Reflexão de Clérigo - Sobre tudo o que tem ocorrido na Diocese Anglicana do Recife - Resposta aos seus autores
| Rev. Luiz Souza de França |
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1 - O Bispo Robinson Cavalcanti é um homem cheio de defeitos. Para lhes dizer a verdade, só conheço um com mais defeitos do que ele próprio: eu mesmo. Mas entendam, nobres irmãos, é esse Bispo cheio de imperfeições que nós queremos que nos pastoreie. 2 - Vocês discorreram com muita competência sobre muitos assuntos, mas se esqueceram do principal, a meu ver: o fulcro dessa questão é a ordenação de reverendos homossexuais aqui NA IGREJA ANGLICANA NO BRASIL. É verdade que não existe uma agenda tratando dessa questão para ser discutida no próximo Sínodo da Igreja. Mas, é mais verdade ainda, que reverendos homossexuais praticantes estão sendo ordenados e aceitos, sem nenhuma restrição, nesse ministério ordenado. Por exemplo: o reverendo (que foi posto em disponibilidade aqui pelo bispo Robinson justamente por essa razão) que é Pároco da Paróquia Santo André, na cidade de Campinas (acesse o site da Diocese de São Paulo e veja em Notícias do dia 29/08/04 a reportagem e as fotos referentes ao novo Reitor); o reverendo que é um dos principais assessores no Seminário (SAET) e também é homossexual assumido. O reverendo Mário Ribas não só é assumido, como faz apologia e é o defensor e representante dos reverendos gays pelo mundo afora. Veja essa entrevista concedida por ele: "A aceitação de padres homossexuais dentro da Igreja Católica brasileira deve levar ainda muito tempo para se concretizar, na opinião do reverendo Mário Ribas, um dos primeiros homossexuais assumidos a serem ordenados pela Igreja Episcopal Anglicana Brasileira”.
Em entrevista à BBC Brasil, Ribas – que foi Pároco em Santos por cinco anos e desde abril está na África do Sul fazendo um doutorado – disse que o processo será mais demorado dentro da Igreja Católica por ser uma questão mais dependente do Vaticano do que das autoridades locais. Na opinião dele, a sociedade brasileira está ficando mais aberta e caminhando para uma maior aceitação do homossexualismo. Ele diz, por exemplo, que há cada vez mais casos de juízes concedendo direitos como pensão e guarda de filhos a parceiros homossexuais. "À medida em que a questão é resolvida na sociedade de uma maneira geral, a Igreja acaba aceitando, acaba mudando o seu posicionamento. Eu acho que isso é inevitável", afirma Ribas.
Desculpas "No Brasil, eu vejo que a Igreja Anglicana e também outras Igrejas estão discutindo o assunto, porque é pertinente. Mas na Igreja Católica o processo deve ser bem mais demorado", diz o reverendo. Na segunda-feira, a Igreja Anglicana convocou os líderes da Igreja americana a se desculpar por terem ordenado um padre homossexual como Bispo. A convocação foi feita pela Comissão Lambeth, criada depois que a ordenação de Gene Robinson, no Estado americano de New Hampshire, ameaçou dividir a Comunidade Anglicana mundial.
Racha O reverendo Mário Ribas diz não acreditar que a Igreja americana vá se desculpar pela decisão de ordenar o padre Gene Robinson como bispo. "Foi algo que eles discutiram, refletiram, oraram. Eles olharam para a competência pastoral de Gene Robinson e acharam que era para o bem da Igreja", afirma. Ribas afirma que pode ser inevitável que alguns integrantes ou algumas comunidades locais deixem a Comunidade Anglicana por causa da polêmica, mas disse não acreditar em um racha dentro da Igreja. "Mesmo na ordenação de mulheres ao sacerdócio, ao episcopado, houve a mesma revolta, foram feitas várias ameaças de cisma e isso nunca aconteceu", afirma ele, que ressalta, no entanto, que ainda é cedo para se fazer uma avaliação. No Brasil, segundo ele, o assunto tem causado menos polêmica."Uma coisa que ficou bem clara na minha ordenação era a questão da competência pastoral, se eu tinha vocação para exercer o ministério". "Em termos da orientação sexual, isso nunca foi um problema. Talvez tenha sido um problema para algumas pessoas dentro da comunidade, mas nunca atrapalhou o meu ministério", afirma. Bíblia e homossexualismo O reverendo criticou o relatório da Comissão Lambeth, dizendo que o documento trata a questão como se fosse um assunto doutrinário e ideológico, quando, na opinião dele, é um assunto pastoral. "Isso (a ordenação de homossexuais) é uma atitude pastoral, de acordo com a necessidade cultural de cada ambiente em que a Igreja está estabelecida. Nos Estados Unidos, o que aconteceu foi isso. O documento esqueceu de abordar essa lado também", diz. Na opinião de Ribas, a Bíblia não condena o homossexualismo. "Eu não vejo nenhuma condenação em relação a isso. Nos evangelhos principalmente, onde estão a base da nossa fé, não existe qualquer menção sobre o assunto", afirma. Ele diz que a Bíblia não pode ser usada como um "manual de regras", porque, apesar de apontar caminhos, "ela não tem como abordar todas as questões envolvendo a complexidade da vida humana". Segundo o reverendo, se a Bíblia for usada como um manual de regras, erros cometidos no passado poderão ser repetidos. "Muitas pessoas no passado tentaram usar a Bíblia para legitimar a escravidão. Aqui na África do Sul, por exemplo, a Igreja reformada usou a Bíblia durante muito tempo para legitimar o Apartheid. A Bíblia foi usada para legitimar a opressão das mulheres. Então não podemos cair no mesmo erro", afirma Ribas. Ele lembra que a Bíblia enfatiza a necessidade do amor ao próximo. "O princípio básico para todas as relações é o amor, ou seja, fazer o bem ao próximo. Fora isso, não existe nenhum outro princípio para determinar como as relações devem ser, se devem ser com homem ou com mulher", diz o reverendo. A Igreja Anglicana foi estabelecida no Brasil em 1810 e tem cerca de 120 mil integrantes. Ou seja, não há uma agenda, mas avança-se pela prática, que é realmente o que interessa. Se vocês aceitam essa realidade, tudo bem, sigam em paz. Mas eu não aceito e penso ter o direito de não aceitar. O dinheiro remetido pela JUNET pode ter o título que tiver, mas é usado por todos – eu disse TODOS – os bispos conforme as necessidades de suas Dioceses. Foi assim sempre na DAR mesmo antes do Bispo Robinson. Ele é usado para pagar salários e outras despesas de custeio. Por que haveria de ser diferente com a gestão do Bispo Robinson? Alguns de vocês mesmos recebem seus salários a partir dele. O Bispo Filadelfo é pago com que dinheiro? Ah, as contas telefônicas do Bispo Filadelfo também eram pagas com esse dinheiro. E continuam sendo. Ou não!? Não, amigos, a questão não é essa e, sim, que JUNET alguma pode retirar esse valor sem se apoiar em legislação nenhuma, obedecendo aos humores raivosos de quem quer que seja. O fato é que a Diocese paralela da DAR só sobrevive a partir dele. Sem esse dinheiro nenhuma sedição vingaria. E sabe quem disse que o dinheiro seria repassado para D. Filadelfo? Foi o próprio presidente da JUNET. Veja esse documento:
Revmo Dom Robinson Cavalcanti Caro Bispo 1- Venho por meio desta comunicar que: Considerando suas posições em relação a IEAB; Considerando sua posição em não aceitar a Supervisão Episcopal Especial nomeada pela Câmara dos Bispo; Considerando que a não aceitação gera uma necessidade administrativa; Considerando que a JUNET envia mensalmente recursos para as Dioceses, 2 - Comunico que por decisão do pleno da JUNET a dotação mensal da JUNET será enviada para ser administrada pela Supervisão Episcopal através do Bispo Sufragâneo, Dom Filadelfo de Oliveira Neto. 3 - Sendo o que tínhamos no momento, Revmo Bispo Hiroshi Ito Presidente da JUNET, 2003-2006
Então, os pecados que vocês competentemente apontam dos do lado de cá, são os mesmo dos do lado de lá. Numa coisa concordo plenamente com vocês: que Deus precisa usar de MUITA misericórdia para agüentar a nós todos. Ah! Isso é verdade plena! Penso que o menos danoso que podemos fazer agora é convivermos sem nos agredir. Cada um no seu ponto de vista, e no seu lugar. O fato de alguns de vocês terem assinado o documento para que o Bispo Robinson fosse processado canonicamente é para mim o máximo da ingratidão. Vocês não se contentam em liderar uma sedição, mas querem destruir a pessoa do Bispo, justo vocês que foram acolhidos, protegidos, que comeram inúmeras vezes na mesa dele, que receberam postos e cargos os mais relevantes na Diocese e que foram ordenados por ele... Mas, isso é um problema de vocês. Estou dizendo apenas o que penso, e eu posso pensar, apesar de vocês terem dito no seu documento que eu sou pouco menos que uma marionete. Mas, por mais espanto que isso possa lhes causar, lhes digo: eu tenho posições e opiniões próprias. Uma delas é que minha obediência a qualquer líder religioso está condicionada à sua obediência à Palavra de Deus. Vocês, nobres colegas, são bons escritores e bons pregadores. Se do alto dos meus 55 anos pudesse lhes dar um conselho de vida, lhes diria: gastem seus dons e suas energias pregando a Palavra de Deus. Esqueçam essa fixação de querer destruir o Bispo. Em isso se concretizando, vocês amargarão uma página de sofrimento pessoal perfeitamente evitável.
João Pessoa (PB), 26 de dezembro de 2004 Rev. Luiz de Souza França |
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