Uma Comunhão Ameaçada!
| M.L. Jeane Coelho |
| A Igreja Anglicana, presente em 164 países, com mais de 70 milhões de membros, reconhecida como sendo uma parcela reformada do Corpo de Cristo, é uma Igreja histórica e dotada de toda credibilidade. É uma Igreja ímpar tanto pela sua catolicidade como pelo seu protestantismo. Há um legado e uma riqueza que os anglicanos podem e devem assumir ao proclamar a fé cristã. Para que esta Igreja continue a ser uma, os instrumentos de unidade construídos e elaborados foram: O Arcebispo de Cantuária, A Conferência de Lambeth, O Conselho Consultivo Anglicano e a Reunião dos Primazes. É necessário, entretanto, que os mesmos convirjam para uma só direção para que a unidade e o crescimento da Igreja aconteçam. E isto é imprescindível! Bem, exatamente neste ponto é que encontramos um sério impasse pelo qual a Comunhão Anglicana está (ou deveria estar) em alerta máximo: a sua unidade. Desde a sagração do Reverendo Gene Robinson ao episcopado na Igreja Americana, que estes instrumentos têm sido postos em xeque-mate. São eles possíveis de corrigir decisões arbitrárias e contrárias a fé cristã? São suficientes para restaurar os danos causados pelas mesmas? São perguntas que inquietam e que levam a uma reflexão, e onde as respostas assustam pela implicação de suas conseqüências. Esta presente crise do Anglicanismo, pode, e deveria ser, um momento da Igreja seguir o ensino reformado de sempre estar se reformando. De poder avaliar a si mesma e de uma forma propositiva dar soluções que estariam solidificando o cristianismo mundial. Mas, para isso, há de se ter uma postura clara e transparente de obediência ao que for deliberado pelos instrumentos de unidade já existentes e aqueles que poderiam ser criados. Não há como fugir! Tem-se que enfrentar com coragem, discernimento espiritual e dependência na Providência Divina, sob pena de estar sendo entregue ao “espírito do século”, uma Igreja que sempre mostrou o seu ardor missionário e sua fidelidade a Deus. Não se pode ceder aos liberais uma construção de séculos, edificada pelo sangue dos mártires e pela perseverança dos santos que nos confiaram o depósito da fé cristã. Continuemos firmes, pois, “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp.1v6). Outro fato que surpreendeu a todos da Comunhão Anglicana é a deposição do bispo ortodoxo Robinson Cavalcanti pelo primaz liberal do Brasil Dom Orlando Oliveira. E qual o real motivo? A sua não aceitação da conduta anti-bíblica americana sobre o homossexualismo, em especial a sagração de Gene Robinson. O que é mais absurdo nesta conduta é que ela fere os três instrumentos de unidade (o ACC, Lambeth e os Primazes) que são contra a posição americana, e do qual o Bispo Robinson Cavalcanti concorda: a posição bíblica sobre o assunto. Lamentável, ainda, é a não observância do Primaz do Brasil ao pedido do Arcebispo que todos aguardassem o Painel de Referência para uma análise apropriada, sem tomar medidas que dificultassem o processo. Triste desobediência que, com certeza, trouxe lamento a toda Comunhão Anglicana por sua teimosia e arbitrariedade. O que se pode enxergar neste momento de reflexão, e também de ação, é que algumas tomadas de posições precisam ser executadas, tais como: 1. Considerar como heresia o liberalismo Pós-Moderno revisionista que com base no racionalismo bíblico, no universalismo salvífico, no relativismo moral e na sua arrogância intelectual, ferem e diferem totalmente da fé bíblica e apostólica. 2. Repensar como os instrumentos de unidade podem representar mais a colegialidade, e, assim, provê-los de instrumentos de disciplina. Bem, se a Comunhão Anglicana está ameaçada por heresias e pela falta de uma só direção, enfrentemos as questões com seriedade, humildade e fé sabendo que esta peleja é do Senhor Jesus, o Cabeça da Igreja e Autor de nossa salvação. E que possamos meditar no texto de 1 Pedro.5v8-10: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhes firmes na fé, certos que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. Ora, o Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar”. E, como anglicanos, possamos levantar a nossa voz em uníssono dizendo: Enfim, a Obra do Senhor precisa de anglicanos rendidos aos pés de Cristo e que continuem a ser Luz no mundo. No amor de Cristo,
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