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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Chamados ao testemunho e à Fraternidade

Chamados ao testemunho e à Fraternidade

 

Documento das Bahamas

 

A Igreja como uma Comunhão

1 - O conteúdo e a ênfase central da fé apostólica e bíblica que nós sustentamos como anglicanos é que Deus deseja que todas as pessoas sejam reconciliadas com Ele e se tornem suas amigas. Deus aspira a nossa salvação e a renovação da criação. O Filho de Deus, o nosso Salvador Jesus Cristo, quebrou a barreira do pecado e abriu a possibilidade para a reconciliação e amizade divino-humana. Essa verdade central tem a mais profunda implicação para a natureza da missão, que envolve a reconciliação das pessoas com Deus, bem como, pela própria natureza da Igreja, inclui a busca de unidade entre as pessoas em uma fraternidade amorosa, que é de fato uma família gerada pelo Espírito Santo. Em outras palavras, a fraternidade ou comunhão entre os cristãos é baseada na vida auto-doada da Abençoada Trindade.

 

Fundamentos

2 - De acordo com as Escrituras, a verdadeira fraternidade cristã emerge de uma centralidade no ensino e na prática apostólica – pela partilha da Palavra, pela oração e adoração corporativa, pelo partir do pão, pelo serviço mútuo. A nossa unidade não se centra meramente na liturgia ou adoração corporativa, mas emerge de uma fé comum no amor auto-doado de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não há outro fundamento do que os fundamentos deixados pelos apóstolos.

3 - Longe de ser algo estranho ou novo ao anglicanismo, essa ênfase bíblica, apostólica é básica ao mesmo. Por exemplo, um dos cânones principais da Igreja da Inglaterra coloca as Escrituras e a obediência como o centro da vida comunitária da igreja. A vontade de Deus e a história da salvação são definitivamente lidas a partir das Escrituras, e não meramente da natureza ou da experiência humana. As Escrituras são o fundamento e a autoridade última para a Igreja de Deus.

4 - As Escrituras ensinam que o relacionamento da humanidade com Deus começa em inocência, mas logo sofrerá ruptura e alienação. Em virtude do amor de Deus, esse relacionamento é restaurado por meio do amor de Cristo e de sua disposição obediente de pagar o preço pelo pecado humano e de levar sobre si a pecaminosa alienação fundamental da humanidade em relação a Deus. A obra de Deus na salvação deve ser entendida em termos trinitários: o amor do Deus único pelo mundo é estendido e realizado por meio da ação mútua do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O amor auto-doante das Pessoas Divinas é expressado no relacionamento com cada um. Isso é expressado no relacionamento sacrificial com o mundo.

 

Ordem

A Igreja não somente ensina a realidade mútua auto-doadora do Deus Trinitário como uma matéria de doutrina; a verdadeira Igreja deve refleti-la em sua prática e na forma de sua vida comunitária. Deus, por sua natureza, é um Deus em Três Pessoas. A Igreja, por sua natureza, é um corpo de muitos membros. As Escrituras estão repletas com o tema e constantemente inter-relaciona as diversas Igrejas locais e seus membros, por um lado, e a Igreja universal, por outro. A fidelidade a nossa herança bíblica e apostólica depende de um apropriado inter-relacionamento entre a Igreja local e a Igreja universal.

6 - A Igreja universal é constituída pelas Igrejas locais (NT: Dioceses). A Igreja local é a Igreja universal em uma particular localidade. Contudo, isso somente pode se dar quando qualquer Igreja local esteja em comunhão com as outras Igrejas locais que constituem a Igreja universal. Em acréscimo, essa comunhão, ou mútua pertença, depende de um compromisso compartilhado de uma forma correta de crer (a doutrina bíblica e apostólica), um compromisso compartilhado de uma forma correta de se comportar (a prática bíblica, apostólica e a ordem da Igreja), e um compromisso compartilhado com a disciplina, quando há aberto e deliberado afastamento da reta crença e do reto comportamento.

 

Desenvolvimento

7 - Essa compreensão na natureza da crença e da Comunhão Anglicana não é mero tradicionalismo antiquado. Antes, isso abarca plenamente a possibilidade e a necessidade do desenvolvimento da vida e do ensino da Igreja. De uma a outra geração, e de um contexto a outro, a fé apostólica é constantemente compartilhada, recebida, e compartilhada outra vez. Novas gerações e contextos devem não somente aceitar, mas intimamente receber, digerir, e se apropriar da fé apostólica, aplicando o seu poder transformador a totalidade da sua situação. Algumas verdades não podem meramente ser recebidas. Há que haver uma atualizada compreensão e apresentação das mesmas verdades, em parte em virtude de um novo conhecimento ou experiência. A Igreja é antiga, mas não é prisioneira da antiguidade. Impelida pelo amor de Deus pela humanidade, e assistida pelo Espírito Santo, buscamos apresentar o Evangelho de tal maneira que o comuniquemos em termos que sejam inteligíveis e motivadores para os nossos próximos.

8 - Por outro lado, tal desenvolvimento autêntico e fiel, fundado nas Escrituras como principal pedra angular, requer cuidadoso discernimento, especialmente por parte daqueles que possuem particular responsabilidade pela liderança na Igreja. John Henry Newman elaborou um teste para o autêntico desenvolvimento da doutrina – tais como o vigor da idéia original, a continuidade dos princípios, e a antecipação do futuro – o que pode nos ser útil. Menos útil é o apelo freqüente a ”Escritura, Tradição e Razão” como o sumário do método anglicano nessa área. De fato, o artigo 20 dos XXXIX Artigos de Religião torna as Escrituras como centrais para o discernimento no processo de desenvolvimento doutrinário, não apenas um dentre três critérios iguais. Em suma, devemos conectar o Evangelho a cada nova situação, mas também, re-escutar e reafirmar a demanda imutável de Cristo e de Sua Palavra naquela situação.

 

Crise

9 - Há um novo dinamismo na Comunhão Anglicana, que é parte de um ressurgimento mundial do Cristianismo. Conseqüentemente, o Anglicanismo nunca foi tão mundial, mais diverso, mais ecumênico e mais extensivo em seu impacto – a despeito dos recursos escassos e das estruturas inadequadas. Isso aponta para um futuro para a Comunhão Anglicana em todo o mundo que excede os próprios limites da presente expansão. Tal futuro nos deve trazer esperança e encorajamento, ao mesmo tempo em que nos confronta com desafios.

10. Contra o pano de fundo desse ressurgimento, tomamos ciência de desenvolvimentos novos e provocadores na Comunhão Anglicana, no Ocidente, que nos impele a levantar questões fundamentais acerca da continuidade da unidade da Igreja. A esse respeito, encaramos com aguda tristeza as ações unilaterais e divisionistas tomadas pela Igreja Episcopal dos EUA, pela Igreja Anglicana do Canadá e por certos episódios na Igreja da Inglaterra, cujas decisões afetam a família anglicana mundial. Cremos que seja urgente nos perguntarmos se essas ações e deliberações são um resultado de um desenvolvimento autêntico ou se, ao contrário, são afastamentos do testemunho apostólico que revelam a verdade que requer disciplina.

 

Disciplina

11. Cremos que seja claro que aqueles responsáveis por tais ações e deliberações não fizeram o mínimo esforço para demonstrar como isso pode ser tido como um desenvolvimento autêntico da doutrina fundamentada nas Escrituras. Qualquer pretensão de uma percepção, pessoal ou comunitária, derivada da experiência ou da cultura deve ser consoante o ensino revelado das Escrituras com a compreensão da fé legada através dos tempos e através do mundo. Cremos que essas pretensões e ações envolvem uma pública ruptura tanto da nossa fé apostólica em comum, quanto da nossa prática apostólica em comum, incluindo a organização apropriada de nossa Igreja apostólica e católica.

12. Em particular, cremos que as ações recentes tomadas pela Igreja Episcopal dos EUA e pela Igreja Anglicana do Canadá, atacam o testemunho do Evangelho e o dom de Deus para a salvação em Jesus Cristo. Elas confundem e dividem a Igreja em seus pontos mais essenciais, a saber, em seu testemunho do ensino, prática e estrutura apostólica e católica. Esses distanciamentos são deliberados, públicos e mantidos, a despeito de oportunidades havidas para a correção e o arrependimento. Como tais, são tão sérios que necessariamente danificam a comunhão e a fraternidade, e põem em perigo a saúde espiritual.

13. Com tristeza observamos que por suas ações deliberadas, persistentes e unilaterais, elas atingem o próprio tecido da nossa Comunhão “em seu nível mais profundo”. Eles rejeitaram apelos para que adiram a fé e prática comum – incluindo a caridade mútua – que unem os membros da família de Deus uns aos outros e ao próprio Deus. Nesse sentido, a ruptura, ou “realinhamento” da Comunhão Anglicana já ocorreu. Não é uma agenda ou proposta a ser implementada, mas um fato consumado, que é para ser reconhecido. “O sismático é aquele que causa separação, não aquele que se separa”.

14. O desafio é como responder a essa realidade em pleno acordo com a fé bíblica e apostólica. Como podem os anglicanos que afirmam a fé bíblica e apostólica responder se as estruturas centrais da Comunhão Anglicana falham e responder bíblica e apostolicamente a essas ações – qual seja, em exercitando a disciplina apropriada? Acima de tudo, os muitos que permanecem na família anglicana e continuam a compartilhar a fé apostólica em diferentes contextos e culturas requerem apoio e encorajamento. Sem dúvida, como notamos acima, temos testemunhado uma expansão extraordinária e um revigoramento da Comunhão Anglicana através do mundo, pela qual nos regozijamos e damos graças a Deus de todo o coração. Estruturas adequadas deverão ser desenvolvidas para apoiar as diversas parcelas da família anglicana – a vasta maioria – que tem-se mantido fiel ao Anglicanismo como uma expressão válida da Igreja dos apóstolos.

15. Conclamamos todos aqueles responsáveis pelos instrumentos de unidade da Comunhão Anglicana, tais como o Arcebispo de Cantuária e o Encontro dos Primazes, para que respondam biblicamente e apostolicamente a essas ações que põem em questão tanto sua viabilidade quanto sua legitimidade como instrumentos de Comunhão. Apoiamos aqueles que permanecem na família anglicana e continuam a compartilhar a fé apostólica em diferentes contextos e culturas. Estamos conscientes de que eles requerem apoio e encorajamento. Comprometemo-nos a prover adequado cuidado e supervisão para todos aqueles, no norte ou no sul, que se encontram alienados e abandonados.

 

Nassau, Bahamas, 03 de Junho de 2004.

(Encaminhado a Comissão de Lambeth)

 

Subscrevem:

Arcebispo Drexel Gómez (Índias Ocidentais),

Arcebispo Bernard Malango (África Central),

Bispo Gideon Githiga (Quênia),

Amos Madu (Nigéria),

Josiah Idowu Fearon (Nigéria),

Robert Duncan (EUA),

Robinson Cavalcanti (Brasil),

Michael Nazir-Ali (Inglaterra),

James Stanton (EUA),

Professores Lamin Sanneh (Yale) e John Pobee (Ghana),

Cônegos Vinay Samuel (Índia), Martyn Minns (EUA) e Bill Atwood (EUA),

Dr. Timothy Samuel-Shah (EUA) e Sr. Craig Nauta (EUA).

 


(Tradução: Dom Robinson Cavalcanti)

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