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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

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Doutrina Anglicana II - Os Anglicanos e as Escrituras Sagradas

Doutrina Anglicana II

Os Anglicanos e as Escrituras Sagradas

O núcleo doutrinário da Comunhão Anglicana foi definido pela Conferência de Lambeth de 1888 em quatro princípios, denominados, desde então, de “Quadrilátero de Lambeth” : as Sagradas Escrituras, os Credos: Apostólico e Niceno, os Sacramentos do Batismo e da Eucaristia, e o Episcopado Histórico.

O primeiro princípio confessa: “As Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, como contendo todas as coisas necessárias para a salvação, e como sendo a regra e o padrão último de fé” .

Esse princípio é consentâneo com a Reforma Protestante Inglesa do século XVI, e com o nosso primeiro e mais importante documento doutrinário de então, os “XXXIX Artigos de Religião” , que, em seu artigo VI afirma: “A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escritura Sagrada entendemos os Livros canônicos do Velho e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja” . Referindo-se aos Deuterocanônicos, adotados pela Bíblia da Igreja de Roma, declara: “E os outros Livros (como diz Jerônimo) a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes; mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma...” .

Um documento mais recente, como a Declaração de Montreal “Essência do Anglicanismo” , de 1994, mantém os mesmos princípios. Em seu item número 5: “A Autoridade da Bíblia” , afirma: “As Escrituras canônicas do Antigo e Novo Testamento são “a Palavra de Deus escrita”, inspirada e autorizada, verdadeira e confiável, coerente e suficiente para a salvação. “A Palavra de Deus escrita” tem vida e é poderosa como guia divino tanto para a conduta, quanto para a fé cristã... Em cada época, o Espírito Santo conduz o povo de Deus, a Igreja, à submissão às Sagradas Escrituras como seu guia... A Igreja não pode se constituir juiz das Escrituras, descartando e selecionando ensinos. As Escrituras mesmas, sob a autoridade de Cristo, julgam a Igreja no que tange à sua fidelidade à verdade por Ele revelada” .

Em sua alocução de abertura da Conferência de Lambeth de 1998, o Arcebispo de Cantuária de então, Sua Graça Revmo. George Carey , afirmou: “Os anglicanos afirmam a autoridade soberana das Sagradas Escrituras como o meio através do qual Deus, pelo Espírito Santo, comunica sua palavra à Igreja, e, conseqüentemente, capacita as pessoas a responder com compreensão e fé. As Escrituras são testemunho singularmente inspirado da revelação divina... (e) norma fundamental de fé e vida cristã” .

Aquela mesma Conferência de Lambeth, pela Resolução III, 5.b, deliberou reafirmar que: “As Escrituras Sagradas contêm todas as coisas necessárias para a salvação, e que elas são para nós a regra e o modelo último de fé e prática” .

Todos os diáconos, presbíteros e bispos da Comunhão Anglicana devem confessar e subscrever publicamente juramento com esse conteúdo no momento de sua Ordenação ou Sagração.

Para a teologia anglicana, a Bíblia contém o necessário para a salvação, alimenta espiritualmente os fiéis, contem o conteúdo da Missão e é fonte normativa última de doutrina e de ética.

Devemos, contudo, ressaltar as dificuldades, em razão das limitações da mente humana, para as tarefas de compreensão e aplicação do conteúdo das Sagradas Escrituras (exegese e hermenêutica). Sabemos que não há leitura neutra, direta e literal, como defendem os fundamentalistas, não podemos submeter a Bíblia, de modo absoluto, aos métodos racional-científicos, como defendem os liberais modernos, ou à experiência individual-subjetiva, como defendem os liberais Pós-Modernos. Teólogos Anglicanos, em sua tarefa individual, têm lançado mão do mais conservador Método Histórico-Gramatical (valorizando as contribuições da História, Geografia, Arqueologia e Lingüística), do mais liberal Método Histórico-Crítico (valorizando, ao extremo, a contribuição de todos os ramos da Ciência, no processo de “desmitificação” ) ou do moderadamente conservador Método da Equivalência Dinâmica (contexto cultural dos escritores vs. contexto cultural dos leitores na História vs. contexto cultural dos leitores atuais). Nenhum método foi adotado pela Comunhão Anglicana, e é certo que devemos nos acercar da leitura bíblica com sinceridade e dela sair com humildade.

A Comunhão Anglicana tem de próprio, ou peculiar, a afirmação da importância da Tradição e da Razão para a leitura e compreensão da Bíblia. Por Tradição entendemos a opinião consensual dos fiéis de todo mundo ao longo da História da Igreja, também denominada de “consenso dos fiéis” ou “mente da Igreja” ; por razão entendemos a capacidade de raciocínio dos fiéis, que refletem sua cultura, mas que devem buscar a iluminação do Espírito Santo.

Devemos estudar a Bíblia com diligência e fé (e não com superstição, tipo fechar os olhos e por o dedo aleatoriamente em textos = “horóscopo bíblico ”), adotá-la em nossa vida devocional pessoal, familiar e comunitária, em nossa Liturgia e em nosso ensino doutrinário e ético.

O Anglicanismo, pois, é um ramo do Cristianismo profundamente comprometido com as Sagradas Escrituras, e com ela enfrentamos os grandes desafios internos e externos dos nossos tempos.

(Compilação: Revmo. Dom Robinson Cavalcanti )

 

Secretaria Diocesana de Comunicação

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