Carta De Setúbal
Carta De Setúbal
| Fevereiro, 26 de 2005 - Setúbal - Recife, PE |
01. Nós, 32 delegados clericais, 58 delegados laicos e 15 observadores, representando 35 Paróquias, Missões e Pontos Missionários, reunidos em Concílio Diocesano Extraordinário da Diocese Anglicana do Recife, no dia vinte e seis do mês de fevereiro do ano graça do Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e cinco, nas instalações da Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, Rua Camboim, nº70 – Setúbal, na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, Brasil, celebramos, mais uma vez, com fé e adoração o Deus Triúno, e em paz, a comunhão no Corpo de Cristo, em ação de graças por sua Providência, Consolação e Esperança, renovando o nosso compromisso com a propagação do Evangelho e a promoção do Reino de Deus, no meio das dificuldades e desafios que temos que enfrentar, no nosso tempo, na Igreja e no Mundo.
02. A nossa intercessão é que o Espírito Santo continue a consolidar a nossa unidade, o nosso compromisso, a nossa visão, a nossa busca de santidade e o ânimo renovado para a Missão da Igreja. E, neste ano em particular, o conhecimento, a vivência e a afirmação da Verdade – a Sã Doutrina, contida nas Sagradas Escrituras do Antigo e Novo Testamento. Ansiamos por viver e promover a paz, que é fruto da justiça, servindo ao Príncipe da Paz no meio dos conflitos que a natureza caída e o príncipe das trevas promovem no presente século e, lamentavelmente, também, no interior da família da fé. É nossa petição ao Senhor que nos conceda sempre a consciência dos problemas, o discernimento diante dos mesmos e o desejo de participação positiva, como sal e luz, como Ele mesmo nos tem enviado.
03. Ratificando as deliberações do XXIV Concílio Diocesano e do último Concílio Extraordinário, reafirmamos os termos da nossa “Carta Aberta” ao Arcebispo de Cantuária e aos Primazes da Comunhão Anglicana, na qual expressamos a nossa lealdade à Sé de Cantuária, a nossa identidade, integração à Comunhão Anglicana e nossos vínculos históricos e institucionais com a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB.
04. Reafirmamos, igualmente, a nossa decisão de suspender, por tempo indeterminado e enquanto durarem as causas, o relacionamento com o estamento de poder que dirige a IEAB, pela reiterada negação dos votos de ordenação dos seus dirigentes, com ensinamentos contrários aos princípios emanados da Revelação Bíblica, e assim entendidos pela Tradição da Igreja e pelas Conferências de Lambeth, e cujas deliberações e ações, unilaterais e agressivas em relação à nossa Diocese, particularmente nos últimos meses, evidenciam, inquestionavelmente, um caráter ilegal e ilegítimo, uma violência contra a nossa identidade e a nossa autonomia, com a criação, de fato, de um cisma interno, de uma estrutura paralela e a realização de atos sem qualquer amparo na Constituição, nos Cânones Gerais, ou nas deliberações do Sínodo Geral, antes se constituindo em expressões de arbítrio, desrespeito à Lei e às Autoridades Constituídas, em um quadro que apenas tem se agravado desde então.
05. Esse quadro lamentável e ameaçador, eivado, ainda, pela veiculação de notícias tendenciosas ou inverídicas, não nos deixou outra alternativa senão o apelo aos Instrumentos de Unidade da Comunhão Anglicana, por uma “Supervisão Episcopal Primacial Adequada Alternativa com Jurisdição”, enquanto permanecemos, com segurança e serenidade, no status excepcional de um “Estado de Emergência”.
06. Apesar do sofrimento, somos gratos ao Senhor pela repercussão mundial da nossa situação e do nosso justo pleito e pelas manifestações de apoio que temos recebido de inúmeros irmãos e irmãs de todos os continentes, que têm entendido o que sofremos dentro de um contexto maior que afeta a Civilização, a Cristandade e o Anglicanismo. Somos gratos pela atitude compreensiva, paternal, pastoral e arbitral de Sua Graça, o Arcebispo de Cantuária, de inúmeros Arcebispos e Bispos em particular os Primazes ortodoxos do denominado “Sul Global” – que nos tem encorajado a permanecermos firmes, a buscarmos saídas institucionais necessárias, viáveis e inadiáveis, em uma Comunhão Anglicana em crise e em processo de mudança de dimensões imprevisíveis.
07. Externamos o nosso apoio aos pontos positivos do “Relatório de Windsor”, tais como a ênfase na autoridade das Sagradas Escrituras e na Tradição da Reforma, e renovamos nossa esperança com que o texto divulgado pelo Encontro dos Primazes, recém concluído na Irlanda do Norte, comece a aperfeiçoar e preencher as lacunas deixadas por aquele Relatório, particularmente com a criação, junto ao Arcebispo de Cantuária, do Painel de Supervisão em socorro a Paróquias e Dioceses (como a nossa) que sofrem por sua fidelidade às Sagradas Escrituras e ao Anglicanismo Histórico, em consonância com muitas vozes que se tem levantado em clamor mundial, num momento em que a defesa da fé vem, crescentemente, resultando em martírios, inclusive entre os domésticos da fé.
08. Nós, delegados conciliares, representando 90% do povo que compõe a membresia da Diocese Anglicana do Recife, ao levantarmos nossas vozes de protesto e de clamor, hipotecamos a nossa solidariedade ao nosso Bispo Diocesano, vítima de uma campanha difamatória e de tentativas de processos disciplinares, politicamente motivados, plenos de irregularidades e arbitrárias manifestações de censura à livre manifestação de pensamento, como tentativas de intimidação e de busca de destruição de um episcopado que é expressão de um projeto coletivo, de compromisso com as Sagradas Escrituras, o Anglicanismo Histórico e as Normas da Igreja.
09. Protestamos e rejeitamos as Resoluções 001/2005 de 18/02/2005 (que pretende determinar suspensão do Ofício e Ministério do Bispo Diocesano) e 002/2005 de 22/02/2005 (que pretende instituir nova Autoridade Eclesiástica) emitida pelo Bispo Primaz da IEAB, e continuamos, fortemente determinados, por unanimidade, a reconhecer o Revmo. Bispo Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti como nosso Bispo Diocesano, no pleno exercício da sua Ordem e Ministério, demandando, mais uma vez, para os Instrumentos de Unidade da Comunhão Anglicana para que urgentes providências sejam tomadas, em resgate dos plenos direitos, nossos e do nosso Bispo.
10. Vale ressaltar, por outro lado, que é evidente a todos, que a Consulta Teológica promovida pelo Centro de Estudos Anglicanos (CEA) da IEAB, em Curitiba, em 2004, e o recente Relatório da Comissão Especial do Primaz, apontam, inequivocamente, para um modelo de Igreja marcado por uma “Inclusividade ilimitada”, onde tudo pode ser lícito, em termos de doutrinas e de comportamentos. Por sua vez, os Encontros sobre Sexualidade Humana, realizados no Rio de Janeiro, em 2003 e 2004, apontam para um pan-sexualismo absolutamente privatizado, e para um relativismo moral. Essa nova e diversa expressão religiosa, caudatária do pluralismo Pós-Moderno e da cultura secularista norte-ocidental, é incompatível com a Herança Apostólica e com o “Assim diz o Senhor”. Continuamos a crer que as verdades reveladas e históricas não podem ser tidas como meras e mutáveis “opiniões” humanas e culturais.
11. É por deveras estranho que o revisionismo bíblico e o relativismo moral seja acompanhado de um fundamentalismo canônico, intolerante e imobilista que tem impedido o surgimento de um processo no interior da Província, onde se possa, de forma respeitosa, construir alternativas institucionais para o dissenso.
12. Expressamos, ainda, o reconhecimento ao nosso Bispo Diocesano e ao Conselho Diocesano da DAR, como instâncias legais e legítimas, e como interlocutores na condução desse processo, dentro dos parâmetros solenemente deliberados por nossos Concílios, tanto junto aos Instrumentos de Unidade da Comunhão Anglicana, quanto junto a Instâncias provinciais, sob a supervisão daqueles, nos próximos passos de encaminhamento em direção a um novo status, que nos traga paz e tranqüilidade para professarmos e vivermos nossa fé, levando em conta as recomendações dos Arcediagos, Deões e Cônegos, a assessoria do Secretariado, Juntas e Comissões, respaldados no consenso dos fiéis.
13. Conscientes das dificuldades, temos o firme desejo de superar, com a máxima brevidade, esse episódio da nossa história diocesana, virando essa triste página, a fim de empregar as nossas energias no sentido de realizar em liberdade e criativamente, a obra evangelizadora, em obediência ao Senhor e à sua Palavra. Temos sentido que, apesar de tudo, o Senhor tem aperfeiçoado a Sua força em nossa fraqueza, sarado as nossas dores e renovado nossas esperanças.
14. Que o nosso Pai Celeste nos conceda a Graça de, muito em breve, estarmos convivendo e trabalhando na comunhão de irmãos e irmãs em Cristo, sob a autoridade de Pais em Deus, fiéis às verdades reveladas e imutáveis da fé bíblica, católica e reformada.
15. Que o Senhor tenha piedade de nós, e a Ele seja toda honra e toda glória pelos séculos dos séculos. Amém!
Setúbal, Recife – PE, Brasil, 26 de Fevereiro de 2005. Concilio Diocesano Extraordinário
Delegados Clericais e Laicos Delegados Clericais: 01. Ven. Arc. Revmo. Deão Luiz Souza de França 02. Ven. Arc. Revda. Maria Gorete Correia M. da Silva – Secretária Diocesana de Ação Social 03. Ven. Arc. Rev. Evilásio Tenório da Silva Júnior 04. Ven. Arc. Rev. Miguel A. de A. Uchoa Cavalcanti 05. Revmo. Deão Manoel S. Moraes de Almeida – Secretário Diocesano de Direitos Humanos 06. Rev. Côn. Quintino José O. da Silva 07. Rev. Côn. Washington Franco 08. Rev. Antônio Costa de Oliveira 09. Rev. Cezar Romero de L. Vieira – Secretário Diocesano de Missão e Evangelismo 10. Rev. Daniel Barbosa da Silva – Membro do Conselho Diocesano 11. Rev. Décio da Silva 12. Rev. Elias Leôncio de Brito Filho 13. Rev. Estevão Menezes Chiappetta – Secretário Diocesano (Recife) 14. Rev. Fernando Acosta Rodriguez 15. Rev. Fred de Melo Souto Lima – Secretário Administrativo Diocesano 16. Rev. Geison Sávio de Holanda Vasconcellos 17. Rev. Henrique César de A. Lacerda 18. Rev. Ian Meldrum 19. Rev. Josias Pereira de Souza Júnior – Secretário Diocesano de Juventude 20. Rev. Manuel Nunes da S. Neto – Contador Diocesano 21. Rev. Márcio Medeiros Meira – Reitor do SAT-PB 22. Rev. Marconi Alves de Oliveira 23. Rev. Marcus Throup – Reitor do SAT-PE 24. Rev. Maurício R. Fernandes Coelho – Presidente do Conselho Diocesano 25. Rev. Raniere Almeida de Oliveira – Secretário Diocesano de Educação 26. Rev. Tibério Marques da Silva – Secretário Diocesano de Homens 27. Revda. Juciara Maria Rodrigues do Nascimento – Membro do Conselho Diocesano 28. Revda. Nadja Maria Lins da Silva 29. Revda. Siméa de Souza Meldrum 30. Revda. Solange Cristina Pereira – Membro do Conselho Diocesano 31. Revda. Veralúcia Lins Silva – Procuradora Diocesana 32. Revda. Vera Lúcia Melo do Nascimento
Delegados Leigos: 01. Evang. Samuel Hansen O. Silvestre 02. ML. Cláudio Luiz Figueiredo de Brito 03. ML. Flávio Adair Torres Soares 04. ML. Gustavo de Belli Diniz 05. ML. Jeane Grande Arruda de M. Coelho – Secretária Diocesana de Intercessão 06. ML. João Peixoto de Siqueira Filho 07. ML. Jocelenilton Gomes da Silva – Webmaster Diocesano 08. ML. Josias Pereira de Souza 09. ML. Luiz Pinto Ribeiro Filho 10. ML. Márcia da Silva Coelho 11. ML. Márcio José de Sousa Simões 12. ML. Maurício Manoel Amazonas dos Santos 13. ML. Teresa Julieta de Paula Menezes Catão 14. Sem. Dinamérico Augusto de Medeiros Rangel 15. Sem. Edinaldo Lopes da Silva 16. Sem. Keyla Maria Pereira Camargo 17. Sem. Lucimauro Antônio Alves Oliveira 18. Sem. Luiz Antônio Gomes 19. Sem. Marcos Aurélio de Araújo Carvalho 20. Sem. Rosalvo José Carvalho da Silva 21. Sem. Valdolírio dos Santos Soares 22. Sem. William Vieira Fernandes 23. Adriana Ortirs – Membro do Conselho Diocesano 24. Alexandre de Barros Coelho 25. Ana Maria Roque da Matta 26. Antônio Rogério Ferreira Pereira 27. Araci de Oliveira Lopes Souza 28. Cássio Lima e Silva 29. Dalila dos Santos Silva 30. Emanuel de Albuquerque Autran – Membro do Conselho Diocesano 31. Erandi Pereira de Freitas 32. Francisco Sepúlveda Diniz 33. George Gomes Oliveira 34. Hermano Trigueiros 35. José Alves da Silva 36. José Guilherme Pereira Luna de Menezes 37. José Luiz Clementino de Santana – Tesoureiro Diocesano 38. Lucide Marcos Marinho 39. Luiz Francisco Alves 40. Maria do Carmo Barbosa 41. Maria do Céu de Andrade Lima 42. Maria de Fátima Figueira Pereira 43. Maria de Lourdes Costa Gomes 44. Maria Teresa Jansen de Almeida Catanho 45. Mariinha de Souza 46. Mário Jansen Catanho 47. Marluce Souza Viana Barreto – Membro do Conselho Diocesano 48. Maurício Barbosa de Araújo 49. Rafael Ferreira Lopes de Aquino 50. Rivonete Solange Brochardt Magalhães 51. Ronaldo de Holanda Neves 52. Rosilda Francisca Oliveira Silva 53. Sandra Barbosa 54. Severina Assis Bezerra 55. Teresa de Fátima Beringuer Barreto 56. Valdênio Bezerra de Figueiredo 57. Vilfrido Afonso Bienging 58. Wellington Correia da Silva
Observadores: 01. ML. Gustavo Leite Castelo Branco 02. ML. Pablo da Rocha Barbosa 03. ML. Sergio Bartolomeu Ramos da Silva 04. Sem. Ana Paula 05. Sem. Carlos Alberto da Silva 06. Sem. Josefa 59. Sem. Magna Barbosa – Secretária Diocesana (Maceió) 07. Sem. Maria das Graças 08. Eurípedes Paus Souza 09. Francisco Deusimar A. Soares 10. Heleno (Vida Nova) 11. Lúcia Helena Mulatinho Fernandes 12. Maria de Fátima Adolfo França – Secretária Diocesana de Mulheres 13. Miriam N. Machado Cotia Cavalcanti 14. Mirian Matos 15. Rinaldo José da Costa
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