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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

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SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

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Home Biblioteca Doutrina Anglicana Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XIX) – PARTE A

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XIX) – PARTE A

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (XIX)

 

 

 

DÉCIMO CAPÍTULO: IDENTIDADE – PARTE A

 

INTRODUÇÃO

A Filosofia clássica já afirmava que “o ser é aquilo que é; o que não é, é o não-ser. E um personagem de Shakespeare nos coloca diante do dilema existencial básico: “Ser ou não ser: eis a questão!”. Ressalvando os fatores genéticos, e as peculiaridades de cada ser humano, a identidade de pessoas e grupos sociais é construída culturalmente, na História. As culturas mais simples, especialmente isoladas, e os tempos de mudanças menores e mais lentas concorrem para a estabilidade das identidades. A urbanização, o cosmopolitismo e os momentos de mudanças amplas, profundas e prolongadas (crises) concorrem para crises de identidade. A identidade é fundamental para o ser em si e para o ser no mundo. Esta pressupõe convicções, práticas, valores que caracterizam e diferenciam.

 

O ser humano define a sua identidade pela sua idade, seu sexo, seu lugar de nascimento, pela família, etnia, cultura nacional e regional, profissão, vinculação a movimentos sociais e religião. As instituições, movimentos e grupos sociais definem sua identidade pelo seu legado histórico, suas crenças e seus propósitos. No século passado, as ideologias políticas foram fatores determinantes na Civilização. A crise das ideologias, conforme analisa Phillip Jenkis, em sua obra “A Próxima Cristandade” reforça a posição de Samuel Huntington em “O Choque de Civilizações”, sobre o “Retorno do Sagrado”, ou a revalorização da variável religiosa para a vida dos povos e o futuro da humanidade.

 

Uma identidade religiosa isolacionista tem a ver com o sectarismo e o fanatismo, o temor do impacto das outras identidades. A valorização excessiva do modo de ser dos outros, contudo, indica uma crise na própria identidade. A pertença a uma instituição religiosa se dá por tradição, por acomodação ou por opção.

 

O Anglicanismo é um gênero de uma espécie: o Cristianismo. Ser Anglicano é, antes, ser cristão.

 

O Cristianismo, porém, por uma série de razões, se expressa em uma diversidade de ramos ou formas.

 

O conjunto de nossas marcas distintivas é denominado de ethos anglicano, elaborado ao longo dos séculos, sofre processos de mudanças, mas não subsistiríamos com uma rejeição ou ruptura do mesmo. Seríamos outra coisa.

 

Afinal, quem somos, como Anglicanos?

 

01. SOMOS UMA IGREJA

Cremos em Jesus Cristo, como único Senhor e Salvador, e que Ele, pelo derramamento do Espírito Santo, gerou um Povo da Nova Aliança, a universal assembléia dos remidos, o conjunto dos eleitos, o que se denomina de Igreja. Esta tem a tarefa de anunciar e viver o Evangelho, as Boas Novas do Reino de Deus. Ela existe por iniciativa de Deus, que a assistirá, a despeito de todas as adversidades, até o Dia Final. Suas marcas espirituais são: a unidade, a santidade e a apostolicidade. O pecado fracionou institucionalmente a Igreja.

 

O Anglicanismo tem sempre se definido como “um ramo provisório da Igreja de Cristo”. Se somos um ramo, reconhecemos que há outros; se somos provisórios, reconhecemos que um dia haverá “um só rebanho e um só pastor”, e intercedemos por isso.

 

É por nos vermos como Igreja, que definimos os nossos membros como eclesianos.

 

02. SOMOS UMA IGREJA HISTÓRICA

Há ramos do Cristianismo que são recentes. Há ramos que ignoram ou negam a presença e a ação do Espírito Santo na História, até julgando que a Igreja viveu uma longa “apostasia geral” entre Constantino e Lutero. O Anglicanismo tem as suas raízes nos primórdios do Cristianismo. Por um lado, valoriza o legado histórico, em sua herança apostólica; por outro lado, o Anglicanismo é a sua própria História. A nossa identidade não pode se dar sem o conhecimento e a adesão a essa História. É a soma do nosso passado quem dá conteúdo ao nosso presente, e se projeta no futuro.

 

03. SOMOS UMA IGREJA BÍBLICA

Há uma revelação geral de Deus na natureza, e Jesus Cristo é a revelação encarnada, mas a narrativa dos feitos da revelação está contida, de modo especial, nas Sagradas Escrituras Canônicas do Antigo e do Novo Testamento, que aponta para Cristo, e é legitimada por Ele. Ela é a nossa regra suprema de fé e de vida. Nada devemos ensinar ou exigir que seja crido, que não esteja respaldado pelo testemunho bíblico. O Livro de Oração Comum (LOC), em todas as suas partes, expressa o ensino bíblico.

 

A Tradição, a Razão e a Experiência não são consideradas “fontes de revelação” adicionais à Bíblia, mas ferramentas adequadas para a sua melhor compreensão e aplicações.

 

O Anglicanismo – como todos os ramos do Cristianismo – tem sido desafiado pelo literalismo fundamentalista e pelo ceticismo liberalista. O acervo de uma maneira séria de fazer teologia tomando em conta as Sagradas Escrituras, é uma marca do Anglicanismo.

 

04. SOMOS UMA IGREJA CATÓLICA

Não somos descendentes das heresias dos primeiros séculos, mas da expressão majoritária da Igreja, em seu consenso, que as rejeitou e combateu, procurando preservar a pureza da fé e o legado apostólico. Essa corrente majoritária, católica, portadora de uma mensagem universal, para todos os povos, nos deixou alguns fundamentos:

a)     A escolha dos livros canônicos do Novo Testamento;

b)    A explicitação dos Sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor;

c)     A definição das Doutrinas fundamentais contidas no Credo Apostólico e no Credo Niceno;

d)    A forma de governo eclesiástico herdada dos Apóstolos e dos Pais Apostólicos: o Episcopado (mais as ordens do Presbiterado e do Diaconato).

 

Outros ramos do Cristianismo se vinculam a essas mesmas bases, e com eles compartilhamos da catolicidade da Igreja. Como católicos, valorizamos a totalidade da Cristandade, em seu conjunto de pensamentos e feitos ao longo dos séculos, e em suas expressões ao longo do espaço global, nos diversos lugares e culturas.

 

05.  SOMOS UMA IGREJA REFORMADA

A despeito dos nossos antecedentes Celtas e Romanos, somos, também, resultado da Reforma Protestante do século XVI. Não negamos que os ramos não reformados (no Oriente e no Ocidente) sejam expressões genuínas do Corpo de Cristo, mas rejeitamos as inovações doutrinárias que se afastam da Igreja Primitiva e/ou se chocam com o ensino escriturístico, bem como superstições. Compartilhamos com os ramos reformados em nossa ênfase absolutamente cristocêntrica: a salvação unicamente pela graça, mediante a fé e a ênfase na autoridade suprema das Sagradas Escrituras. Os nossos “XXXIX Artigos de Religião” (distantes do imobilismo de Roma e de Constantinopla, e do extremismo Anabatista), tem muito a ver com as pautas doutrinárias convergentes das diversas Confissões de Fé das Igrejas Reformadas, o mesmo se diga da nossa liturgia.

 

Cremos no princípio dinâmico de que, diante dos constantes desvios da natureza humana, “a Igreja reformada está sempre se reformando”, e que a Bíblia, na língua e na linguagem do povo, deve estar aberta a todo o povo, no princípio do “livre exame” (que não deve ser entendido como “livre interpretação”), e na diversidade de dons no Corpo: o sacerdócio universal d todos os crentes.

 

A edição de 1662 (como a de 1552) do Livro de Oração Comum (LOC), como padrão doutrinário e litúrgico, é uma expressão e garantia do nosso caráter reformado. Somos protestantes, não como criadores de uma nova fé, mas como reformadores, purificadores e revitalizadores da fé católica e apostólica.

 

06. SOMOS UMA IGREJA MISSIONÁRIA

Embora localizada nas Ilhas Britânicas – e fruto da ação missionária – embora, a partir do século XVI seja uma Igreja nacional na Inglaterra, a “ecclesia anglicana” sempre se viu como portadora de uma missão de anunciar as Boas Novas e estabelecer Igrejas além de suas fronteiras[1], chegando, em nossos dias, a 164 países, com trabalho missionário começando em novas terras.

 

Contemporaneamente, o conteúdo dessa missão foi definido como: proclamar, ensinar, integrar, servir e se manifestar profeticamente em defesa da integridade da criação e contra as iniqüidades dos sistemas deste mundo.

 

Cristo criou a Sua Igreja com uma missão ampla e integral, a partir do Seu próprio exemplo.

 

Cada Anglicano é chamado a ser um missionário, com seus talentos naturais, seus dons espirituais e sua vocação.

 

No final de cada culto, na despedida, somos exortados a estarmos no mundo na paz de Cristo, para viver o exemplo junto a todas as pessoas, servindo ao Senhor com alegria, no poder do Espírito Santo.

 

07. SOMOS UMA IGREJA LITÚRGICA

Os Anglicanos levam a sério a beleza e a ordem no culto. Por um lado, valorizamos o que foi elaborado nos primeiros séculos da História da Igreja, seus símbolos, cerimônias e ritos, bem como as contribuições de todas as épocas e lugares; por outro lado, defendemos a inculturação litúrgica, relacionando-a a cada povo.

 

Nossas raízes, sem dúvida, estão nas Ilhas Britânicas, e, em particular, na Reforma Inglesa. O Livro de Oração Comum (LOC) foi uma compilação de uma variedade de ricas contribuições litúrgicas, em forte intercâmbio com o que estava sendo feito pelos luteranos, graças ao gênio, a piedade e a ortodoxia do Arcebispo Thomas Cranmer. Hoje, quase todas as 38 Províncias e as Dioceses Extra-provinciais da Comunhão Anglicana, têm sua própria edição do LOC, mantendo os princípios históricos em comum, mas com uma cor local. Cada Bispo Diocesano é detentor do “jus liturgicum” para autorizar ritos. Estes não podem ser inovados por Presbíteros, Diáconos ou leigos, sem autorização episcopal.

 

A posição clássica é que as palavras do LOC não esgotam a liturgia, nem essa deve descartar essas palavras, mas mantê-las, intercaladas pelo espontâneo.

 

Um culto Anglicano não é uma missa romana ou bizantina, ou um culto batista ou pentecostal, mas algo próprio, peculiar, como as vestes próprias do seu clero e ministérios leigos. Os Anglicanos têm um compromisso de preservar a estética na adoração.

 

08. SOMOS UMA IGREJA CARISMÁTICA

A pessoa e a obra do Espírito Santo são centrais no Anglicanismo. Confessamos o Espírito Santo nos Credos e nos XXXIX Artigos de Religião e o invocamos nos ritos e orações do LOC. Refletimos sobre o seu papel como inspirador, consolador, operador da conversão e da santificação, doador de dons e condutor a toda a verdade. Relacionamos a atual ação do Espírito Santo com sua atuação especial: a inspiração dos autores da Bíblia e a iluminação dos seus leitores, que deve prevalecer sobre as revelações particulares. O Batismo com o Espírito Santo é vinculado à conversão, e não como uma “segunda bênção”, conquanto creiamos na contemporaneidade dos dons, e de seguidas experiências de aprofundamento da relação com o Espírito Santo, inclusive místicas.

 

Cremos que o Senhor purifica e consagra os talentos ou dons naturais e outorga dons espirituais a cada cristão, para a edificação do conjunto do Corpo de Cristo.

 

Celebramos, com alegria, o Dia de Pentecostes, e associamos a quadra que se segue no Calendário Eclesiástico com a Missão da Igreja.

 

09. SOMOS UMA IGREJA SACRAMENTAL

Cremos na Sacralidade da Criação e no contínuo uso dos elementos da criação como canais de bênçãos de Deus para a raça humana. Esses elementos do mundo material: o ar, a água, os alimentos, o contato com as plantas e animais, o contato com outros seres humanos podem ser elementos visíveis que transmitem uma graça invisível. Usamos a imposição de mãos para Ordenar, comissionar e abençoar, bem como o óleo da oração pela saúde. Os Sacramentos do Batismo e da Eucaristia (criados pelo próprio Cristo) e outros Ritos Sacramentais são de suma importância para a vida da Igreja. Há um mistério sacramental na arte sacra, particularmente na liturgia. O Rito Sacramental da Ordenação confere autoridade para o ministério. Temos elaborado, com piedade e base bíblica, ritos para diversas ocasiões da vida.

 

A comunicação e a ação de Deus têm base mais ampla que apenas o discurso.

 

(Continua)



[1] A exceção das Capelanias do século XIX.

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Última atualização (Ter, 15 de Fevereiro de 2011 12:31)

 


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