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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

REVMO. FLÁVIO ADAIR TORRES

BISPO-ELEITO / 1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Doutrina Anglicana I - Os Bispos Segundo Lambeth: Resumo Panorâmico

Doutrina Anglicana I

Os Bispos Segundo Lambeth: Resumo Panorâmico

A Conferência de Lambeth é a máxima Assembléia da Comunhão Anglicana, reunindo os bispos de todo o mundo, a cada dez anos, para intercâmbio, estudos e recomendações, que, por seu consenso e autoridade moral, assumem o status de posição oficial do Anglicanismo, seja em se tratando se Sexualidade Humana, seja em se tratando de Episcopado ou de qualquer outro tema teológico ou ético.

O Episcopado não tem sido muito discutido, porque os bispos ali presentes já sabem o que são e para que servem, e, por outro lado, teologicamente, há aí um alto consenso eclesiológico entre as várias correntes do Anglicanismo, já que, com a Reforma do Século XVI os não-episcopais (presbiterianos, batistas e congregacionais) nos deixaram.

O tema foi tratado na Lambeth 1968, em um dos seus relatórios sobre o ministério. Ali o Bispo é visto tanto como um “representante de Cristo” quanto como um “representante da Igreja Universal” , como “símbolo de unidade” , que através do Rito Sacramental da Ordem, é canal da Graça de Deus, compartilhando do “ministério apostólico” .

O Bispo tem um ministério: a) docente; b) de defesa da Sã Doutrina, como guardião da fé; c) o cuidado pastoral; d) o equipar a Igreja, pela supervisão e desenvolvimento dos dons dentre o povo; e) a dimensão litúrgica, pois, para aquela Conferência, “a vida litúrgica e sacramental, em sua celebração da Eucaristia, na Ordenação e na Confirmação” são centrais.

O Bispo deve modelar sua vida na vida de Cristo, ser exemplo e servo.

Compartilhando dos ofícios de Cristo, de quem recebe a sua autoridade, o Bispo possui ofício sacerdotal, profético e real. O Bispo é o cabeça da Diocese, e deve exercer o seu ministério, dentro de um espírito de colegialidade, com os demais bispos da Igreja de Cristo, em uma dimensão ecumênica. O Episcopado Anglicano não é monárquico, mas convive e se complementa pelos princípios da colegialidade ou sinodalidade, com os Presbíteros, Diáconos e todo o povo.

Ao contrário dos governos: presbiteriano e congregacional, a conciliaridade ou sinodalidade anglicana não prescinde do episcopado, tido como “parte essencial da herança católica” , como “extensão do ofício apostólico” .

Na Conferência de 1988, na Secção sobre Missão e Ministério, aprendemos que “o Bispo deve então se tornar mais e mais um líder da missão” , ou seja, ao lado da ênfase pastoral, a ênfase missionária, quando deve, particularmente, “ouvir o que os jovens estão dizendo” . O Bispo deve supervisionar a formação do clero e o exercício do ministério ordenado. Estes, Presbíteros e Diáconos, “devem de boa vontade estar sob a autoridade do Bispo e da Igreja” , porque o Bispo “abaixo de Deus lidera a igreja local e sua missão no mundo” , lembrando que em todos os documentos de Lambeth a expressão “igreja local” se refere a Diocese, formada por Paróquias ou Missões, também denominadas de “comunidades locais” . Na Eclesiologia Anglicana os Presbíteros e Diáconos não existem isoladamente, ou desconectados do Bispo, como “pastores” (congregacionais).

Para essa Conferência, o Bispo é: ”Símbolo da unidade da Igreja em sua Missão ; mestre e defensor da fé, pastor dos pastores e do laicato; capacitador da pregação da Palavra e da ministração dos sacramentos; líder na missão e iniciador da mesma no mundo em que a Igreja se encontra; médico a quem os feridos da sociedade são trazidos; voz da consciência da sociedade em que a Igreja local se situa; profeta que proclama a justiça de Deus no contexto do Evangelho da redenção; o cabeça da família como um todo, em sua miséria e alegria” .

A Conferência de Lambeth mais recente, de 1998, enfatiza o ministério “pastoral, missionário, educacional, profético e colegial” , lembrando, por um lado, que “a autoridade do bispo é sempre exercida dentro de uma estrutura sinodal do governo da igreja” , e, por outro lado, que o ministério do Bispo é distinto do ministério dos Presbíteros ou dos Diáconos, por ser alguém “a quem a autoridade apostólica é dada” . O Bispo deve ser o missionário de uma igreja missionária, testificando, no contexto da Eucaristia, da ressurreição e da esperança em Cristo para os que nunca ouviram o Evangelho, ao mesmo tempo em que é “o guardião da fé recebida das gerações primitivas” , e responsável por sua transmissão intacta às gerações vindouras.

Dentre os tópicos tratados sobre o Episcopado pelas Conferências de Lambeth, destacamos:

• O Episcopado e a Missão;

• O Episcopado e a Formação;

• O Episcopado e o Mundo que nos Cerca;

• O Episcopado e a Superintendência;

• O Episcopado e as Comunidades (Ordens) Religiosas;

• O Episcopado e sua relação com os Ministros Leigos;

• O Episcopado e sua relação com o Clero;

• O Bispo e sua relação Consigo Mesmo e com os Demais Bispos.

Vale recordar que o “Quadrilátero de Lambeth” é fruto, há mais de um século, da Conferência de Lambeth: Escritura, Credos, Sacramentos e.... Episcopado Histórico, como marcas centrais do Anglicanismo.

Os estudos das Conferências de Lambeth têm dentre as suas bases os pensamento dos Pais da Igreja e dos Reformadores Protestantes: para Cipriano de Cartago (200 d.C.), para quem “a igreja está constituída do Bispo, do clero e de todos os fiéis” , e que “a igreja sempre está estabelecida sobre os bispos, e todos os atos da Igreja devem ser dirigidos por estes oficiais” , e para o teólogo reformado Richard Hooker : “o Bispo é um Ministro de Deus, diante de quem em permanente continuidade, é dado não apenas o poder da administração da palavra e dos Sacramentos, cuja autoridade outros Presbíteros têm; mas, além disso, poder para ordenar as pessoas e poder de chefiar em Governo sobre Presbíteros bem como leigos, o poder de ser, por causa da jurisdição, o Pastor dos pastores”. ( Of the Law of Ecclesiastica Polity , VII, x.1).

Como afirmou um pensador contemporâneo: “é o Bispo o orientador e governador da Igreja, e a preservação na santa doutrina implica necessariamente em se estar em comunhão com ele, pois onde estiver o Bispo, afirmando a Cristo, aí estará a Igreja”.

 

(Compilação: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )

 

Secretaria Diocesana de Comunicação

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