Reflexões sobre o Episcopado
| Transcrito: Wastancie, Chodzmy e Zapiski Wiezienne |
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O Ministério do Bispo “Qual é o lugar que a bondade de Deus atribuiu ao bispo na Igreja? Ele, desde o início, por integrar a sucessão apostólica, tem diante de si a Igreja Universal. É enviado ao “mundo todo” e, justamente por isso, torna-se símbolo da catolicidade da Igreja... É essa mesma comunidade universal que guarda em si os testemunhos de tantos lugares e homens, escolhidos por Deus e juntos reunidos... Tais testemunhos e tais laços se fazem sentir de modo eloqüente na liturgia de ordenação episcopal, para trazer, assim, à lembrança a história completa da salvação com seu objetivo, que é a unidade de todos os homens em Deus. Cada bispo, enquanto leva em si a responsabilidade da Igreja Universal, encontra-se posto no centro de uma Igreja Particular, ou seja, daquela comunidade que Cristo justamente lhe confiou para que, por meio do seu ministério episcopal, se realize sempre mais completamente o mistério da Igreja de Cristo, símbolo da salvação para todos... Lemos: “Esta Igreja de Cristo está verdadeiramente presente em todas as legítimas comunidades locais de fiéis; elas mesmas, unidas aos seus pastores, recebem no Novo Testamento o nome de Igrejas... Cada comunidade reunida em volta do altar, sob o ministério sagrado do bispo, é símbolo daquela caridade e daquela “unidade do Corpo Místico sem a qual não pode haver salvação”. Cristo está presente nessas comunidades, por mais reduzidas, pobres e dispersas que sejam, e congrega pelo seu poder a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”. O mistério da vocação do bispo na Igreja consiste justamente no fato de que ele se encontra, ao mesmo tempo, nessa concreta comunidade visível, para a qual é constituído, e na Igreja Universal. É necessário compreender bem tal singular ligação. Seria sem dúvida uma simplificação e, definitivamente uma substancial incompreensão do mistério pensar que o bispo representa a Igreja Universal na própria comunidade diocesana... e, ao mesmo tempo, representa essa comunidade perante a Igreja Universal, da mesma forma que, por exemplo, os embaixadores representam os respectivos Estados ou Organismos Internacionais. O bispo é o sinal da presença de Cristo no mundo, e é uma presença que vai ao encontro dos homens ali onde estão: chama-os pelo nome, levanta-os, conforta-os com o anúncio da Boa Nova e os reúne à mesma Mesa. Por isso o bispo que pertence ao mundo todo e à Igreja Universal, vive sua vocação longe dos outros membros do Episcopado para estar em estreita união com os homens que, em nome de Cristo, reúne em sua Igreja Particular. Ao mesmo tempo, justamente para aqueles que reúne, ele se torna sinal da superação de sua solidão, porque os põe em união com Cristo, e Nele, seja com todos aqueles que Deus escolheu antes deles desde o início do mundo, seja com aqueles que Ele reúne hoje depois deles, até os chamados de última hora. Todos estão presentes na Igreja Local por meio do ministério e do sinal que representa o bispo. O bispo exerce seu ministério de modo realmente responsável quando sabe suscitar nos seus fiéis um sentido vivo de comunhão consigo mesmo e, por meio da própria pessoa, com todos os crentes da Igreja espalhada no mundo... Santo Agostinho, pedindo ajuda e compreensão, dizia freqüentemente aos fiéis: “Talvez muitos simples cristãos cheguem a Deus percorrendo uma via mais fácil que a nossa e caminham tanto mais rápido quanto menor é o peso de responsabilidades que trazem às costas. Nós, ao contrário, teremos de prestar contas a Deus, antes de mais nada, de nossas próprias vidas como cristãos, mas depois teremos de responder de modo particular pelo exercício de nosso ministério como pastores” (Sermão 46). Esse é o mistério do encontro místico de homens ‘de todas as nações, tribos, povos e línguas’ (Ap.7:9) com Cristo presente no bispo diocesano, em torno do qual se reúne, num momento histórico concreto, a Igreja Local”.
Os Bispos e os Sacramentos “O maior tesouro, a maior riqueza da qual um bispo dispõe são os Sacramentos, que ele administra com a ajuda dos sacerdotes ordenados por ele. Cristo pôs esse tesouro nas mãos dos apóstolos e de seus sucessores em virtude do seu “testamento”, assumindo esse termo, seja no seu mais profundo significado teológico, seja na sua acepção simplesmente humana. Cristo “sabendo que chegara a sua hora”, a hora de passar desse mundo para o Pai (Jo.13:1), ”aos admirados Apóstolos deu-se como alimento”, recomendando-lhes que repetissem o rito da Ceia “em sua memória”: repartir o pão e oferecer o cálice do vinho, sinais sacramentais do seu Corpo “dado” e do seu Sangue “entregue”. Em seguida, após a Morte e Ressurreição, entregou-lhes o ministério da remissão dos pecados e da administração dos outros Sacramentos, começando pelo Batismo. Os apóstolos transmitiram esse tesouro a seus sucessores. Além do anúncio da Palavra, a administração dos sacramentos, é, portanto, o primeiro dever dos bispos, aos quais qualquer outro compromisso deve ser subordinado. Na vida e na ação do bispo, tudo deve servir a tal finalidade. Sabemos que aí existe a necessidade de ajuda: “Agora, ó Senhor, vinde em ajuda da nossa fraqueza e dai-nos os colaboradores de que precisamos para o exercício do sacerdócio apostólico”. É a razão pela qual escolhemos e preparamos candidatos idôneos, que depois ordenamos presbíteros e diáconos. Conosco, eles têm o dever de anunciar a Palavra de Deus e administrar os Santos Sacramentos... Obviamente não se trata apenas de celebrar a Eucaristia ou de conferir a Confirmação, estando no centro da assembléia eclesial, mas também de administrar o Santo Batismo às crianças, e, sobretudo, aos adultos, que, como obra da comunidade da Igreja Local, preparam-se para ser discípulos de Cristo. Não se pode igualmente subestimar a celebração do rito sacramental da Penitência, nem às pessoas doentes com a administração da unção dos enfermos, apropriadamente instituída precisamente para eles. Entre os três deveres do bispo está também a solicitude pela santidade do Matrimônio, que devem manifestar, seja através da ação dos párocos, seja pessoalmente, intervindo, quando for possível, no próprio abençoar do casamento. Naturalmente, os sacerdotes, enquanto colaboradores do bispo, assumem a maior parte dessas tarefas. Porém, o compromisso pessoal do pastor diocesano com a celebração dos Sacramentos é um bom exemplo para o povo de Deus a ele confiado, tanto leigos, quanto presbíteros. Para todos, esse é o sinal mais legível de sua ligação com Cristo, presente e operante em cada um dos mistérios sacramentais... Um bispo que administra pessoalmente os Sacramentos apresenta-se de maneira evidente diante de todos como símbolo de Cristo sempre vivo e operante na sua Igreja”.
O Bispo e o Sofrimento “Ser bispo traz em si alguma coisa da Cruz, por isso a Igreja põe a Cruz no peito do bispo. Na Cruz é preciso morrer para si mesmo; sem isso não há plenitude de sacerdócio. Tomar a Cruz para si não é fácil...”. “O bispo tem o dever de agir não apenas por meio da palavra, do serviço litúrgico, mas também mediante a oferta do sofrimento”. “Para um bispo a falta de fortaleza é o início da derrota. Pode continuar a ser apóstolo? Para um apóstolo, de fato, é essencial o testemunho dado à Verdade! E isso exigem sempre fortaleza”. “A maior falta do apóstolo é o medo. O que desencadeia o medo é a falta de confiança na força do Mestre; é esta que oprime o coração e aperta a garganta. O apóstolo pára então de professar. Permanece apóstolo? Os discípulos que abandonaram o Mestre aumentaram a coragem dos algozes. Quem se cala perante os inimigos de uma causa, os fortalece. O temor do apóstolo é o primeiro aliado dos inimigos da causa. ‘Obrigar a calar através do medo’ é o primeiro passo da estratégia dos ímpios... O silêncio possui sua eloqüência apostólica apenas quando não afasta o rosto de quem nele bate. Assim, calando, fez Cristo. Mas com aquele gesto demonstrou a própria fortaleza. Cristo não se deixou aterrorizar pelos homens. Saindo ao encontro da multidão, disse, com coragem: “Sou eu””. “Quando chega a “sua hora”, Jesus disse àqueles que estavam com Ele no Horto do Getsêmani, Pedro, Tiago e João, os discípulos particularmente amados: “Levantai-vos! Vamos!””. Este convite é dirigido de modo particular a nós, bispos... Mesmo que essas palavras signifiquem um tempo de provação, um grande esforço e uma cruz dolorosa, não devemos ter medo. São palavras que trazem consigo também aquela alegria e aquela paz que são frutos da fé”.
(Transcrito: Wastancie, Chodzmy e Zapiski Wiezienne) |
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