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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Biblioteca Doutrina Anglicana Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XX) - PARTE B

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XX) - PARTE B

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XX)

 

 

DÉCIMO CAPÍTULO: IDENTIDADE – PARTE B

 

10. SOMOS UMA IGREJA HIERÁRQUICA

Deus é o Senhor de tudo, e, pelo mandato cultural outorgado à humanidade, cria instituições de governo, leis e autoridades. O apóstolo Paulo escreve que: “Todo poder vem de Deus”. Ele separou a tribo de Levi para o sacerdócio da Antiga Aliança. Jesus separou os apóstolos dentre os discípulos, e estes criaram os ministérios dos Diáconos, Presbíteros e Bispos (seus sucessores). Há tarefas, direitos e obrigações para cada um desses ministérios, e estes coordenam e equipam os demais ministérios. Segundo a diversidade de dons dos fiéis.

 

A Igreja não pode, simplesmente, reproduzir os sistemas políticos humanos: ditadura, monarquia ou democracia. Uma hierocracia, de mútua responsabilidade e prestação de contas, com um poder partilhado (autoridade dispersa), sob o Espírito e Palavra, é necessária para a ordem na Igreja.

 

Essa é a visão Anglicana, que vem sendo aperfeiçoada e fazendo necessários ajustes locais.

 

11. SOMOS UMA IGREJA INCLUSIVA

O Anglicanismo não se exercita pela padronização ou universalização em tudo, em cada detalhe. Cremos em aspectos essenciais de fé e vida, mas que a diversidade cultural e as limitações da mente humana justificam o direito à diversidade em aspectos secundários, tais como liturgia e aspectos doutrinários periféricos. Em nosso meio há espaço para “tradicionais” e “renovados”, aspersionistas e imersionistas, calvinistas e arminianos, órgão de tubos e bateria. “No essencial unidade; no não essencial diversidade”: esse princípio é denominado de inclusividade ou compreensividade, e, por afirmar os essenciais, ele tem limites. O liberalismo é que, a partir dos EUA, tem afirmado, cada vez de forma mais incisiva e extremista, uma inclusividade ilimitada, com a Igreja sendo um espaço para todas as crenças e formas de comportamento. Essa não é a compreensão histórica anglicana. Como já se afirmou: “Diferimos em vestes e cerimônias, não em doutrinas”.

12. SOMOS UMA IGREJA AFETIVA

“Vejam como eles se amam!”, era a percepção dos pagãos diante do impacto do Cristianismo primitivo. Em uma de suas pioneiras reuniões internacionais, o Conselho Consultivo Anglicano (ACC) chamou a atenção para um elemento central na manutenção da Comunhão Anglicana: os laços de afeição.

 

O Anglicanismo tem sido um espaço de acolhida para pessoas com diversas histórias, e tem enfatizado o lugar da afetividade na comunidade dos remidos. Nossa disciplina é sempre em primeiro lugar pastoral e recuperativa, e não policial e punitiva.

 

Essa afetividade, ausente em grupos fanatizados, estreitos, legalistas e moralistas (e que nos cercam e influenciam) é fruto do Espírito (amor) para a cura espiritual, emocional e física dos fiéis, para o ajuste do Corpo, e não uma tolerância ilimitada com o mal, uma permissividade ou um relativismo.

 

É nossa ênfase o suporte (apoio) mútuo em amor.

 

13. SOMOS UMA IGREJA ECUMÊNICA

Os Anglicanos estiveram participando da primeira Conferência Ecumênica Mundial, realizada em Edimburgo, na Escócia, em 1910, e nos movimentos que o seguiram: Fé e Ordem, Vida e Missão, e Conselho Missionário Internacional. Foi o então Arcebispo de Cantuária, Geoffrey Francis Fisher, quem fez a oração consagratória na Assembléia fundacional do Conselho Mundial de Igrejas, em Amsterdã. As Províncias Anglicanas têm estado envolvidas nos Conselhos continentais, nacionais e locais de Igrejas e/ou de pastores.

 

Durante todo o século XX estabelecemos comissões bi-laterais de diálogo e estudo com diversos ramos do Cristianismo: Romanos, Bizantinos, Pré-Calcedônios, Pré-Efesianos, Vétero-Católicos, Moravianos, Luteranos, Presbiterianos, Metodistas. Temos acordo de reconhecimento de ordem e ministério, e intercomunhão, com os Vétero-Católicos da União de Utrech e com os Luteranos europeus do Acordo Porvoo. Integramos a fusão de várias denominações em uma Igreja Unida: Sul da Índia, Norte da Índia, Paquistão e Bangladesh. As Resoluções das Conferências de Lambeth foram sempre de apoio aos movimentos pela unidade dos cristãos, preservando a nossa identidade e contribuições.

 

O termo “ecumenismo”, porém, é apenas usado nos documentos oficiais da Comunhão Anglicana, para se referir às Igrejas que compartilham do conteúdo doutrinário dos Credos Apostólico e Niceno. Não se usa a expressão “macro-ecumenismo” nos diálogos inter-religiosos ou ações cívicas inter-religiosas, quando se trata de religiões não cristãs.

 

A Conferência de Lambeth, 1998, deu início ao diálogo com os Batistas, advogou um acercamento ao Movimento Pentecostal e às Jurisdições Anglicanas Continuantes, e uma observação mais atenta ao fenômeno neo/iso/pós/pseudo-pentecostal.

 

A busca da unidade da Igreja não somente é coerente que a nossa auto-identificação como uma parcela provisória da mesma, mas em obediência à Oração Sacerdotal do Senhor: “Que todos sejam um, para que o mundo creia”.

 

14. SOMOS UMA IGREJA EVANGÉLICA

A ênfase central do Anglicanismo tem sido com a Proclamação e a vivência do Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Na Ceia do Senhor, nas várias fórmulas da Grande Oração Eucarística, nos reunimos e reafirmamos o Plano da Salvação, como expressão da Graça e do Amor de Deus, manifestada no Seu Filho crucificado e ressuscitado. Conclamamos as pessoas ao arrependimento e à fé. Em cada culto lemos, normalmente, quatro passagens das Sagradas Escrituras: Antigo Testamento, Salmo, Novo Testamento e Evangelho. As Boas Novas do Evangelho fluem dos Sermões e da Eucaristia. A conversão, a santidade e o imperativo missionário integram o nosso ideário. Somos irmãos dos que confessam essa mesma fé, nos outros ramos da Igreja.

 

A Igreja Anglicana, de certo, é uma Igreja Evangélica!

 

OBSTÁCULOS

A Pós-modernidade, como expressão do “espírito do século”, nos trouxe a superficialidade, a instabilidade, o individualismo, o subjetivismo e o relativismo. Falta clareza ao mundo! Os seres se tornam, nas palavras da música: “metamorfoses ambulantes”. É a civilização da falta de nitidez, a civilização do self-service e seus pratos “pluralistas”.

 

Pessoas chegam às nossas Paróquias ainda presas ao seu passado de outras denominações. As livrarias e a mídia cristã bombardeiam outros conteúdos. Pastores são tentados pelo mito da “grama mais verde” de outras Igrejas. Não valorizam a nossa identidade, e não a priorizam no ensino aos arrolados em suas comunidades.

 

Há membros por tradição, por acomodação, ou por conveniência, não por convicção e opção consciente. Reconhecemos os possíveis riscos para os Seminaristas menos convictos, quando estudando em estabelecimentos não denominacionais ou de outras denominações.

 

Mais do que crises de identidade, o que presenciamos, muitas vezes, é uma ausência de identidade, ou, até, uma desvalorização da identidade.

 

CONSOLIDANDO

O que poderíamos destacar como necessário para se forjar, se consolidar, uma identidade anglicana?

 

1.     O Estudo das Sagradas Escrituras com a nossa abordagem instrumental da Razão (senso comum + ferramentas filosóficas e científicas), Tradição (como ela foi lida e entendida ao longo dos séculos) e Experiência (comunitária e individual);

2.     O Estudo da nossa História;

3.     O Estudo da nossa Doutrina e Teologia (especialmente a Eclesiologia);

4.     O Estudo da nossa Ética e nossa Pastoral;

5.     O Estudo da nossa Liturgia, particularmente do Livro de Oração Comum (LOC);

6.     O Estudo dos Cânones Provinciais e Diocesanos;

7.     O Estudo dos Documentos Oficiais da Comunhão Anglicana, particularmente das Conferências de Lambeth;

8.     O Estudo de Teólogos Anglicanos, tanto clássicos quanto contemporâneos;

9.     O manter-se informado sobre o que acontece na Comunhão Anglicana, na Província e na Diocese;

10.   O integrar-se à vida diocesana.

 

CONCLUSÕES

O Anglicanismo é um ramo do Cristianismo, com uma longa história e um rico legado, de presença mundial, atraindo as mais diversas classes sociais, com uma diversidade de métodos, ênfases e abordagens, valorizando o saber, promovendo o serviço e o exercício da cidadania responsável.

 

O confuso e fragmentado cenário religioso brasileiro, com o estrelismo personalista, a crise de ética e o crescente sincretismo, está a clamar por propostas alternativas. Cristãos nominais, ou insatisfeitos com suas experiências de idolatria, superstição ou legalismo, estão também a clamar por propostas alternativas.

 

Cremos, firmemente, que o Anglicanismo tem tudo para preencher esses vazios, e ser uma das mais válidas alternativas para o nosso povo.

 

Para tanto, é necessário, preliminarmente, que os Anglicanos sejam anglicanos. Ser é conhecer, é viver, é “vestir a camisa”, é vibrar, é acreditar, é compartilhar com convicção e alegria.

 

Não iremos a lugar algum se não conhecermos e não tivermos uma firme e sólida convicção do que pretendemos ser.

 

A Igreja que tem um John Stott, um C.S. Lewis, um J.I. Packer, um Michael Greene, um Alister McGrath, não pode ser formada por encabulados ou complexados de inferioridade.

 

Corações ao Alto!

 

O Senhor nos tem reservado um espaço e um papel no seu Reino. Sectários? Nunca! Nem invertebrados ou amargos. Apenas autênticos!

 

Anglicanos? Sejamos!

 

Fixação de aprendizagem:

 

1.     Por que o tema Identidade é central para nosso ramo do Cristianismo?

2.     Quais as dificuldades para a consolidação de uma Identidade Anglicana entre nós?

3.     Quais os itens mais importantes para se definir um(a) anglicano(a)?

4.     Que devemos fazer para consolidar essa Identidade?

 

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Última atualização (Qui, 17 de Fevereiro de 2011 16:49)

 


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