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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

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Home Biblioteca Espiritualidade Reflexões sobre o Episcopado II

Reflexões sobre o Episcopado II

Transcrito: Wastancie e Chodzmy

 

O Bispo Como Pastor

“Entristeceu-se Pedro, porque pela terceira vez lhe perguntava: “Tu me amas?” e lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo.21:17). Não as tuas ovelhas, mas as minhas! Foi Ele, na verdade, quem criou o homem. Foi Ele que o redimiu. Foi Ele quem resgatou... e pagou com o seu sangue”!.

“A tradição cristã fixou a imagem bíblica do pastor em três figuras: aquela que traz aos ombros a ovelha desgarrada; aquele que conduz seu rebanho em pastos verdejantes; aquele que com o cajado recolhe suas ovelhas e as protege dos perigos. Nessas três figuras retorna a mesma mensagem: o pastor é pelas ovelhas, e não as ovelhas pelo pastor. Se for um pastor de verdade, ele estará ligado a elas a ponto de estar pronto a oferecer a vida pelas ovelhas (Jo.10:11)”.

“O Bom Pastor conhece as suas ovelhas e as ovelhas O conhecem (Jo.10:14). Certamente é dever do bispo aplicar-se com prudência  a fim  de que o maior número possível de pessoas possa conhecê-lo diretamente. Por sua vez, ele buscará aproximar-se de todos, de modo que saiba como vivem e o que alegra ou atormenta seus corações. A base de tal conhecimento recíproco não se deve tanto aos encontros ocasionais, quanto a um autêntico interesse por aquilo que se dá dentro do coração do homem, independentemente da idade, da classe social ou da nacionalidade de cada um. É um interesse que engloba os praticantes e os afastados”.

 

O Bispo e os Estudos

“Os compromissos que pesam nas costas de um bispo são muitos... o tempo pode verdadeiramente faltar... mas são necessários na vida de um bispo o recolhimento e o estudo... Deve ter uma profunda formação teológica, constantemente atualizada, e um interesse mais amplo pelo pensamento e pela palavra”.

Ouçamos um testemunho: “Em minhas leituras e estudos, sempre procurei unir de modo harmonioso as questões de fé, as de pensamento e as do coração. Não são, na realidade, campos separados; cada um penetra e anima os outros. Nessa compenetração de fé, pensamento e coração, exerce um influxo particular o estupor que nasce de milagre da pessoa, da semelhança do homem com o Deus Trino e Uno, da profundíssima relação entre amor e verdade, do mistério recíproco e da vida que dela nasce, da contemplação do transcorrer das gerações humanas”.

“Precisamos de pessoas que amem e pensem, porque a criatividade vive de amor e de pensamento, e é dela que vai alimentar o nosso pensamento e acender o nosso amor”.

“Eis o mistério da evangelização por meio do amor pelo homem, que nasce do amor de Deus. Nisso consiste a caridade da qual o bispo deveria sempre se inspirar em todas as suas intervenções”.

 

O Bispo e as Ordens Religiosas

“As Ordens religiosas servem  a Igreja e também ao bispo. É difícil não apreciar seu testemunho de fé baseado nos votos... e o estilo de vida que levam, inspirado na regra... é graças a essa fidelidade que as diversas famílias religiosas podem conservar o carisma das origens e fazê-lo frutificar ao longo de sucessivas gerações”.

Não se pode também esquecer o exemplo de caridade fraterna sobre o qual está fundada cada comunidade religiosa. É humano que, de vez em quando, possa surgir algum problema, mas sempre se pode encontrar uma solução, desde que o bispo saiba escutar a comunidade religiosa, respeitando sua legítima autonomia, e desde que a comunidade, do seu lado, saiba realmente reconhecer no bispo o responsável último pela pastoral no território diocesano”.

 

O Ofício do Bispo

“O episcopado é indubitavelmente um ofício. Mas é preciso que o bispo lute com toda a energia para não se transformar em “empregado”. Ele não deve se esquecer nunca de ser pai”.

“O episcopado é quase uma sucessiva e, sob certo aspecto, nova descoberta do sacerdócio. Esta também, no entanto, se realiza sob a base do mesmo critério: deve voltar-se, antes de mais nada, para Cristo, único Pastor e Bispo de nossas almas. E é um voltar-se também mais profundo, mais exigente... no trabalho cotidiano... a Igreja e o lugar do encontro da família humana inteira, o lugar da reconciliação, da aproximação incondicional, da aproximação através do diálogo, da aproximação à custa do sofrimento”.

No hino (Krzyzu Chrystusa) cantamos: ”Cruz de Cristo, te louvo,/ louvor a ti para sempre!/ De ti vem força e fortaleza,/ em ti está a nossa vitória”.

De um depoimento: ”Nunca me aconteceu de colocar com indiferença minha cruz peitoral de bispo. É um gesto que sempre acompanho com oração... Amar a Cruz quer dizer amar o sacrifício. Modelos desses amores são os mártires”.

“Poderia recordar de muitos outros intrépidos bispos, que com o seu exemplo indicaram o caminho a outros. Qual é o segredo comum? ...e a fortaleza da fé. O primado da fé pela vida toda e em atividade, a uma fé corajosa e sem medo, a uma fé temperada na provação, pronta para seguir com generosa adesão qualquer chamado de Deus...”

“O primado da fé e a coragem que dela emana fizeram com que cada um obedecesse ao chamado de Deus e partisse para onde ia (Hb.11:8). O autor da Carta aos Hebreus pronuncia essas palavras a propósito da vocação de Abraão, mas elas dizem respeito a toda vocação humana, também aquela particular que se realiza no ministério episcopal: a chamada para ser os primeiros na fé e na caridade. Fomos eleitos e chamados para partir, e não somos nós que estabelecemos a meta desse caminho. Quem irá fazê-lo será Aquele que nos ordenou partir: o Deus fiel, o Deus da Aliança”.

“Vamos confiados em Cristo. Ele nos acompanhará no caminho, até a meta que só Ele conhece”.

 


(Transcrito: Wastancie e Chodzmy)

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