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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

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Home Biblioteca Artigos de Leigos Evangelismo ou Marketing?

Evangelismo ou Marketing?

(sexta-feira, 14 de novembro de 2008 às 11:33)
 

Pensamento dos Leigos

 

ML. Frei Carlos Evangelista, ose (¬)

As perspectivas pastorais para a evangelização num contexto de globalização neste final de década e seus efeitos nas culturas locais e mundiais, nos forçam sempre a reconsiderar e/ou questionar tudo de novo. O que é "evangelizar, o que é Evangelho e quem está evangelizando?". Não se pode mensurar apenas como resultado palpável da evangelização, um grande número de adesões sem conversões verdadeiras, com mais e/ou maiores dízimos e com resultados, muitas vezes, na extrema semelhança entre o que mais temos disponível no mundo de hoje (supersticiosos e carnais) e muitos dos evangélicos atualmente – crentes que não parecem ser crentes, ou que fazem força para não parecerem –, outros tantos dentro de um secularismo disfarçando Deus em prosa e verso, mas que o nega em Sua santidade, negando o Corpo de Cristo (Igreja), seus sacerdotes e estruturas ordenadas pelo Pai.

Não se pode avaliar o avanço do evangelho, no mundo hoje, somente pela ênfase do ritmo da moda do ser religioso ou quiçá porque seja legal estar numa Igreja sem muitos "rigores", ou ainda, que a música Gospel já toque na balada do bairro nobre, na rádio pop e nas "marchas evangelísticas" que vemos por aí. Isto tudo não nos dá a visibilidade real do ide de Cristo cumprido a rigor, até porque é muito vazio. Enfim, falta conteúdo. E aí me coloco frente a possíveis discordâncias novamente na minha vida. Pois, como a mim não foi concedido o dom de unanimidade, graças a Deus, falo que, como é irrefutável que muitos dos arquétipos religiosos de hoje sejam considerados eficazes pelo tilintar das moedas no fundo do gazofilácio a despeito da mensagem da cruz, e neste caso, sinceramente não estou apontando para denominações ou Igrejas específicas. Quem tiver ouvidos ouça os telejornais, ou então leiam as revistas semanais e a internet.

Alguém pode me questionar sobre qual o parâmetro que uso para qualificar as verdadeiras conversões a que me referi acima, mas, então, deixo a questão para que seja auto-respondida por quem esteja lendo este texto na íntegra e que se dispuser a fazer um exercício pessoal e sincero de memória. Que tal relembrar sobre quantas pessoas você sozinho já se disse: "esse é um homem ou essa é uma mulher de Deus?" Avalie os critérios que você usou para responder a essa pergunta, e reitero: tem que ser de forma bem pessoal e íntima; veja se há concordância com a Bíblia essa avaliação (fruto do espírito, amor, etc.) e aí: tcharrrraaaam..., taí o parâmetro que eu uso. Lamento se decepcionei por só conhecer esse, mas só que desde a minha infância sempre precisei de referências para tentar seguir um rumo na vida, alguns foram tão desastrosos, que se não fosse a graça de Deus, estaria morto realmente, biblicamente falando, ainda. Mas, no mundo cristão, exemplo é tudo, e é nele que estou me baseando agora, pelo menos para tentar guiar minha vida, vida que Ele, o Cristo Jesus, me deu (Ef. 2:1-3).

Voltando ao conceito exato e, ao Evangelizar concretamente, será que estamos pautando nas Escrituras as nossas metas de evangelização? Nunca entendi que o evangelho, no seu aspecto mais precioso que é o anúncio da ressurreição de Cristo, devesse ser transmitido como um produto dentro de uma estratégia específica de marketing. Nunca assimilei essa idéia que Igrejas precisassem formar teólogos marketeiros especialmente preparados para que, destarte, encontrassem modos novos e eficazes de apresentar a verdade imutável do Evangelho. E, então, o que tenho visto como resultado disso são os valores da própria Igreja: a alegria da vida, o respeito pelos idosos, pelas crianças, pelos necessitados, pelas instituições e pela família no seu mais profundo sentido de comunhão e solidariedade, sendo jogados na vala comum daquilo a que se chama por obsoleto. E a Bíblia vai ficando também "obsoleta" graças à "hermenêutica" de sucesso pleno. Todo versículo passa a ter um conteúdo avaliado pela viabilidade do momento, e ninguém fala mais em choro e ranger de dentes, julgamentos e pecado, soberania e Justiça de Deus.

Tenho tristemente ouvido de pessoas de todas as denominações que por laços de familiaridade, afetividade, consenso ou tolerância tenho me relacionado; vários relatos que me impõem a uma dúvida quanto a real intenção dos novos "evangelistas" que aparecem pelo mundo afora e, de modo especial, no Brasil. Refiro-me aos fatos reais por eles relatados, infelizmente, pois sabemos que existem muitos destes pseudo-evangelistas e apóstolos que passam em tempos de comoção ou de crises econômicas, a criarem conceitos de evangelismos internacionais, sofisticados e pós-modernos. Que alegam maldições aos que não estão com carro zero na porta, ou que por uma razão qualquer estejam desempregados e com problemas familiares assolando suas vidas. Alcoolismo passa a ser tratado em sessões de descarrego, e não mais nos A.A's e clínicas especializadas (psicólogo e médico têm seus dias contados). Eles não falam em razões sócio-econômicas, não falam de história e política para os fiéis e esquecem da palavra doutrina para se referir ao ensino de Deus, até porque "soa mal" e "espanta o povo" ("..." verbetes que ouvi pessoalmente ao falar de doutrina e liturgia). Isto denota no esquecimento do bem comum, na avaliação irreal do que é doença e do que é conseqüência. Na verdade, todos percebemos isso como comportamentos sociais guiados por lógicas mercantilistas. Falamos até sobre isto nos púlpitos, mas a muitos falta a coragem de exercer o que falam as Sagradas Escrituras. Esse modelo modificado de Evangelismo tem nos levado a passos largos, também, à destruição dos modelos de vida transmitidos pela família, pela escola e pela Igreja. Então, certo Pastor, que é o dono da denominação/igreja tal, "esquece" de fomentar a palavra de fé que integra a comunidade, que alivia o coração e que denuncia as potestades e os principados, com medo de ver, em alguns casos até, escapar pela porta da frente a oferta segura, ou de enfrentar a dificuldade e possibilidade do martírio pessoal ao se falar sobre a justiça Divina.

É nesse contexto atual, de uma evangelização mal-entendida e mal intencionada que distorcem valores importantes na constituição do cristão discípulo (aquele que aprende e exerce seu papel de agente transformador – sal e luz – e profeta que denuncia o mal e que anuncia a vinda do Rei dos reis) que, ou mergulhamos num silogismo lógico e sem medo afirmaremos que os que ofertam Deus sem desejar e que deixam de incitar a um membro de Igreja à mudança de vida e de comportamento derivada do evangelho, são incapazes de amar, ou, por conseguinte estaremos bem situados naquela elite que sempre esquecerá o humanismo cristão e nunca iremos propor os grandes preceitos morais da Palavra de Deus, e ficaremos iguais àqueles a quem taxamos de charlatões, que mencionei anteriormente.

O tempo de evangelizar é o agora, realmente, como estudamos, inclusive nas escolas bíblicas dominicais, até mesmo pela brevidade da vida humana. É o agora que vai desarticular a formação e/ou o crescimento do mal na figura de satanás, e é nesse contexto que não posso fugir de argumentar quanto à questão do que seja evangelizar. Mas é certo, também, que nunca deixarei de concordar: o Evangelho deve ser pregado a tempo e fora de tempo, visto que a disponibilidade da graça é temporal, não eterna; mas afirmo (e isto é Bíblia – Ef. 4:11) que nem todos podem fazê-lo, pois não foram chamados a tal, e, principalmente, que o Evangelho não deve se alinhar à conveniência do homem que tenta ajustar a palavra a seu modo de ser. Não vejo sentido nesse evangelizar, que vem sendo continuamente confundido. Parecer mais com coptar ou mesmo com o fazer prosélitos, e que alguns se locupletam do termo para que se tomem de um sentimento irreal, se auto-proclamem bons e criem campanhas de "evangelização" e acreditem que estão agindo no tempo e na vontade de Deus, sem se perguntarem que diferença fazem na comunidade, isso quando, ou se realmente estão preocupados com isso.Vale ressaltar que fazer o bem, muitas vezes a quem não se conhece, é bom e necessário. Também!!! Mas, comunidade se entende pelo que realmente está próximo do seu dia-a-dia (koinonia), e esta, sim, vem sendo esquecida, porque não dá mídia.

Para nós (e eu creio nesta forma no plural), proclamar a Boa Nova da ressurreição de Cristo não é só falar. É mais que isso, é também acima de qualquer outra coisa: ser. Evangelizar em verdade significa ser testemunha de uma transformação que ocorre dentro do ser humano, dentro de nós. Afirmo, mais uma vez, que O Evangelho deve ser pregado a todos, mas, quando e como? As respostas sem sombra de dúvidas são: Hoje e com a palavra de Deus, agora e com a Vida. O Senhor já tem nos dito isso há muito mais de dois mil anos. A questão é ter boa vontade, seriedade, sinceridade e compromisso para fazê-lo, sem interesses particulares no processo, livre da ambição nociva ao ser humano, mas cheio do amor de Deus através de Seu Santo Espírito, que nos enche de sabedoria e compaixão. Esse Espírito da verdade que desde o Pentecostes tem também nos advertido quanto a falsas doutrinas e a falta de doutrina.

Que Deus nos ajude!!!!

______________

¬ José Carlos Evangelista é Seminarista do SAT-PE, membro da Diocese do Recife e Frei da Ordem de Santo Estevão (OSE); como Ministro Local faz parte da Equipe Pastoral da Paróquia Anglicana Jesus de Nazaré, em Gaibú – Cabo de Santo Agostinho-PE.

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