Resgatando Nossa História IV
Resgatando Nossa História IV
| Diocese do Recife: 30 Anos - O Período Robinson (1998-2002) |
Como estava, por sua coerência, discriminado há 08 anos pelo “Bispo de Direito”, e há 06 anos pelo “Bispo de Fato”, isolado em seu Ponto Missionário da Redenção, no Bairro da Boa Vista (apesar de ter um amplo ministério no País e no Exterior), teve dificuldade inicial em compor a sua assessoria, por não conhecer e não ser conhecido pelos quadros dirigentes, clericais e laicos, da Diocese. Além de contar, no início da votação com apenas um terço dos delegados, tinha consciência que alguns mais conservadores votaram nele para evitar que o mais liberal fosse eleito, e que alguns mais liberais votaram nele para evitar que o mais conservador fosse eleito, o que o fazia, na realidade ser um líder, naquele momento, de base minoritária. Um Ministro Leigo, e ex-pastor de outra denominação, o denominou de “Bispo Kerenski”, em alusão ao Presidente que governou a Rússia entre a deposição do Czar e a Revolução Comunista. Ou seja, ele não seria a primeira opção dos extremos, que, em conjunto, formavam a maioria. Isso requereu do novo Bispo um exercício redobrado de paciência e perseverança, para desfazer imagens distorcidas, ganhar confiança e agregar pessoas em torno de um novo Projeto Diocesano. Encontrou o setor administrativo, legal e financeiro em um estado de grande desorganização, muitas dívidas, o Colégio Anglicano John Kennedy de Belém com 27 ações trabalhistas e processos do “crime do colarinho branco” contra três dos seus ex-diretores, e caixas 1, 2 e 3 na gestão de então. As Cotas Diocesanas eram quase inexistentes (com Paróquias até “isentas” ), e o próprio Escritório Diocesano e o Seminário (NAET depois SAET) em um estado caótico e em instalações precárias. Teve que trabalhar duramente dois expedientes (ainda dava aulas na Universidade Rural à noite), enquanto gastava os fins-de-semana visitando as comunidades. Teve o apoio decisivo do seu primeiro Secretário Administrativo, Rev. Luiz Souza (com a colaboração de pessoas como a Tesoureira Felícia Duarte e o membro da Comissão de Finanças Luciano Pereira, e tantos outros) para ir retomando a organização, pondo a casa em ordem, enquanto se convocava uma “Canoninte”, visando a atualização e ampliação dos Cânones Diocesanos. Foram ativados o Ministério Leigo e os Evangelistas; foram regulamentadas as figuras do Diácono Permanente e do Ministro Local; criou-se os estágios para os Seminaristas, uma nova grade curricular para o Seminário e um Diretório Acadêmico. Dois Seminários Menores foram estabelecidos: o ITAR, em João Pessoa-PB e o IAT, em Recife, depois em Olinda-PE. Um imóvel diocesano foi vendido, e se buscou verbas na Província e no Exterior, para se proceder a reforma do espaço que seria denominado de “Centro Diocesano George Carey”, com novos móveis e utensílios, informatização do Escritório Diocesano e da Secretaria do Seminário. O Organograma Diocesano foi reformulado com a criação dos Arcediagados (sub-regiões) e das Secretarias: Administrativa, Ação Social, Comunicação, Direitos Humanos, Educação, Missão e Evangelismo, Homens, Intercessão, Jovens, Mulheres e Tesouraria, e (visando uma maior integração entre as comunidades isoladas), com a ampliação do número de membros do Conselho Diocesano e das atribuições da Comissão de Ministério e da Junta de Capelães Examinadores, bem como o fortalecimento do papel da Psicóloga Diocesana. Estimulou-se a criação de equipes pastorais. Depois de muita luta, tivemos a fixação, pelo Concílio Diocesano, das Cotas Diocesanas em 10% (dez por cento) para todas as Paróquias e Missões. Foi criada a Igreja Catedral, com seu Deão e Cabido, vocações foram estimuladas, com um crescimento vertiginoso de seminaristas e um número crescente de Ordenações, obedecendo-se, rigorosamente, os preceitos canônicos. O Bispo do Recife tornou-se vogal e, depois, por três anos, presidente da JUNET, participando, apesar das diferenças, de instâncias e eventos provinciais. Nos primeiros anos, foram abertos, uma média de, dois novos Pontos Missionários por semestre. Desde o início deixava claro o seu compromisso com a Teologia da Missão Integral da Igreja (Evangelismo, Ensino, Comunhão, Serviço e Profetismo), e com uma Espiritualidade Integral (Adoração, Reflexão e Ação), bem como com a Inculturação, com o Estilo de Vida Simples e com a Igreja como Comunidade Terapêutica, bem como com a identidade Anglicana. Ao mesmo tempo em que, evitando toda forma de favoritismo ou discriminação, garantir a legítima diversidade ou Inclusividade Anglicana, no que nem sempre foi compreendido pelos mais monocromáticos ou menos tolerantes (de quem recebeu pressões e censuras). Ainda como Bispo-Eleito conseguiu devolver o status de normalidade da Equipe Pastoral de Belém-PA (“suspensa” pelo Bispo anterior) e reconhecer, confirmar e empossar membros e clero da Paróquia Anglicana do Espírito Santo (até então oficialmente “não existente”), que passou de Ponto Missionário Anglicano diretamente para Paróquia. Evitou a entrada de cerca de 70 ex-padres e ex-pastores que não davam evidência de ética ou de adequação ao Anglicanismo, enquanto recebia fraternalmente – e aplicava os Cânones – aos que davam evidências positivas, alguns dos quais foram ordenados, e servem à causa do Senhor entre nós até hoje. Procurou reunir o Clero em Cafés da Manhã, e tornar os Concílios mais descontraídos, mais abertos e mais participativos. Desde o início o novo Bispo ficou estarrecido, escandalizado, com o lastimável estado do ensino religioso na Diocese, com o escasso conhecimento bíblico e doutrinário, e com o quase total desconhecimento do Anglicanismo. Em 1998 representou a Província na Conferência sobre Missões da Igreja da Inglaterra, visitou a Diocese de Leeds, participou dos Encontros tanto dos Bispos Carismáticos, quanto dos Bispos Evangélicos que precederam a Conferência de Lambeth, onde integrou a equipe que estudou o tema: “Namoro, Noivado e Casamento – na Bíblia, na Cultura e na Lei Civil”, presidiu o grupo de estudo sobre “O Episcopado”, e foi o único delegado brasileiro a votar favoravelmente à Resolução 1.10 sobre Sexualidade Humana. Recebeu, no Recife, a visita do Revmo. Robin Eames , Primaz da Irlanda, e de Sua Graça o Arcebispo de Cantuária George Carey, além de ter visitado oficialmente, com todo o episcopado da IEAB a Diocese de Massachussets. Estabeleceu convênio como “Dioceses Companheiras” com a Diocese de Pensilvânia Central (ECUSA) e de Fredericton (Canadá). Visitou a ambas e recebeu a visita do Bispo de Fredericton, para um dos nossos Concílios Diocesanos, o Revmo. George Lemmon . No ano 2000, surpreendentemente, testemunhamos, o lamentável episódio, em nossa Diocese, de uma “aliança de opostos”. A pretexto de uma “Confraternização de Natal”, de 1999, os reverendos: Paulo Garcia e Sebastião Gameleira instigaram clérigos e ministros leigos contra o Bispo Diocesano, acusado de “teimoso”, “autoritário” e de estar “enfatizando demais o Anglicanismo”. Isso resultou em uma audiência presidida pelo Bispo Primaz, quando a quase totalidade do clero hipotecou solidariedade ao Bispo, enquanto (na surdina) era criada a Igreja Episcopal Carismática do Brasil, saindo para ela – no primeiro episódio cismático – o Rev. Antônio Carlos, em João Pessoa-PB e o ML. Antônio Eça, no Recife-PE, além da seminarista Simone, e parcelas de comunidades em João Pessoa, para uma Igreja pentecostal. Ainda em 2000, o Sínodo Geral da IEAB (após concordância do Concílio Diocesano da DAR) aprovou a criação do Distrito Missionário da Amazônia (Amazonas, Roraima, Pará e Amapá), e do Distrito Missionário do Oeste (Acre e Rondônia da DAR e outros Estados de outras Dioceses). Ficaram no DAM os reverendos: Amaro Daniel, Abimael Rodrigues, Fernando Poçadilha, Raimundo Nonato e Josephino Lobato, e as Paróquias de Santa Maria, São Lucas e São João Batista, e alguns Pontos Missionários. Em Agosto o Bispo da DAR em Culto Solene, transmitiu aquela jurisdição ao Bispo Primaz. Desde então o território da DAR passou a ser os nove Estados da região Nordeste. Tendo, pelo ativismo e pelas adesões, construído o seu “império eclesiástico” burguês pós-denominacional e paroquialista-autocrático (não tendo sido bem sucedido em três tentativas de ser Bispo na IEAB), tendo o seu narcisismo e a sua megalomania agravados, tentando tutelar e controlar o Bispo Diocesano (“tenho o Bispo nas mãos”), desprezando o Livro de Oração Comum (dizia aos Seminaristas: “terminado o Curso, joguem aquele livro no lixo”), ignorando as normas canônicas e estimulando um sentimento anti-episcopal entre os fiéis, não foi das mais fáceis a convivência do novo Bispo Diocesano com o seu Deão e Secretário de Evangelismo, a partir do “bunker” da Rua Carneiro Vilela. Com paciência o Bispo almoçou com o Deão, semanalmente, por dois anos e meio, procurando manter abertos os canais de comunicação. O mesmo ofereceu “óbolos” extraordinários para amaciá-lo, queria ter o direito de indicar os ministros das comunidades fundadas por ele (o Bispo formalmente só assinaria as designações), mantendo-as como “igrejas satélites” , não as integrando aos seus respectivos Arcediagados (“Arcediagado é uma boa idéia, só que não tem ninguém na DAR com competência para exercer tal função”). Era contrário a que o Bispo usasse símbolo de autoridade (como o báculo, p.ex.), e este apenas deveria aparecer nas Paróquias e Missões para realizar o rito de Confirmação ou Ordenação. Insistia em sua concepção “parlamentarista” do Episcopado: o Bispo como “rainha da Inglaterra”, desempenhando funções simbólicas e cerimoniais, além das burocráticas e da formação do clero, mas não da sua função central que é a Supervisão, episcopê , com as Paróquias e Missões como meras expressões locais da Diocese-Igreja e os Párocos e Ministros Encarregados como representantes (“vigários”) do Bispo-Pastor, conforme reza a tradição histórica da Igreja e a Doutrina Anglicana. Tendo (secretamente) mantido acordos com a Igreja Episcopal Carismática (recebimento posterior do título de Bispo), o Deão aumentou as agressões e calúnias contra o Anglicanismo e o Bispo Diocesano ( “vai batizar animais e casar gays” ), não aceitando – conforme determinação do Primaz – ler nota de esclarecimento, cria uma denominação “laranja” , manipula expedientes questionáveis do ponto da ética judicial, se apropria do prédio histórico, dá entrevista à imprensa, rompe com a Diocese e se filia, em setembro de 2002, àquele grupo (não de anglicanos dissidentes, mas do chamado “movimento de convergência” ) de origem norte-americana. Leva com ele as comunidades do Janga, Timbaúba e Vitória do Santo Antão-PE, e os reverendos: Frederico, Célio, Adonias e Edgar. O cisma foi, na realidade, trifonte: O grupo do Deão, com a Catedral (uma parcela dos membros, lideradas pelo Coadjutor Sérgio , permanece na DAR) para a Igreja Episcopal Carismática (que não ordena mulheres), os reverendos: Leonides e Karla, com a Paróquia Betânia, para a Igreja Episcopal Evangélica (outro ramo do “movimento de convergência” que ordena mulheres) e o Rev. Múcio, com a comunidade do Parnamirim, de volta – mais uma vez – para a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). O fato demonstrou a total falta de identidade e compromisso desses ministros com o Anglicanismo, o carreirismo de alguns, e o espírito de ambição e de insubmissão à autoridade constituída que marca a Pós-Modernidade. Um retiro do clero foi, então, convocado, com a presença do Bispo Primaz, do Secretário Geral da Província e do Bispo Diocesano, para a Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, com a presença maciça de Presbíteros, Diáconos e Ministros Leigos, que, enfrentando o triste e doloroso episódio, reiterava o seu compromisso com o Anglicanismo, com a Diocese e com o seu Bispo. Apesar das setas dos adversários, a Diocese do Recife havia sobrevivido e prosseguiria a sua Missão. (continua).
(Compilação Histórica: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )
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