| Sermão do 4° Domingo da Páscoa Frei Ivaldo Sales da Silva, ose ( ¬) Atos 14:8-18 Salmo 145:14-21 Apocalipse 21:1-6 João: 13:31-35 PREFAÇÃO: Estamos no quarto domingo de Páscoa. Nossa cor litúrgica é branca. Cinqüenta dias depois que Cristo ressuscitou, aconteceu o Pentecostes. O Espírito Santo que foi enviado da parte do Pai foi derramado em cumprimento a profecia de Joel, no capítulo dois, e Lucas registrou isto em seu livro Atos dos Apóstolos, também no capítulo dois. O Pentecoste foi, sem dúvida alguma, o mais importante acontecimento na história da Igreja, pois foi quando ela de fato nasceu como comunidade cheia de amor e de coragem para testemunhar de sua fé no Filho de Deus, tendo como objetivo principal glorificar a Deus na transformação dos reinos deste mundo sem amor para o Reino do Filho do Seu amor, Jesus Cristo, nosso Salvador, Rei e Senhor. INTRODUÇÃO: Não sei se vocês prestaram atenção nas últimas contas de luz elétrica enviada pela CELPE (Companhia Elétrica de Pernambuco), privatizada durante o governo do Sr. Jarbas Vasconcelos. Nestas últimas contas vieram divulgadas as oito maneiras de mudar o mundo. Na verdade, segundo informativo da Organização TEARFUND, esta é uma convocação da ONU – Organização das Nações Unidas – para que todos os governantes da terra cooperem para alcançar os oitos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, para a construção de um novo mundo. Estes esforços representam o compromisso que os governos devem assumir para combater a pobreza. O primeiro objetivo de desenvolvimento do milênio é reduzir a pobreza e a fome pela metade até 2015. E como diz o informe da Tearfund, todos os próximos seis objetivos concentram-se nas causas e nas conseqüências da pobreza. Os seus alvos são reduzir a mortalidade na infância e melhorar a saúde materna, obter o ensino básico universal, combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças e obter um acesso sustentável à água potável. O objetivo final do milênio é estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Mas, para que isto aconteça, todos devem trabalhar juntos: governos, ONGs, Universidades, Empresas e Igrejas etc. É preciso acreditar que um outro mundo é possível, pois como já disse a canção de Beto Guedes: "vamos precisar de todo mundo". A partir das leituras bíblicas deste domingo, vamos buscar refletir nos seguintes pontos: - O Senhorio de Cristo sobre nossas vontades e paixões, resistindo às tentações de querermos ser adorados tomando o lugar do Deus Criador;
- A graça de amar e guardar os Seus mandamentos, amando uns aos outros, não somente as pessoas, mas toda a criação de Deus, a todo custo;
- E a esperança de novos céus e nova terra redimida e o fim de toda degradação e corrupção, acreditando que um outro mundo é possível com base no projeto original do Deus de amor que também é o Senhor Criador.
Gostaria de dividir com vocês algumas lições que me têm inquietado durante os dias que estive estudando as Sagradas Escrituras, preparando esta homilia – e as lições da Escola Dominical – para a edificação de nossa fé e para fortalecimento de nossa Paróquia, nesta noite: A primeira lição está relacionada com a expansão missionária da Santa Igreja Apostólica, Católica e Una. Trata-se do seu trabalho na evangelização das pessoas que ainda não haviam sido alcançados para Cristo. Logo após o Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu sobre todos e todas que estavam naquela abençoada reunião em Jerusalém, deixando-os cheios do poder espiritual e do amor incondicional, no primeiro século, foi provocada uma perseguição que ia ficando cada vez mais feroz, até que todos foram dispersos começando desde Jerusalém (At 1:6-8), Judéia e Samaria (At 6:8-9,31), e chegando a Antioquia até alcançar os confins da terra (At 9:32 -12:24), atravessando a Ásia Menor (At 12:25 -16:5) até a Europa (At 16:6 -20) especialmente Roma (At 19:21-31). O Diácono Felipe, apaixonado pela missão, destacou-se como o primeiro missionário aos gentios (At 8:5-8). Pedro e João cheios de amor foram missionários em Samaria, arregimentando novos discípulos (At 8:14-15). Nada foi por acaso, toda a obra de expansão missionária foi fruto do comissionamento de Deus e, cuidadosamente planejada com jejum e oração, como fruto do amor e da obediência à convocação de Jesus, que disse: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16:15). Cada palmo de terra, cada pedaço de chão, cada vida preciosa, deveria ser alcançada com as boas notícias a respeito de Cristo. Todos nós somos conclamados a testemunhar de nossa fé, em casa, com a vizinhança, na escola e no trabalho. Ou seja, devemos evangelizar e fazer discípulos em toda a sociedade até aos confins da terra. Este "confins" pode ser compreendido, também, como alguém em situação de rua, confinada nos hospitais ou nos presídios, amigos de escola, de trabalho ou, quem sabe, até mesmo um parente que nunca foi alcançado para Cristo, mas que eu nunca havia percebido que Deus o colocara em meu caminho para que eu mesmo fosse resposta de oração de alguém, ou até mesmo, resposta de minha própria oração para poder amar esta pessoa que pode ser interpretada como "confis da terra". Deus, em seu gracioso amor, chamou Saulo e Barnabé que imediatamente obedeceram a este chamado (At 13:2) "separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado". Quem chama e vocaciona é Deus e, quem envia também; mas, preste bastante atenção, a Igreja deve participar no sustento de seus missionários, orando por eles e por sua família, contribuindo para o seu sustento e apoiando em suas diversas necessidades. A partir deste chamado, deu-se início às viagens missionárias de Saulo, quer em companhia de Barnabé e João Marcos, quer em companhia de Silas. A primeira viagem missionária foi direcionada a Ásia Menor. Eles saíram de Antioquia da Síria e desceram para Selêucia, de navio foram para Salamina, em Chipre (At 13:1-4), depois de pregarem a palavra de Deus aos judeus, numa sinagoga, foram para Pafos. Michael Greeen, historiador Anglicano, comentou que "O dunamis dos cristãos impressionou tremendamente mágicos como Simão ou Elimas". O episódio de Elimas, um bruxo que tentava impedir a conversão do Procônsul que Paulo e Barnabé tentavam evangelizar é tremendo, me faz lembrar a experiência do Frade Dominicano Jerônimo Savonarola, martirizado em 23 de maio de 1498, narrado pelo historiador Samuel Vila. Jerônimo Savonarola certamente foi um dos mais importantes pregadores da Igreja de Cristo, no período da pré-reforma. Quando pressionado a calar-se por Lorenzo de Médice, o Rei de Nápoles, que lhe havia antes enviado uma grande quantia em dinheiro para comprar Savonarola, desviando-o do seu chamado. Porque este homem de Deus sofria muitas perseguições tanto pelo Papa quanto pelo Rei. Até que um dia, tomado de um amor fervoroso, em seu púlpito, dirigiu-se ao Rei e ao Papa, num tremendo discurso profético, dizendo que ambos morreriam em pouco tempo, em seus pecados. E na verdade, em pouco tempo o Magnífico se encontrava muito doente, antes de sua morte, chamou um sacerdote para receber a absolvição por seus pecados, mas sua alma seguia conturbada. Lembrando da sinceridade de Savonarola pensou que sua absolvição valeria mais do que a do sacerdote que lhe havia absolvido e mandou chamá-lo. Mas Savonarola exigiu três condições: Primeiro, que o Magnífico tivesse fé unicamente na misericórdia de Deus em Cristo. Ele concordou. Segundo, que o Magnífico devolvesse o dinheiro mal adquirido e que seus filhos também fizessem o mesmo. Lorenzo não esperava tão dura condição, mas prometeu cumpri-la. E em terceiro, Savonarola exigiu que Lorenzo proclamasse a liberdade do povo de Florença. O Rei ao ouvir isto, volveu sua espada, sem dar resposta alguma, morrendo em seu tormento. Três meses depois, morria também o Papa Inocêncio VIII conforme predição do Frei Savonarola, e a democracia foi, então, estabelecida em Florença de conformidade com a lei moral cristã, que consistia: pregar o temor de Deus e a reforma dos maus costumes; garantir o bem público preferencialmente acima de qualquer interesse particular; perdoar todos os inconformados com o governo anterior; e assegurar que todo o povo tivesse o direito de escolher seus magistrados e formar suas próprias leis. Tudo isto aconteceu como Savonarola havia desejado. Porque o poder do amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo é capaz de transformar gerações. Assim, Paulo também exerceu este mesmo poder para demonstrar o tremendo amor de Deus ao Procônsul que deveria arrepender-se de seus pecados e converte-se ao Deus vivo. E então, diante de Elimas, Paulo profetiza: "Saulo, também chamado Paulo, imbuído do Espírito Santo, fitando-o fixamente, disse-lhe: tu, que estais cheios de fraude e embuste, filho do diabo e inimigo de tudo o que é justo, quando deixarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois, neste momento, a mão do Senhor pesa sobre ti; ficarás cego e, durante algum tempo, não mais enxergarás o sol. No mesmo instante ele mergulhou em total escuridão e, andando às cegas, procurava quem o conduzisse pela mão. Vendo o que sucedera, o procônsul abraçou a fé, profundamente impressionado pela doutrina do Senhor". Em seguida, de Pafos, em Chipre, eles vão a Perge, que fica na região da Panfília, mas João Marcos desiste e retorna para Jerusalém (At 13:13). Depois foram para a cidade de Antioquia da Psídia, onde Saulo prega um sermão tão eloqüente que até causara inveja a alguns judeus, por causa do seu cuidado e preocupação com o conteúdo apologético de seus sermões: Paulo fazia questão de anunciar Jesus Cristo como o Filho de Deus, e com isso, os gentios iam se convertendo a Cristo, deixando de adorar ídolos mudos, voltando-se unicamente ao Deus vivo (At 13:16-41). Depois eles foram para Icônio, lá também pregaram a Palavra da cruz numa sinagoga judaica, e, mais uma vez, pregaram com tanta eloqüência e autoridade que grande multidão veio a crer no que eles anunciavam; lá outra vez sofreram novas perseguições. Mais tarde seguiram para Listra, onde ficava o templo de Zeus Própolis e o culto conjunto a Zeus e Hermes. Nesta cidade Saulo cura um paralítico de nascença, e pelos habitantes de lá eles foram chamados de deuses (At 14:11-13). Mas eles recusam serem tratados como tais e rejeitaram qualquer tipo de adoração afirmando que eram humanos, sujeitos às mesmas fraquezas que qualquer outro ser humano. O povo queria oferecer-lhes sacrifícios. Michael Green comenta que: "Paulo e Barnabé tentaram desviar as honras de si mesmos – o que foi difícil, porque a lenda dizia que Zeus e Hermes tinham feito certa vez uma visita aos camponeses desta área – e aproveitaram para sublinhar a tolice que é a idolatria". Enquanto resistiam, um grupo de judeus veio de Antioquia, perseguindo-os, dispostos a matá-los. Paulo sofreu violência física, ficou gravemente machucado, quase fora morto pelo linchamento da turba de judeus (At 14:19). Esta postura amorosa e corajosa dos apóstolos nos leva a pensar no Salmo 145:11,12 e 18 que diz: "Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a gloria da majestade do teu reino... Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade". Mas, qual a razão deste choque cultural? É por que a verdadeira mensagem do evangelho entra em conflito com a presente ordem de coisas? O mundo se recusa a ouvir o evangelho porque suas obras são obscuras. Os verdadeiros discípulos estão sempre em crise com as idéias do paganismo que ainda estão muito presentes em nossa cultura. Recusamos ser objeto de culto e de adoração. Somente a Deus devemos adorar, não adoramos aos nossos filhos, nem a nossa esposa, nem aos artistas do cinema ou da televisão, nem aos nossos pastores ou objetos (carro, moto, roupas, dinheiro etc.), adoramos a Deus e somente a Ele prestamos culto, como no Salmo 115. A idéia do mundo pós-moderno é sermos, cada vez mais, autônomos de Deus; cada vez mais importantes aos olhos do mundo. Como no Éden, a proposta de Satanás aos primeiros pais foi: "se vocês comerem do fruto desta árvore, os olhos de vocês se abrirão e vocês se tornarão iguais a Deus". Isto é astúcia e mentira! Mais tarde, em Derbe, Paulo se recupera dos ferimentos juntamente com Barnabé, pregam a Palavra e fazem ali muitos discípulos também. Em seguida, voltam fortalecidos para Antioquia da Psídia, pelas mesmas cidades onde iniciaram a primeira viagem missionária, organizando Igrejas e ordenando presbíteros (At. 14:23). De Perge foram para a Atália, pregam o Evangelho, navegam para Antioquia, o ponto inicial da viagem. Quando chegam lá eles fazem um relatório de tudo o que aconteceu nesta primeira viagem. Com esta experiência missionária, as portas para o Evangelho de Cristo foram abertas em toda Ásia Menor. Mais tarde, eles fariam mais duas viagens missionárias com o apoio das Igrejas. E tudo o que estes homens de Deus fizeram, alguns em companhia de suas esposas, foi submeterem-se ao Senhorio de Cristo em amor a todo custo. Portanto, nada fizeram de vontade própria, foram chamados, vocacionados e escolhidos por Deus. Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, nós fomos alcançados com o evangelho da graça de Deus porque homens e mulheres como Paulo, João, Pedro, Thomas Cranmer, John Wycliff, George Whitfield, John Huss e tantos outros se colocaram sob o senhorio de Cristo, não pensaram em si mesmos, nem amaram suas próprias vidas. Antes se deram por amor a Cristo, em obediência aos seus mandamentos, indo ao mundo todo para anunciar o Evangelho das Boas Novas até as últimas conseqüências, eles não estavam brincando, mas fizeram isto a todo custo. A segunda lição está relacionada com a última ceia celebrada por Jesus Cristo ainda no cenáculo. Este cenário foi magnificamente representado pelo belíssimo quadro do grande artista Leonardo da Vinci, que morreu no ano em que nasceu e reformador de Genebra, João Calvino. Após ter ceado, Jesus, o nosso modelo de amor, se levanta, retira as vestimentas de cima, toma nas mãos uma toalha, cingido por ela, abaixa-se diante dos seus discípulos, a fim de lavar-lhes os pés. Em seguida, retoma ao seu lugar, e angustia-se em espírito, faz uma declaração profundamente dolorosa dizendo: "um de vós me trairá" (Jo. 13:21). Todos tomam um tremendo susto, se perguntando, quem fará coisa tão horrível? Não sei quantos aqui já sofreram com algum tipo de traição. Este é um sentimento que machuca muito. Outro dia ouvi um pastor muito querido abrindo para mim o seu coração muito ferido, ele falou de como sua esposa o abandonara, ela já vinha traindo-o algum tempo, e ele sabia, mas cria que poderia contornar esta situação sem a ajuda de ninguém, até que não foi mais possível conviver com isso. Ela o abandona com uma filhinha ainda muito pequena. É muito triste ver pessoas sofrendo a dor de uma traição. Aquilo tudo doía muito nele. Mas olhem, meus irmãos e minhas irmãs, Cristo ainda hoje sofre com nossas constantes traições, com o nosso adultério espiritual, conforme discorrido tão clara e objetivamente pelo Dr. Francis Schaeffer, em seu livrinho "Adultério e Apostasia: O tema da Noiva e do Noivo". E o nosso adultério não é muito diferente do tipo de adultério da mulher do profeta Oséias. Ela o traiu, tendo filhos de sua prostituição, cuja mensagem profética revela o nosso comportamento adúltero diante do Deus santo que nos amou incondicionalmente a todo custo. E depois que o traidor é identificado, este sai para fazer o que tinha se proposto, vender seu amigo Jesus, por 30 moedas de prata dando-lhe um beijo. Este era o preço de um escravo comprado no mercado sujo de Jerusalém. Quando Judas se retira, Jesus diz: "Agora, foi glorificado o Filho do homem, e Deus foi glorificado nele; se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á imediatamente". A glorificação de Deus na morte do Filho e a glorificação do Filho na vitória sobre a morte para o resgate de seus filhos em sua segunda vinda é o propósito de ter Cristo vindo ao mundo, não por mérito nosso, mas para glorificar a Deus salvando aqueles que Deus havia predestinado para a salvação. Cristo veio para restaurar, não somente as pessoas, mas toda a criação. Não todas as pessoas, mas os eleitos para a salvação juntamente com a criação que estava presa no cativeiro por causa da queda desde o Éden. Mas é muito interessante quando aparece no v.33 a expressão "filhinhos", que mais tarde passou a ser usada comumente por João em suas epístolas. Certamente João tinha aprendido com Jesus a utilizar esta expressão com cada um de seus filhos que ele gerou durante sua caminhada apostólica. Jesus não tinha por hábito usar tal expressão, mas o momento pedia isto, um gesto tão carinhoso de conforto para o que estava prestes a acontecer naquelas últimas horas de agonia, e foi quando Ele afirmou: "para onde eu vou, vós não podeis ir" (João 13:33). Esta é uma afirmação totalmente escatológica. Observe, no verso 36, onde Ele procura ser bem mais enfático: "Para onde eu vou, não me podes seguir agora; mais tarde, porém, me seguirás". É também uma referência ao Apocalipse, especialmente nas cartas às sete Igrejas que estavam vivendo sob muita pressão, tanto por parte do império romano quanto por parte dos judeus que haviam expulsado os discípulos de Cristo de suas sinagogas. Logo em seguida, Cristo faz outra afirmação profundamente dolorosa, desta vez ao amigo Pedro: "Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que jamais cantará o galo antes que me negues três vezes", está no verso 38 deste capítulo. E não é somente ser traído que machuca, mas negar também, "esconder a aliança" (porque temos um pacto da nova aliança em Cristo), esta é uma outra forma dolorosa de negar publicamente que já somos comprometidos com alguém que nos amou a todo custo. E entre o novo mandamento que Cristo ordena aos seus discípulos, há dois episódios bastante dolorosos para Ele, um amigo que o trai (Judas Iscariotes) e outro que o nega (Simão Pedro: "eu nem conheço este homem", jurou). E no julgamento, todos o abandonam diante de Pilatos, fogem para não serem presos e nem mortos também com Ele, no Gólgota. Negligenciaram o amor em João 13:35 e Paulo, mais tarde, vai exigir que o amor seja sem hipocrisia (Rm 12:9), que o amor tudo suporte e não procure seus próprios interesses (I Co 13). Mas, cinqüenta dias após a ressurreição de Jesus, acontece o tão esperado Pentecostes. O nascimento da Igreja Cristã é marcado por muita alegria e fortalecimento dos cristãos que estavam em Jerusalém, e que, em seguida, estariam vivendo também sob muita pressão e seriam dispersos por toda parte, até mesmo na Ásia sofreriam terríveis perseguições, como já vimos anteriormente. Nero, filho de Agripina e de Cláudio, depois que sobe ao trono, no ano 55, ordenou o assassinato de seu irmão Britânico, e, no ano 60, o assassinato de sua própria mãe. Nero ordena também o extermínio de todos os cristãos do seu império, foi o responsável pelo incêndio de Roma, e colocou a culpa nos cristãos, mandando executar o apóstolo Paulo para destruir, de uma vez por todas, a expansão missionária da Igreja. Mas esta atitude foi inútil, pois Cristo disse que as portas do inferno não poderiam deter a expansão da sua Igreja. Mais tarde, Nero é sucedido por um outro imperador, não menos perverso do que ele, chamado Domiciano, filho de Vespasiano e Flávia Domitila. E é este imperador que nos vem colocar em situação com a Ilha de Patmos, onde o apóstolo do amor, João, fora exilado. O pastor Guilherme Kerr, de Vencedores por Cristo, nos informa em seu livrinho: "Tudo sob Controle", o seguinte: "Por este tempo, já havia se estabelecido em todo o império romano o culto ao imperador, que era considerado por si mesmo, e assim o exigia dos seus súditos, o título de 'Senhor e Deus'. Alguns crêem, erroneamente, que Roma era extremamente rígida em matéria de religião. A evidência histórica aponta para a direção oposta: Roma era bastante tolerante. Na realidade, toda vez que uma nação nova era conquistada, como demonstração de boa vontade e boa vizinhança, os romanos conquistadores traziam para a capital do império, Roma, os deuses (ídolos de pedra ou madeira) das nações conquistadas, e, imediatamente, um templo era erigido em honras àqueles deuses". Domiciniano desejava ser adorado como um deus, ao contrário de Paulo e Barnabé em Listra. Ele mesmo se dizia ser deus, o senhor todo-poderoso. Os cristãos podiam adorar a Deus, isto não era proibido por Roma, entretanto, deveriam adorar também a César como senhor e deus. Mas aqui estava a grande diferença entre os cristãos e todos os demais: na afirmação de que Cristo é Senhor, recusavam curvar-se diante de qualquer outra criatura, e isto atraía sobre eles uma perseguição muito violenta. Michael Green em seu livro: "Evangelização na Igreja Primitiva" trás importantes contribuições para que possamos compreender com mais detalhes as razões porque estes primeiros cristãos eram tão perseguidos durante este período. Recomendo a todos e a todas que leiam este precioso livro. Como disse, foi durante a perseguição aos cristãos movida por Domiciano que João fora exilado numa Ilha turca, onde Roma enviava seus mais temidos prisioneiros. Patmos tinha uma formação rochosa com pouca vegetação, isolada do continente, era um lugar bem escolhido para banir os considerados inimigos do império romano ou do imperador. Foi nesta Ilha, que os céus se abriram para João e ele registrou as últimas coisas reveladas por Deus para encorajamento e fortalecimento de sua fé, na esperança de ver a glória de Deus se revelando ao mundo. João dirigiu este livro profético às sete Igrejas da Ásia: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. E no texto selecionado em nosso LOC (Livro de Oração Comum), João tem a visão do novo céu e da nova terra. A doutrina da nova terra tem sido muito mal compreendida por muitos cristãos de diversas correntes denominacionais. Principalmente pela forte influência dos liberais que defendiam o universalismo, e dos fundamentalistas que defendiam o aniquilismo. Esta última, bastante influenciada pelas Testemunhas de Jeová e pelos Adventistas do Sétimo Dia. Alguns universalistas afirmam que as pessoas que tenham vivido vidas más poderão ser punidas por algum tempo após a morte, mas todos os universalistas concordam que inferno e punição eterna são incoerentes com o conceito de um Deus amoroso e poderoso. Afirmam que todos serão salvos, o que inclui Mussolini, Hitler, Idi Amim, todos sem nenhuma exceção, numa espécie de purgatório ou de doutrina espírita da reencarnação. As Testemunhas de Jeová, por sua vez, ensinam que o aniquilamento é a punição dos ímpios, de Satanás e dos demônios. Os Adventistas do Sétimo Dia, afirmam que haverá um período de sofrimento punitivo anterior ao aniquilamento de Satanás e desses grupos, cuja duração dependerá do montante de culpa envolvido. Mas, o que ambos os grupos têm em comum, é a negação da doutrina da punição eterna reafirmada pelos reformadores, afirmando que depois da morte segue-se o juízo (Hebreus 9:27). Portanto, não haverá impunidade diante do Supremo Tribunal. Por isto, o Dr. Anthony Hoekema afirma que a doutrina da nova terra conforme ensinada pelas Escrituras é uma doutrina muito importante. Porque para a maioria de nós, a partir de certos hinos e cânticos, temos a impressão de que os crentes glorificados passarão a eternidade em algum céu etéreo, em algum lugar no espaço, bem longe da terra. Como argumenta Anthony Hoekema: "'Será que deveremos passar a eternidade em algum lugar no espaço, trajando vestes brancas, tocando harpas, cantando hinos e pulando de nuvem em nuvem?' De maneira nenhuma. Uma vez que Deus fará da nova terra seu lugar de habitação, e uma vez que o céu é onde Deus habita, estaremos então continuando no céu enquanto estivermos na nova terra. Pois os céus e a terra não mais serão separados como o são agora, mas serão um". Por isso que João utiliza uma expressão simbólica como "o mar já não existe", ou seja, o que separa o céu da terra. A obra de Cristo é restaurar toda a criação de Deus que foi afetada pela queda em Gênesis 3, e não destruí-la, aniquilando-a de uma vez por todas. E para Hoekema, a expressão "céus e terra" deve ser entendida como um modo bíblico de designar o universo inteiro, porque, citando outro comentarista: "Céus e terra conjuntamente constituem o cosmos". Mas, então, vem a questão: o universo atual será totalmente aniquilado, de forma que o novo universo será completamente outro do que o cosmos atual, ou será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado? Hoekema nos dá quatro pistas para interpretarmos a posição amilenista defendida pelos teólogos reformados: - Tanto em II Pedro 3:13 como Apocalipse 21:1 o termo grego utilizado nestas passagens, não é neos, para designar o novo – como no termo neos-pentecostais, neos-ortodoxos, mas kainos. Dr. Hoekema nos esclarece que a palavra neos significa novo em tempo ou origem, enquanto que a palavra kainos significa novo em natureza ou em qualidade, esta é a expressão grega de "ouranon kainon kai gen kainen" ("vi novo céu e nova terra"). Significa, portanto, não a emergência de um cosmos totalmente outro, diferente do atual, mas a criação de um universo que, embora tenha sido gloriosamente renovado, está em continuidade com o universo presente. Com base nisto, posso afirmar que um novo ( kainós) mundo é possível.
- Em Romanos 8: 20, 21, quando Paulo fala que "a criação aguarda, com ansiedade, pela revelação dos filhos de Deus a fim de que possa ser liberta do cativeiro da corrupção", ele está dizendo que é a criação atual quem será libertada da corrupção no eschaton, não uma criação totalmente diferente. Segundo o argumento de Francis Schaeffer em seu livro "Poluição e a Morte do Homem": "O que Paulo está dizendo é que quando nossos corpos – corpos humanos – forem levantados dentre os mortos, então a natureza também será redimida. O sangue do Cordeiro remirá o homem e a natureza juntamente, como aconteceu no Egito durante a páscoa, em que o sangue colocado sobre os umbrais das portas salvava tanto os filhos dos hebreus como seus animais".
- E na analogia entre a nova terra e os corpos ressurretos dos crentes. Somos nós que seremos ressuscitados, e somos nós que estaremos para sempre com o Senhor. Aqueles ressuscitados com Cristo não serão um conjunto totalmente novo de seres humanos, mas, sim, o povo de Deus que viveu nesta terra. Em Rm 8:23 Paulo ensina que este nosso corpo será redimido; não será outro corpo, mas este mesmo. No Monte da Transfiguração, Moisés e Elias foram reconhecidos, não eram fantasmas, mas, sim, duas pessoas históricas ao lado de Cristo, num momento histórico, os discípulos os reconheceram e se admiraram do que viram. Os saduceus descriam da ressurreição, tanto da alma, como do corpo. Cristo contestou veementemente. Em Romanos 8:11, Paulo afirma que Deus ressuscitou a Cristo e também ressuscitará nossos corpos mortais, isto corrobora com Filipenses 3:21. Pois o mesmo corpo de Cristo, ferido e machucado, foi reconhecido tanto pelos discípulos quanto por uma multidão, depois que Ele ressuscitou. Não era outro corpo, mas o mesmo que ainda não havia sido assunto aos céus. Portanto, a título de analogia, seria de se esperar que a nova terra não seja totalmente diferente da terra atual, mas seja a terra presente maravilhosamente renovada.
- E se Deus tivesse de aniquilar o presente cosmos, Satanás teria alcançado o seu propósito, conquistado uma grande vitória contra os propósitos de Deus. Pois, então, Satanás teria tido sucesso em corromper tão devastadoramente o cosmos presente e a terra atual que Deus não poderia fazer mais nada com isso, a não ser aceitar que não teve poder suficiente para vencer Satanás e uma vez derrotado extinguir totalmente da existência toda a obra de Sua criação. Mas Deus revelará a plenitude das dimensões dessa derrota ao renovar exatamente a mesma terra na qual Satanás enganou a humanidade, banindo, finalmente, dessa terra, os resultados das maquinações diabólicas de Satanás.
Por isso, Jesus vem nos animar, ordenando para nos amarmos mutuamente; para sermos uma comunidade que viva sob o signo do seu amor. Amar não somente as pessoas, mas a terra, o cosmos, os animais, enfim, toda a criação de Deus. Este é o sinal que seguirão os cristãos até a consumação dos tempos. Vocês só poderão ser reconhecidos como meus discípulos, disse Jesus, se tiverem este tipo de amor. E este mandamento não é uma opção, é mesmo para ser obedecido. Esta é a única maneira de identificação entre nós e Jesus. Está no versículo 34, e 35: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (João 13:35). O Dr. Schaeffer nos lembra em seu livrinho: "O Sinal do Cristão" que existe um "padrão de qualidade", aqui neste mandamento: "como eu vos amei". Schaeffer nos propõe para pensar na qualidade e na intensidade do amor de Jesus para conosco, conforme João 3:16. Ele foi à cruz, Ele nos levou tão a sério e levou tão à sério também o seu propósito de glorificar a Deus ao morrer numa cruz por mim e por você, que só podemos concluir que isto é amor, como diz a canção: "se isto não for amor, o céu não é real, tudo perde o valor...". Ele não estava brincando quando disse: "para onde eu vou não podes seguir-me agora". Ele estava falando que nos amava tão profundamente que abriria mão de sua própria vida, deixando-se matar. Ele estava apaixonado por mim e por você. Seu martírio foi a maior prova deste amor por nós. Ele não sentiu vergonha de você, "tiraram-lhe as vestes", expuseram a sua nudez no madeiro, no monte, onde todos o viram humilhado, desfigurado, machucado até a morte. E isto não era brincadeira, Cristo nos amou a todo custo, e I João 3:16 também nos exorta que amemos uns aos outros a todo custo, que vivamos sob o signo deste amor. - Quando aceitei a Cristo, no Colégio Evangélico Agnes Erskine na primavera de 1977, entendi que deveria amar a Deus a todo custo, e Ele me ensinou que também deveria amar ao meu próximo também a todo custo. Algumas moças riram de mim, quando fui alcançado por Jesus, e num sermão evangelístico pregado pelo saudoso Rev. João Campos de Oliveira, na Igreja Presbiteriana que ficava na Rua do Espinheiro, nas Graças, fui à frente pedindo que Jesus perdoasse os meus pecados e me aceitasse no seu Reino e que também me deixasse servi-Lo a todo o custo.
- Quando ouvi o chamado de Deus para a minha vida no inverno de 1980, após ter passado por um discipulado com o pastor da Igreja, Rev. Élber Magalhães Lenz Cezar, missionário em Angola, entendi o que significava "vocação", e obedeci ao seu chamado a todo custo: abri mão de tudo, mesmo contrariando alguns familiares importantes para mim.
- Quando fiz a minha pública profissão de fé e batismo na congregação da Igreja Presbiteriana da Boa Vista, no bairro pobre de Nova descoberta, com o Rev. Henrique de Lima Guedes, porque ainda não havia sido batizado na infância, o fiz publicamente diante de toda comunidade a todo custo, e perdi amigos queridos, outros amigos me deram às costas;
- Quando entrei para o Seminário em obediência a Cristo em 1986, o fiz a todo custo. Depois fui para o campo missionário a todo custo e trabalhei em várias organizações missionárias como a Missão A Voz dos Mártires (Brado da Hora Final), Centro de Literatura Cristã e outras: preguei, evangelizei, discipulei, ensinei, visitei e contribui como mantenedor (companheiro de oração e com dinheiro) a três ou quatro instituições missionárias com base no amor de Cristo.
- E quando me decidi pela Comunhão Anglicana em 2000, mesmo conhecendo a luta de Dom Robinson por um Projeto de Missão Integral, a minha decisão não foi romântica ou irrefletida, fiz a todo custo. Abri mão de pelo menos minha Ordenação e um bom salário na Igreja Presbiteriana do Brasil. Não estou aqui nesta Paróquia porque recebo algum tipo de pagamento, algum benefício material. Trabalho numa ONG com pessoas que vivem com o vírus causador da Aids (o HIV), e estamos sem salário há pelos menos seis meses (porque dependemos de aprovação de projetos pelas organizações de cooperação nacional ou internacional, e, no momento, não temos nenhuma parceria que possa garantir nosso salário agora), trabalho também como Capelão voluntário do Hospital Correia Picanço, na presidência do CVC Pró-Vida (Centro de Vivência Cristã – Pró-Vida, de nossa Diocese), também sou vice-presidente do Instituto Manguemar (uma ONG que trabalha pela preservação do meio ambiente), além de atuar em outras organizações como voluntário.
Eu e Giselda, minha querida esposa, estamos vivendo somente de oração e fé, não porque estamos vivendo a síndrome de quanto pior melhor, ou para ouvir das outras pessoas algum tipo de elogio, ou para demonstrar algum tipo de autocomiseração, mas, porque entendemos que Cristo nos amou a todo custo. Pois como disse o autor das crônicas de Nárnia, o Anglicano C. S. Lewis, em seu livro: "O grande Abismo": "Só existem duas espécies de pessoas no final: as que dizem a Deus: 'seja feita a tua vontade' e aquelas a quem Deus diz 'seja feita a tua vontade'", e o mínimo que podemos fazer em reconhecimento daquele que nos amou e suportou a ignomínia até a morte, e morte de cruz por nós, é nos colocar inteiramente sob a vontade de nosso Deus, pois Ele é fiel. Estamos apenas tentando obedecer ao ensino de I João 3:16. Embora estejamos fazendo apenas àquilo que é o nosso dever, o que ainda assim nos torna inúteis, isto é somente o ordinário, o que todos nós devemos fazer; mas, o que realmente precisamos fazer, é o extraordinário, aquilo que ninguém quer fazer e o que Jesus disse para fazermos "maiores obras do que estas" (Jo. 14:12). O escritor Os Guinness, em seu livro: "O Chamado" comenta: "Para muitos crentes, a vida cristã é hoje a boa vida: as coisas simplesmente vão melhorar com Jesus, mesmo que não exista Deus ou Ressurreição. O resultado é uma série de adaptações da fé cristã para o homem moderno que na verdade são derrotas como poucas em dois mil anos". E não é isto que queremos para as nossas vidas: "adaptações". Schaeffer estava certo, existe um padrão de qualidade, sim, e o nosso modelo de amor é Jesus "assim como eu vos amei", vivamos, pois, sob o signo deste amor. Schaeffer também comentando João 13:35, afirma que a Igreja deve ser uma Igreja de amor perante uma cultura agonizante como a nossa. Eu não tenho outra explicação para o que está acontecendo, pelo menos na Comunhão Anglicana, na IEAB e em nossa Diocese e Paróquias a não ser isto: "falta de amor" conforme este versículo de João 13:15. Neste versículo Jesus concede uma prerrogativa ao mundo, por meio da imprensa, da mídia ou de sua observação pessoal, disse Schaeffer: "Através de sua autoridade Jesus dá ao mundo o direito de julgar nossa Igreja, com base no amor do seu mandamento, se somos ou não verdadeiros cristãos, nascidos de novo". Schaefer também sugere que se alguém se dirigir a nós e nos lançar no rosto que não somos cristãos com base neste tipo de amor, devemos entender que este alguém está somente exercendo um privilégio concedido por Jesus em João 13:35. Não devemos nos irritar com isso. Mas isto deve nos constranger, devemos ir para casa, ajoelhar, orar e perguntar a Deus se o que nos foi dito representa a verdade. Pensemos naqueles irmãos e irmãs que nos deixaram por alguma razão, evidente ou não. Não temos que concordar com o pecado de ninguém, mas a nossa falta de amor (e a deles também) é maior do que qualquer outro tipo de pecado que tenhamos cometido. E é por esta razão que nossa Igreja está em baixa. Nós não estamos amando ao preço de evangelizar alguém. Em nossa Paróquia Anglicana do Semeador, várias pessoas já não estão mais conosco, nos deixaram, com exceção dos que partiram para estar com Cristo o que é incomparavelmente melhor, e dos que mudaram de endereço para outro município. Mas outros nos deixaram para congregar numa outra Igreja, e alguns não foram para Igreja nenhuma. Precisamente por causa da dureza de nossas corações (e deles também), incapazes do perdão (na matemática de Jesus: 70 x 7), e porque não quiseram submeter-se ao Senhorio de Cristo, não seguindo o exemplo dos primeiros cristãos descritos em Atos dos Apóstolos. Parafraseando o Bispo Anglicano Festo Kivengere: "quando Jesus Cristo for de fato o Senhor de nossas vidas receberemos a nossa verdadeira identidade de filhos de Abraão". A terceira lição está descrita num belíssimo poema do Salmo 145, que nos dá muita vontade de cantá-lo, pois nele o salmista encerra a procissão gloriosa inaugurada em Cristo, na entrada do reinado eterno do Deus que fez o céu e a terra: "o teu reino é o de todo os séculos, e o teu domínio subsiste para todas as gerações". Isto nos faz lembrar a oração dominical: "porque teu é o poder, teu é o reino e tua é a gloria para sempre". Esta doxologia nos trás à consciência a Majestade do nosso Deus, de que somos apenas servos e servas dEle, comprados pelo precioso sangue vertido por nós na cruz para nos dar a liberdade e amar a todo custo, ou para deixá-lO, relativisando os seus mandamentos. Mas, se vivermos sob o signo deste amor, poderemos acreditar e também cooperar para a construção de uma nova terra e um novo céu, isto é, com base unicamente no Seu ilimitado amor, cooperaremos na transformação deste mundo num mundo de paz e de justiça sem fim. Finalmente, é diante de tudo o que foi afirmado aqui e agora, que louvaremos ao Senhor com nossas crianças, cantando o Salmo 92:12,13,14. E reafirmemos em seguida, a nossa confissão de fé no Credo Apostólico. __________________ ¬ Frei Ivaldo Sales da Silva é membro da Diocese do Recife, da Ordem de Santo Estevão – ose, e Postulante ao Ministério Ordenado; é da Equipe Pastoral da Paróquia Anglicana do Semeador, no Arcediagado Norte; é Presidente do CVC – Centro de Vivência Cristã / Pró-Vida, no bairro Nova Descoberta, em Recife-PE; Capelão da ONG ASAS – Associação de Ação Solidária, onde realiza um trabalho de Assistência Social, Capelania e Psicologia nos hospitais, nos domicílios e na sede da ASAS, para portadores de HIV/AIDS, gratuita e sigilosamente, priorizando a população carente do Recife e região metropolitana.
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