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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Biblioteca Doutrina Anglicana Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (X)

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (X)

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (X)

 

 

QUINTO CAPÍTULO: OS MINISTÉRIOS – PARTE B

 

OS ANGLICANOS

Desde a sua primeira edição inglesa, até as edições mais recentes de outras Províncias, o Livro de Oração Comum (LOC) tem uma de suas secções denominadas de Ordinal, com os Ritos Sacramentais de Ordenação às três Ordens históricas: Bispos, Presbíteros e Diáconos. Sempre temos sido, tanto nos períodos Celta e Católico Romano quanto no atual período Reformado, uma Igreja Episcopal. No início dos Ritos de Ordenação é lido um Prefácio, também denominado de “Prefação”, onde se encontra uma síntese da nossa visão do ministério:

 

As Sagradas Escrituras e os antigos escritores cristãos expressam com clareza, que, desde os tempos do Novo Testamento, têm existido diversos ministérios na Igreja. A Igreja Cristã tem sido caracterizada por apresentar três ordens distintas de ministérios ordenados: a Ordem do Episcopado, a Ordem do Presbiterado e a Ordem do Diaconato. Os Bispos continuam a obra apostólica de dirigir, supervisionar e unir a Igreja. Os Presbíteros e os Diáconos, juntos com os Bispos, participam do governo da Igreja, em seu trabalho missionário e pastoral, e na pregação da Palavra de Deus. Aos Presbíteros cabe a função de ministrar os Santos Sacramentos e liderar as congregações locais em seu crescimento espiritual e na realização da Missão. Aos Diáconos cabem: a função litúrgica de assistir aos Bispos e Presbíteros na ministração dos Sacramentos; a função de liderar o povo nas orações e na leitura da Palavra de Deus; e a função de buscar compreender e interpretar os anseios e necessidades do povo em seu contexto, levando essas necessidades ao Bispo e à Igreja, e liderando a Igreja na resposta a essas necessidades. É responsabilidade especial dos Diáconos ministrar, em nome de Cristo, às pessoas pobres, excluídas, enfermas, às que sofrem e às abandonadas. As pessoas escolhidas e reconhecidas pela Igreja como chamadas por Deus ao Ministério Ordenado são admitidas a estas Sagradas Ordens por meio da oração solene e imposição de mãos do Bispo. Tem sido, e é intenção e propósito desta Igreja, manter e continuar essas Ordens e, para isso, os Ritos de Ordenação e Sagração são estabelecidos. A nenhuma pessoa é permitido o exercício das funções de Bispo, Presbítero e Diácono nesta Igreja a menos que tenha sido Ordenado com imposição de mãos de Bispos devidamente qualificados. É também reconhecido e afirmado que estes ministérios não são propriedades exclusivas deste ramo católico e reformado da Igreja de Cristo, mas Dom de Deus para o crescimento do Seu povo e proclamação do Seu Evangelho por todos os lugares. Conseqüentemente, o modo de Ordenar nesta Igreja há de ser, como tem sido, reconhecido por todo povo cristão como adequado para conferir as Sagradas Ordens do Episcopado, do Presbiterado e do Diaconato.

 

O “Quadrilátero de Lambeth”, depois de afirmar as Sagradas Escrituras, os Credos e os Sacramentos, conclui com seu quarto item:

 

O Episcopado Histórico localmente adotado nos métodos de sua administração, para as variadas necessidades das nações e dos povos chamados por Deus para a unidade da sua Igreja.

 

Várias Conferências de Lambeth têm-se ocupado de tratar o tema do Episcopado como pastor chefe, superintendente, administrador dos Sacramentos, mestre, defensor da fé, guardião dos Cânones e da liturgia, e missionário. O Episcopado Histórico é o termo Anglicano para indicar um Episcopado com Sucessão Apostólica ininterrupta. A Conferência de Lambeth de 1988 se expressa a respeito do bispo como:

 

Símbolo da unidade da Igreja em sua missão; mestre e defensor da fé; pastor dos pastores e do laicato; capacitador da pregação da Palavra e da ministração dos Sacramentos; líder na missão e iniciador da mesma no mundo em que a Igreja se encontra; médico a que as feridas da sociedade são trazidas; voz da consciência da sociedade em que a Igreja Local se situa; profeta que proclama a justiça de Deus no contexto do Evangelho da redenção; o cabeça da família como um todo, em sua miséria e alegria.

 

Como afirmou o Primaz de Uganda, Arcebispo Henry Orombi:

 

Na Igreja de Uganda, o Anglicanismo tem sido construído sobre três pilares: os mártires, o avivamento e o Episcopado. E cada um deles se refere à Palavra de Deus, a base sobre a qual nos edificamos.

 

É sabido que com a Reforma Protestante do Século XVI, e a fragmentação da Cristandade Ocidental tivemos a manutenção do Episcopado Histórico por Anglicanos e Luteranos Escandinavos e Bálticos; a criação do Episcopado Administrativo (sem Sucessão Apostólica) por Luteranos Germânicos e pelos Moravianos (posteriormente adotado na dissidência Metodista); e a criação pela Segunda Reforma (Calvinista) do governo presbiteriano, aplicando à Igreja a democracia indireta de Genebra, com a hegemonia da nova classe burguesa e o individualismo no modo de produção capitalista e, na Terceira Reforma (Anabatistas, Batistas, Congregacionais) do governo congregacionalista, atribuindo idealisticamente à Igreja Primitiva as regras do Parlamento de Westminster. No primeiro, o poder está nas mãos dos Conselhos de Presbíteros Regentes (o pastor é um Presbítero Docente), e nas unidades regionais, ou Presbitérios; e, no segundo, o poder reside nas assembléias das comunidades locais independentes.

 

Como um ser em evolução tem três estágios distintos: embrião, feto e nascituro, assim, também, as instituições em suas origens (inclusive a Igreja Antiga). No breve período de institucionalização, deslocando-se do mundo judaico para o mundo greco-romano, com seus modelos de organização, houve um processo, denominado por um teólogo de “cristalização” dos papéis dos Bispos, dos Presbíteros e dos Diáconos, já claramente definido, em todo o mundo cristão, no final do século II (e, assim, permanecendo até o século XVI). O equívoco dos congregacionais foi tomar como paradigma o ainda embrião; o equívoco dos presbiterianos foi se fixar no ainda transitório feto. Os Anglicanos esperaram o nascimento do novo ser...

 

OS MINISTÉRIOS

Como Igreja Reformada, afirmamos e encorajamos o “sacerdócio universal de todos os crentes”, com o Espírito Santo derramando os seus dons sobre todos os convertidos, para a edificação conjunta do Corpo. Como Igreja Católica, afirmamos o papel especial de coordenação, ministração e manutenção da unidade e da verdade que é confiado ao ministério Ordenado, como tem sido por vinte séculos: os Bispos, os Presbíteros e os Diáconos, vocacionados, reconhecidos e selados, indelevelmente, pelo Rito Sacramental.

 

Dentre os fiéis, temos, ainda, além dos Ministérios Ordenados, os chamados Ministérios Instituídos, não sacramentais nem permanentes: os Ministros Locais (Ministros Leigos/Leitores), os Evangelistas, os Catequistas e os Acólitos (que servem ao altar), além das funções ministeriais específicas: louvor, juventude, visitação, serviço etc.

 

O laicato anglicano também é mobilizado em Sodalícios: movimentos de homens, mulheres e juventude, movimentos culturais, evangelísticos e de serviço e em atividades de Capelania (hospitalar, prisional etc.), bem como nas Juntas Paroquiais/Conselho de Missões, e outras Juntas ou Comissões Paroquiais, Diocesanas ou Provinciais, em instituições mantidas pela Igreja, como creches, escolas, ambulatórios, e em movimentos ligados a organizações ligadas às diversas correntes internas do Anglicanismo (anglo-católicos, anglo-evangélicos, anglo-carismáticos etc.) ou a entidades ecumênicas.

 

Um outro espaço para o desenvolvimento da espiritualidade e desenvolvimento dos dons são as Ordens Religiosas, residenciais ou dispersas, por gênero ou mistas, contemplativas e/ou missionárias. Na Conferência de Lambeth, de 1998, tínhamos cerca de 100 Ordens Religiosas na Comunhão Anglicana, todas registradas em uma Diocese-sede e sob Autoridade Episcopal.

 

O alvo do Anglicanismo sempre foi “o ministério de todos os cristãos”, com criatividade e flexibilidade, ao mesmo tempo mantendo a ordem bíblica e histórica.

 

CONCLUSÕES

Somos um ramo da Igreja de Jesus Cristo com dois mil anos de História, quando nos identificamos com a concepção e as expressões do ministério estabelecidas nos primórdios, mantida por um milênio e meio, e ainda amplamente majoritária no conjunto da Cristandade até os nossos dias. Sob a iluminação do Espírito Santo, e respondendo aos tempos e lugares, temos feito ajustes e aperfeiçoamentos nesse modelo, sem descaracterizá-lo. A trágica fragmentação denominacionalista sofrida pelo Cristianismo Ocidental, desde, principalmente, o século XVIII, e atingindo uma situação dilacerante em nossos dias, teve origem, maiormente, em espaços de governo congregacionalista, e, em grau mais reduzido nos espaços de governo presbiteriano.

 

O “ranço” da origem denominacional da maioria dos anglicanos brasileiros de primeira geração, deve ser assumido para ser superado por um convencimento profundo do que somos e do que cremos. Isso nos possibilitará um olhar crítico, e “anticorpos” diante do diverso e do exótico representado na literatura e na mídia que nos cercam. O individualismo moderno, o egocentrismo pós-moderno, com sua rejeição às instituições e às autoridades constituídas, são marcas do pecado que se expressam no “espírito do século”, e devem ser vencidos em nossas lutas espirituais, pela Palavra e pelos Sacramentos, para a harmonia do Corpo, a disciplina, e a construção do Anglicanismo como uma opção de maturidade para o confuso quadro da Cristandade na Terra da Santa Cruz.

 

Um corpo de fiéis mobilizados, sob a autoridade do seu Bispo, e dos seus representantes: os Presbíteros e os Diáconos, integrados à Diocese como Igreja-local, vivenciando as suas expressões localizadas: Paróquias, Missões Pontos Missionários, eis o modo de vida eclesiástica, segundo a Tradição Histórica e o ensino dos órgãos oficiais da Comunhão Anglicana.

 

Fixação de aprendizagem:

 

  1. Diferencie as formas de governo eclesiástico: Episcopal, Presbiteriano e Congregacional.
  2. Por que o Anglicanismo manteve a forma de governo Episcopal?
  3. Qual a função dos Bispos, dos Presbíteros e dos Diáconos?
  4. Como compatibilizar os Ministérios Ordenados e os Ministérios Instituídos com o sacerdócio universal de todos os crentes? Como o laicato pode exercitar os seus dons?

 

 

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Última atualização (Dom, 06 de Fevereiro de 2011 00:07)

 


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