| Sem. Carlos Evangelista ( ¬) O teor quase herético da releitura da premissa Paulina (1 Ts 5.21), feita por muitos dos convertidos que conheço, tem me causado uma nova preocupação quanto aos caminhos do Anglicanismo em nossa Região: Até onde o pseudo-liberalismo, nas cores que se apresenta, tem se tornado e vai continuar crescendo como uma Ditadura do contra? E até quando veremos com passividade o desandar na aceitação dentre os membros Confirmados, da nossa Historicidade Anglicana? Há meses atrás ouvi um irmão anglicano, Confirmado com todo o rito sacramental após a imposição das mãos do nosso Bispo Diocesano, me afirmar que a nossa Liturgia "afasta os membros da igreja", e que "onde Deus estiver ele vai estar lá", aludindo que alguns movimentos Panpentecostais, seriam o caminho mais eficaz, quiçá o único válido para a comunhão plena com o Criador, visto que não havendo ritos não haverá obstáculo, e que, a espontaneidade e o louvor (histéricos), são evidências inequívocas da presença do Espírito Santo. O curioso de tudo é que o status de anglicano a todos apraz, mas a eclesiologia de nossa Igreja não; todavia, isso tem sido não uma exceção, mas algo freqüente dentro da membresia, que apostatando de nossa doutrina no que diz respeito a cultos de louvor e adoração, para "reter" aquilo que eles consideram bom, visto que é próspero, e onde nada daquilo que é histórico concorda com os fiéis cheios de fogo, profecias e glossolalias. Portanto, o que vemos é que "julgando" todas as coisas, este convertido vem retendo aquilo que "a ele" é bom no momento, àquilo que lhe faz bem e muito melhor a seu ego, inflado e brilhante desde os púlpitos até os play-backs de louvores; desde os momentos de oração em êxtase até os eventos evangelísticos. Logo, aquilo que se expressa com símbolos, ritos e cerimônias, que com reverência e humildade busca adorar ao Deus Pai de Toda a Criação (colocando em primeira ênfase a participação do fiel e em segundo aspecto, o homem no seu lugar devido de adorador e não de centro das atenções), não valida a titulação de crente ao convertido. Então, eu, que por amor a Deus e a Liturgia, que me identifiquei com o Anglicanismo em toda sua maturidade e inclusividade, passarei a ser visto como um meio crente, católico, romano, sem unção; qualquer coisa, menos um evangélico. Qualquer hora dessas vou ser disciplinado pelos irmãos por respeitar os Cânones. Imagino, então, Paulo o apóstolo necessitando de um "up great" do Consolador por admoestar sobre a necessidade de línguas estranhas (I Cor 14.19); Lutero sendo "repreendido e amarrado" ao falar em catecismo e Credo. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo só se fala em Batismos; e, então, eu sou crente ou não? É a chamada Esquizofrenia Eclesiástica a que Dom Robinson se refere. Somos Católicos Apostólicos, somos parcela provisória e reformada da Igreja de Cristo. Sabemos disso, mas o receio de desaprovação e a imitação insistente das Igrejas que estão na mídia, fazem o laicato esquecer e desejar então mixigenar em nossa doutrina àquilo que não é doutrina ou que não é a nossa, até o samba do crioulo doido anglicano tocar. O contraponto dessa exegese feita à luz das aspirações ou frustrações, enfim, da vaidade de alguns, planta no solo fértil das necessidades humanas, tão básicas e tão distantes em nosso país de desigualdades latentes; que qualquer vento de corrente de prosperidade e de suposto fogo do Espírito, leva a turba a volver-se para a histeria e para as profetadas corriqueiras. Retendo, como dizem, o que é bom, estes irmãos estão como que abraçando o sol nordestino em suas praias, mas esquecendo que aqui também há seca e mandacaru, que há espinhos e fome. E não dá para repreender isso, sem Atuação Cristã Verdadeira. Deus permita que com as próximas Confirmações em nossas Paróquias, com o trabalho de conscientização de nossa membresia, o Clero consiga demonstrar toda a beleza e o sentido real e sublime da Liturgia nas dimensões essenciais do culto, desenvolvida sob a autoridade das Escrituras, e balizada no LOC como norma, exaltando a Cristo sob a presença do Espírito Santo. Que se faça entender o privilégio do Episcopado Histórico e a importância do Quadrilátero de Lambeth no conteúdo doutrinário do Anglicanismo. Tomara que não corramos o risco de deixarmos de ser o que somos, para optar por não querer saber onde estamos; a ponto de a vênia, o genuflexo e o Kyrie sejam somente aplicados quando o Bispo estiver por perto, e quando ele não estiver mais vendo, voltemos às marchas, aos anjos com bandejas nas mãos, à Babel instituída e inspirada, ao pseudo mal-interpretado evangelicalismo (como se denominam). Somos Anglicanos, sim; Paroquianos, sim; Reformados, sempre. Que sejamos e creiamos, pois, no conteúdo do que afirmamos no Credo Apostólico, se alguém ainda lembrar. Gaibu (PE), 03 de setembro de 2007. ¬ José Carlos Sá Evangelista, é Seminarista e membro da Diocese do Recife; faz parte da Equipe Pastoral da Paróquia Anglicana Jesus de Nazaré, em Gaibú – Cabo de Santo Agostinho-PE. |