| Sem. Elton Roney Carvalho (¬) O termo "arquétipo" é usado por filósofos neoplatônicos, como Plotino, para designar as idéias como modelos de todas as coisas existentes, segundo a concepção de Platão. Nas filosofias teístas o termo indica as idéias presentes na mente de Deus. Pela confluência entre neoplatonismo e cristianismo, o termo arquétipo chegou à filosofia cristã, sendo difundido por Agostinho, provavelmente por influência dos escritos de Porfírio, discípulo de Plotino. Podemos definir arquétipos como As tendências estruturais invisíveis dos símbolos. Os arquétipos criam imagens ou visões que correspondem a alguns aspectos da situação consciente. Jung deduz que as "imagens primordiais", um outro nome para arquétipos, se originam de uma constante repetição de uma mesma experiência, durante muitas gerações. Funcionam como centros autônomos que tendem a produzir, em cada geração, a repetição e a elaboração dessas mesmas experiências. Eles se encontram isolados uns dos outros, embora possam se interpenetrar e se misturar. Vejamos alguns exemplos de arqétipos. 1. Os arquétipos como imagens herdadas: Foi o ponto de partida do Jung, a idéia de que alguns conteúdos do inconsciente pudessem ser transmitidos hereditariamente, como uma espécie de memória genética. Foi quando ele começou a formular a hipótese de um inconsciente coletivo. Nessa época, inclusive, o Jung chegou a falar de um inconsciente racial, isto é, que os conteúdos do inconsciente coletivo poderiam ser diferentes para cada raça, o que se tornou muito embaraçoso quando os freudianos acusaram o Jung (injustamente) de ser simpático ao nazismo. 2. Os arquétipos como estruturas herdadas: Ao contrário do Freud, que continuou insistindo na memória genética até o fim da vida, o Jung logo percebeu que a transmissão de conteúdos psíquicos por hereditariedade é impossível cientificamente, o que depois seria comprovado pela genética. Então, ele sugeriu que os arquétipos não seriam propriamente as imagens, mas uma predisposição da psique a gerar determinadas imagens. Os arquétipos seriam estruturas cerebrais herdadas que, ao serem preenchidas com as memórias e percepções atuais do indivíduo, desencadeariam a formação de determinadas imagens. Ou seja, a forma é que seria universal, o conteúdo seria específico de cada um (por exemplo, sonhar com a minha mãe com os atributos da Grande Mãe). 3. Os arquétipos como fatores psicóides: Foi a palavra final de Jung sobre os arquétipos. Ao longo de sua carreira clínica, ele começou a se deparar com o fenômeno da sincronicidade, que é uma coincidência significativa entre uma imagem psíquica e um acontecimento externo. No núcleo de toda sincronicidade, existe sempre uma imagem arquetípica. Isso mostrou que os arquétipos não só são capazes de influenciar estados psicológicos, mas também a própria realidade física exterior. Bom, esse era um dado que a hipótese dos arquétipos como estruturas cerebrais não permitiam explicar. Explorando a Sincronicidade Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal mas por relação de significado. A sincronicidade é também chamada por Jung de "coincidência significativa". O termo Sincronicidade foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém C.G.Jung demorou ainda mais 21 anos para acabar o livro "SINCRONICIDADE: UM PRINCÍPIO DE CONEXÕES ACAUSAIS", onde expõe o conceito e propõe o início da discussão do assunto. Um de seus últimos livros e segundo ele o de elaboração mais demorada devido a complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado. Basicamente, é a experiência de se ter dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa "coincidência significativa", onde esse significado sugere um padrão subjacente. A sincronicidade difere da coincidência, pois não implica somente na aleatoriedade das circunstâncias, mas sim num padrão subjacente ou dinâmico que é expresso através de eventos ou relações significativas. Acredita-se que a sincronicidade é reveladora e necessita de uma compreensão, essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de compreensão instantânea Jung dava o nome de "insight". Afirmava Jung que temos quatro funções básicas: razão, emoção, sensação e intuição. No nosso ser, geralmente uma delas é predominante. Mas quando trabalhamos internamente estas funções na direção do equilíbrio, uma nova função é acrescentada: a sincronicidade. Um exemplo bem conhecido de sincronicidade, é uma história real do escritor francês Émile Deschamps. Em 1805, Émile foi recebido com um pudim de ameixas pelo desconhecido Monsieur de Fontgibu. Cerca de dez anos depois, ele encontrou pudim de ameixas no menu de um restaurante em Paris, e fez o pedido, mas o garçon lhe disse que o último pudim já fora servido à outro cliente, o qual seria M. de Fontgibu. Alguns anos depois, em 1832, Émile Deschamps estava num jantar, e, mais uma vez, foi oferecido pudim de ameixas à mesa. O escritor recordou do incidente anterior e contou à seus amigos que somente M. de Fontgibu faltava ao recinto para se fazer completa outra coincidência – e no mesmo instante, agora mais velho, M. de Fontgibu adentrou ao recinto. O Arquétipo Neo-Pentecostal O movimento teria seu fundamento na pulverização teológica promovida por E.W.Kenyon, e depois por Kenneth Hagin, ao misturar o gnosticismo das religiões metafísicas com o cristianismo pentecostal. Todas estas doutrinas: Confissão positiva, Maldições hereditárias, Possessão de crentes, teriam origem no ensino teológico dos movimentos de fé norte-americanos. Uma das maiores críticas ao movimento neopentecostal é a ênfase que algumas denominações dão aos ensinos da confissão positiva, conhecido popularmente como Teologia da Prosperidade, de acordo com Paulo Romeiro, em seu livro "Super Crentes, o Evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade ", é a corrente doutrinária que ensina que uma vida medíocre do cristão indica falta de fé. Assim, a marca do cristão cheio de fé e bem-sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou que possui fé insuficiente. Ainda de acordo com o Dictionary Of Pentecostal And Charismatic Movements (Dicionário dos Movimentos Pentecostal e Carismático), "Confissão positiva é um título alternativo para a teologia da fórmula da fé ou doutrina da prosperidade promulgada por vários televangelistas contemporâneos, sob a liderança e a inspiração de Essek William Kenyon". A expressão "confissão positiva" pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão "confissão positiva" se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão. Seria uma espécie de manipulaçao do espaço externo por forças da Psique. Remotando ao pensamento de Jung sobre o poder dos Arquétipos como agentes que interferem na realidade externa pela Sicronicidade, observamos semelhanças. O movimento Neopentecostal tem muito a nos ensinar acerca de suas manifestaçoes em arquétipos, é bem verdade que o fator da Sicronicidade se relaciona especificamente com uma coincidência aparente, mas, nao é descartado o fato da semelhança. Vamos desenvolver o argumentaçao: Segundo Jung, em seu livro: "SINCRONICIDADE: UM PRINCÍPIO DE CONEXÕES ACASUAIS", a sicronicidade, como relatado anteriormente, faz parte da construçao do ser humano. Em Jung, entendemos que a sincronicidade é um fator que deve ser compreendido, para ser assim trabalhado, ou seja, pensando assim, o ser humano poderia agir na realidade externa com a seus arquétipos, "manipulando" coincidências estranhas e realizando seus desejos. A própia "confissão positiva" do Neopentecostalismo afirma que poderei trazer a realidade aquilo que afirmo com minha boca. Sei que é "muito pano para manga", porém, temos outra observação interessante a fazer. Muitos cristãos confudem a voz de Deus com evidências externas de sua vida, creio que Deus pode e vai falar conosco como Ele desejar (Evidências externas ou internas), mas, não esqueçamos que Sua revelaçao única e perfeita – regra de fé e prática única – ja foi estabelecida para ser vivida pelos crentes em Cristo: a Bíblia. Entretando, a minha argumentação vai bem mais além. No que diz respeito às estruturas de realidade da Sicronicidade, muito ainda se vai falar a respeito, eu, como apenas um Teológo em formação, não tenho o profundo conhecimento de toda realidade, analiso aqui a semelhança entre o fato da sincronicidade e as revelações de evidências externas que muitos cristãos t:êm em suas vidas e atribuem esse fato à Deus. Não venhamos confudir coinscidências aleatórias (até mesmo sincronicidade – para quem simpatizou pelos argumentos de Jung sobre o tema e deseja se aprofundar nesse campo) ou tudo aquilo que "ouvimos" e "vemos" por aí com a voz de Deus. Mais uma vez quero deixar claro que o fato da realidade da sicronicidade deve ser estudado a fundo, e que creio que Deus se revela como quer. Analiso o fato de vários filhos de Deus estarem escutando a voz de Deus nos momentos e lugares que Deus permanece calado. É muito presente no Neopentecostalismo essa realidade, onde Deus fala "pelos cotovelos" em uma boa condição de vida para Seus filhos, seria ótimo se abrissemos os nosso ouvidos para ouvir o "auto falante que Deus usa para falar em meio as nossos sofrimentos" (C. S. Lewis), pois o que mais a humanidade vem ouvindo é sofrimento. Conclusão Notamos rapidamente com uma boa observação, que o Neopentecostalismo traz em si muitas das características de "sincronicidade" e "inconsciente coletivo" de Jung. Meu objetivo é uma pura análise apenas, mas, não podemos deixar de observar que os movimentos referidos "abusam" do poder que pode ser exercido por Deus. O que Deus pode fazer em relação aos milagres e a prosperidade de alguém, depende única e exclusivamente Dele, como também seu método de se revelar ao ser humano – Revelaçao Geral e Revelação Específica (A Natureza, Jesus Cristo e as Sagradas Escrituras). O que nós podemos e devemos fazer, é ter uma vida de plena comunhão, gozo e paz no Espírito Santo (o Consolador que confirma e dirige as atitudes de nossas vidas) e se a mão das bençãos de Deus desejar vir sobre nós, seja essa a Sua vontade; se não, pode Deus também falar através do sofrimento. Lembremos de Jó. "As minhas ovelhas conhecerão a minha voz". Jesus Cristo. ____________ ¬ Elton Roney Carvalho é Seminarista da Diocese do Recife, aluno do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PB; participa ativamente do Arcediagado Paraíba. Este artigo foi escrito no 1º Domingo de Pentecostes, em maio de 2008. |