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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Biblioteca História dos 30 Anos da Diocese Resgatando Nossa História VI

Resgatando Nossa História VI

Resgatando Nossa História VI

Diocese do Recife: 30 Anos - O Período Robinson (2004-2006)


O Liberalismo Pós-Moderno, ou Revisionista, ocupa crescentes espaços nas diversas denominações do mundo tido como desenvolvido, particularmente os Estados Unidos da América, sendo pensamento hegemônico na Igreja Episcopal (ECUSA), tendo a Província do Brasil (IEAB), através de sua cúpula, como seu satélite. A autoridade das Escrituras, a unicidade da Igreja como agência do Reino e a unicidade de Cristo como Salvador são atacadas e/ou negadas, aberta ou veladamente. Forma-se uma coalizão entre o movimento homossexual (LGSTB), os liberais pós-modernos e os “evangélicos opinionistas”, visando neutralizar o caráter ortodoxo da Diocese do Recife. A destruição do seu Bispo Diocesano, como líder e como pessoa, deveria ser um fato exemplar, para neutralizar possíveis opositores.

O Ano de 2005 inicia com Primaz acatando o Processo Disciplinar movido contra o Diocesano do Recife, nomeou uma Comissão Provincial de Investigação, tendenciosa em sua composição e em seus procedimentos, unilateral em sua investigação, ignorando a defesa apresentada pelo Bispo Diocesano, em seus aspectos formais e materiais, documentos apócrifos e falsos foram acolhidos nos autos. A Denúncia foi acolhida e remetida para o Superior Tribunal Eclesiástico da IEAB. Às vésperas do Encontro dos Primazes da Comunhão Anglicana, em fevereiro, o Primaz suspendeu o Bispo Diocesano do Recife, por tempo indeterminado, “de Ordem e Ministério”. Um Concílio Extraordinário, reunido na Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, no Recife, no dia 26 de fevereiro, protestou, repudiou e não-acatou aquela decisão arbitrária, continuou a reconhecer o Bispo, lançando o documento denominado de “Carta de Setúbal”, e fez novo apelo ao Arcebispo de Cantuária e aos Primazes. O Concílio Extraordinário foi encerrado, de forma vibrante, com o cântico: “Os Guerreiros se Preparam para a Grande Luta... Eu Quero Estar com Cristo, Onde a Luta se Travar”...

Em maio, o Arcediago Miguel Uchoa falou a uma platéia de líderes anglicanos, em Londres, e se encontrou com a assessoria do Arcebispo de Cantuária, onde defendeu a tese que o que está em jogo não é a pessoa do Bispo, mas uma comunidade, a Diocese, com o seu clero, o seu povo e as suas posições. A essa altura “o caso do Recife” tinha tomado grandes proporções, com repercussão no País e no Exterior, com personalidades, anglicanas e não anglicanas, enviando mensagens de solidariedade e de apoio.

Em junho, o Superior Tribunal Eclesiástico, mesmo diante de um acusado primário e de sua consistente e sólida defesa, manteve duas das dez acusações, e o Primaz, com a anuência da Câmara dos Bispos, prolata sentença condenatória de “Deposição de Ordem e Ministério” do Bispo do Recife. Este, no prazo canônico, apelou com um Recurso, que nunca foi julgado. A Diocese do Recife, por sua liderança, manteve o reconhecimento do seu Bispo e protocolou, no Palácio de Lambeth, o primeiro pedido ao recém-criado Painel de Referência, uma Comissão que deveria arbitrar conflitos como esse na Comunhão Anglicana. O Bispo Sufragâneo, por sua vez, em nome do Primaz, dá um “ultimato” ao clero da Diocese do Recife: reconhecê-lo como sua “Autoridade Diocesana” ou sofrer sanções. Não é reconhecido. Sem qualquer processo, acusação formal, e sem direito de defesa, por um mero decreto administrativo, o referido Sufragâneo excomungou e depôs 32 clérigos (Presbíteros e Diáconos). Um escândalo coberto pela imprensa internacional. Protestos e solidariedade chegaram de lideranças e entidades de várias partes do mundo. A Diocese, apesar do impacto, seguiu normalmente em sua missão, reconhecida pela ampla maioria da Comunhão Anglicana.

Em setembro, em uma cerimônia marcada por forte emoção, o Rev. Cônego Bill Attwood, Secretário-geral da Ekklesia, o Bispo e os Clérigos da Diocese Anglicana do Recife receberam Carta-Documento do Primaz da Igreja Anglicana do Cone Sul, Revmo. Gregory J. Venables, reconhecendo as suas Ordens e Ministérios, e os colocando sob a sua proteção e autoridade primacial, fato que foi saudado interna e externamente. Por outro lado, a dissidência minoritária pró-IEAB insistiu em realizar um pseudo-concílio, onde, além do clero, exclui, também, as Paróquias e Missões regulares da DAR, formalizando, da parte deles, uma ruptura institucional.

Em agosto, em novo Concílio Diocesano Extraordinário, foram feitos os ajustes necessários ao nível canônico e estatutário, como um ente legal com Personalidade Jurídica própria, oficializando a sua desvinculação da IEAB e o seu status especial de Diocese Extra-Provincial sob a autoridade Primacial da Igreja Anglicana do Cone Sul da América, e em comunhão com a Sé de Cantuária.

Em outubro, o Bispo Diocesano esteve na Inglaterra como orador convidado do Conselho Evangélico da Igreja da Inglaterra, foi recebido para jantar com os bispos Michel Nazir-Ali, de Rochester e Wallace Benn, de Lewes, além de ter sido “hóspede de honra” Paróquia All Souls, almoçando com a Equipe Pastoral, inclusive com o seu Reitor Emérito Rev. John Stott, com quem tinha uma longa caminhada no Movimento de Lausanne e na EFAC – Fraternidade dos Evangélicos na Comunhão Anglicana. No Escritório-Sede da Comunhão Anglicana, St. Andrew's House, manteve uma reunião de trabalho de quatro horas, com membros do staff do Arcebispo de Cantuária, tendo sido recebido, no dia seguinte, por Sua Graça Rowan Williams em audiência no Palácio de Lambeth. Em todas essas instâncias foram prestados o máximo de esclarecimentos sobre a questão institucional envolvendo a IEAB e a DAR, e a falta de abertura daquela Província para uma negociação madura, com a insistência – como cortina de fumaça e manobra diversionista – em deslocar a questão para o plano pessoal. O Arcebispo de Cantuária se comprometeu, “em matéria de urgência”, em enviar um diplomata de alto nível, esperando que todas as partes estivessem dispostas a colaborar.

Em novembro, depois de uma nota oficial em que denuncia as posições da IEAB, particularmente no tocante ao Recife, e as expressões injuriosas usadas em pronunciamentos públicos por alguns dos seus bispos, a Comissão Executiva do movimento “Sul Global”, formado por 15 Províncias Anglicanas do Hemisfério Sul (que totaliza 70% dos membros desse ramo do Cristianismo) deliberou não aceitar a presença de representantes da Província do Brasil no “III Encontro Sul-Sul”, realizado no Egito, enquanto que o Bispo Diocesano do Recife ali comparecia como convidado oficial, integrando a representação do Cone Sul.

Ainda no mesmo mês o Bispo Diocesano do Recife (juntamente com os reverendos: Miguel Uchoa e Gustavo Castello Branco ) esteve nos Estados Unidos, falou ao Seminário Trinity, em Ambridge, PA (onde o Rev. Gustavo está cursando Mestrado), visitou a sede da SAMS-USA e foi, em Pittsburg, um dos oradores do Congresso “O Futuro do Anglicanismo na América” (onde foi entusiasticamente ovacionado), promovido pela Rede de Dioceses e Províncias Anglicanas nos EUA, com a presença de Primazes de várias Províncias e de representações das chamadas Igrejas Anglicanas Continuantes. Os reverendos: Maurício Coelho, presidente do Conselho Diocesano, e Marcus Throup, reitor do SAT-PE também estiveram em visita aos EUA, sempre recebidos com carinho. Nessa caminhada, comunidades e clérigos ortodoxos, que se desvincularam ou foram desvinculados da ECUSA foram, em status de excepcionalidade, recebidos em nossa Diocese , vindo a se constituir o Arcediagado dos EUA, sob a liderança do Venerável Arcediago Rev. Ducan Clark.

Durante aquele ano, a Diocese do Recife recebeu a visita de várias personalidades do mundo Anglicano, como o Rev. Dr. Peter Moore, o Rev. Cônego Bill Attwood (Ekklesia), o Rev. Cônego Chris Sugden (Anglican Mainstream), o Bispo Peter Beckwith e clérigos da nova Diocese Companheira de Springfield, além de clérigos do Chile, da Argentina, dos EUA e da Inglaterra, que aqui compareceram à Conferência “Crescendo Juntos”, na Paróquia Anglicana do Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes-PE (comunidade que viria a receber, ao nível nacional e internacional, o prêmio “Igreja Saudável” outorgado pelo Movimento Igrejas com Propósito).

O XXV Concílio Diocesano foi realizado normalmente, no início de dezembro, na Paróquia Anglicana Emanuel, em Olinda-PE, em clima de alegria, com a elevação da Paróquia Anglicana do Bom Samaritano ( Revmo. Manuel Moraes – Deão) ao status de Igreja-Catedral, e o registro – surpreendente para um ano de crise – de um crescimento de 25% em nossa membresia, além da Ordenação de novos Presbíteros e Diáconos.

A unidade e o denodado esforço dos Arcediagos, dos membros do Conselho Diocesano, do Secretariado, dos membros das Juntas e Comissões, e de todo o clero e povo, sólidos em convicções bíblicas, históricas e reformadas, honrando a memória dos pioneiros do Anglicanismo no Brasil – como os Bispos: Kinsolving e Thomas – consciente da gravidade da crise por que passa a Civilização, o Cristianismo e o ramo a que pertencemos, tem sido fundamental para a sobrevivência, a consolidação e a expansão da Diocese Anglicana do Recife, como representativa neste país da face sadia e majoritária da Comunhão Anglicana.

Oramos pelas lideranças de outras denominações cristãs que ainda não despertaram, ou estão acomodadas ou amedrontadas diante da aparente força do “espírito do século”, que, como os “espíritos” dos outros séculos já estão derrotados na cruz.

No dia 20 de maio de 2006, a Diocese do Recife, em Culto de Ação de Graças, tendo como pregador o Revmo. Bispo Donald Harvey, Moderador da Rede Anglicana do Canadá, e representante pessoal e oficial do nosso Primaz Revmo. Gregory J. Venables, comemora os 30 anos de sua Organização Eclesiástica.

“Até aqui nos ajudou o Senhor”. Ainda há muito que se fazer no , com e pelo Reino de Deus nessa região, e além dela. Resta-nos prosseguir, na dependência d'Ele, que ordena aos nossos líderes: “Diga ao Povo que Marche!”. (conclui).

 

(Compilação Histórica: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )

 

Edward ROBINSON de Barros CAVALCANTI, 62 anos, é Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Católica de Pernambuco, Bacharel em Direito, Mestre em Ciência Política pela IUPERJ – Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro – Conjunto Universitário Cândido Mendes, Palestrante nacional e internacional; Ex-diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas e ex-coordenador do Curso de Mestrado em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, onde lecionou Política Internacional e Religião & Política; Ex-coordenador no Departamento de Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal Rural de Pernambuco; Ex-professor da Universidade Católica de Pernambuco, da Faculdade de Filosofia do Recife, do Colégio Americano Batista – Recife/PE, do Colégio Presbiteriano Agnes Erskine – Recife/PE, entre outros; Professor aposentado de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, e Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE; É membro da Academia Pernambucana de Ciências Políticas e Morais e da Academia Pernambucana de Educação e Cultura; membro fundador da FTL – Fraternidade Teológica Latino-Americana, do MEP – Movimento Evangélico Progressista, Movimento de Lausanne e ex-membro da Comissão Teológica da Aliança Evangélica Mundial; (há nove anos) é Bispo da Diocese do Recife (com jurisdição sobre o nordeste); durante o seu Episcopado ordenou 68 Diáconos e 59 Presbíteros; Autor dos livros: 1) Cristo na Universidade Brasileira, 2) Uma Bênção Chamada Sexo, 3) O Cristão, esse chato, 4) As Origens do Coronelismo, 5) A Igreja – Agência de Transformação Histórica, 6) Igreja – Comunidade de Liberdade, 7) Libertação e Sexualidade, 8) Utopia possível, 9) Cristianismo & Política – Teoria bíblica e prática histórica, 10) A Igreja, o País e o Mundo, 11) Igreja – Multidão Madura; alguns editados pela Editora Ultimato, e outros reeditados pela GW Editora.

 

Secretaria Diocesana de Comunicação

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