A Intolerância dos Tolerantes
| Israel Belo de Azevedo |
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Será a psicologia uma ciência? A pergunta poderia parecer tosca, não fosse uma recente resolução baixada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Desde o dia 23 de Março, portanto, ficamos todos sabendo pelo Diário Oficial da União, que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. Não adianta discordar porque, como manda a praxe, ficaram revogadas todas as disposições em contrário. Pela mesma instrução, os psicólogos estão terminantemente proibidos de colaborar “com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”, ou de achar publicamente que "os homossexuais são portadores de qualquer desordem psíquica”. Assim, quem é psicólogo que trate de pensar igual ao Conselho Federal, a menos que queira acertar as contas com seus pares-representantes. De igual modo, quem achava que o tema da homossexualidade fosse uma questão aberta e até pretendia estudá-lo, fique certo de que não há mais o que debater. Uma penada o encerrou. Como é da natureza da ciência estar sempre aberta ao debate, especialmente quando o objeto é o ser humano, soa doloroso e anacrônico que a psicologia, enquanto ciência, tenha sido assassinada - logo ela, que tem escolas, correntes e tendências tão fascinantemente múltiplas. O que se quer discutir aqui, pois, não é a natureza - desviante ou não - do homossexualismo, mas a intolerância estampada em nome da tolerância. Por isso, o lamento seria o mesmo se a ordem fosse contrária. Decidisse o CFP que os homossexuais são portadores de desordem psíquica estaria desligando a mesma intolerância. Não tem um homossexual direito de se achar psiquicamente desordenado e bater a porta de um consultório em busca de cura ? A resposta, por decreto (como se ciência fosse feita por decreto), é um duplo “Não”. Os homossexuais que eventualmente queiram mudar não precisam se preocupar: o Conselho não legisla sobre eles, pelo que não poderão ser alcançados. Aos psicólogos que eventualmente queiram ajudá-los, só resta a indigna clandestinidade. Com licença para paráfrase, seu cuidado não pode ousar dizer o nome. Nada haveria a opor seu órgão de classe apenas e contundentemente condenasse, como o faz, aquela ações coercitivas que visam “orientar homossexuais para tratamento não solicitados”. Ninguém deve ser coagido, nem mesmo pela melhor causa, porque é a liberdade que faz uma pessoa tornar-se humana. A grandeza de Galileu Galilei foi precisamente a de resistir às bulas papais de que a terra não se movia. É àquela época que a resolução de agora nos faz retroceder. Não será, porém, um desvio desse que fará a ciência da psicologia resvalar do seu caminho.
Israel Belo de Azevedo é Doutor em Filosofia e pastor da Igreja Batista de Itacuruçá, RJ. OBS.: O artigo foi escrito depois de o CFP (Conselho Federal de Psicologia) proibir os psicólogos de ajudar os que desejam deixar o comportamento homossexual, em fevereiro de 1999. |
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