| Sem. Elton Roney Carvalho (¬) "Deus continua a desejar viver a vida ao lado dos Seus, viver, na verdade, a vida de cada um, caminhando ao lado, mostrando o melhor caminho a ser seguido, mandando o Maná necessário para cada dia, e se for preciso, tirando água de rocha". Introdução Não foi simplesmente de um momento para outro que pude passar a perceber e observar isso de forma mais atenciosa. Foi um longo processo, um processo do qual também fiz parte como um ator principal, realizando e observando. E foi inevitavelmente dentro dessa observação que eu extrai as mais diversas lições sobre esse tema, que creio eu, é um tema principal da sociedade atual: O Consumismo Moderno. Não trato apenas do consumismo de bens materiais, mas, trato de tudo o que uma pessoa pode desejar para saciar uma vontade aguçada de possuir algo ou até mesmo alguém. Como observo, o consumismo se manifesta de várias formas, tanto como um desejo de possuir uma cobertura de alto valor monetário em uma localização mais bem privilegiada de sua região, como uma posição empresarial digna de respeito entre as pessoas. Esses dois exemplos expressam a temática de realização pessoal, você pode se sentir momentaneamente realizado nos exemplos citados, mas, antes de tudo você terá de consumir para sentir tal realização, inevitavelmente. Esse é o processo do qual o consumir se faz como "carro-chefe" da sociedade atual, pessoas que para se sentirem vivas consomem "objetos" que não fariam diferença na prática de suas vidas, apenas saciam um desejo "mal elaborado" de sua personalidade. Todas as palavras que expressei no parágrafo anterior, expressam um conceito por mim analisado, no que me refiro a "carro-chefe", tenho minha influência em Karl Marx e sua análise sobre a influência do sistema capitalista nos dias de sua vida como carro-chefe do mundo europeu (Século XVIII); uma expressão que designa uma coisa que comanda a sociedade, algo que rege a sociedade e seu interesse maior dentro do seu contexto histórico. Onde me refiro a objeto, tenho o interesse de trabalhar e me referir a tudo o que é consumido para a realização pessoal de um ser, seja esse objeto algo positivo ou negativo. No que me refiro a "mal elaborado" trato como a construção e alimentação de um desejo que alguém tem, porém, um desejo não saudável para ele, um desejo errôneo dentro da minha linha de argumentação e dos padrões bíblicos. Nessa sociedade, observamos diversos padrões de práticas, de regras que regem a sociedade atual, nesse momento quero tratar da que mais influencia a consciência coletiva da sociedade e que está completamente inserida no meu contexto de análise específico: o das Religiões. Essas têm um papel fundamental na construção do ser dentro da sociedade e desempenham um papel fundamental dentro desse trabalho. O que vejo, porém, é uma quebra da atividade religiosa, um pré-conceito da sociedade em relação ao sagrado. Notamos um certo ateísmo da maior parte da sociedade atual, não um ateísmo no Sobrenatural, em práticas espirituais e de fé em auto-ajuda, mas, uma relação não tão amigável com a expressão religiosa, como a da fé cristã, por exemplo, julgando a Igreja como agentes empreendedores de dinheiro. A Igreja é a noiva imaculada do Cristo, ela deve ser irrepreensível diante dos homens, diante do social, e expressar a cura para o mesmo, porém, não quero negar o fato de que algumas Igrejas cristãs atuais estão com uma "ótima habilidade" de adulterar o nome do cristianismo no que diz respeito a sua missão específica: A SALVAÇÃO, "do corpo e alma" da humanidade. No entanto, o número de Igrejas que se dizem cristãs e não pregam muito daquilo que foi ensinado por Cristo é enorme, observamos uma forte ênfase em assuntos secundários e um esquecimento no essencial. Entretanto, o julgamento precoce da sociedade atual acerca da Igreja cristã é um julgamento totalmente errôneo, incompleto e imaturo, pois a análise que se deve ser feita do cristianismo deve ir além do conceito de Igreja, deve ir à constituição da fé cristã. Quero expressar que nos nossos dias atuais, não há nenhuma fonte maior e melhor para saciarmos nossa sede do que Naquele que fez "toda a água" que irá saciar "toda a sede", e não há consumismo nenhum que mude isso. O que gera toda essa "ferida" na construção "mal elaborada" da civilização atual é, além do rejeitar o sagrado, a deturpação do conceito de religião e, principalmente, a negação da ação de Deus na pessoa de Cristo e Seu sacrifício como um canal de ensinamentos para a caminhada da existência. A cura para o problema do consumismo atual nos faz passar por várias vertentes da História da humanidade, como também nas demais expressões de análise científica e crítica da sociedade atual, como, o conceito do Imperialismo atual do Capitalismo, o conceito atual de ser-humano como alguém que deve "ter" e não "ser", a posição religiosa – a não aceitação do cristianismo como Verdade – e a deficiência emocional e psicológica dessa sociedade. Para isso se faz necessário um discurso sobre os temas propostos e a explanação da Verdade Bíblica como a cura para essa doença atual. Um Hitler em Nossos Dias No que me refiro ao Hitler em nossos dias, não quero afirmar nenhum grande exército que está marchando para dominar o mundo, nem, tão pouco, afirmar que existe alguma Nação com o intuito de dominar todo o globo, pelo menos de modo aparente e claro. O que afirmo é a presença do Capitalismo como forma de governo, esse sim, tem sido mais rigoroso em suas exigências do que o próprio espírito Nazista do Hitler, acredite ou não. Pois, se não acredita, olhe para o seu pulso, há um relógio? Não? Na parede de sua casa há algum? Ou melhor, existe alguma possibilidade de você não usar o relógio em nossos dias? Pois é, esse tem sido um símbolo claro da existência da ordem imposta pela diretriz do sistema de trabalho, de organização, de controle e "rendição da vida", temos hora de acordar e trabalhar, dormir e trabalhar; somos dependentes do tempo, sem exagero algum, isso tem sido um fruto do meio de produção, tempo é lucro. Toda a nossa vida se resume em crescer, aprender, desenvolver e lucrar. Parece até que o processo de desenvolvimento e vida do ser humano mudou, agora se vê: nasce, cresce, reproduz, produz, envelhece e morre. Somos tão interessados em produzir que, na maioria das vezes que não produzimos, nos sentimos inquietos, sem propósito e incapaz. Com isso, vemos inúmeros livros e artigos que defendem a tese de encontrar-se, de auto-ajudar-se a curar o sentimento de falta de propósito da existência, simplesmente pelo motivo de não produzir. Observo as livrarias e, na maioria delas, sem possibilidade de defesa alguma. Assim que entro em uma delas, lá estão eles, os livros que irão me ajudar a ir auto. Quero aqui expressar que não tenho nada contra a Psicologia que trabalha especificamente na área sobre auto-afirmação. Entretanto, fazendo uma análise do conceito do que vemos por aí para auxiliar as pessoas que se sentem sem propósito, notamos uma análise que pode ser percebida: Se não estou produzindo o suficiente, estou "doente", preciso me encontrar e produzir o que sou capaz de fazer. Não acredito que uma pessoa está "doente" pelo fato de estar sem produzir algo específico que proporcione lucro. Mas, percebo esse processo na vida das pessoas: se não estou produzindo, algo está errado. Sentimento influenciado pelo Capitalismo, e a proposta cristã não caminha por aí. Propostas Espirituais para Conceitos Seculares Em nenhum momento quero justificar que é fácil levar a vida hoje em dia. Não preciso me expressar muito para entendermos que a vida é uma batalha diária, uma batalha que se põe diante de nós sem nenhuma compaixão, é a batalha pela sobrevivência. Essa luta que enfrentamos não é atual, mas remota aos tempos do Jardim, onde o homem tinha amplo e livre acesso a Deus, o que com toda a certeza facilitaria a existência. Porém, o homem resolve andar com as próprias pernas, e eis o resultado, uma série de calamidades dentro da humanidade, até os nossos dias. Essa batalha continua nos tempos da civilização antiga, onde os povos teriam de buscar seu próprio método para sobreviver. Observamos os primeiros povos Nômades, onde vagavam de região em região em busca de melhores condições de vida, e como um bom exemplo, temos o povo Hebreu, que sofreu muito até a entrada na Terra Prometida, o que não os deixou livre do Trabalho para a sobrevivência, muito justificada pela posição tomada por Deus após a queda do Homem: "Em fadigas obterás o sustento da terra durante os dias de tua vida" (Gn 3:17). Mas, essa batalha tem mais repercussões, ela rouba de nós muito de dádivas que existem em nossos dias e muito daquilo que Deus tem para nós. Ela rouba a atenção que poderíamos conceder a partes mais importantes de nossas vidas, como família, amigos e a própria felicidade específica na realização de uma profissão que se ama, e não tendo que prestar serviço em um órgão tal pelo fato de ser concursado, de ter um emprego garantido – por toda a eternidade? No que diz respeito à família, existem inúmeras famílias que são destruídas pela falta de recursos financeiros, ou pelo valor exagerado atribuído a ele. Uma família que depende de um bom capital para serem felizes entre si, está completamente fora dos padrões desejados por Deus na constituição da mesma, e não penso que escrevo algum exagero, escrevo o que está aí para todos verem. Sobre amigos, quantos não se deixam construir amizades pela forte influência que um amigo lhe trará, poderíamos afirmar que amizades são construídas pelo lucro que essa mesma traria; pessoas que usam de outras pessoas para obterem lucros em suas vidas, em "contatos" que lhe proporcione crescimento profissional ou em outras áreas. De uma forma ou de outra, nossa sociedade, em todos os âmbitos, têm um forte interesse no lucro que lhe será proporcionado em suas escolhas em vida. Em toda parte existem mentes e interesses capitalistas. Essa é a caracterização atual da sociedade Pós-moderna: O capitalismo pessoal. A grande visão de hoje é lucrar; lucrar na Empresa; lucrar nas pessoas; lucrar na Religião; lucrar e lucrar. É clara a fome que pessoas têm pela auto-satisfação, e para realizarem esse desejo, passam a consumir, consumir tudo o que estiver pela frente, e isso é tanto uma espécie de consumismo, como de lucro; eu lucro minha auto-satisfação, quando consumo o que me fará "bem". A PROPOSTA DO DESCANSO EM DEUS "E o meu Deus, segundo a Sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades" Fp 4:19. Quantas pessoas não querem e precisam ter uma estrutura no qual podem confiar plenamente? Quantas não procuram essa estrutura de cobertura em seus familiares? Em seus pais e mães? Quantas não põem essa confiança em pessoas mais próximas? Amigos? Empresários? Políticos? Essa é a necessidade inerente que todas as pessoas têm de se sentir seguras em meio às turbulências da batalhas da vida, e Deus não deseja estar fora delas. Não mesmo! Durante toda a história do povo de Israel, é completamente impossível não nos depararmos com a mão protetora de Deus para com o seu povo, o cuidado de Deus no momento do Êxodo do Egito é instantaneamente notado por leitores atentos ou não. O que percebemos é a forte proteção e direção de Deus para o povo que Ele mesmo escolheu, e Ele mesmo desejou usar para mostrar ao mundo o quanto Ele cuida de Seus amados. Mesmo nos momentos mais difíceis da caminhada do povo em busca da terra prometida, Deus se fez presente como auxílio indispensável para os Hebreus. Diante da falta de comida, Deus envia o Maná (Êxodo 16); diante da falta de água, Deus tira essa da rocha (Êxodo 17); se o problema fosse escuridão, Deus ia adiante deles com uma coluna de fogo; se fosse o calor, uma nuvem (Êxodo 13:21-22). O fato é que Deus era presente para suprir as necessidades de Seu povo eleito. É bom destacarmos aqui o fato do que é realmente necessário e o que é secundário. Era necessário que o povo comesse; não necessário que comesse caviar ou um grande banquete em mesa redonda, isso era secundário. Esclareço pelo fato de muitas pessoas confundirem isso. Ouvimos muito por aí: Estou necessitando de um par de sapatos novos! Mesmo tendo quatro sapatos de outro modelo, não está precisando, isso é secundário. Entretanto, nosso pai celestial é verdadeiramente um Deus que supri o que é necessário e abençoa Seus filhos, segundo a Sua vontade. "...abrirei as janelas do céu e derramarei sobre ti as minhas bênçãos sem medida" (Malaquias 3:10), segundo a Sua vontade! Em nossos dias não é diferente. Deus não muda. Ele é imutável. Esse é um dos Seus atributos mais fantásticos. Observe: Você acha que você mudou muito em alguns anos? Aparência? Atividades? Você acha que seu cônjuge mudou bastante durante alguns anos? Aquele seu amigo de muito tempo está diferente, e decepcionou você com algumas atitudes? É. Estamos expostos a isso. Estamos em um mundo mutável e, por isso, na maioria das vezes, não compreendemos o conceito de imutabilidade de Deus. Ele é o mesmo hoje e sempre. Desde a fundação dos séculos Eu Sou, Deus não precisa se ajustar aos padrões novos da sociedade atual. Ele não tem a necessidade de se moldar aos padrões do capitalismo atual. Ele é e continuará sendo um Deus que cuida de Seus filhos; um Deus que deseja viver a vida ao lado dos Seus; viver, na verdade, a vida de cada um, caminhando ao lado, mostrando o melhor caminho a ser seguido, mandando o Maná necessário para cada dia, e, se for preciso, tirando água de rocha. A proposta de espiritualidade para o nosso tempo é descansar no Senhor. Durante muito tempo fiquei a me questionar sobre um ponto essencial de minha fé: As Escrituras. É. Por vezes esquecia-me das promessas que Deus nos faz de cuidado sobre nossas vidas, como a demonstração do Êxodo, e as várias passagens bíblicas que expressam esse cuidado, como a fantástica passagem de Mateus 6, bem ali no versículo 25. A expressão de Cristo é verdadeiramente tranqüilizante: "Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vossa vida mais do que o alimento, e o vosso corpo mais do que as vestes? Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais do que as aves?". Realmente acredito que sou mais importante que uma Codorna, você não? Poderia não argumentar mais nada acerca do medo que o movimento capitalista atual nos põe em relação à batalha de nossas vidas, pois as palavras de Cristo são realmente confortadoras, porém, gostaria de compartilhar. O mesmo Deus imutável que cuidou de Seu povo no Egito agora se relaciona na pessoa de Cristo, em uma relação muito mais pessoal e com promessas muito mais especificas a nós. Agora, nós somos Seu povo escolhido, povo que faz parte da família de Deus, logo participando das coisas de Deus; passamos a ter esse "lugar na mesa" com o oferecimento do evangelho aos Gentios (Atos 1:8). Passamos a ter o privilégio de sermos aceitos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo (Efésios 2). Nas palavras de Max Lucado, em seu livro Aliviando as bagagens[1], devemos deixar de carregar algumas bagagens em nossas vidas. Não bagagens de viagens, mas, as bagagens emocionais, como o medo, o cansaço, a autoconfiança, o desespero e coisas semelhantes. Segundo ele, inspirado no Salmo 23, devemos largar essas bagagens e descansar Naquele que é fiel e justo para levar Seu povo em um caminho que vai contra qualquer proposta secular, como o capitalismo, que tira a nossa visão do Deus que cuida de nós, do que realmente é mais importante se viver e na perspectiva que temos em nossa vida eterna. A PROPOSTA DE SACIAR NECESSIDADES Uma segunda proposta para vivermos em um padrão de espiritualidade nesse mundo secular está ligada à necessidade vista dentro desta sociedade. Não posso enumerar a quantidade de necessidades presentes, como também o grande número de "propostas" que vemos para atender a elas, no mais, o que temos é um grande "mercado" que propõe seus "objetos" de consumo para saciar a fome da sociedade atual. Acredito que existem duas necessidades básicas atualmente presentes, essas se referem à transcendência buscada pelo homem atual, e a relacional – no que me refiro a Comunhão, a relação entre pessoas no contexto social mundial moderno. Trato dessas duas especificamente por atender a busca pelo Divino na personalidade do homem; na busca que esse tem pela relação com o sagrado – um sagrado que não é religioso em seu discurso – na confiança que esse tem de depositar sua vida nas mãos de um "agente superior". E, pela questão da relação que o homem exerce, – e deve exercer – com pessoas, na formação da família no Estado desde os tempos remotos e sua dependência de viver em comunidade. A Questão da Busca pela Transcendência é Saciada "Nossa nostalgia vitalícia, nosso anseio por estarmos reunidos com algo no universo do qual nos sentimos agora desconectados, nosso desejo de estar do lado de dentro de uma porta que sempre vimos do lado de fora – tudo isso não é mera imaginação neurótica, mas o mais verdadeiro indicador de nossa real situação" C. S. Lewis[2]. A realidade de uma busca pela vontade de conhecer o desconhecido é totalmente expressa no "rosto do mundo". Tanto o desconhecido do material como do desconhecido do imaterial. Existem milhões e milhões de pessoas que são curiosos por natureza; outros acabam se tornando de acordo com o conhecimento de que o mundo é para ser descoberto, não são poucos os relatos sobre a humanidade em grandes descobertas científicas nos dias de hoje. Observamos que, a cada dia, a ciência dá um passo à frente, a cada minuto uma informação nova é concedida a população mundial pelos grandes centros de Jornalismo em todo mundo, dia após dia cada especialidade acadêmica revela-nos uma nova descoberta, e a humanidade assim segue seu curso rumo ao desconhecido. O homem chegou à Lua, o homem faz transplantes de órgãos, o homem é capaz de fabricar robôs; e o descoberto vai sendo revelado. É um crescimento e uma vontade que está inserida em cada um de nós desde nosso nascimento. A vida é uma descoberta, aprendemos a ser seres humanos descobrindo, descobrindo a Terra, a Natureza, os Animais, a Tecnologia e a nossa própria Psicologia, o homem descobre o ambiente em que vive, mas, o céu é o limite. Nos nossos dias, a humanidade não se contenta em ter descoberto – pouco ou quase nada sobre a vida – um amplo campo sobre a vida que nos concede uma vida mais confortável em nossa existência terrena. Porém, o que está em sua necessidade de descoberta atual é responder as questões da fé com argumentos científicos. Isso acontece não apenas pelo fracasso da ciência moderna em justificar que poderia resolver todos os problemas da humanidade "antes do tempo", mas, acontece pelo fato de nós, seres humanos, sermos "completamente incompletos"; necessitamos de Deus. Entretanto, segundo John Stott[3], existe duas fortes objeções imposta pelo homem acerca da necessidade que esse tem de Deus. A primeira diz respeito a Jesus Cristo como uma muleta; onde Cristo "serve" de muleta para os mais fracos, todavia para quem é forte o bastante para tocar sua vida para frente sem depender de Cristo, Ele não "serve". Stott responde a essa objeção afirmando que acredita nessa objeção. Ele concorda que Cristo veio para atender aos necessitados, argumentando que todos são, verdadeiramente, necessitados da graça e favor de Cristo. Na segunda objeção, é levantado o argumento que Cristo é uma ficção de nossa mente, o fruto de uma mente capaz de realizá-lo; você é desprezado o bastante e cria a sua própria imagem de pai celestial e assim se sente seguro. A esse argumento, John Stott afirma que essa explicação carece de lógica, pois, em suas palavras: "O fato de que o alimento satisfaz nossa fome física nos faz desconfiar da comida? O fato de que o amor nos dá uma sensação de bem-estar desperta nossa suspeita do amor? Então, porque levantar suspeitas humanas acerca de Cristo?". Com isso, ele expressa que na essência do ser humano, a necessidade de transcendência é satisfeita e não devemos questionar o que verdadeiramente sentimos ao aceitar Cristo e Seu amor em nossas vidas. "Nos fizeste para Ti , e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar descanso em ti"[4]. Agostinho, que relatou isso, tinha uma razão tão completa que seus argumentos, mesmo depois de tanto tempo, continuam atuais. Observamos uma clarividente busca incansável por Deus, uma busca que remete as pessoas a entronizar em suas vidas todas as espécies de falsos deuses e o mais evidente é o que estamos observando, o consumismo. A Questão da Busca pelo Relacional é Atendida Somos seres completamente dotados de vontade de realizar contatos pessoais. Essa é uma afirmação notável. Todos os humanos "se fizeram" para uma relação, para uma mútua troca de experiências, conceitos, valores e realizações. No mundo existem diversas formas de realizações, porém, todas essas se resumem em duas mais específicas: as relações que trazem uma "soma" para o crescimento espiritual, pessoal etc.; e as relações que trazem "diminutivas" nesse processo de crescimento do ser humano como pessoa e questionadora do mundo. Os cristãos não estão livres de encontrar por aí algumas das relações atribuídas como o conceito diminutivo do termo. O que mais se pode encontrar por aí é atribuído ao valor negativo dentro do padrão bíblico para a vida em Cristo. O que encontramos é na verdade uma "distorção" do plano divino para a humanidade. O que existe é uma negação da verdade bíblica e histórica nos dias de hoje. A isso os cristãos devem estar de olhos abertos. Porém, esse contexto não impede a realização da comunhão dos cristãos entre si e a pregação do evangelho ao próximo, que é, em sua constituição, um tipo bíblico de relacionamento, para pregar o evangelho. Você deve constituir relacionamentos, ou não? Como poderá você transmitir uma verdade de vida para uma pessoa que não lhe ouve? É bem verdade que Deus não precisa que você torne-se um grande amigo de alguém para falar de Seu amor, mas, ao menos uma "troca de idéias" deve haver. Quero expressar que no mundo capitalista consumista atual, o homem tem necessidade de manter relacionamentos, e a proposta é que, nós cristãos, usemos dessa necessidade para inserir o Evangelho da Verdade em um mundo de mentiras. Deus nos constitui seres relacionais. Na verdade, esse é um atributo de Deus que está em nós. Portanto, devemos usar desse artifício para a proclamação das "boas novas" do Reino. Apensar de estar se quebrando a cada década, o conceito de família ainda está de pé em nossos dias. Observamos que a família ainda está dentro da questão de uma boa escolha dentre as pessoas do mundo e especificamente se tem uma ampla aceitação para o sonho de um brasileiro. Acredito que viver em família dentro do mundo veloz que o mundo consumista propõe é tarefa difícil, não impossível. A família que os cristãos fazem parte está revelada nas Escrituras (Efésios 2:11-20). Indo mais além, o discurso de Cristo nos confere uma dádiva procedida de uma responsabilidade. Vejamos Mateus 12:46-50. Aqui Jesus expressa quem de fato é Sua família e o que essa faz como conseqüência nata. A primeira observância de Cristo está relacionada aos Seus discípulos, aqueles que estavam perto Dele, que estavam dentro dos padrões de Deus para o homem, que aceitavam a revelação de Deus em Cristo como Salvador do mundo. A segunda lição que podemos aprender está relacionada à vontade de Deus – na pessoa de Cristo. Ele afirma: "Porque todo aquele que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". (Verso 50). Assim são os que fazem parte da família de Deus: estão perto Dele, em comunhão e aceitando Sua revelação para a humanidade e fazem a Sua perfeita e agradável vontade. Em um mundo Consumista, Capitalista, onde tudo se resume ao lucro, e a satisfação de desejo, na realização dos relacionamentos pessoais como forma de lucro, a proposta espiritual eficaz, bíblica, é o melhor caminho, e essa se faz através do relacionamento familiar, entre servos e senhores (Efésios 5:22;6:1-9) e nas demais relações pessoais. Sempre buscando a evangelização e cumprir o conceito de Família de Deus, que se resume em estar perto Dele e cumprir Sua vontade, e Sua vontade é expressa na boca de Cristo: que nenhum se perca (João 6:39). Temos, portanto, "uma fé em forma de cruz", ligada a Deus e para o próximo. Que o Pai de amor nos faça compreender que não há Deus maior, que supre nossas necessidades através de instrumentos e nos faz instrumentos para suprir as necessidades de nossos irmãos e amigos, alcançados pelo Evangelho ou não. Em Cristo, Nele e por Ele! __________ [1] Título original em Inglês: Traveling Light. W Publing Group, Nashvile, TN, USA. Primeira Edição em Inglês: 2001 [2] LEWIS, C.S. "The Weight of glory". In: Transposition and Other Addresses. Geofrey Bles, 1949. p.3.0 [3] Por que sou cristão. / John Stott; tradução Jorge Camargo. Viçosa, MG: Ultimato, 2004. [4] Agostinho. Confissões. Trad. Frederico Ozanam Pessoas de Barros. Rio de Janeiro: Ediouro. Livro 1. i.p.27. __________ ¬ Elton Roney Carvalho é membro da Diocese do Recife, aluno do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PB; participa ativamente do Arcediagado Paraíba. |