"Com Humildade, Lágrimas e Provações..."
| Pensamento dos Leigos |
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(Atos 20:19) Sem. Elton Roney Carvalho (¬) Não há nenhuma novidade da minha parte afirmar que em nossos dias existe um grande número – que continua a crescer – de pessoas que buscam o seu crescimento pessoal, sua alegria e seu conforto. Também não é uma novidade afirmar que existe um grande número de "líderes de igrejas" que entraram nessa empreitada, visando o ministério pastoral, apesar desta notícia ser mais complexa, preocupante e muito séria diante de Deus. Uso a colocação "líderes de igrejas" para expressar "pastores" que na verdade não o são, mas, são lobos. Esses lobos aparecem já faz muito tempo e aparecem durante a história do evangelho, mas, em nenhuma passagem eles são mencionados com tanta preocupação como no livro de Atos, dito da boca do Apóstolo Paulo, vejamos: "Eu sei que depois de minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho" (Atos 20:29). Aqui está a certeza bíblica de que os lobos entrariam no rebanho, e eles não entraram? O evangelho está repleto de interesseiros, falando na linguagem de Cristo, está cheio de mercenários (João 10: 13), líderes que "não dariam" a sua vida pelas suas ovelhas, mas, usam a vida da ovelha para subirem na vida. As palavras do nosso Senhor Jesus são bastantes claras na definição e imensa diferença que há entre o bom pastor e os mercenários: "Eu sou o bom pastor, o bom pastor dá a vida pelas ovelhas... o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas" (João 11:13). Notemos a gritante diferença entre Cristo, o bom Pastor que dá a sua vida pelas ovelhas, e o mercenário, que diante de uma situação complexa se preocupa apenas com sua vida, deixando suas ovelhas e fugindo para salvar-se, não dando a mínima para ela. É interessante notar a atual atuação dos mercenários em nossos dias. Parece-os um caminho muito fácil para levar uma vida terrena ludibriar fiéis, mexer com terra santa, enganar, mentir e ferir pessoas que Deus ama. Podem achar que é simples preparar uma "palestra" dominical de auto-ajuda e fazer com que os fiéis acreditem que terão uma vida melhor pelo simples fato de fazer parte daquela igreja e crer. Entretanto, a repercussão dessa atitude mercenária na eternidade é bem séria para Deus. Está aí para todos verem os clubes que algumas igrejas se tornaram, onde existe a "maior agonia" dos líderes para realizarem eventos que atraiam a atenção tanto de fiéis como de todo o tipo de lobos, não existe nenhuma preocupação com como andam a vida dos membros, mas, sim, o seu lugar no banco no culto dominical. Até quando estará na mente de alguns a idéia empreendedora de estruturar um grande império de homens e chamar de igreja. Creio, abertamente e sem dúvida alguma, que as grandes igrejas podem ser planos específicos de Deus para casos especiais. Ele tem a capacidade de aglomerar um grande número de salvos e de pessoas que podem conhecer a Cristo, e aqui estamos falando de evangelismo, estamos falando de proclamação do Reino de Deus e isso é plausível diante de Deus, o que critico é a intenção errônea que alguns fundam a implantação de igrejas e planejam para ela. Faço lembrar que mesmo que a qualidade gere quantidade (e concordo, está no livro de Atos) ela chama a atenção do homem, mas, não a de Deus. Até quando será a intenção principal de alguns pastores de nossos dias a de enganação de fiéis com a formulação do evangelho segundo o seu critério (Gl 1:10)? Até quando será o desejo maior de líderes atuais o agrado dos membros? Quando findará a pouca busca pelo conhecimento de Deus de parte da liderança eclesiástica? Quando esses líderes despertarão para a importância da transformação real de seus liderados? Sabemos que a Bíblia é a única e suficiente regra de fé e prática de nossas vidas. Nela contém o necessário para a Salvação humana e a vida aqui na terra, na ânsia pela volta de Cristo. Nela encontramos as diretrizes para um ministério pastoral segundo o coração de Deus. Encontramos a solução para a atual geração de mercenários e a formação de pastores em nosso futuro. Na esperança da resolução dos problemas atuais e vindouros. Mas, quais as atitudes primordiais e a mentalidade fundamental para a construção de um caráter inicial e constante na vida de uma presbyteroi? Com humildade deve o pastor andar, não como alguém que pensa estar nessa posição por ser melhor que outras pessoas, pois não o é. Não convêm que encontremos líderes, representantes de Cristo com a falta desta. Humildade é serviço, é colocar-se à disposição de todo o tipo de pessoa que necessite de alguém ao seu lado em tempo oportuno. Humildade é a plena convicção de que você está com seu Colarinho pelo fato do mesmo representar serviço, recepção e, acima de tudo, o caráter de um representante de Cristo para ovelhas que necessitam. Não penso que é o mínimo compatível com Pastor a falta de amor pelas pessoas e suas aflições da alma. Se você como líder preconiza qualquer sentimento de alguém achando que é algo medíocre que alguém sente, revise seus conceitos, pois de tudo o que Deus constitui em um ser humano, as aflições da alma fazem parte do mesmo ser humano que deve ser ouvido e tratado por você. Não há nada mais importante no ministério pastoral do que cuidar de pessoas. O templo físico não é mais importante que pessoas. "Bem aventurado os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5:3). Bem aventurado é mais que alguém feliz, é alguém bem sucedido em espírito aqui na terra e diante de Deus. A humildade traz sentimento de paz, não sentimento faccioso. A humildade traz paz, não guerra. Um pastor humilde evita conflitos seja com quer for, não consegue de modo algum ser agente gerador de conflitos, mas provedor da paz. "A humildade é sempre o desejo inevitável de cumprir a paz, mesmo em meio a guerra". Humilde de espírito é ser dominado pelo Espírito de Deus, não pela vontade desgovernada do coração humano cheio de pecado e deturpações do pós-queda. "Dele é o reino dos céus". Um lugar de paz preparado para aqueles que promovem a paz. Humildade é a plena dependência de Deus em todas as coisas. É reconhecer que o homem não vê um palmo à sua frente sem distorcer a realidade. É afirmar a necessidade do Espírito de Deus na guia de suas vidas. Não está distante de nós, pastores que acreditam – intimamente – que algo aconteceu em seu sermão pelo grau de estudo ou preparação adequada. Pensando – mas, longe de afirmar isso a alguém – que sua participação no ministério de Deus, que O mesmo permitiu por misericórdia que o citado fosse mordomo, altera para melhor o campo de ovelhas que ele toma conta. Humildade é reconhecer que a única diferença que fazemos para Deus em algo que realizamos é a vontade Dele nos usar. Depender de Deus é uma boa definição para humildade; é reconhecer Seu cuidado e soberania (Sl 9:18) na vida e no ministério, afinal, a vida deve ser o ministério, e o ministério a vida. Lágrimas lavam os olhos, lágrimas lavam sentimentos ruins, lágrimas regam sentimentos que surgiram e nos farão levantar para honra de Deus. As lágrimas foram criadas por Deus para umedecer o coração humano. As lágrimas fazem com que líderes representantes de Cristo reconheçam que são inferiores a Deus; que também choram e dependem de afeto e ombro amigo. Se não fossem as lágrimas seriamos eternos secos. Viveríamos em sequidão, pois não haveria água para encharcarmos nossas tristezas; águas externas, que não vêm de nós, não podem trazer a limpeza e purificação necessária. "Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes... chorem os sacerdotes, ministros do Senhor..." (Jl 2:13;17). Como poderemos atingir o coração de Deus sem o rasgar de nosso coração? Sem uma manifestação sincera do nosso amor, devoção e obediência a Deus? Será que Deus deseja o nosso superficial? Não afirmo, de maneira nenhuma, que devemos forçar um choro – pois o próprio que vos escreve não é muito chorão – mas, o choro são instruções simbólicas da demonstração da devoção a Deus. O Senhor nos convida ao arrependimento diário e ao choro sincero para o crescimento como ministros da verdade. Como poderemos ser ministros da verdade com choros falsos? Rasgamos, verdadeiramente, aquilo que tem impedido nosso crescimento íntimo com Deus; rasgamos aquilo que nos fará ouvir as verdades de Deus para transmiti-las ao povo. Deixemos que nossas lágrimas nos alimentem em nosso ministério. O Salmista Davi afirma: "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus? As minhas lágrimas têm sido meu alimento dia e noite..." (Sl 42:2-3). Nossas lágrimas devem ser nosso alimento, devemos ter como perspectivas ministeriais a sede de Deus e a vontade de conhecê-lo a cada novo dia nossa meta. Ora, as provações não fazem parte daqueles que seguem ao Senhor? É anti-bíblico afirmar que cristãos não sofrerão! "Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança" (Tg 1:2-3) Parece que Tiago escreveu para pastores, não? Quantas provações passam estes servos de Deus. Entretanto, a provação é vista aqui como algo que produzirá em nós perseverança. Falta-nos verdadeiramente compreender e afirmar isso no momento exato da provação, não é mesmo? Essa parte é difícil, mas não impossível. A cada dificuldade enfrentada, a cada vitória tida, devemos reconhecer que crescemos em relação ao problema enfrentado, e que essa experiência nos será grandiosa diante de Deus. As provações são obstáculos que se levantam para fazer-nos mais fortes, treinados e capacitados. Imagine-se sem nenhuma vitória. Pense se você tivesse crescido sem dificuldade. A dor é um sentimento que nos faz perceber que estamos em perigo e que devemos tomar alguma atitude para evitar tal situação. Imagine-se sem desafios e logo você se sentirá mais fraco do que nos momentos de provações. As provações sempre se levantaram, estando nós prontos ou não. A questão é: Permaneceremos de pé mediante a fé que ela nos fará mais forte, como o vento da primavera faz os galhos das arvores mais fortes? O Apóstolo Paulo tinha plena consciência de que um ministério bem sucedido diante de Deus é aquele que é acompanhado de Humildade, na dependência de Deus; nas Lágrimas como o sentimento de arrependimento e sede de Deus; e Provações, aquilo que nos faz fortes e parecidos com Cristo, pois Ele sofreu. Que possamos, tanto aqueles que estão em processo de inserção no ministério, aqueles que iniciaram a pouco tempo seu ofício como aqueles que caminham firme seu chamado, ter a consciência de que obra maior não há e que diante de Deus somos e sempre deveremos ser representantes fiéis de Sua verdade. Assim como o Apóstolo citado passou, passaremos por provações, não sei se na medida das deles, mas que tenhamos sua mesma motivação. "Fiel é a palavra: se alguém aspira o episcopado, excelente obra almeja" (1 Tm 3) "Com humildade, lágrimas e provações" Que Deus nos abençoe! Em Cristo! _________________ ¬ Elton Roney Carvalho é Seminarista da Diocese do Recife, aluno do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PB; colabora no Arcediagado Paraíba. |
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