Reflexões sobre o Episcopado II
| Transcrito: Wastancie e Chodzmy |
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O Bispo Como Pastor “Entristeceu-se Pedro, porque pela terceira vez lhe perguntava: “Tu me amas?” e lhe disse: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo.21:17). Não as tuas ovelhas, mas as minhas! Foi Ele, na verdade, quem criou o homem. Foi Ele que o redimiu. Foi Ele quem resgatou... e pagou com o seu sangue”!. “A tradição cristã fixou a imagem bíblica do pastor em três figuras: aquela que traz aos ombros a ovelha desgarrada; aquele que conduz seu rebanho em pastos verdejantes; aquele que com o cajado recolhe suas ovelhas e as protege dos perigos. Nessas três figuras retorna a mesma mensagem: o pastor é pelas ovelhas, e não as ovelhas pelo pastor. Se for um pastor de verdade, ele estará ligado a elas a ponto de estar pronto a oferecer a vida pelas ovelhas (Jo.10:11)”. “O Bom Pastor conhece as suas ovelhas e as ovelhas O conhecem (Jo.10:14). Certamente é dever do bispo aplicar-se com prudência a fim de que o maior número possível de pessoas possa conhecê-lo diretamente. Por sua vez, ele buscará aproximar-se de todos, de modo que saiba como vivem e o que alegra ou atormenta seus corações. A base de tal conhecimento recíproco não se deve tanto aos encontros ocasionais, quanto a um autêntico interesse por aquilo que se dá dentro do coração do homem, independentemente da idade, da classe social ou da nacionalidade de cada um. É um interesse que engloba os praticantes e os afastados”.
O Bispo e os Estudos “Os compromissos que pesam nas costas de um bispo são muitos... o tempo pode verdadeiramente faltar... mas são necessários na vida de um bispo o recolhimento e o estudo... Deve ter uma profunda formação teológica, constantemente atualizada, e um interesse mais amplo pelo pensamento e pela palavra”. Ouçamos um testemunho: “Em minhas leituras e estudos, sempre procurei unir de modo harmonioso as questões de fé, as de pensamento e as do coração. Não são, na realidade, campos separados; cada um penetra e anima os outros. Nessa compenetração de fé, pensamento e coração, exerce um influxo particular o estupor que nasce de milagre da pessoa, da semelhança do homem com o Deus Trino e Uno, da profundíssima relação entre amor e verdade, do mistério recíproco e da vida que dela nasce, da contemplação do transcorrer das gerações humanas”. “Precisamos de pessoas que amem e pensem, porque a criatividade vive de amor e de pensamento, e é dela que vai alimentar o nosso pensamento e acender o nosso amor”. “Eis o mistério da evangelização por meio do amor pelo homem, que nasce do amor de Deus. Nisso consiste a caridade da qual o bispo deveria sempre se inspirar em todas as suas intervenções”.
O Bispo e as Ordens Religiosas “As Ordens religiosas servem a Igreja e também ao bispo. É difícil não apreciar seu testemunho de fé baseado nos votos... e o estilo de vida que levam, inspirado na regra... é graças a essa fidelidade que as diversas famílias religiosas podem conservar o carisma das origens e fazê-lo frutificar ao longo de sucessivas gerações”. Não se pode também esquecer o exemplo de caridade fraterna sobre o qual está fundada cada comunidade religiosa. É humano que, de vez em quando, possa surgir algum problema, mas sempre se pode encontrar uma solução, desde que o bispo saiba escutar a comunidade religiosa, respeitando sua legítima autonomia, e desde que a comunidade, do seu lado, saiba realmente reconhecer no bispo o responsável último pela pastoral no território diocesano”.
O Ofício do Bispo “O episcopado é indubitavelmente um ofício. Mas é preciso que o bispo lute com toda a energia para não se transformar em “empregado”. Ele não deve se esquecer nunca de ser pai”. “O episcopado é quase uma sucessiva e, sob certo aspecto, nova descoberta do sacerdócio. Esta também, no entanto, se realiza sob a base do mesmo critério: deve voltar-se, antes de mais nada, para Cristo, único Pastor e Bispo de nossas almas. E é um voltar-se também mais profundo, mais exigente... no trabalho cotidiano... a Igreja e o lugar do encontro da família humana inteira, o lugar da reconciliação, da aproximação incondicional, da aproximação através do diálogo, da aproximação à custa do sofrimento”. No hino (Krzyzu Chrystusa) cantamos: ”Cruz de Cristo, te louvo,/ louvor a ti para sempre!/ De ti vem força e fortaleza,/ em ti está a nossa vitória”. De um depoimento: ”Nunca me aconteceu de colocar com indiferença minha cruz peitoral de bispo. É um gesto que sempre acompanho com oração... Amar a Cruz quer dizer amar o sacrifício. Modelos desses amores são os mártires”. “Poderia recordar de muitos outros intrépidos bispos, que com o seu exemplo indicaram o caminho a outros. Qual é o segredo comum? ...e a fortaleza da fé. O primado da fé pela vida toda e em atividade, a uma fé corajosa e sem medo, a uma fé temperada na provação, pronta para seguir com generosa adesão qualquer chamado de Deus...” “O primado da fé e a coragem que dela emana fizeram com que cada um obedecesse ao chamado de Deus e partisse para onde ia (Hb.11:8). O autor da Carta aos Hebreus pronuncia essas palavras a propósito da vocação de Abraão, mas elas dizem respeito a toda vocação humana, também aquela particular que se realiza no ministério episcopal: a chamada para ser os primeiros na fé e na caridade. Fomos eleitos e chamados para partir, e não somos nós que estabelecemos a meta desse caminho. Quem irá fazê-lo será Aquele que nos ordenou partir: o Deus fiel, o Deus da Aliança”. “Vamos confiados em Cristo. Ele nos acompanhará no caminho, até a meta que só Ele conhece”.
(Transcrito: Wastancie e Chodzmy) |
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