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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Biblioteca Doutrina Anglicana Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (V)

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (V)

Série: “Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios” (V)

 

Segundo Capítulo: Da Igreja da Inglaterra à Comunhão Anglicana – Parte B

 

ORGANIZAÇÃO: OS INSTRUMENTOS DE UNIDADE[1]

Na segunda metade do século XIX surgia a Comunhão Anglicana com dois Instrumentos de Unidade: o Arcebispo de Cantuária, como figura simbólica, e a Conferência de Lambeth, como fórum mundial. As Conferências de Lambeth (que duram, em média, três semanas, e são precedidas pelo estudo dos documentos temáticos), convocadas e presididas pelo Arcebispo de Cantuária, se reuniram no Palácio de Lambeth até 1958. Com o crescimento do número de Bispos, foi realizada em 1968 na Church House, sede da Igreja da Inglaterra, e desde 1978 passou a ter lugar na Universidade de Kent, perto da Catedral de Cantuária, com apenas uma recepção no Palácio de Lambeth, oferecida pelo Arcebispo de Cantuária, e um chá no Palácio de Buckingham, a convite do(a) soberano(a) inglês(a).

 

Um importante marco, na construção da Comunhão Anglicana, foi a Conferência de Lambeth de 1908, que foi precedida por um “Congresso Pan-Anglicano”, com a presença de 7.000 delegados clericais e laicos de várias partes do mundo. Percebeu-se a necessidade de que algo fosse feito no interregno longo (10 anos) entre cada Conferência. Foi criado um comitê que, por carência de verbas, se reunia raramente. Um Secretário Executivo (hoje denominado Secretário Geral) foi contratado, por decisão da Conferência de 1958, para, em tempo integral, assessorar o Arcebispo de Cantuária nas questões internacionais. A Secretaria Geral tem seus escritórios na St. Andrew's House, perto do Palácio de Lambeth.

 

A Conferência de 1968, por sua vez, criou o Conselho Consultivo Anglicano (ACC), formado por bispos, clérigos e leigos, que se reuniria nos intervalos das Conferências para compartilhar informações, promover pesquisas e relações ecumênicas, criar redes temáticas, assessorar em questões institucionais, particularmente na criação de novas Províncias (que requerem, pelo menos, três Dioceses autônomas). O ACC passou a ser o terceiro Instrumento de Unidade.

 

Finalmente, um quarto Instrumento de Unidade foi criado pela Conferência de Lambeth de 1978, por proposta do então Arcebispo de Cantuária, Donald Coggan: o Encontro dos Primazes (Bispos Presidentes de cada Província), para “refletir, orar e realizar consultas profundas”. O Encontro dos Primazes vem se realizando cada vez com mais freqüência, e esse foro de líderes vem adquirindo importância cada vez maior para a condução da Comunhão Anglicana, embora não seja, exatamente, um “Colégio de Cardeais...”.

 

Até 1988, apenas os Bispos Diocesanos (titulares) eram convidados para as Conferências de Lambeth. Por decisão do Arcebispo George Carey, a Conferência de 1998 também incluiu os Bispos Coadjutores (auxiliares com direito a sucessão) e Bispos Sufragâneos (auxiliares sem direito a sucessão), excluindo-se apenas os aposentados e resignatários, o que aumentou, em muito, o número de participantes, e os custos do evento. A esposa do Arcebispo de Cantuária, Sra. Eileen Carey, organizou uma “Conferência para Cônjuges”, de inegável conteúdo e valor.

 

Hoje há 38 Províncias constituindo a Comunhão Anglicana, composta de cerca de 800 Dioceses, presentes em 164 países, com mais de 77 milhões de membros. Algumas Províncias são formadas por um só país como, por exemplo, a Nigéria, e outras são constituídas por vários países, como a Província Sul-Africana: África do Sul, Lesotho, Suazilândia, Namíbia, Moçambique e Angola.

 

São as seguintes as Províncias da Comunhão Anglicana:

 

1. África Central;

14. Filipinas;

27. Nova Zelândia;

2. África Ocidental;

15. Gales;

28. Oceano Índico;

3. América Central;

16. Hong Kong;

29. Papua-Nova Guiné;

4. Austrália;

17. Índias Ocidentais;

30. Paquistão;

5. Bangladesh;

18. Inglaterra;

31. Quênia;

6. Brasil;

19. Irlanda;

32. Ruanda;

7. Burundi;

20. Japão;

33. Sudão;

8. Canadá;

21. Jerusalém e Oriente Médio;

34. Sudeste da Ásia;

9. Cone Sul;

22. Melanésia;

35. Sul-Africana;

10. Congo;

23. México;

36. Sul da Índia;

11. Coréia;

24. Myanmar;

37. Tanzânia;

12. Escócia;

25. Nigéria;

38. Uganda;

13. Estados Unidos;

26. Norte da Índia;

 

 

Alguns países são Dioceses Extra-Provinciais (não fazem parte de uma Província): Portugal, Espanha, Bermudas e Sri Lanka.

 

Um grupo de países forma a IX província interna da Igreja Episcopal (dos Estados Unidos/TEC): Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Honduras, Porto Rico, Venezuela, Taiwan e Ilhas Virgens. Cuba é Extra-Provincial sob um triunvirato de Primazes: Canadá, Estados Unidos e Índias Ocidentais.

 

A Diocese de Gibraltar é a Sé das Paróquias da Igreja da Inglaterra no continente europeu. Embora haja uma superposição de jurisdições, não apenas em relação a Portugal (Igreja Lusitana) e Espanha (IERE), mas as Paróquias norte-americanas formam uma Convocação (status inferior a Diocese) com um Bispo em Paris.

 

Uma marca da presença anglicana tem sido a construção de uma imensa rede de obras sociais, muitas vezes pioneiras e únicas, particularmente no campo da saúde e da educação (nos três níveis). Uma das primeiras universidades norte-americanas foi o nosso “William and Mary College”, e a pequena Província de Hong Kong (com Macau) possui hoje cerca de 100 estabelecimentos escolares. Muitos líderes das ex-colônias estudaram em Escolas da Igreja, enquanto nos Estados Unidos, doze presidentes da república foram Anglicanos, começando com George Washington (ex-primeiro guardião da sua Paróquia) até Gerald Ford. Na África do Sul, o nosso então Primaz, Arcebispo Desmond Tutu, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, por seu papel no combate ao regime racista do “apartheid” e na reconciliação do país democrático e pluriracial.

 

ANGLICANOS FORA DE CANTUÁRIA?

Dos séculos XVI a XIX o Anglicanismo manteve-se totalmente unido, em sua diversidade interna quanto ao não essencial. Enquanto o período 1850-1950 marca a história do protestantismo (particularmente o norte-americano) com a trágica fragmentação de denominações e sub-denominações, o Anglicanismo apenas conheceu dois cismas localizados e de reduzida expressão: a Igreja Episcopal Reformada (nos EUA) e a Igreja Anglicana da África do Sul (CESA), ambas evangélicas, da “Igreja baixa”, que, desvinculando-se de comunhão com Cantuária, se mantiveram fiéis a herança Anglicana em tudo o mais, particularmente no Livro de Oração Comum (LOC) e no Episcopado Histórico.

 

Na segunda metade do século XX, as controvérsias sobre a Ordenação feminina (anos 80) e sobre a Ordenação de homossexuais praticantes (anos 90), especialmente nos EUA, viram surgir o chamado “Movimento Anglicano Continuante”, que não se manteve unido, mas, lamentavelmente, tem-se subdividido em dezenas de jurisdições autônomas, a maioria de corte anglo-católico. Um outro fenômeno católico reformado (também nos EUA) foi o “Movimento de Convergência”, reunindo católicos romanos, católicos nacionais, anglicanos, protestantes históricos e protestantes pentecostais, criando duas jurisdições principais: a Igreja Episcopal Carismática (que não ordena mulheres) e a Igreja Episcopal Evangélica (que as ordena), e que hoje, em crise de identidade, têm suas Paróquias, em número cada vez maior, migrando para Províncias da Comunhão Anglicana ou para Igrejas Anglicanas Continuantes.

 

Especula-se que o número total de anglicanos não em comunhão com a Sé de Cantuária, em todo o mundo, aproxima-se de um milhão. A Conferência de Lambeth de 1998 votou uma resolução na direção do diálogo e da reconciliação com esses grupos, o que foi feito em alguns países, principalmente pelo movimento “Parceiro Por Uma Causa Comum”, hoje co-participantes (alguns) do processo de realinhamento por que passa a Comunhão Anglicana.

 

CONCLUSÕES

Em um século e meio a Comunhão Anglicana estava estabelecida em 164 países. A expansão continua. Muitas Províncias e Dioceses, desde a “Década do Evangelismo”, votada pela Conferência de Lambeth de 1988, têm priorizado a expansão missionária, visando os povos não alcançados, em seus países e em outros países. A Província do Leste da Ásia, por exemplo, tem enviado missionários para a Indonésia, Tailândia, Vietnam, Laos, Camboja e Nepal, e a Província da África Ocidental já está evangelizando em países vizinhos, como a Guiné-Bissau. Em breve teremos Dioceses em novos países.

 

Com a crise do secularismo no hemisfério norte, e o rápido crescimento no hemisfério sul, estamos testemunhando um deslocamento no eixo e no epicentro da Cristandade, que é uma realidade muito clara no Anglicanismo, e, em parte, responsável por sua crise atual, cujo novo desenho institucional ainda está, com todas as dificuldades, sendo escrito. Um comentarista observou que um “anglicano típico” é uma mulher, não-branca, com menos de 30 anos de idade, vivendo nas periferias pobres do Terceiro Mundo.

 

A Comunhão Anglicana vive uma dolorosa crise institucional, mas o Anglicanismo, como proposta, conhece um dos seus mais dinâmicos momentos.

 

Fixação de aprendizagem:

  1. O que teria acontecido com o Anglicanismo se não tivesse havido a Igreja Episcopal Escocesa?
  2. A Comunhão Anglicana teria existido sem o Império Britânico?
  3. É válida a afirmação: o Anglicanismo é missionário?
  4. Como você vê o papel dos Instrumentos de Unidade/Instrumentos de Comunhão?

 



[1] Os quatro "Instrumentos de Unidade": Arcebispo de Cantuária, Conferência de Lambeth, Conselho Consultivo Anglicano e Encontro dos Primazes, passaram a ser denominados, recentemente, de “Instrumentos de Comunhão".

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Última atualização (Dom, 30 de Janeiro de 2011 17:15)

 


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