino, Comunhão, Serviço e Profetismo), e com uma Espiritualidade Integral (Adoração, Reflexão e Ação), bem como com a Inculturação, com o Estilo de Vida Simples e com a Igreja como Comunidade Terapêutica, bem como com a identidade Anglicana. Ao mesmo tempo em que, evitando toda forma de favoritismo ou discriminação, garantir a legítima diversidade ou Inclusividade Anglicana, no que nem sempre foi compreendido pelos mais monocromáticos ou menos tolerantes (de quem recebeu pressões e censuras).

Ainda como Bispo-Eleito conseguiu devolver o status de normalidade da Equipe Pastoral de Belém-PA (“suspensa” pelo Bispo anterior) e reconhecer, confirmar e empossar membros e clero da Paróquia Anglicana do Espírito Santo (até então oficialmente “não existente”), que passou de Ponto Missionário Anglicano diretamente para Paróquia. Evitou a entrada de cerca de 70 ex-padres e ex-pastores que não davam evidência de ética ou de adequação ao Anglicanismo, enquanto recebia fraternalmente – e aplicava os Cânones – aos que davam evidências positivas, alguns dos quais foram ordenados, e servem à causa do Senhor entre nós até hoje. Procurou reunir o Clero em Cafés da Manhã, e tornar os Concílios mais descontraídos, mais abertos e mais participativos.

Desde o início o novo Bispo ficou estarrecido, escandalizado, com o lastimável estado do ensino religioso na Diocese, com o escasso conhecimento bíblico e doutrinário, e com o quase total desconhecimento do Anglicanismo.

Em 1998 representou a Província na Conferência sobre Missões da Igreja da Inglaterra, visitou a Diocese de Leeds, participou dos Encontros tanto dos Bispos Carismáticos, quanto dos Bispos Evangélicos que precederam a Conferência de Lambeth, onde integrou a equipe que estudou o tema: “Namoro, Noivado e Casamento – na Bíblia, na Cultura e na Lei Civil”, presidiu o grupo de estudo sobre “O Episcopado”, e foi o único delegado brasileiro a votar favoravelmente à Resolução 1.10 sobre Sexualidade Humana. Recebeu, no Recife, a visita do Revmo. Robin Eames , Primaz da Irlanda, e de Sua Graça o Arcebispo de Cantuária George Carey, além de ter visitado oficialmente, com todo o episcopado da IEAB a Diocese de Massachussets. Estabeleceu convênio como “Dioceses Companheiras” com a Diocese de Pensilvânia Central (ECUSA) e de Fredericton (Canadá). Visitou a ambas e recebeu a visita do Bispo de Fredericton, para um dos nossos Concílios Diocesanos, o Revmo. George Lemmon .

No ano 2000, surpreendentemente, testemunhamos, o lamentável episódio, em nossa Diocese, de uma “aliança de opostos”. A pretexto de uma “Confraternização de Natal”, de 1999, os reverendos: Paulo Garcia e Sebastião Gameleira instigaram clérigos e ministros leigos contra o Bispo Diocesano, acusado de “teimoso”, “autoritário” e de estar “enfatizando demais o Anglicanismo”. Isso resultou em uma audiência presidida pelo Bispo Primaz, quando a quase totalidade do clero hipotecou solidariedade ao Bispo, enquanto (na surdina) era criada a Igreja Episcopal Carismática do Brasil, saindo para ela – no primeiro episódio cismático – o Rev. Antônio Carlos, em João Pessoa-PB e o ML. Antônio Eça, no Recife-PE, além da seminarista Simone, e parcelas de comunidades em João Pessoa, para uma Igreja pentecostal.

Ainda em 2000, o Sínodo Geral da IEAB (após concordância do Concílio Diocesano da DAR) aprovou a criação do Distrito Missionário da Amazônia (Amazonas, Roraima, Pará e Amapá), e do Distrito Missionário do Oeste (Acre e Rondônia da DAR e outros Estados de outras Dioceses). Ficaram no DAM os reverendos: Amaro Daniel, Abimael Rodrigues, Fernando Poçadilha, Raimundo Nonato e Josephino Lobato, e as Paróquias de Santa Maria, São Lucas e São João Batista, e alguns Pontos Missionários. Em Agosto o Bispo da DAR em Culto Solene, transmitiu aquela jurisdição ao Bispo Primaz. Desde então o território da DAR passou a ser os nove Estados da região Nordeste.

Tendo, pelo ativismo e pelas adesões, construído o seu “império eclesiástico” burguês pós-denominacional e paroquialista-autocrático (não tendo sido bem sucedido em três tentativas de ser Bispo na IEAB), tendo o seu narcisismo e a sua megalomania agravados, tentando tutelar e controlar o Bispo Diocesano (“tenho o Bispo nas mãos”), desprezando o Livro de Oração Comum (dizia aos Seminaristas: “terminado o Curso, joguem aquele livro no lixo”), ignorando as normas canônicas e estimulando um sentimento anti-episcopal entre os fiéis, não foi das mais fáceis a convivência do novo Bispo Diocesano com o seu Deão e Secretário de Evangelismo, a partir do “bunker” da Rua Carneiro Vilela. Com paciência o Bispo almoçou com o Deão, semanalmente, por dois anos e meio, procurando manter abertos os canais de comunicação. O mesmo ofereceu “óbolos” extraordinários para amaciá-lo, queria ter o direito de indicar os ministros das comunidades fundadas por ele (o Bispo formalmente só assinaria as designações), mantendo-as como “igrejas satélites” , não as integrando aos seus respectivos Arcediagados (“Arcediagado é uma boa idéia, só que não tem ninguém na DAR com competência para exercer tal função”). Era contrário a que o Bispo usasse símbolo de autoridade (como o báculo, p.ex.), e este apenas deveria aparecer nas Paróquias e Missões para realizar o rito de Confirmação ou Ordenação. Insistia em sua concepção “parlamentarista” do Episcopado: o Bispo como “rainha da Inglaterra”, desempenhando funções simbólicas e cerimoniais, além das burocráticas e da formação do clero, mas não da sua função central que é a Supervisão, episcopê , com as Paróquias e Missões como meras expressões locais da Diocese-Igreja e os Párocos e Ministros Encarregados como representantes (“vigários”) do Bispo-Pastor, conforme reza a tradição histórica da Igreja e a Doutrina Anglicana.

Tendo (secretamente) mantido acordos com a Igreja Episcopal Carismática (recebimento posterior do título de Bispo), o Deão aumentou as agressões e calúnias contra o Anglicanismo e o Bispo Diocesano ( “vai batizar animais e casar gays” ), não aceitando – conforme determinação do Primaz – ler nota de esclarecimento, cria uma denominação “laranja” , manipula expedientes questionáveis do ponto da ética judicial, se apropria do prédio histórico, dá entrevista à imprensa, rompe com a Diocese e se filia, em setembro de 2002, àquele grupo (não de anglicanos dissidentes, mas do chamado “movimento de convergência” ) de origem norte-americana. Leva com ele as comunidades do Janga, Timbaúba e Vitória do Santo Antão-PE, e os reverendos: Frederico, Célio, Adonias e Edgar. O cisma foi, na realidade, trifonte: O grupo do Deão, com a Catedral (uma parcela dos membros, lideradas pelo Coadjutor Sérgio , permanece na DAR) para a Igreja Episcopal Carismática (que não ordena mulheres), os reverendos: Leonides e Karla, com a Paróquia Betânia, para a Igreja Episcopal Evangélica (outro ramo do “movimento de convergência” que ordena mulheres) e o Rev. Múcio, com a comunidade do Parnamirim, de volta – mais uma vez – para a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). O fato demonstrou a total falta de identidade e compromisso desses ministros com o Anglicanismo, o carreirismo de alguns, e o espírito de ambição e de insubmissão à autoridade constituída que marca a Pós-Modernidade.

Um retiro do clero foi, então, convocado, com a presença do Bispo Primaz, do Secretário Geral da Província e do Bispo Diocesano, para a Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, com a presença maciça de Presbíteros, Diáconos e Ministros Leigos, que, enfrentando o triste e doloroso episódio, reiterava o seu compromisso com o Anglicanismo, com a Diocese e com o seu Bispo. Apesar das setas dos adversários, a Diocese do Recife havia sobrevivido e prosseguiria a sua Missão. (continua).

 

(Compilação Histórica: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )

 

Secretaria Diocesana de Comunicação
 

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