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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

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BISPO SUFRAGÂNEO

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Home Biblioteca Documentos Catecismo Menor - Lutero

Catecismo Menor - Lutero

Martinho Lutero

 

Prefácio:

[Martinho Lutero, a todos os pastores e pregadores fiéis e piedosos. Graça, misericórdia e paz em Jesus Cristo, nosso Senhor].

 

A lamentável e mísera necessidade experimentada recentemente, quando também eu fui visitador, é que me obrigou e impulsionou a preparar este catecismo ou doutrina cristã nesta forma breve, simples e singela. Meu Deus, quanta miséria não vi! O homem comum simplesmente não sabe nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias. E, infelizmente, muitos pastores são de todo incompetentes e incapazes para a obra do ensino. Não obstante, todos pretendem o nome cristãos, estão batizados e fazem uso dos santos sacramentos. Não sabem nem o Pai-Nosso, nem o Credo, nem os Dez Mandamentos. Vão vivendo como os brutos e os irracionais suínos. E agora que veio o evangelho, é que aprenderam bem a abusar magistralmente de toda liberdade.

Ó bispos, como havereis de responder perante Cristo pelo fato de haverdes negligenciado tão vergonhosamente o povo e por não haverdes jamais cumprido por um momento o vosso ofício? Que não vos alcance a desgraça! Proibis uma das espécies e insistís em vossas leis humanas, mas entrementes não vos tomais de nenhum cuidado sobre se conhecem o Pai-Nosso, o Credo, os Dez Mandamentos ou qualquer palavra de Deus. Ai de vós eternamente!

Por isso rogo a todos vós, pelo amor de Deus, meus queridos senhores e irmãos que sois pastores ou pregadores, que vos devoteis de coração ao vosso ofício, vos apiedeis do povo confiado a vós e nos ajudeis a inculcar o catecismo às pessoas, tomem estes livrinhos e formas e leiam-nos, palavra por palavra, ao povo, fazendo que esse repita as palavras da maneira seguinte:

 

Em primeiro lugar:

Tenha o pregador acima de tudo o cuidado de evitar textos e formas diversos ou divergentes dos Dez Mandamentos, do Pai-Nosso, do Credo, dos Sacramentos, etc. Tome, ao contrário, uma única forma e a ela se atenha e a incuta sempre, ano após ano. Porque pessoa jovens e simples devem ser ensinadas com um texto uniforme e fixo, pois de outro modo facilmente ficam embaralhadas, se hoje se ensina de um jeito e no ano seguinte de outro, como se a gente quisesse emendar o texto. Perde-se com isso todo o esforço e trabalho.

Bem viram isso também os queridos Pais, que, todos, empregaram a mesma forma do Pai-Nosso, do Credo, dos Dez Mandamentos. Por isso também devemos ensinar essas partes às pessoas jovens e simples de maneira tal, que não desloquemos nem uma sílaba ou apresentemos ou repitamos o texto diferentemente de um ano a outro.

Escolhe, por isso, a forma que queres e fica com ela. Agora, quando pregas aos doutos e inteligentes, aí então podes mostrar a tua erudição, tornando essas partes tão multiformes e dando-lhes torneios tão magistrais quanto alcance o teu engenho. Com as pessoas jovens, entretanto, atém-te a uma forma e maneira permanente e fixa, e ensina-lhes primeiro que tudo, estas partes: os Dez Mandamentos, o Credo, etc., segundo o texto, palavra por palavra, de forma que também o possam repetir assim e decorar.

Mas àqueles que não o querem aprender, diga-se lhes como negam a Cristo e que não são cristãos. Também não devem ser admitidos ao sacramento, não devem ser admitidos como padrinhos em batismos, nem fazer uso de qualquer parte da liberdade cristão, senão que devem ser entregues ao papa e a seus oficiais, e além disso ao próprio diabo. Ademais, devem negar-lhes comida e bebida os pais e os amos e comunicar-lhes que tal gente rude o príncipe expulsará de sua terra, etc.

Pois, ainda que a ninguém se pode nem se deve obrigar à fé, todavia importa insistir e urgir com o povo para que saiba o que é justo e injusto entre aqueles com quem querem morar, alimentar-se e viver. Pois quem quer morar em uma cidade tem a obrigação de conhecer e observar suas leis, cuja proteção deseja gozar, qualquer que seja o seu caso: quer creia, quer seja, no coração, em particular, um malvado ou patife.

 

Segundo

Quando já conhecem bem o texto, ensina-lhes também o sentido, para que saibam o que significa, e toma de novo a explanação deste livrinho, ou alguma outra exposição breve e fixa a teu critério, e permanece nela, não lhe modificando nem uma sílaba, tal como se acabou de dizer quanto ao texto. E toma tempo para isso. Pois não é preciso que trates todas as partes de uma tirada, mas uma após outra. Depois de entenderem bem o primeiro mandamento, toma o segundo, e assim por diante. Em caso contrário, ficarão abarrotados, de sorte que não vão reter bem a nenhum.

 

Terceiro

Quando lhes tiveres ensinado este breve catecismo, toma o catecismo maior e dá-lhes também conhecimento mais rico e mais amplo. Aqui expõe cada mandamento, petição e parte, com suas diversas obras, proveitos, benefícios, perigos e danos, como encontras tudo isso ricamente em tantos livrinhos escritos a respeito. E martela especialmente no mandamento e parte em que haja maior negligência entre o teu povo. Por exemplo, o sétimo mandamento, do furtar, deve ser enfaticamente repisado entre artesãos e comerciantes, como também entre camponeses e servos. Porque entre tal gente há grande cópia de toda espécie de infidelidade e furto. Da mesma forma deves enfatizar o quarto mandamento entre as crianças e pessoas comuns, para que sejam ordeiras, fiéis, obedientes, pacíficas, e importa que sempre aduzas muitos exemplos da Escritura onde se mostre que Deus castigou e abençoou tais pessoas.

Aqui também deves insistir particularmente com as autoridades e os pais, para que governem bem e levem os filhos à escola, mostrando-lhes porque é sua obrigação fazê-lo e que pecado maldito cometem se não o fazem. Pois com isso derrubam e assolam tanto o reino de Deus como o reino do mundo, como os piores inimigos de Deus e dos homens. E frisa bem que horrível dano causam, se não cooperam na educação de crianças para serem pastores, pregadores, notários, etc., de sorte há de infligir medonho castigo. Pois é necessário pregar sobre essas coisas. Os pais e governantes pecam nisso agora de maneira indizível. O diabo também leva de mira algo de cruel com isso.

Finalmente, como a tirania do papa está removida agora, não mais querem is ao sacramento e o desprezam. Aqui de novo é preciso martelar, entendido, porém, que a ninguém devemos coagir a fé ou ao sacramento, nem determinar lei, tempo ou lugar. Cumpre, isto sim, que preguemos de tal maneira que eles mesmos, sem lei nossa, se impulsionem e como que obriguem a nós pastores a que administremos o sacramento. A maneira de fazer isso é dizer-lhes: Quem não procura nem deseja o sacramento pelo menos umas quatro vezes ao ano, deve temer-se que tal despreza o sacramento e que não é cristão da mesma forma como não é cristão aquele que não crê ou não ouve o evangelho. Pois Cristo não dize: deixai isto, ou desprezai isto, porém: fazei isto, todas as vezes que o beberdes, etc. Ele quer, na verdade, que se faça isto, não que seja inteiramente negligenciado e desprezado. FAZEI isto, diz ele.

Mas, quando alguém não tem o sacramento em alta estima, isto é sinal que essa pessoa não tem pecado, carne, diabo, mundo, morte, perigo, inferno, isto é, não acredita em nada disso, ainda que está metido nisso até às orelhas e é dobradamente do diabo. Por outro lado, também não precisa de nenhuma graça, vida, paraíso, reino dos céus, Cristo, Deus, nem de bem algum. Pois se cresse que tinha tanto mal e necessitava de tanto bem, não deixaria dessa maneira o sacramento, no qual se remedeia esse mal e tantos bens são dados. Nem seria necessário coagi-lo ao sacramento com qualquer lei; ao contrário, ele viria por si mesmo, apertando o passo e às carreiras, obrigaria a si mesmo e urgiria contigo que lhe deveria administrar o sacramento.

Por conseguinte, ao contrário do que faz o papa, nenhuma lei deves fazer nesse assunto. Limita-te a apresentar bem a utilidade e o dano, a necessidade e os benefícios, o perigo e a bênção ligados a esse sacramento, e então de si mesmos virão, sem coação de tua parte. Se, entretanto, não vierem, deixa-os ir e dize-lhes que são do diabo os que não consideram nem sentem sua grande necessidade e a graciosa ajuda de Deus. Se, porém, não o inculcas, ou se transforma isso em lei e veneno, nesse caso é tua a culpa pelo fato de desprezarem o sacramento. Como não haveriam de ser desmazelados, se tu dormes e calas? Portanto, atentai nisso, pastores e pregadores. Nosso ofício agora se tornou coisa diversa da que foi sob o papa. Agora tornou-se sério e salutar. Razão por que agora envolve muita fadiga e trabalho, perigo e tentação, e, além disso, pouca retribuição e gratidão no mundo. Mas o próprio Cristo quer ser nossa recompensa, se trabalharmos com fidelidade. Que no-lo conceda o Pai de todas as graças, a quem seja louvor e gratidão eternamente, por Cristo, Senhor nosso. Amém. 

 

Os Dez Mandamentos Como o chefe de família deve ensiná-los com simplicidade a sua casa:

 

PRIMEIRO MANDAMENTO

Não terás outros deuses.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus e confiar nele acima de todas as coisas.

 

SEGUNDO MANDAMENTO

Não tomarás em vão o nome de teu Deus.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que em seu nome não amaldiçoemos, juremos, pratiquemos a feitiçaria, mintamos ou enganemos, porém o invoquemos em todas as necessidades, oremos, louvemos e agradeçamos.

 

TERCEIRO MANDAMENTO

Santificarás o dia do descanso.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não desprezemos a pregação e a sua palavra, porém a consideremos santa, gostemos de a ouvir e estudar.

 

QUARTO MANDAMENTO

Honrarás a teu pai e a tua mãe.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não desprezemos nem irritemos nossos pais e superiores, porém os honremos, sirvamos, lhes obedeçamos, os amemos e lhes queiramos bem.

 

QUINTO MANDAMENTO

Não matarás.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não causemos dano ou mal algum ao nosso próximo em sua vida, porém lhe ajudemos e o favoreçamos em todas as necessidades da vida.

 

SEXTO MANDAMENTO

Não adulterarás.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que vivamos vida casta e decente em palavras e ações, e cada qual ame e honre seu consorte.

 

SÉTIMO MANDAMENTO

Não furtarás.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não tiremos ao nosso próximo o dinheiro ou os bens, nem nos apoderemos deles por meio de mercadorias falsificadas ou negócios fraudulentos, porém os ajudemos a melhorar e conservar os seus bens e o seu ganho.

 

OITAVO MANDAMENTO

Não dirás falso testemunho contra próximo.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não mintamos com falsidade ao nosso próximo, não o traiamos, caluniemos ou difamemos, porém devemos desculpá-lo, falar bem dele e interpretar tudo da melhor maneira.

 

NONO MANDAMENTO

Não cobiçarás a casa do teu próximo.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneira que não procuremos adquirir, com astúcia, a herança ou casa do próximo, nem nos apoderemos dela sob aparência de direito, etc., porém lhe sejamos de auxílio e serviço para conservá-la.

 

DÉCIMO MANDAMENTO

Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu empregado, nem a sua empregada, nem o seu gado, nem coisa alguma que lhe pertença.

Que significa isso? Devemos temer e amar a Deus, de maneia que não desviemos astutamente, arrebatemos ou alienemos a mulher do próximo, os seus empregados ou o seu gado, porém instemos com eles para que fiquem e cumpram o seu dever.

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