Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (VII)
Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (VII)

TERCEIRO CAPÍTULO: A DOUTRINA – PARTE B
OS SACRAMENTOS
O terceiro item do Quadrilátero de Lambeth afirma: “Os dois Sacramentos ordenados por Cristo mesmo – Batismo e Ceia do Senhor – ministrados com o uso das inexauríveis palavras de Cristo na instituição, e dos elementos ordenados por ele”. O nosso Catecismo define um Sacramento como “um sinal externo e visível, de um sinal interno e de uma graça espiritual que nos foram dados e ordenados pelo próprio Cristo”. O XXV Artigo de Religião assim se posiciona sobre os Sacramentos: “Os Sacramentos, instituídos por Cristo, não são unicamente designações ou indícios de profissão dos cristãos, mas antes testemunhos certos e firmes, e sinais eficazes da graça e da bondade de Deus para conosco, pelos quais ele opera invisivelmente em nós, e não só vivifica, mas também fortalece confirma a nossa fé nele”. O termo Sacramento (= mistério) foi usado em toda a História da Igreja do Oriente e do Ocidente e pelos Protestantes da Primeira (Luteranos, Anglicanos) e Segunda (Presbiterianos, Reformados) Reformas. A partir da Terceira Reforma (Anabatistas) setores do Protestantismo passaram a negar o entendimento histórico do Sacramento e a denominá-los de “Ordenanças” (para nós “Ordenanças” são assessores militares...).
Para o nosso Catecismo, o sinal visível do batismo é a “água, na qual a pessoa é batizada, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, e o significado da graça interna e espiritual é “a morte para o pecado e um novo nascimento em justiça”.
O XXVII Artigo de Religião entende que o Batismo “não é só um sinal de profissão, e marca de diferença, com que se distinguem os cristãos dos que não o são, mas também, um sinal de Regeneração ou Novo Nascimento, pelo qual, como por instrumento, os que recebem o Batismo devidamente são enxertados na Igreja; as promessas de remissão dos pecados, e de nossa adoção como filhos de Deus pelo Espírito Santo são visivelmente marcadas e seladas, a Fé é confirmada, e a Graça aumentada, por virtude da oração a Deus”.
Baseado nas mais antigas tradições e nos mais antigos documentos, os anglicanos tanto batizam os novos convertidos adultos, como as crianças filhas ou netas de crentes, dentro da teologia da aliança, da promessa para a descendência, e no semear da fé, que uma vez regada, a seu tempo dará o fruto das consciência, conversão e profissão de fé. Por julgar sem sentido se pelejar por recursos hídricos, os anglicanos praticam o batismo por imersão, infusão ou aspersão, tanto em mares, rios e lagos, quanto em tanques, piscinas e pias, seja ela corrente ou parada, morna ou quente, com gás ou sem gás, pois a água não salva, mas é um sinal externo para o que realmente conta: a fé no Senhor e Salvador Jesus Cristo. Os relatos históricos atestam a diversidade de formas nos primeiros séculos da Igreja.
Para o nosso Catecismo, o Sacramento da Ceia do Senhor foi ordenado “para extrair da morte do Senhor uma contínua lembrança de seu sacrifício, e dos benefícios que nós recebemos por ele”, o seu sinal visível e exterior é “o pão e o vinho, que o Senhor ordenou serem recebidos”, significando “o Corpo e o Sangue de Cristo, que são espiritualmente tomados e recebidos pelos fiéis”, “unicamente de maneira espiritual, e o meio pelos quais eles são recebidos é a Fé”.
O XXVIII Artigo de Religião entende que a Ceia do Senhor “não é só um sinal do mútuo amor que os cristãos devem ter uns para com os outros, mas antes é um Sacramento da nossa Redenção pela morte de Cristo, de sorte que para os que devida e dignamente, e com fé, o recebem, o Pão que partimos é uma participação do Corpo de Cristo; e, de igual modo, o Cálice da Bênção é uma participação do Sangue de Cristo”.
O Anglicanismo, enquanto afirma a “presença real” de Cristo na Ceia do Senhor, ou Eucaristia, julga que esse mistério não pode ser definido em linguagem humana (transubstanciação, consubstanciação, memorial etc.), mas que deve ser recebido com contrição e fé, para a edificação espiritual. A Igreja Anglicana, ao contrário de outros ramos do Cristianismo, que se afastaram da Palavra, pelo uso de pão fermentado e suco de uva, se mantém rigorosamente fiel à Bíblia, pelo uso do pão não-fermentado e do vinho.
Outros ritos que as Igrejas do Ocidente e do Oriente consideram como Sacramentos (Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio e Unção dos Enfermos), dentro de uma visão da Reforma, não são aceitos pelos Anglicanos como tais, por não terem sido instituídos pelo próprio Cristo, e não terem a mesma natureza, nem serem parte da economia da salvação. Embora úteis, não podem ser obrigatórios. São eles chamados de “ritos sacramentais” ou de “sacramentos menores”. Destes, o mais valorizado no Anglicanismo é a Confirmação.
O nosso Catecismo entende que a Confirmação “não é um Sacramento, mas um antigo rito da Igreja, advindo do costume dos Apóstolos de impor as mãos sobre aqueles que tinham sido batizados... nele os Candidatos ratificam e confirmam os votos feitos sobre o seu comportamento por aqueles que os ensinaram na infância a serem batizados, e, também, proporciona uma oportunidade para aqueles que foram batizados na maturidade para renovar e confirmar os votos que eles mesmos fizeram no batismo... as pessoas confessam e declaram publicamente a Jesus Cristo, o Filho de Deus, como seu Senhor e Salvador”.
O EPISCOPADO
O quarto item do “Quadrilátero de Lambeth” afirma: “O Episcopado Histórico, localmente adotado nos métodos de sua administração, para as variadas necessidades das nações e dos povos chamados por Deus para a unidade da Igreja”.
Coerente com séculos de história da Igreja, na Primeira Reforma, o Anglicanismo e o Luteranismo Escandinavo e Báltico mantiveram o seu caráter Episcopal, ou seja, Igrejas governadas por Bispos. Essa é uma marca comum a toda Comunhão Anglicana.
(Esse tema será desenvolvido na aula sobre “Governo”).
CONCLUSÕES
O Anglicanismo, mesmo afirmando a licitude de conviver com diferenças quanto a questões secundárias, de forma ou acidentais, sempre foi um ramo da Igreja de Cristo que definiu, se comprometeu e ensinou um sólido Corpo Doutrinário, consoante com a Bíblia e a Tradição Apostólica. A Diocese do Recife se mantém fiel a esse princípio.
A crise ora vivida nas Igrejas Históricas do Ocidente tem como base a negação doutrinária.
(Estudaremos, com mais detalhe, essa questão, na aula “A Crise”).
Fixação de aprendizagem:
- À luz da nossa Doutrina, por que se afirma que somos uma Igreja Católica Reformada?
- Qual a importância dos Sacramentos?
- A que você atribui às opiniões incorretas de membros de outras denominações sobre o nosso conteúdo doutrinário?
- A Doutrina Anglicana é suficiente para enfrentar a Pós-Modernidade?
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Última atualização (Qua, 02 de Fevereiro de 2011 12:42)
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