| Sem. Frei Carlos Evangelista, ose (¬) Passo hoje à análise do termo Beruf de Max Weber e ainda pela evolução histórica do termo, até o inglês calling, e volto ao entendimeto da vocaçao como o chamado à qualificaçao moral na vida profissional e mundana, que é a plenitude da ascese intramundana, no chamado à vinculaçao do trabalho e aos princípios religiosos. O ponto principal do Cristianismo, como o conhecemos, é, e sempre será, a Figura do Cristo, Jesus, Ressurreto e Príncipe da Paz. E quando curiosamente o Próprio Jesus nos afirma que não veio trazer a paz, muitas vezes nos chocamos e tendemos a imaginar que a espada (Mt. 10.34) a que Ele se refere são lutas ou disputas de pessoas por causa de Seu nome; quando, na verdade, o que Ele nos propõe é a saída da condição de ociosos da Palavra e nos chama à belíssima condição de Servos do seu Reino. Quando a vida de um crente se torna verdadeiramente voltada para o Pai, quando este passa a dedicar a sua casa, o seu trabalho, seus estudos, sua convivência para a edificação de Seu Reino, é fato certo que as discórdias virão e serão visíveis principalmente nos nossos próprios lares (também nos grupos de relacionamento e Igrejas); muitas vezes veladas por obras do inimigo e em conseqüência da vida que o Cristão é chamado a viver. Ele passará a ter que escolher entre "os seus" e o que foi anunciado nos Evangelhos, e só assim poderá testificar em sua vida o amor imenso de Deus. Pois as bênçãos do Pai recaem para todos aqueles que observam rigorosamente os seus mandamentos. Ao contrário do que muitos pensam, nós não somos chamados a ser trabalhadores assalariados do Pai. Todavia, somos resgatados do mal, para servir a Cristo. Somos servos e, por conseguinte, não seremos remunerados ou recompensados por isso. Seremos, sim, herdeiros dos galardões de Suas promessas, como fiéis observadores de Sua Palavra. Em essência, tudo o que vemos nos dias atuais, e falo atual em termos contemporâneos mesmo (não querendo fazer anacronismos intencionados para tentar qualificar o que são costumes e culturas dos nossos tempos, dos tempos em que chamavam crentes de bodes ou dos tempos dos relatos bíblicos), são incursões mercadológicas de um tipo de Igreja que abjura da fé em troca de membros, e, em função disso, apreende tudo o que não é doutrinário e apostólico e introduz na Igreja sob a égide de que "até pecar vale" se isso for dentro da Igreja, já que é lugar terapêutico, isso pelo que chamam Deus de amor; e, por isso, tudo vale. Isso é "picaretice e eixejegue na hermenêutica bíblica" sem falar do pecado que os que o executam serão chamados à responsabilidade. É lamentável que tudo isso aconteça num tempo de tão grandes e profundas modificações geo-político-econonômicas no mundo, mas acredito que a fé Cristã restaura os que atendem o Beruf da qualificaçao moral na vida, a verdadeira e respeitosa fé no Cristo que nos diz em Mateus 10.32-33: "Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus". Essa fé nos trará a lucidez para os tempos vindouros, e demarcará em seus lugares aqueles que crêem e aqueles que adaptam a palavra às suas vidas e não o oposto. Porque sempre que começamos a barganhar com Deus a nossa condição de vida, trocamos os papéis e passamos a nos colocar como deuses, que acreditam possuir algum poder sobre o Senhor. Na verdade, as recompensas do crente perpassam pela sua própria negação. É justamente quando o crente não espera ansioso algo em troca que estas vêm, quando perdemos a vida é que a ganhamos; e é justamente servindo abnegadamente ao nosso Deus que isso é percebido e recebido por Ele e todas as suas promessas são cumpridas em nossas vidas. A Aliança é Dele para conosco e não o inverso. Vamos dar a um desses pequeninos a água fria de beber, de nosso tempo, de nossa amizade e de nossa verdadeira vontade de ajudar sem a hipocrisia de que a sede deles é o auto-entendimento de seus pecados e de que suas feridas são normais e não precisam ser saradas. Sejamos corajosamente fiéis a este Deus que nos colocou Sua vida para nossa vida, e passemos a entender que não podemos rejeitá-lo em detrimento do que muitas vezes nos parece tão valioso, pois Valioso é o Bem que vem do Pai. ______________ ¬ José Carlos Evangelista é Seminarista do SAT-PE, membro da Diocese do Recife e Frei da Ordem de Santo Estevão (OSE); faz parte da Equipe Pastoral da Paróquia Anglicana Jesus de Nazaré, em Gaibú – Cabo de Santo Agostinho-PE. |