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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

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Home Biblioteca Artigos de Clérigos “Será a Nova, a Boa?”

“Será a Nova, a Boa?”

Rev. Marcus Throup

 

A Comunhão Anglicana, na sua maioria esmagadora, acha que não. A nova hermenêutica revisionista, rejeitada inequivocamente na Conferência de Lambeth de 1998[1], se sustenta biblicamente com imensa dificuldade à luz da máxima orientadora de Richard Hooker (1554 –1600):

“Eu considero como regra mui infalível na exposição das Escrituras, de que quando uma construção literal pode ser aceita como tal, a interpretação mais longe da literal é geralmente a pior”.[2]

 

Hooker escreve aqui como teólogo anglicano, reformado; visivelmente fincado no princípio reformado da perspicuidade das Escrituras Sagradas, princípio esse que já havia sido manifesto nos escritos dos veneráveis Pais da Igreja, tais como Santo Agostinho, que afirmou: “... no claro ensino da Escritura nós achamos tudo que diz respeito à nossa crença e conduta moral”.[3]

 

Quer queira, quer não; quer goste, ou não; quer aceite, ou não; como Agostinho, o Anglicanismo histórico, e o Anglicanismo global atual, acredita no “claro ensino das Escrituras”. É por isso que o Relato de Windsor tem desafiado a ECUSA a explicar as suas posições polêmicas no que diz respeito à normalidade da prática homossexual em primeiro lugar com referência à Bíblia, e não a princípio, àquilo que diz a Filosofia Pós-Moderna, a Psicologia, a Sociologia, ou o Humanismo secularizante.[4]

 

Como o Rev. Dr. Peter Moore refletiu recentemente durante uma palestra na atual Catedral Anglicana do Bom Samaritano, se ela estiver disposta a tentar, a ECUSA terá enormes dificuldades em montar uma defesa bíblica exegética plausível das suas posições, pois, estendendo o raciocínio de Moore, julgamos com autoridades como o Bispo N.T. Wright, que, de modo geral, os argumentos daqueles como o Bispo Spong, quando fazem referências às Escrituras Sagradas caem freqüentemente no erro de eisegesis e não têm caráter exegético autêntico.[5]

 

À luz do Relato de Windsor e respostas influentes ao mesmo[6], parece que futuramente, dentro da Comunhão, o conceito mui abusado de “inclusividade anglicana” pode ser revisto e, digamos, curado, e, além do mais, parece que qualquer estranho(a) teólogo(a) ou(e) eclesiástico(a) que vier batendo na porta da Comunhão Anglicana terá que provar na Palavra de Deus que ele(a) está comprometido(a) com a mesma, e daí que está, então, disposto(a) a “andar juntos”.

 

Numa época em que vêm ocorrendo mudanças sociológicas, ideológicas, religiosas e tecnológicas com tão grande velocidade, sinto que, como cristãos, nós somos culpados, freqüentemente, do pecado de sermos passivos demais a respeito daquilo que é novo. Muitas vezes nós trocamos o antigo pelo novo, sem parar para examinar o novo com cuidado suficiente, para ver se ele realmente “presta”, e, então, acabamos nos moldando “ao padrão deste mundo”, perdendo, assim, a habilidade de “experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.[7] Parece que, nós cristãos, e especialmente nós anglicanos, precisamos de uma boa dose de cautela a respeito de “novidades”...

 

Os Pais da Igreja, assim como os Apóstolos, sempre desconfiavam, na linguagem paulina, de “todo vento de doutrina”[8], isto é, das “inovações” doutrinárias, e insistiram por sua vez, na Sã Doutrina recebida pela Igreja Católica, conforme eles, do próprio Senhor Jesus Cristo.[9] Atanásio, por exemplo, encarando o desafio da “inovação Ariana” afirmou que a doutrina que ele defendia havia sido entregue de pai para pai, enquanto os Arianos não tivessem testemunho respeitável algum, ao seu favor.[10] Clementino, por sua vez, culpou os erros dos hereges no seu costume de “resistir a tradição divina”, ou seja, desviar nas suas interpretações de fé, como expressa na herança apostólica e escritural.[11] 

 

No momento atual, certos anglicanos evangelicais cautelosos, tais como os influentes autores do comentário sobre o Relato de Windsor “Repair The Tear”, estão apelando à Tradição da Igreja, como contida nas Escrituras Sagradas e entendida pela Igreja no seu ensino oficial durante os séculos. Não acredito que eles estejam advogando uma posição que exclua a possibilidade de todo progresso na doutrina. Não acho que eles sejam, nesse sentido, “fundamentalistas”. Pelo contrário, acredito que eles, como Vicente de Lérins, no século V, têm como preocupação principal, a preservação do conteúdo da Sã Doutrina, para que em momento algum o conteúdo da fé possa ser confundido com a forma pela qual essa seja transmitida.[12] Isso não é dizer que a doutrina da Igreja não possa ser renovada, ou melhor, elucidada pela ação do Espírito Santo, mas é prevenir, sim, a invenção de novas doutrinas que não contém base alguma nas Escrituras Sagradas.

 

A conclusão desta pequena reflexão, então, é a mesma da Conferência de Lambeth de 1998, e a mesma que, com toda probabilidade, resultará da Reunião dos Primazes em fevereiro próximo: a doutrina não precisa ser nova, ela precisa ser boa, e, é claro, sã. Neste momento tão doloroso que nós passamos em tristeza profunda e oração contínua, que as palavras do Apóstolo Paulo a Timóteo possam nos confortar:
 

“Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpra plenamente o seu ministério” (2Tm.4:3-5).

 

Só resta perguntar: Depois da Reunião dos Primazes, em fevereiro, será a nova, anglicana?

Rev. Marcus Throup

 


[1] Na votação, a Resolução 1.10 foi passada na sua forma atual com 526 votos a favor, contra apenas 70 em oposição e 45 abstenções.

[2] Citação contida no site do Anglican Mainstream www.anglican-mainstream.net .

[3] Santo Agostinho De Doct. Christ. 2,14 por Kelly J.N.D. em “Early Christian Doctrines” London: A &C Black, 1958, p.43.

[4] Veja no Relatório de Windsor cláusula 135, e, também, 145. A cláusula 53 contém uma implícita explicação porque existe essa necessidade de argumentar primeiramente e principalmente a partir das Escrituras Sagradas nessas questões: “Dentro do Anglicanismo, as Escrituras sempre têm sido reconhecidas como a suprema autoridade da Igreja...”.

[5] A respeito de exegesis e eisegesis veja em Bruce Chilton “Beginning New Testament Study”, London: SPCK 1986, p.9, ““Exegese”…refere à leitura que se inicia com o documento e que traz à luz o sentido das palavras no seu contexto. É o oposto de “eisegese” que ocorre quando leitores imputam ao texto de maneira acrítica, as suas próprias idéias”. Para uma crítica (entre muitas) do argumento “eisegético” do Bispo John Shelby Spong, veja Wright N.T. “Who was Jesus?” London: SPCK, 1992, pp. 65-92.

[6] Por exemplo “Repair the Tear”, do Anglican Mainstream.

[7] Como exemplo dessa tendência, há a nova ênfase “empresarial” em Seminários ocidentais, onde comumente pastores passam tempo explorando modelos gerenciais e técnicas de marketing no lugar do cultivo da espiritualidade e o estudo bíblico e missiológico. Há também as (ao meu ver) horrorosas sugestões do professor do Seminário de St. John, Nottingham, Michael Moynagh, em “Changing Church, Changing World” a respeito de igrejas formadas exclusivamente por pessoas com os mesmos interesses sociais etc. – “interest base” church.   

[8] Efésios 4:14

[9] Veja, por exemplo, em Ireneu “Adversus haeresus” e em Tertuliano “De praescer” 13.

[10] Kelly J.N.D. 1958, p.45.

[11] Ibid. p.47.

[12] Eu penso na insistência reiterada, por exemplo, dos autores de “Repair the Tear” que o processo de “escutar e compartilhar perspectivas” não devem ofuscar as diretrizes da Resolução 1.10 da Conferência de Lambeth 1998. A respeito de Vicente – (non nova sed nove), não novas doutrinas, mas novas formas para as mesmas doutrinas tradicionais.

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